FERRÉZ: A IDEOLOGIA DO CRIME

Falar de Ferréz é sempre desgastante. Já tratei sobre o valente em oportunidades anteriores aqui no blog e o resultado foi uma enxurrada de comentários repletos de ilógicas. Acusaram-me de elitista, de racista, de preconceituoso e et cetera. Isso tudo porque apenas apontei alguns errinhos gramaticais cometidos pelo pretenso escritor e desmistifiquei alguns pontos em que o valente cita uma suposta elite como a culpada pelas agruras por que passam os habitantes da favela. É sempre assim: os desfavorecidos podem apontar pra cara de todo mundo; mas, uma vez que a face em evidência é a de um deles, aí não, aí todos nós temos que nos calar.

Os nobres leitores desse blog provavelmente já ouviram falar no Princípio do Terceiro Excluído – em latim, tertium non datur. Essa lei é imperiosa na maioria do meio religioso, principalmente em igrejas protestantes. Funciona assim: se você adora Deus, então não adora o Diabo; se você não adora Deus, logo você adora o Diabo. Não há, como notamos, uma terceira via. Ou você é bom ou você é mau, jamais poderá ser Do meio-campo, compartilhando frações de ambas as opções.

Ferréz criou o que eu chamo de “Princípio do Terceiro Excluído das Classes Sociais”. Se você é pobre, é bom; agora, se você não pega ônibus lotado às 7 da matina, se você não leva ovo na marmita, se você não tem calos nas mãos, se você não usa C&A porque consegue comprar algo um pouquinho melhor, se você não anda com aquela Brasília caindo aos pedaços, se você consegue interpretar minimamente um pouquinho de Camões, se você não ouve funk, se você usa pijama ao invés de camiseta de deputado pra dormir, se você nunca pisou na 25 de Março e no Brás, se você faz uma boa faculdade e não uma Uni-duni-tê da vida, enfim, se você não é pobre, logo você não é bom. Ter condições financeiras, para Ferréz, é ser opressor.

O dito-cujo concedeu uma entrevista para a revista Caros Amigos deste mês. Como vocês poderão notar, a matéria está em quase ipsis litteris. O texto da entrevista é quase a fala integral do que disse Ferréz. Talvez, ele tenha respondido tudo por escrito mesmo. Faço questão de deixar isso bem claro porque, vale lembrar, o entrevistado é um escritor – um ser que, espera-se, tenha o mínimo domínio do vernáculo.

Segue trechos da entrevista em azul. Farei algumas intervenções em vermelho.

Ferréz tem 33 anos, é escritor, comerciante e autêntico representante dos sentimentos e das lutas da imensa população que vive na periferia de São Paulo. Ficou conhecido porque expressa com realismo a dureza das relações entre povo e Estado, entre pobres e ricos, entre as precárias condições de vida nas favelas e a repressão policial.

O abre acima é da revista. Os repórteres identificam Ferréz como um “autêntico representante dos sentimentos e das lutas da imensa população que vive na periferia”. A revista afirmar isso é uma coisa, ver se há essa legitimidade é outro assunto. Ferréz pode ser conhecido no Capão Redondo, mas, provavelmente, se perguntarmos a um habitante do Jardim Grimaldi o que ele acha do fato de Ferréz o representar, creio que uma cara de ponto de interrogação formar-se-á imediatamente. Ter representantes não é privilégio exclusivo dos moradores de regiões periféricas. Os negros, os gays, os gordos, os feios, os carecas e os desentupidores de pia sempre poderão contar com alguém à semelhança de sua raça (que conceito mais ultrapassado!), orientação sexual, biotipo, fenótipo e craçi trabaiadora para defendê-los. É o tipo de gente que não pode viver sem carregar uma causa nas costas. Pesquisem aí: foi justamente esse tipo de atitude que levou a Bolívia, parcialmente, à grande miséria que vemos hoje.

Caros Amigos – Fale um pouco da sua vida, onde nasceu, estudou, o que faz hoje.

Ferréz – Meu nome é Ferréz, eu não uso meu nome de batismo por que eu não acredito no batismo, não acredito na Igreja Católica. Prefiro um pseudônimo, por que é uma coisa que eu inventei também, como a minha carreira. Eu sou vendedor ambulante, eu só vivo com coisa debaixo do braço para cima e para baixo para vender às editoras, sou datilógrafo também, por que escrevo e trabalho com muita coisa para poder ter o básico, então vivo de muita coisa, trabalho de muita coisa. A minha infância foi normal como a de todo moleque de favela, tá ligado? Só não soltava tanto pipa porque meu pai não deixava.

O rapaz, incontestavelmente, é um fenômeno. Viram só?: ele inventou a pseudonímia! Releiam o trecho, e vocês que verão o quão esplendoroso é nosso neo-Camões.

Caros Amigos – Você acha que a escola está distante da realidade?

Ferréz – Eu acho que a escola perdeu o foco total de qualquer senso de realidade. Eu acho que a escola e a realidade não têm mais nada a ver e eu acho que uma geração inteira está errando de ir para a escola e os professores serem educados do jeito que são também. Porque os professores também estão ferrados

Um conjunto de idéias um pouco atrapalhado, não? Engraçado, um escritor não saber se expressar claramente. Bem, enfim…

Caros AmigosO que acha dos rappers tipo GOG, Racionais, Facção Central?

Ferréz – O Gog, o Racionais, o Facção Central, o Consciência Humana, são a minha escola também, eu não existiria e toda uma legião de caras que existe hoje que gosta de literatura e rap, não existiria se não fosse eles. O rap, pra mim, junto com os caras é uma injeção, tá ligado? Que na verdade é pra quem tá com dor, quando eu vou em faculdade fazer palestra tem um monte de gente que reclama, mas eu acho violento Facção Central, Racionais… Por que não é para eles, eles não precisam ouvir aquilo, elesnão tão na cadeia, eles não tão usando droga, então não precisa. É bem claro pra mim, as letras de rap no Brasil são as melhores letras do mundo, não existe um tipo de letra de rap no mundo igual as que existem no Brasil. Um rap que o cara fala: No rio em queJesus andou, o homem navegou e matou pela cor. Não existe em nenhum lugar no mundo um verso como o homem nasceu com defeito de fabricação, invés do coração uma granada de mão dentro do peito. É o tipo de letra que os caras fazem.

Vamos lá: alguém aqui me aponta em que rio Jesus andou? Nem a Bíblia sabia disso! Até onde li nos evangelhos, Cristo caminhara sobre o mar da Galiléia. Ferréz transformou as águas salgadas em águas doces.

O valente também fez referência sobre o público-alvo das canções de rap. São eles: presidiários e drogados. Mais: exalta essas canções como se fossem o supra-sumo da história da música.

Pois bem, abaixo, posto uma letra de rap. É do grupo “Terceiros”, e o nome da música é ‘Rap Proibido 9’.

E os terceiros vão descendo a ladeira

Levando tiro pela frente pelas costas
E o comando traficando a noite inteira
Que coisa linda que coisa maravilhosa
E os terceiros tão de bricadeira
E eles querem invadir o morrão
Mas eu dou tiro na cabeça, na cintura
Também dou tiro na bunda dos terceiro vacilão
E os terceiro bando de filha da puta
Um Bando de sangue-suga
São um bando de cuzão
E os X9 tão de bricadeira
Eles querem trazer esfolação
Mas eu dou tiro na cabeça e na cintura
Também dou tiro na bunda de X9 vacilão
E os X9 bando de filha da puta
Um Bando de sangue-suga
São um bando de cuzão
Os tercero dão o quê?
Dão a bunda!!
E os X9 são o quê?
FIlha da puta!!
E os terceiro são o quê?
Filha da Puta!!
E os X9 dão o quê?
Dão a bunda!!

Eis aí o que Ferréz proclama como a obra-prima da música. Como se não bastasse um idiota para defender tais composições, às vezes, o apoio à cultura da marginalidade também encontra respaldo em parte da imprensa bocó. Não foram raras as ocasiões em que o Fantástico exibiu Regina Casé subindo os morros cariocas e proclamando aquela realidade como o “centro”.  Ali, Casé, nossa redentora dos barracos, organizava uma rodinha de funk e outra de rap e mostrava tudo aquilo com a intenção de nos revelar os valores da oprimida sociedade do morro, como se aquilo fosse indispensável à “nababesca” sociedade do asfalto; como se o fato de serem pessoas sem condições sociais lhes garantissem condições morais superiores a qualquer outro ser humano e, em nome disso, possam transformar o conjunto de comportamentos daquela realidade cruel em uma ética aceitável. Tentar lutar contra o mal exaltando seus valores só pode desencadear efeitos reversos. O corolário disso, como vimos, chega ser a derrubada helicópteros da Polícia Militar. Volto a esse ponto mais adiante.

Durante a entrevista, Ferréz revelou que, hoje em dia, procura se abster de decisões políticas. Afastou-se do PT – partido para o qual se dedicava – por causa dos escarcéus protagonizados por seus partidários. Nessa parte, Ferréz faz um comentário estarrecedor.

Caros AmigosMas e o PT em si? O que você se decepcionou com o PT?

Ferréz  – Ah! Eu não sei, eu votei num partido que prometeu outras coisas, entendeu? Não prometeu escândalo, não prometeu virar as costas na hora em um julgamento, não prometeu… O PT virou outra coisa, não é o que eu acreditava não. Não estou falando que tinha que ser revolucionário, que tinha que mudar tudo, que todo mundo sair de vermelho, mas era uma coisa que eu acreditava como moleque de favela que a favela ia mudar, entendeu? Mas eu tive que esperar o PCC chegar para mudar a favela, não foi o PT… A sigla foi outra, não foi o PT que mudou a favela, então nessas partes não é um governo autoritário ruim, mas também não é o governo dos sonhos que eu lutei, que eu vendi show, que o Góis morreu na estrada tentando lutar pelo partido, que eu vi muito amigo meu morrendo lutando pelo PT e ficando velho pelo PT, não era isso que a gente queria no poder e eu não tô falando só do Lula, tô falando de todo o partido.

É exatamente aqui que o cenário começa a ficar perigoso. Ferréz, tido como um representante legítimo das comunidades carentes, fala a uma revista de grande circulação que suas esperanças de melhorias à favela não foram concretizadas por um partido político que faz parte do xadrez eleitoral de um país democrático, mas, ao contrário do que imaginava, a sigla responsável por mudanças foi uma facção criminosa condenada explicitamente pela polícia. Não estou defendendo o PT, estou condenando uma declaração estúpida de um ser estúpido. Adiante.

CA O PCC mudou a favela de que maneira?

Ferréz – De toda a maneira possível que você pensa.

CA Positivamente?

Ferréz – Depende da visão. Tem gente que pensa que é positivo, tem gente que pensa que é negativo. Mas mudou.

CaVocê pode falar um pouco dos dois lados, do lado positivo e do lado negativo?

Ferréz – O lado positivo é que a elite não sabe mais o que é a favela, não tem nem noção. O governo não tem noção do que é a favela mais, porque é outra favela, é outra coisa… E o lado negativo é que a população sempre vai ser oprimida.

CA O lado positivo é outra coisa como?

Ferréz – Não tem como explicar, assim… Mas mudou, eu, por exemplo, quando eu escrevi o Manual Prático do Ódio a favela era aqui, agora se eu for escrever sobre a favela agora é outra coisa. Por isso eu não escrevo mais sobre a favela, o meu próximo romance não é mais sobre a favela, por que eu não faço mais questão da elite saber o que é a favela não, não me interessa mais…

CA – Mas mudou exatamente o quê? Explica um pouco melhor.

Ferréz – Mudou tudo. Mudou a vida criminal, tem regra, mudou tudo o que você imagina na vida cotidiana da periferia mudou.

Como é que é? Ferréz avalia como positivo o suposto fato de o governo não saber mais o que é a favela? Chegamos à barbárie!

Quando se opta por vias não-convencionais a fim de estabelecer a ordem, o resultado é a perpetuação do condenável. A partir do momento em que um escritor – semi-analfabeto, é verdade, mas escritor, dentro do seu direito de tornar públicas suas asneiras – pisca o olho para uma facção criminosa, vendo como positivo a atuação de seus integrantes em regiões repletas de trabalhadores, gente honesta, aí já podemos começar a concluir com que tipo de gente estamos lidando. Não se trata de questionar a presença do Estado ou não: o Estado tem de estar presente em todos os cantos para garantir a ordem! Ponto. A guerra no Rio é justamente o resultado da falta de Estado e presença de facções nos morros. Pelo visto, é isso que quer Ferréz: uma facção criminosa dominando um território e tocando um Estado a parte!

Pouco me interessa se o PCC custeia estudos de gente carente!

Pouco me interessa se o PCC dá cestas básicas para quem passa fome!

Pouco me interessa se o PCC garante segurança a alguém!

Interessa-me apenas que o PCC seja tratado como PCC, e não é um Ferréz da vida que vai colocar a auréola de anjinho sobre a cabeça dessa raça.

No Estado de São Paulo, os homicídios tiveram redução de 66% em nove anos.  A queda nessa taxa deve-se ao investimento nas polícias e ao aumento da população carcerária, segundo análise do governo do estado. Logo, senhor Ferréz, se a violência tem diminuído em São Paulo, crédito ao Estado e seu braço de segurança – a PM – e não à facção criminosa à qual fizestes referência.

Frente a tais dados, é-me muito estranho que Ferréz ainda defenda menos bedelho do Estado nas favelas. Cui bono?

CAÉ um Estado paralelo dentro da favela?

Ferréz – Poder paralelo? Não, é o poder. Esse negócio de dizer que é o poder paralelo, não existe o poder paralelo, o Estado não manda na favela, quem disse que o Estado manda na favela? A PM vai lá manda o cara por a mão da cabeça e tudo, repudia o cara, mas depois o cara volta a ser da favela, entendeu? Por mais que os caras cerquem um motoboy, cerquem o cara que está dentro do ônibus, bata geral em todo mundo eles vão embora e a favela continua. Então mudou tudo e vai mudar mais ainda, ta em processo de mudança.

Quem disse que Estado manda na favela? Ora, simplesmente a lei, meu caro; apenas a lei – esse conjunto de normas que qualquer pessoa que se preze se submete a ele; o que, vejo, não é tua preferência.

CA Mas houve regras fixadas claras? O que aconteceu?

Ferréz – Há regras fixadas claras e toda uma norma de conduta e de respeito que o Estado nunca conseguiu impor.

CAQuem impõe?

Ferréz – O crime.

Uma coisa é o Estado impor regras, outra é seus cidadãos as seguirem. Reafirmo: chegamos à barbárie. Ferréz prefere um conjunto de regras comandado por assassinos a um sistema de leis que respeitam o ordenamento jurídico do País. Nas regras do crime, pecou, morreu. O direito ao contraditório e à ampla defesa, por exemplo, inexiste. É sempre bom lembrar de quem vem essa declaração pró-PCC: de uma pessoa que escreve livros e esparzi idéias também para crianças e adolescentes.

CA- Existe um papel do crime como mediação nos conflitos cotidianos?

Ferréz – Existe. O crime está em tudo em que o Estado nunca teve, o Estado deixou uma lacuna muito grande que o crime cobriu, você vai na delegacia prestar queixa de um carro roubado você fica 4 horas sentado sendo humilhado pelo policial (…) E o crime não. Você procura o crime ou ele resolve, ou não. Você no mínimo não fica 4 horas sentado, você não fica na palavra de ninguém, entendeu? Então, onde não chegou o poder público, o crime chegou, quando o poder público está cuidando da elite, o crime está cuidando da outra parte da cidade que é dele.

Os erros morais de tal declaração sobrepõem-se aos erros de Língua (na delegacia, nunca teve – ele quis dizer ‘esteve’). Eis novamente a lógica esquerdista bocó de que o governo só governa pra elite.

Claro!

Imagino a felicidade de uma madame da Cidade Jardim ao saber que a Linha Verde do Metrô vai contar com 20 novos trens! E já antevejo os saltos de felicidade do CEO de uma multinacional depois de tomar ciência que, sei lá, as escolas públicas passarão a ter Bom-Ar nos banheiros.

É um discurso cafajeste de quem nutre um ódio contra pessoas que, vejam que infelicidade, se deram bem na vida – ignorando, inclusive, que muitos integrantes da elite de hoje são de origem humilde e já tiveram condições sofríveis de vida. Mas isso pra Ferréz não vale nada. Se você nasce pobre, pobre há de morrer! Caso consiga “vencer na vida”, será considerado uma espécie de traidor da causa pobre.

Mas isso não é o mais grave de sua declaração. Antes fosse. Destaque para esse trecho: Então, onde não chegou o poder público, o crime chegou, quando (ele quis dizer ‘enquanto’) o poder público está cuidando da elite, o crime está cuidando da outra parte da cidade que é dele.

O “crime está cuidando da parte da cidade que é dele” uma ova! É uma arenga vagabunda, típica de facínoras morais. Vejam a lógica contida na ilógica de Ferréz: 1- o governo cuida da elite; 2- por conseguinte, quem não é da elite, é “do outro lado da cidade” 3- conseqüência: se você é “do outro lado da cidade”, logo, você está sub os cuidados do crime.

É uma retórica condenável! Ferréz empurra para debaixo das asas do PCC todos os pobres, independentemente de a égide ser aceita por eles ou não. Eis um problema dos autoproclamados representantes de categorias: falam em nome de outros sem se preocupar se esses outros aceitam ser representados.

CA – E qual é a saída para este tipo de coisa [distanciamento entre a periferia, governo e “elite”]?

Ferréz – A saída é clara. A saída é… Já começou a saída há algum tempo. A saída ta na cara das pessoas, só não ver quem não quer. A saída é que o povo já ta se mexendo, isso não é utopia minha, é realidade, quando você vê uma favela reagindo, quando você vê um ônibus queimando, não é o crime, por que mais que a mídia queira, quando você vê as pessoas que estão legitimadas como embaixadores da periferia tendo acesso a dar entrevista, tendo acesso a falar, entendeu? (…).

Sacaram qual é a do rapaz? Para ele, é aceitável que se promovam atos de vandalismo em prol da causa pobre! Mais: ele afirma que o ônibus pegando fogo “não é o crime”, mas sim a voz dos “embaixadores da periferia”. Essa história de usar a pobreza para justificar atos criminosos, recorrendo ao argumento de que o vandalismo é a única chave para acesso ao governo e à imprensa é passível de ser qualificada de apologética.

Atear fogo em ônibus é coisa de criminoso.

Apedrejar viatura policial é coisa de criminoso.

Hostilizar policiais é coisa de criminoso.

E defender essas ações em nome de uma causa é tão criminoso quanto.

A entrevista concedida por esse delinqüente intelectual tem mais abobrinhas. Não vou abordar todas, senão meu blog vira horta, tamanha a oferta de besteiras. As declarações de Ferréz servem para mostrar como pensa essa gente que se diz portador da causa alheia. No que depender dessa raça, o ladrão, o drogado, o presidiário sempre deverão ter seus atos perdoados. Seria uma forma de compensar as desigualdades por que passam. Vale a pena lembrar trecho do artigo escrito por Ferréz na Folha de S.Paulo comentando o assalto sofrido por Luciano Huck, em 2007.

“No final das contas, todos saíram ganhando, o assaltado ficou com o que tinha de mais valioso, que é sua vida, e o correria ficou com o relógio. Não vejo motivo pra reclamação, afinal, num mundo indefensável, até que o rolo foi justo pra ambas as partes”

Eu queria que Ferréz me explicasse o saldo positivo dos dois lados no episódio da derrubada do helicóptero da PM do Rio de Janeiro. O bandoleiro faz clara apologia ao crime – o que também é crime. Defender bandido é a sua tara. Enquanto para a sociedade bandido bom é bandido em cana; para Ferréz, bandido bom é bandido livre, inclusive escrevendo livros, se é que me entendem.

FERRÉZ: A IDEOLOGIA DO CRIME

À NOITE

Lamento muito estar sem tempo para falar sobre a entrevista que o escritor Ferréz concedeu à revista Caros Amigos deste mês. Ah, antes que me acusem de ser insano mental a ponto de comprar a Caros Amigos, logo me explico: foi-me impossível resistir à tentação de obter um exemplar da revista quando, em uma noite, passando pela Avenida Paulista, vi a cara dele estampada na publicação com o seguinte dizer em destaque: “Ódio da periferia vai explodir”. Minha intuição, nessas horas, costuma ser automática: se há Ferréz, há fogo! Na mosca!

Da página 12 à página 16, o que se vê é o retrato de um sujeito que fala em nome da periferia e proclama todos os males de seu meio a fim de justificar muitas das barbáries cometidas nessas regiões. Vejo-me obrigado a fazer duas digressões: 1- eu adoraria saber quem elege esses caciques para falarem em nome de uma causa ou em nome de um povo. É comum vermos surgir gente falando em nome dos negros, em nome dos índios, em nome dos desentupidores da pia, etc – mas ninguém contesta a legitimidade desse povo que se auto-intitula representante de algo ou alguém. 2- E, como sempre, quando o que se está em debate é a violência, caímos naquela velha história: o coitadismo. É como se o fato de a pessoa ser pobre lhe garantisse uma espécie de imunidade contra a lei, podendo agir como bem entende em nome de sua própria causa.

O ponto mais alto da entrevista de Ferréz é quando o valente, indiretamente, afirma que o PCC é benevolente com as favelas. Aí a vaca foi pro brejo de vez.

Voltarei na noite desta terça feira com a entrevista desse ícone de nossa literatura e, ouso dizer, filosofia marginais. O texto, obviamente, será longo.

À NOITE

Luz para Todos fracassa nas mãos de aliados de Sarney no MA

Da Folha de S.Paulo

O Luz para Todos, criado em 2003 pelo governo Lula para levar energia elétrica às casas da zona rural, acumula problemas no Maranhão, Estado natal do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP). A meta original de ligações ainda não foi atingida e o programa está sob suspeita de fraude. O TCU (Tribunal de Contas da União) apura indícios de que os responsáveis pelas instalações maquiaram o número de ligações realmente feitas. O projeto no Maranhão é administrado por apadrinhados pelo presidente do Senado.
Em relatório a que a Folha teve acesso, o tribunal diz que inspeções da Eletrobrás constataram 13 mil ligações a menos do que o total (103 mil) que havia sido reportado pelo Estado ao Luz para Todos. Outro ponto questionado pelo TCU é uma suposta incongruência técnica nos dados fornecidos pela companhia de energia do Maranhão, a Cemar.
Na prestação de contas do primeiro contrato do Luz para Todos, por exemplo, a empresa alega ter eletrificado 1.578 casas a mais do que o previsto, mas registra a instalação de 77 mil postes a menos do que o necessário para cumprir a meta inicial definida no edital.
Esse contrato, de 2004, foi assinado por Silas Rondeau quando ele presidia a Eletrobrás, a estatal responsável pelo programa federal de eletrificação. Homem de confiança de Sarney, Rondeau virou ministro de Minas e Energia no ano seguinte. Em maio de 2007, caiu por suspeita de corrupção.
A Eletrobrás continua comandada por diretores ligados a Sarney. “Fui nomeado com aval do presidente Sarney, não tenha dúvida”, reconhece José Antonio Muniz, presidente da estatal desde março de 2008.

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Dilma ironiza críticas a viagens com presidente

De O Estado de S.Paulo

A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, recorreu ao tom irônico para rebater as acusações de que estaria antecipando a campanha eleitoral de 2010. A petista, que há algumas semanas iniciou uma maratona de viagens ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, comparou-se a uma dona de casa para devolver as críticas. “É preconceito contra a mulher. Eu posso ir para a cozinha, cozinhar os projetos. Agora, na hora de servir, não posso nem ver?”, indagou.

Em um sinal de que trabalha para se aproximar do eleitorado tradicional de Lula, Dilma esteve ontem em São Paulo para um colóquio do PT com movimentos sociais. Questionada por jornalistas, a ministra destacou que coordena vários projetos do governo e que não vê sentido na tese de que não deveria rodar o País para as inaugurações.

Apesar de evitar colocar-se abertamente como candidata, a ministra elogiou o acordo entre PT e PMDB pavimentando a aliança para o ano que vem. “Quanto mais cedo os partidos conseguirem fazer acordos de maneira programada, melhor para o País”, afirmou.

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Dilma ironiza críticas a viagens com presidente

Grupo peemedebista contrário a Dilma alia-se ao DEM e exige rapidez na escolha do candidato do PSDB à Presidência

Do Correio Braziliense

O grupo oposicionista do PMDB juntou-se ao DEM para pressionar o PSDB a antecipar a escolha do candidato que disputará a Presidência da República no ano que vem. O grupo, que tem como expoente o ex-governador de São Paulo Orestes Quércia, entende que os tucanos estão perdendo terreno para a ministra Dilma Rousseff, a candidata do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. E deixar a definição para o ano que vem só dará mais fôlego aos governistas.

Com dois pré-candidatos ao Palácio do Planalto, os governadores José Serra (São Paulo) e Aécio Neves (Minas Gerais), falta um nome para centralizar as negociações e firmar-se como contraponto a Lula e Dilma. Essa lógica dos peemedebistas de oposição é a mesma que o DEM usou para esquentar a chapa dos tucanos.

“Acho que deveria antecipar para já ter um contraponto”, afirmou Quércia. O ex-governador de São Paulo é contra o acordo com o PT e favorável à escolha de José Serra como o candidato tucano. “Ele reúne as melhores condições de vitória.” Quércia firmou aliança com os tucanos de olho numa candidatura ao Senado e tornou-se um dos principais porta-vozes da insatisfação do noivado com a ministra Dilma, que prevê que o PMDB terá a vice na chapa petista. Hoje, o nome mais lembrado é o do presidente da Câmara, Michel Temer (SP), antigo aliado de seu correligionário.

Presidente do PMDB estadual, Quércia usou palavras duras para desqualificar a iniciativa dos governistas. Classificou o noivado de artificial, desidratado, inválido, autoritário e sem apoio. E disse que seus adversários não terão apoio necessário na convenção nacional para chancelar o acordo. “Duvido que passe essa proposta.”

Para a convenção nacional rejeitar o pré-acordo, é necessário que estados pró-Dilma troquem de lado até março do ano que vem. Quércia aposta que as primeiras baixas ocorrerão em Minas Gerais, se o PT não abrir mão da candidatura própria e apoiar o ministro das Comunicações, Hélio Costa, ao governo, e na Bahia, onde o governador Jaques Wagner (PT) e o ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima (PMDB), vivem às turras.

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Projeções no Uruguai indicam que eleição presidencial vai a segundo turno

De O Estado de S.Paulo

Pesquisas de boca de urna da eleição presidencial uruguaia, divulgadas após a votação de ontem, indicavam vitória do candidato governista, o ex-guerrilheiro José Pepe Mujica, com índices entre 47% e 49% dos votos. O resultado, se confirmado oficialmente, levará a disputa para segundo turno, no dia 29 de novembro.
O próprio candidato antecipou-se à divulgação dos resultados finais e disse, após o anúncio das projeções, que a sociedade uruguaia “exige mais um esforço, o de participar de um segundo turno”. Mujica, porém se disse “otimista”.
A coalizão governista – composta por socialistas, democrata-cristãos e comunistas, sob o comando do presidente socialista Tabaré Vázquez – enfrentou nas urnas o ex-presidente Luis Alberto Lacalle (1990-1995), do Partido Nacional (Branco), que segundo as pesquisas teria entre 29% e 31% dos votos. O candidato do Partido Colorado, Pedro Bordaberry, filho do ex-ditador Juan María Bordaberry, teria entre 17% a 18%. Ele reconheceu a derrota e declarou seu apoio a Lacalle.

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COMPROMISSO E PALAVRA DE ESCOTEIRO

Este blog voltará a ser atualizado em 26 de outubro.
Palavra de escoteiro.

COMPROMISSO E PALAVRA DE ESCOTEIRO