A GENUFLEXÃO DO ESTADO E AS ENTIDADES SINDICAIS

Pra tudo há limite, inclusive para os descaros do sindicalismo. Confirmado pelo Supremo Tribunal Federal o privilégio exclusivo de gestão da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos nos serviços postais, o sindicato da categoria mobilizou seus trabalhadores e decretou greve. A paralisação deve atrasar a entrega de 20 milhões de correspondências e 243 milhões de correspondências. Os números não são fruto de um levantamento empírico de minha parte. As estimativas são do próprio sindicato da categoria. Os valentes fizeram questão de proclamar o prejuízo que estão causando ao ficarem de braços cruzados. O ardil é interessante porque nos permite lançar luz sobre um fato inexorável: o monopólio aumenta de forma espantosa o poder de pressão dos sindicatos. A ambição dessa gente, agora, faz o Estado se tornar um genuflexo compulsivo diante dos seus interesses. Exigem nada menos que 41% de aumento salarial, reajuste linear de R$ 300 e, pasmem, redução de jornada de trabalho sem prejuízo de salário.

A ECT prevê que, se atendidas todas as reivindicações da cambada, uma facada de R$ 54 bilhões por ano será introduzida na jugular da empresa. O valor representa quase cinco vezes a receita anual da companhia. Durante o governo Lula, a categoria dos Correios teve seus salários praticamente dobrados. Mas, mesmo assim, isso não pôs um fim à ânsia de alguns dirigentes sindicais de meia-tigela. Requerer o estratosférico aumento de 41% passou a ser condição sine qua non para que o fim da greve seja decretado.

A tenacidade dos meios sindicais procura ser rotativa em torno dos próprios interesses. Um dos busílis em debate no meio empresarial e sindical é justamente a redução da jornada de trabalho. Recorrendo a uma retórica falsa, os defensores dessa teoria afirmam que tal medida aumentaria o número de vagas no mercado de trabalho e a daria mais qualidade de vida ao trabalhador. Uma das entidades que está por trás dessa discussão é a UGT (União Geral dos Trabalhadores).

O que é omitido na discussão é que, em cem anos, a jornada já foi reduzida duas vezes; uma em 1943 e a outra em 1988. Em ambos os casos, não foi criada um mísero novo emprego em função de menos horas de trabalho.

Segundo estimativas da Confederação Nacional da Indústria, a medida terá o efeito reverso do pretendido. Isso porque a proposta não prevê ajuste nos salários e representa o aumento de 50% para 75% o valor da hora trabalhada. O corolário é a elevação de custo de produção das empresas, menos competitividade e redução das exportações. Nenhuma dessas conseqüências conspira a favor da criação de novos empregos.

Há uma realidade incontestável quando o que está em jogo são novas vagas no mercado de trabalho: o desemprego em todo o país registrou o menor nível da história, desde 2001, até o ano passado. Em 2008, 7,2% da população economicamente ativa estava desempregada. Isso foi graças a quê? A trabalhador dormindo até mais tarde? Não. Foi conseqüência de crescimento econômico, o verdadeiro motor para impulsionar o mercado de trabalho.

Mas vamos ignorar a globalização e o capitalismo, esses sistemas condenáveis de produção de lucro que, só China, tiraram 400 milhões de pessoas da miséria. Para sindicalista, o que cria emprego são pernas pro ar.

A GENUFLEXÃO DO ESTADO E AS ENTIDADES SINDICAIS

O QUE ELES QUEREM É POLÍCIA NENHUMA 2

Pronto. Meu e-mail já começou a bombar!

Ok. A Secretaria de Segurança Pública de São Caetano já trabalha fortemente com a possibilidade de um dos guardas civis metropolitanos ser o autor do disparo que matou a jovem Ana Carolina (ver post abaixo). E quando, em algum momento, eu descartei essa possibilidade? Não atribuí culpa a ninguém. Até o momento, não se tem certeza de quem é o vedadeiro criminoso. Os únicos criminosos conhecidos são os que provocaram atos de vandalismo. O assassino permanece uma incógnita.

O namorado da jovem deu há pouco uma declaração ao Fantástico. Disse que Ana Carolina e sua filha eram como “pão e manteiga” (!), não se desgrudavam. Metáforas à parte, o que deve ser igual “pão e manteiga” (Graciliano Ramos que se cuide) é o bom senso. O besteirol que é-nos ofertado em doses homeopáticas por certos líderes comunitários – amparados por setores do jornalismo que idolatram o coitadismo – não pode ser retórico-arquétipo para todos os desfechos cuja história envolva conflitos favela-PM.

A polícia mata? Mata! Mas vamos a alguns dados da Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo. No 2º trimestre desse ano houve 1.165 assassinatos no Estado de São Paulo. No mesmo período, a Polícia Militar do Estado matou 155 pessoas – a maioria em circunstâncias de resistência seguida de morte. Ou seja, a PM é responsável por 13,3% das mortes. E os outros 86,7%, quem matou? Não sou eu quem está dizendo que a PM mata menos que os comuns, são os números. Mesmo assim, continua a retórica retumbante de demonizar a polícia e querer tachá-la de assassina, que adora odiar os desfavorecidos.

Eu bem sei que a PM não tem ligação direta com a morte da menina em Heliópolis. A coisa foi com a GCM de São Caetano. Fiz menção dos números acima apenas para desmistificar o boato anti-polícia. E, vejam que coisa, mesmo a PM sendo isenta na morte da garota, os manifestantes de Heliópolis não pouparam hostilidades contra os policiais que foram até lá para conter os atos de vandalismo. O cabresto é tão grande que a turba não é capaz de compreender que a PM fora acionada para proteger a própria comunidade de Heliópolis. Se continuassem, as selvagerias daquela cambada culminaria em mais desgraça para os próprios moradores.

O que eles querem é polícia nenhuma!

O QUE ELES QUEREM É POLÍCIA NENHUMA 2

O QUE ELES QUEREM É POLÍCIA NENHUMA

Uma reportagem que foi ao ar há pouco no Domingo Espetacular, pela TV Record, mostrou os “bastidores” da favela de Heliópolis – local onde, na semana passada, uma menina de 17 anos morreu durante uma troca de tiros entre bandidos e a Guarda Civil Metropolitana de São Caetano. Meu feeling me dizia que o tom da matéria seria pró-comunidade. Na mosca. Se fosse loteria, eu estaria embarcando agora mesmo rumo a Dubai e passar umas férias por tempo determinado: só acabaria quando eu quisesse.

Sobre o episódio da semana passada, nunca é demais lembrar: os exames de balística ainda não estão conclusos, sendo impossível identificar se o tiro que matou a menina partiu do revólver de um dos bandidos em fuga ou de um policial. Apesar disso, os moradores da favela não deixam um pingo de dúvida nas declarações dadas ao repórter Paulo Henrique Amorim: foi a polícia quem atirou e matou a menina.

A reportagem ouviu Vera, a mãe da adolescente. Em pranto, ela declarou em alto em bom tom: “ele [o policial] é um bandido. Ele é um assassino”. É curioso notar o posicionamento de certa parte da turba das comunidades. Vivem se queixando da existência de um preconceito da polícia baseado num suposto princípio de que todo o favelado é bandido, mas eles mesmos partem de um pensamento tão bocó quanto: o de que todo policial está disposto a matar morador de favela. O que leva Vera a crer que a bala que executou sua filha é do revólver do guarda civil? Ora: o simples fato de ele ser um guarda civil.

Um dos líderes comunitários de Heliópolis, Emerson, declarou que os tumultos sempre acontecem, pasmem, por culpa da polícia. “Os policiais agem sempre com um certo exagero”, afirmou. Sei, sei. Um morador da favela atear fogo em ônibus e carros não é demasia. Demasia é, vejam que absurdo, a polícia controlar atos de vandalismo. Exagero é a polícia cumprir uma determinação da lei. Emerson ainda foi além: “por que a polícia não atira em bairro nobre?”. Elementar, meu caro: porque as senhoras do Morumbi não ateiam fogo em ônibus; pelo contrário, procuram se manter longe de chamas. Isso pode prejudicar-lhas a pele. E mais uma coisa, as senhoras dos bairros nobres também não costumam atirar pedras contra a polícia. Creio eu que deve ser porque as bolsas Salvatore Ferragamo não comportam pedregulhos.

A resposta à pergunta de Emerson – o porquê de a polícia, às vezes, chegar atirando em algumas ocorrências – foi exibida pela própria reportagem. Imagens de arquivo da Record entraram no ar durante a matéria para relembrar recentes conflitos entre moradores de favela e policiais militares. Eis que gravações do dia 2 de fevereiro relembram o confronto entre PMs e moradores de Paraisópolis, na zona sul de São Paulo. O que as imagens mostram é um grupo de manifestantes com arma na mão recebendo a polícia à bala. Isso alguns líderes comunitários preferem omitir. É mais vantajoso fazer o papel de coitadinho, claro. No acontecido da semana passada não houve registro de moradores com armas de fogo. Mesmo assim, isso não os desencorajou de apedrejar viaturas policiais e formar barricadas. E a polícia nessa história? Apanhada calada? É isso que eles querem: policiais sendo agredidos sem reagir. Tenha santa paciência!

Um dos moradores de Heliópolis, Joeni – atingido no olho direito por uma bala de borracha — também falou à reportagem. Mostrou para as câmeras seus hematomas e também fez coro às vozes anti-polícia. Fez alusão ao fato de estar chegando sei lá de onde (não lembro), passar por uma manifestação e ser atingido pela polícia. Pelo amor de Deus! O rapaz, se, de fato, estava no meio da manifestação, estava sujeito tanto a ser atingido por uma bala de borracha quanto por uma pedrada de um manifestante, pelo estilhaço dos vidros dos veículos em chamas… Querem enviesar feridas pendurando nas costas da polícia todo o saldo do confronto.

Repito: EU TAMBÉM NÃO SEI QUEM ATIROU. NÃO ESTOU INOCENTANDO NINGUÉM. SE FOI O POLICIAL, QUE O DIABO O CARREGUE. SE FOI UM BANDIDO, DESEJO O MESMO. APENAS NÃO TOMO PARTIDO DE NINGUÉM. SÓ ACHO INADMISSÍVEL DEMONIZAR A POLÍCIA SÓ PELO O FATO DE ELA SER, BEM… POLÍCIA. Notem o ardil: a perseguição se dava por causa de um roubo a veículo. A troca de tiros teria sido entre os ladrões e GCMs; e, como se nota, os moradores preferem absolver o ladrão. Os gritos pedindo “justiça” exibidos à exaustão na semana passada não é apenas de Heliópolis. São meus também. Eu também quero que o responsável pela morte da menina seja punido, mas com uma condição: que também se puna os vandálicos responsáveis pela queimas de veículos públicos e particulares e colocaram em risco a segurança e integridade física de milhares de pessoas.

O QUE ELES QUEREM É POLÍCIA NENHUMA

Sem patriotismo

E hoje, domingo, é dia de Brazilian Day – comemoração que neste ano chega à sua 25ª edição. É a festa dos brasileiros à moda brasileira e à cultura brasileira em Nova York. É uma fração de nós mostrando nossa cara nos Estados Unidos… E que cara feia!

Um milhão de pessoas devem se reunir na Sexta Avenida para ver Elba Ramalho, Marcelo D2, Carlinhos Brown, Alcione, Arlindo Cruz e a dupla Victor e Léo. E tudo isso sub a batuta dela: Regina Case – uma apresentadora à altura dos artistas que mostrarão um pouco de nós aos EUA.

Assim, lamento, não dá pra ser patriota.

Sem patriotismo

A HORA DOS VAGABUNDOS

“É preciso integrar favelas à cidade”. Essa é a declaração de Raquel Rolnik em destaque na manchete do caderno Cotidiano da Folha de hoje. A opinião da valente é sobre os atos de selvageria ocorridos na noite de ontem na favela Heliópolis. A causa do certame: a morte de uma menina atingida por uma bala no pescoço durante uma troca de tiros entre GCMs de São Caetano e um trio que roubou um carro. Detalhe: até agora não se sabe se a bala saiu do revólver de um guarda ou de um dos bandidos.

Abaixo, em azul, reproduzo trechos da entrevista concedida à Folha. Farei algumas intervenções.

FOLHA – Que sintomas levaram a essa nova onda de protestos?
RAQUEL ROLNIK –
Duas coisas: uma absoluta falta de diálogo, para lidar com os conflitos que existem, e a criminalização da pobreza, como se a totalidade dos moradores da favela fosse ligada ao crime. Isso é muito perigoso. A maior parte da população que vive ali não tem nada a ver com o crime. Certamente a menina que morreu [Ana Cristina de Macedo] não tinha nada a ver com crime.

Alguns argumentos expostos por Raquel são, para ser gentil, risíveis. Para início de conversa, a “absoluta falta de diálogo” apontada por ela é um haver exclusivo de quem recorreu ao vandalismo como forma de protesto. As conseqüências não foram poucas. Foram incendiados: 3 ônibus, 2 micro-ônibus, 4 carros particulares, 2 viaturas de bombeiros e 2 da Polícia Militar. Pior: foi tudo minuciosamente planejado! Os moradores da favela foram avisados da manifestação via um bilhetinho escrito à mão. Mais: quem comparecesse ao ato ganharia uma cesta básica como recompensa.

É engraçado notar também o discurso sub-reptício sobre uma suposta e recorrente história da criminalização da pobreza. Querer aliar a morte da menina a esse argumento é canalhice. Toda generalização é burra. A perseguição policial não começou na favela, logo, afirmar que a polícia tinha pré-disposição a invadi-la é tolice.

Raquel conclui sua primeira resposta com uma obviedade sem tamanho. “Certamente a menina que morreu não tinha nada a ver com o crime”. E quem foi que disse, em algum momento, que ela teria ligação com o crime? NINGUÉM.

No Brasil, aproximadamente 50 mil pessoas morrem por ano vítimas de armas de fogo. E, pergunto: vimos, no decorrer do ano, 50 mil manifestações pedindo “justiça”? É… deve ser porque nenhum desses 50 mil era pobre. Se fosse, até avião seria incendiado…

Não estou tornando nenhuma morte menor ou maior que outra. Perda de vida não tem valor moral. O abominável é quando uma cambada de errabundos resolve tomar uma morte por causa e, em nome disso, se acha no direito de promover arruaça.

FOLHA – Mas os criminosos também estão presentes [na manifestação].
ROLNIK –
Sim, o crime organizado se instalou em locais historicamente abandonados. Mas não se pode reduzir os indivíduos que vivem lá à presença do crime. Isso faz com que a abordagem seja violenta -veja que a abordagem é basicamente a da polícia. E assim a violência volta a acontecer, como acontece em Paraisópolis, no Rio de Janeiro, em outras cidades.

Epa! Vamos com calma!

Heliópolis não é nenhum local historicamente abandonado. Basta recorrer ao arquivo de imagens do Jornal Nacional e do Jornal da Globo para vermos ruas asfaltadas e casas de alvenaria por lá. As características inerentes a uma favela, em Heliópolis, já estão praticamente extintas. Os moradores de lá já contam com transporte público, distribuição de energia, água encanada e há na região um crescente movimento comercial. As características de Heliópolis são de bairro, não de favela. Há até uma orquestra sinfônica composta com adolescentes daquela região. Não são tão coitadinhos assim.

Raquel também questiona a abordagem sempre violenta da polícia. Santo Deus! Quem foi recepcionada a fogos de artifício, bala e tijolada foi a polícia. Nem bombeiro foi poupado! Um policial militar sofreu trumatismo craniano. Mas, claro, sempre a polícia que é violenta. Esses energúmenos querem que os agentes lei apanhem quietos. Claro, só os, como é mesmo?, pobres tem direito a recorrer à violência. Uma ova!!! E mais, quem agride policial não é pobre, é criminoso mesmo.

Parece-me que quem está confundindo pobre com bandido é Raquel. E eu não gosto de bandido. Mas gosto menos ainda de quem gosta de bandido.

FOLHA – Episódios como esse aumentam o receio da classe média em relação às favelas?
ROLNIK –
As notícias sobre esses lugares são única e exclusivamente as ligadas à violência. Em uma favela, acontecem mil coisas, inclusive as ligadas à violência, mas não só elas. Isso faz com que se pense que o correto é a eliminação total das pessoas que moram lá.

Pelo amor de Deus! Quem, em algum momento, falou que a alternativa às favelas é a “eliminação das pessoas que moram lá”?.

E outra coisa: está certo que em uma favela ocorrem mil coisas. Mas quantas delas valem a atenção da imprensa? A literatura marginal e seus erros gramaticais? O funk o rap e suas letras apologéticas ao crime e ao sexo? Um coralzinho de crianças desafinadas?

Antes que me julguem de elitista: não menosprezando possíveis grandes feitos de uma pequena comunidade. Machado de Assis era filho de lavadeira e descendente de escravos alforriados, nem por isso ficou à míngua existencial. O problema é que, em geral, as periferias têm uma tendência de se determinarem culturalmente auto-suficientes. Isso a isola, de certa forma, da sociedade em geral. Expus exaustivamente esse ponto de vista em outros dois posts aqui no blog – Não estou nem aí para as maiorias e Uma cultura emergente, mas, por favor, nada de impô-la. Não vou entrar no mérito dessa questão agora. Tomaria muito tempo. Mas acessem os links que indiquei.

FOLHA – Heliópolis também é noticiada nas páginas de cultura, por conta da orquestra sinfônica e de já ter sido tema de filmes e livros.
ROLNIK –
São Paulo não é uma cidade de grandes favelas, mas de muitas e pequenas favelas. Heliópolis e Paraisópolis chamam a atenção por justamente serem grandes. Assim, atraem ONGs, movimentos sociais, produções culturais. Recebem mais investimento porque têm mais visibilidade.

Engraçado. Heliópolis e Paraisópolis recebem mais investimento mas nem por isso saem das páginas policiais protagonizando manifestações criminosas. Tem gente que não quer ONG, não quer orquestra nem quer investimento social. Parece querer cadeia mesmo.

A HORA DOS VAGABUNDOS

JÁ EM CAMPANHA

Se todo o projeto de marco regulatório – ou projeto de lei, generalizando – enviado ao Congresso Nacional fosse precedido da mesma pompa e circunstância vista ontem no evento do pré-sal, campanhas eleitorais passariam a ser desnecessárias. O palanque ficou pequeno diante das pretensões eleitoreiras embutidas nas entrelinhas de cada momento.

A Petrobras está sendo usada como uma arma eleitoreira de primeiro calibre. É compreensível. Com a falência do PAC, o governo não poderia ficar de mãos abanando, sem um projeto que possa chamar de seu.

Lula não é burro – mas também não é inteligente. É esperto. Ninguém está vendo os resultados do PAC. Corolário: Dilma sumiu da imprensa. Quando aparece, é pra esclarecer escarcéu – como o de possível interferência no processo de investigação contra Fernando Sarney. Para compensar, Dilma, agora, aparece como uma das grandes figuras do projeto pré-sal.

Somente o idiota mais inspirado ainda não percebeu o ardil que há nesse lenga-lenga petrolífero. Lula cobra – e cobra mesmo, não fazendo questão de disfarçar sua vontade – que o Congresso Nacional aprove em 90 dias contados as novas regras para a exploração do pré-sal. José Serra, num ato de sabedoria, chegou a contestar a pressa do Planalto nessa toada e lembrou que o projeto, até ficar pronto, levou dois anos. Qual seria a lógica de, então, apressar sua aprovação num período tão curto de tempo? Ora, algo que levou 22 meses para ser debatido não será igualmente trabalhado em 90 dias.

O jornal Valor Econômico de hoje revela que Lula comentou com aliados próximos que o marco do pré-sal precisa ser aprovado ainda em durante seu governo. O motivo da pressa: exibir o feito na campanha eleitoral de Dilma Rousseff.

Lula, não contente em se auto-exaltar, também resolveu recorrer à sua velha retórica anti-FHC. Em seu discurso, Nossa Alice [no País das Maravilhas] chegou a ridicularia de vender a lei 9.478, feita durante o governo tucano, como uma das responsáveis pelo atraso da Petrobras à época. Acompanhem trecho do discurso:

Estamos vivendo hoje um cenário totalmente diferente daquele que existia em 1997, quando foi aprovada a Lei 9.478, que acabou com o monopólio da Petrobras na exploração do petróleo e instituiu o modelo de concessão.

Quanta idiotice! Foi justamente graças à lei 9.478 que mais empresas puderam entrar no ramo de exploração, colocando o Brasil no rumo correto para conquistar a auto-suficiente em petróleo. Se hoje Lula se coloca nos píncaros da glória do emanante petróleo, ode à gestão FHC.

Sabem o que é pior: é que tem gente que acredita em Lula. O que ele fala não se escreve.

JÁ EM CAMPANHA