O QUE ELES QUEREM É POLÍCIA NENHUMA

Uma reportagem que foi ao ar há pouco no Domingo Espetacular, pela TV Record, mostrou os “bastidores” da favela de Heliópolis – local onde, na semana passada, uma menina de 17 anos morreu durante uma troca de tiros entre bandidos e a Guarda Civil Metropolitana de São Caetano. Meu feeling me dizia que o tom da matéria seria pró-comunidade. Na mosca. Se fosse loteria, eu estaria embarcando agora mesmo rumo a Dubai e passar umas férias por tempo determinado: só acabaria quando eu quisesse.

Sobre o episódio da semana passada, nunca é demais lembrar: os exames de balística ainda não estão conclusos, sendo impossível identificar se o tiro que matou a menina partiu do revólver de um dos bandidos em fuga ou de um policial. Apesar disso, os moradores da favela não deixam um pingo de dúvida nas declarações dadas ao repórter Paulo Henrique Amorim: foi a polícia quem atirou e matou a menina.

A reportagem ouviu Vera, a mãe da adolescente. Em pranto, ela declarou em alto em bom tom: “ele [o policial] é um bandido. Ele é um assassino”. É curioso notar o posicionamento de certa parte da turba das comunidades. Vivem se queixando da existência de um preconceito da polícia baseado num suposto princípio de que todo o favelado é bandido, mas eles mesmos partem de um pensamento tão bocó quanto: o de que todo policial está disposto a matar morador de favela. O que leva Vera a crer que a bala que executou sua filha é do revólver do guarda civil? Ora: o simples fato de ele ser um guarda civil.

Um dos líderes comunitários de Heliópolis, Emerson, declarou que os tumultos sempre acontecem, pasmem, por culpa da polícia. “Os policiais agem sempre com um certo exagero”, afirmou. Sei, sei. Um morador da favela atear fogo em ônibus e carros não é demasia. Demasia é, vejam que absurdo, a polícia controlar atos de vandalismo. Exagero é a polícia cumprir uma determinação da lei. Emerson ainda foi além: “por que a polícia não atira em bairro nobre?”. Elementar, meu caro: porque as senhoras do Morumbi não ateiam fogo em ônibus; pelo contrário, procuram se manter longe de chamas. Isso pode prejudicar-lhas a pele. E mais uma coisa, as senhoras dos bairros nobres também não costumam atirar pedras contra a polícia. Creio eu que deve ser porque as bolsas Salvatore Ferragamo não comportam pedregulhos.

A resposta à pergunta de Emerson – o porquê de a polícia, às vezes, chegar atirando em algumas ocorrências – foi exibida pela própria reportagem. Imagens de arquivo da Record entraram no ar durante a matéria para relembrar recentes conflitos entre moradores de favela e policiais militares. Eis que gravações do dia 2 de fevereiro relembram o confronto entre PMs e moradores de Paraisópolis, na zona sul de São Paulo. O que as imagens mostram é um grupo de manifestantes com arma na mão recebendo a polícia à bala. Isso alguns líderes comunitários preferem omitir. É mais vantajoso fazer o papel de coitadinho, claro. No acontecido da semana passada não houve registro de moradores com armas de fogo. Mesmo assim, isso não os desencorajou de apedrejar viaturas policiais e formar barricadas. E a polícia nessa história? Apanhada calada? É isso que eles querem: policiais sendo agredidos sem reagir. Tenha santa paciência!

Um dos moradores de Heliópolis, Joeni – atingido no olho direito por uma bala de borracha — também falou à reportagem. Mostrou para as câmeras seus hematomas e também fez coro às vozes anti-polícia. Fez alusão ao fato de estar chegando sei lá de onde (não lembro), passar por uma manifestação e ser atingido pela polícia. Pelo amor de Deus! O rapaz, se, de fato, estava no meio da manifestação, estava sujeito tanto a ser atingido por uma bala de borracha quanto por uma pedrada de um manifestante, pelo estilhaço dos vidros dos veículos em chamas… Querem enviesar feridas pendurando nas costas da polícia todo o saldo do confronto.

Repito: EU TAMBÉM NÃO SEI QUEM ATIROU. NÃO ESTOU INOCENTANDO NINGUÉM. SE FOI O POLICIAL, QUE O DIABO O CARREGUE. SE FOI UM BANDIDO, DESEJO O MESMO. APENAS NÃO TOMO PARTIDO DE NINGUÉM. SÓ ACHO INADMISSÍVEL DEMONIZAR A POLÍCIA SÓ PELO O FATO DE ELA SER, BEM… POLÍCIA. Notem o ardil: a perseguição se dava por causa de um roubo a veículo. A troca de tiros teria sido entre os ladrões e GCMs; e, como se nota, os moradores preferem absolver o ladrão. Os gritos pedindo “justiça” exibidos à exaustão na semana passada não é apenas de Heliópolis. São meus também. Eu também quero que o responsável pela morte da menina seja punido, mas com uma condição: que também se puna os vandálicos responsáveis pela queimas de veículos públicos e particulares e colocaram em risco a segurança e integridade física de milhares de pessoas.

Anúncios
O QUE ELES QUEREM É POLÍCIA NENHUMA

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s