FERRÉZ: A IDEOLOGIA DO CRIME

Falar de Ferréz é sempre desgastante. Já tratei sobre o valente em oportunidades anteriores aqui no blog e o resultado foi uma enxurrada de comentários repletos de ilógicas. Acusaram-me de elitista, de racista, de preconceituoso e et cetera. Isso tudo porque apenas apontei alguns errinhos gramaticais cometidos pelo pretenso escritor e desmistifiquei alguns pontos em que o valente cita uma suposta elite como a culpada pelas agruras por que passam os habitantes da favela. É sempre assim: os desfavorecidos podem apontar pra cara de todo mundo; mas, uma vez que a face em evidência é a de um deles, aí não, aí todos nós temos que nos calar.

Os nobres leitores desse blog provavelmente já ouviram falar no Princípio do Terceiro Excluído – em latim, tertium non datur. Essa lei é imperiosa na maioria do meio religioso, principalmente em igrejas protestantes. Funciona assim: se você adora Deus, então não adora o Diabo; se você não adora Deus, logo você adora o Diabo. Não há, como notamos, uma terceira via. Ou você é bom ou você é mau, jamais poderá ser Do meio-campo, compartilhando frações de ambas as opções.

Ferréz criou o que eu chamo de “Princípio do Terceiro Excluído das Classes Sociais”. Se você é pobre, é bom; agora, se você não pega ônibus lotado às 7 da matina, se você não leva ovo na marmita, se você não tem calos nas mãos, se você não usa C&A porque consegue comprar algo um pouquinho melhor, se você não anda com aquela Brasília caindo aos pedaços, se você consegue interpretar minimamente um pouquinho de Camões, se você não ouve funk, se você usa pijama ao invés de camiseta de deputado pra dormir, se você nunca pisou na 25 de Março e no Brás, se você faz uma boa faculdade e não uma Uni-duni-tê da vida, enfim, se você não é pobre, logo você não é bom. Ter condições financeiras, para Ferréz, é ser opressor.

O dito-cujo concedeu uma entrevista para a revista Caros Amigos deste mês. Como vocês poderão notar, a matéria está em quase ipsis litteris. O texto da entrevista é quase a fala integral do que disse Ferréz. Talvez, ele tenha respondido tudo por escrito mesmo. Faço questão de deixar isso bem claro porque, vale lembrar, o entrevistado é um escritor – um ser que, espera-se, tenha o mínimo domínio do vernáculo.

Segue trechos da entrevista em azul. Farei algumas intervenções em vermelho.

Ferréz tem 33 anos, é escritor, comerciante e autêntico representante dos sentimentos e das lutas da imensa população que vive na periferia de São Paulo. Ficou conhecido porque expressa com realismo a dureza das relações entre povo e Estado, entre pobres e ricos, entre as precárias condições de vida nas favelas e a repressão policial.

O abre acima é da revista. Os repórteres identificam Ferréz como um “autêntico representante dos sentimentos e das lutas da imensa população que vive na periferia”. A revista afirmar isso é uma coisa, ver se há essa legitimidade é outro assunto. Ferréz pode ser conhecido no Capão Redondo, mas, provavelmente, se perguntarmos a um habitante do Jardim Grimaldi o que ele acha do fato de Ferréz o representar, creio que uma cara de ponto de interrogação formar-se-á imediatamente. Ter representantes não é privilégio exclusivo dos moradores de regiões periféricas. Os negros, os gays, os gordos, os feios, os carecas e os desentupidores de pia sempre poderão contar com alguém à semelhança de sua raça (que conceito mais ultrapassado!), orientação sexual, biotipo, fenótipo e craçi trabaiadora para defendê-los. É o tipo de gente que não pode viver sem carregar uma causa nas costas. Pesquisem aí: foi justamente esse tipo de atitude que levou a Bolívia, parcialmente, à grande miséria que vemos hoje.

Caros Amigos – Fale um pouco da sua vida, onde nasceu, estudou, o que faz hoje.

Ferréz – Meu nome é Ferréz, eu não uso meu nome de batismo por que eu não acredito no batismo, não acredito na Igreja Católica. Prefiro um pseudônimo, por que é uma coisa que eu inventei também, como a minha carreira. Eu sou vendedor ambulante, eu só vivo com coisa debaixo do braço para cima e para baixo para vender às editoras, sou datilógrafo também, por que escrevo e trabalho com muita coisa para poder ter o básico, então vivo de muita coisa, trabalho de muita coisa. A minha infância foi normal como a de todo moleque de favela, tá ligado? Só não soltava tanto pipa porque meu pai não deixava.

O rapaz, incontestavelmente, é um fenômeno. Viram só?: ele inventou a pseudonímia! Releiam o trecho, e vocês que verão o quão esplendoroso é nosso neo-Camões.

Caros Amigos – Você acha que a escola está distante da realidade?

Ferréz – Eu acho que a escola perdeu o foco total de qualquer senso de realidade. Eu acho que a escola e a realidade não têm mais nada a ver e eu acho que uma geração inteira está errando de ir para a escola e os professores serem educados do jeito que são também. Porque os professores também estão ferrados

Um conjunto de idéias um pouco atrapalhado, não? Engraçado, um escritor não saber se expressar claramente. Bem, enfim…

Caros AmigosO que acha dos rappers tipo GOG, Racionais, Facção Central?

Ferréz – O Gog, o Racionais, o Facção Central, o Consciência Humana, são a minha escola também, eu não existiria e toda uma legião de caras que existe hoje que gosta de literatura e rap, não existiria se não fosse eles. O rap, pra mim, junto com os caras é uma injeção, tá ligado? Que na verdade é pra quem tá com dor, quando eu vou em faculdade fazer palestra tem um monte de gente que reclama, mas eu acho violento Facção Central, Racionais… Por que não é para eles, eles não precisam ouvir aquilo, elesnão tão na cadeia, eles não tão usando droga, então não precisa. É bem claro pra mim, as letras de rap no Brasil são as melhores letras do mundo, não existe um tipo de letra de rap no mundo igual as que existem no Brasil. Um rap que o cara fala: No rio em queJesus andou, o homem navegou e matou pela cor. Não existe em nenhum lugar no mundo um verso como o homem nasceu com defeito de fabricação, invés do coração uma granada de mão dentro do peito. É o tipo de letra que os caras fazem.

Vamos lá: alguém aqui me aponta em que rio Jesus andou? Nem a Bíblia sabia disso! Até onde li nos evangelhos, Cristo caminhara sobre o mar da Galiléia. Ferréz transformou as águas salgadas em águas doces.

O valente também fez referência sobre o público-alvo das canções de rap. São eles: presidiários e drogados. Mais: exalta essas canções como se fossem o supra-sumo da história da música.

Pois bem, abaixo, posto uma letra de rap. É do grupo “Terceiros”, e o nome da música é ‘Rap Proibido 9’.

E os terceiros vão descendo a ladeira

Levando tiro pela frente pelas costas
E o comando traficando a noite inteira
Que coisa linda que coisa maravilhosa
E os terceiros tão de bricadeira
E eles querem invadir o morrão
Mas eu dou tiro na cabeça, na cintura
Também dou tiro na bunda dos terceiro vacilão
E os terceiro bando de filha da puta
Um Bando de sangue-suga
São um bando de cuzão
E os X9 tão de bricadeira
Eles querem trazer esfolação
Mas eu dou tiro na cabeça e na cintura
Também dou tiro na bunda de X9 vacilão
E os X9 bando de filha da puta
Um Bando de sangue-suga
São um bando de cuzão
Os tercero dão o quê?
Dão a bunda!!
E os X9 são o quê?
FIlha da puta!!
E os terceiro são o quê?
Filha da Puta!!
E os X9 dão o quê?
Dão a bunda!!

Eis aí o que Ferréz proclama como a obra-prima da música. Como se não bastasse um idiota para defender tais composições, às vezes, o apoio à cultura da marginalidade também encontra respaldo em parte da imprensa bocó. Não foram raras as ocasiões em que o Fantástico exibiu Regina Casé subindo os morros cariocas e proclamando aquela realidade como o “centro”.  Ali, Casé, nossa redentora dos barracos, organizava uma rodinha de funk e outra de rap e mostrava tudo aquilo com a intenção de nos revelar os valores da oprimida sociedade do morro, como se aquilo fosse indispensável à “nababesca” sociedade do asfalto; como se o fato de serem pessoas sem condições sociais lhes garantissem condições morais superiores a qualquer outro ser humano e, em nome disso, possam transformar o conjunto de comportamentos daquela realidade cruel em uma ética aceitável. Tentar lutar contra o mal exaltando seus valores só pode desencadear efeitos reversos. O corolário disso, como vimos, chega ser a derrubada helicópteros da Polícia Militar. Volto a esse ponto mais adiante.

Durante a entrevista, Ferréz revelou que, hoje em dia, procura se abster de decisões políticas. Afastou-se do PT – partido para o qual se dedicava – por causa dos escarcéus protagonizados por seus partidários. Nessa parte, Ferréz faz um comentário estarrecedor.

Caros AmigosMas e o PT em si? O que você se decepcionou com o PT?

Ferréz  – Ah! Eu não sei, eu votei num partido que prometeu outras coisas, entendeu? Não prometeu escândalo, não prometeu virar as costas na hora em um julgamento, não prometeu… O PT virou outra coisa, não é o que eu acreditava não. Não estou falando que tinha que ser revolucionário, que tinha que mudar tudo, que todo mundo sair de vermelho, mas era uma coisa que eu acreditava como moleque de favela que a favela ia mudar, entendeu? Mas eu tive que esperar o PCC chegar para mudar a favela, não foi o PT… A sigla foi outra, não foi o PT que mudou a favela, então nessas partes não é um governo autoritário ruim, mas também não é o governo dos sonhos que eu lutei, que eu vendi show, que o Góis morreu na estrada tentando lutar pelo partido, que eu vi muito amigo meu morrendo lutando pelo PT e ficando velho pelo PT, não era isso que a gente queria no poder e eu não tô falando só do Lula, tô falando de todo o partido.

É exatamente aqui que o cenário começa a ficar perigoso. Ferréz, tido como um representante legítimo das comunidades carentes, fala a uma revista de grande circulação que suas esperanças de melhorias à favela não foram concretizadas por um partido político que faz parte do xadrez eleitoral de um país democrático, mas, ao contrário do que imaginava, a sigla responsável por mudanças foi uma facção criminosa condenada explicitamente pela polícia. Não estou defendendo o PT, estou condenando uma declaração estúpida de um ser estúpido. Adiante.

CA O PCC mudou a favela de que maneira?

Ferréz – De toda a maneira possível que você pensa.

CA Positivamente?

Ferréz – Depende da visão. Tem gente que pensa que é positivo, tem gente que pensa que é negativo. Mas mudou.

CaVocê pode falar um pouco dos dois lados, do lado positivo e do lado negativo?

Ferréz – O lado positivo é que a elite não sabe mais o que é a favela, não tem nem noção. O governo não tem noção do que é a favela mais, porque é outra favela, é outra coisa… E o lado negativo é que a população sempre vai ser oprimida.

CA O lado positivo é outra coisa como?

Ferréz – Não tem como explicar, assim… Mas mudou, eu, por exemplo, quando eu escrevi o Manual Prático do Ódio a favela era aqui, agora se eu for escrever sobre a favela agora é outra coisa. Por isso eu não escrevo mais sobre a favela, o meu próximo romance não é mais sobre a favela, por que eu não faço mais questão da elite saber o que é a favela não, não me interessa mais…

CA – Mas mudou exatamente o quê? Explica um pouco melhor.

Ferréz – Mudou tudo. Mudou a vida criminal, tem regra, mudou tudo o que você imagina na vida cotidiana da periferia mudou.

Como é que é? Ferréz avalia como positivo o suposto fato de o governo não saber mais o que é a favela? Chegamos à barbárie!

Quando se opta por vias não-convencionais a fim de estabelecer a ordem, o resultado é a perpetuação do condenável. A partir do momento em que um escritor – semi-analfabeto, é verdade, mas escritor, dentro do seu direito de tornar públicas suas asneiras – pisca o olho para uma facção criminosa, vendo como positivo a atuação de seus integrantes em regiões repletas de trabalhadores, gente honesta, aí já podemos começar a concluir com que tipo de gente estamos lidando. Não se trata de questionar a presença do Estado ou não: o Estado tem de estar presente em todos os cantos para garantir a ordem! Ponto. A guerra no Rio é justamente o resultado da falta de Estado e presença de facções nos morros. Pelo visto, é isso que quer Ferréz: uma facção criminosa dominando um território e tocando um Estado a parte!

Pouco me interessa se o PCC custeia estudos de gente carente!

Pouco me interessa se o PCC dá cestas básicas para quem passa fome!

Pouco me interessa se o PCC garante segurança a alguém!

Interessa-me apenas que o PCC seja tratado como PCC, e não é um Ferréz da vida que vai colocar a auréola de anjinho sobre a cabeça dessa raça.

No Estado de São Paulo, os homicídios tiveram redução de 66% em nove anos.  A queda nessa taxa deve-se ao investimento nas polícias e ao aumento da população carcerária, segundo análise do governo do estado. Logo, senhor Ferréz, se a violência tem diminuído em São Paulo, crédito ao Estado e seu braço de segurança – a PM – e não à facção criminosa à qual fizestes referência.

Frente a tais dados, é-me muito estranho que Ferréz ainda defenda menos bedelho do Estado nas favelas. Cui bono?

CAÉ um Estado paralelo dentro da favela?

Ferréz – Poder paralelo? Não, é o poder. Esse negócio de dizer que é o poder paralelo, não existe o poder paralelo, o Estado não manda na favela, quem disse que o Estado manda na favela? A PM vai lá manda o cara por a mão da cabeça e tudo, repudia o cara, mas depois o cara volta a ser da favela, entendeu? Por mais que os caras cerquem um motoboy, cerquem o cara que está dentro do ônibus, bata geral em todo mundo eles vão embora e a favela continua. Então mudou tudo e vai mudar mais ainda, ta em processo de mudança.

Quem disse que Estado manda na favela? Ora, simplesmente a lei, meu caro; apenas a lei – esse conjunto de normas que qualquer pessoa que se preze se submete a ele; o que, vejo, não é tua preferência.

CA Mas houve regras fixadas claras? O que aconteceu?

Ferréz – Há regras fixadas claras e toda uma norma de conduta e de respeito que o Estado nunca conseguiu impor.

CAQuem impõe?

Ferréz – O crime.

Uma coisa é o Estado impor regras, outra é seus cidadãos as seguirem. Reafirmo: chegamos à barbárie. Ferréz prefere um conjunto de regras comandado por assassinos a um sistema de leis que respeitam o ordenamento jurídico do País. Nas regras do crime, pecou, morreu. O direito ao contraditório e à ampla defesa, por exemplo, inexiste. É sempre bom lembrar de quem vem essa declaração pró-PCC: de uma pessoa que escreve livros e esparzi idéias também para crianças e adolescentes.

CA- Existe um papel do crime como mediação nos conflitos cotidianos?

Ferréz – Existe. O crime está em tudo em que o Estado nunca teve, o Estado deixou uma lacuna muito grande que o crime cobriu, você vai na delegacia prestar queixa de um carro roubado você fica 4 horas sentado sendo humilhado pelo policial (…) E o crime não. Você procura o crime ou ele resolve, ou não. Você no mínimo não fica 4 horas sentado, você não fica na palavra de ninguém, entendeu? Então, onde não chegou o poder público, o crime chegou, quando o poder público está cuidando da elite, o crime está cuidando da outra parte da cidade que é dele.

Os erros morais de tal declaração sobrepõem-se aos erros de Língua (na delegacia, nunca teve – ele quis dizer ‘esteve’). Eis novamente a lógica esquerdista bocó de que o governo só governa pra elite.

Claro!

Imagino a felicidade de uma madame da Cidade Jardim ao saber que a Linha Verde do Metrô vai contar com 20 novos trens! E já antevejo os saltos de felicidade do CEO de uma multinacional depois de tomar ciência que, sei lá, as escolas públicas passarão a ter Bom-Ar nos banheiros.

É um discurso cafajeste de quem nutre um ódio contra pessoas que, vejam que infelicidade, se deram bem na vida – ignorando, inclusive, que muitos integrantes da elite de hoje são de origem humilde e já tiveram condições sofríveis de vida. Mas isso pra Ferréz não vale nada. Se você nasce pobre, pobre há de morrer! Caso consiga “vencer na vida”, será considerado uma espécie de traidor da causa pobre.

Mas isso não é o mais grave de sua declaração. Antes fosse. Destaque para esse trecho: Então, onde não chegou o poder público, o crime chegou, quando (ele quis dizer ‘enquanto’) o poder público está cuidando da elite, o crime está cuidando da outra parte da cidade que é dele.

O “crime está cuidando da parte da cidade que é dele” uma ova! É uma arenga vagabunda, típica de facínoras morais. Vejam a lógica contida na ilógica de Ferréz: 1- o governo cuida da elite; 2- por conseguinte, quem não é da elite, é “do outro lado da cidade” 3- conseqüência: se você é “do outro lado da cidade”, logo, você está sub os cuidados do crime.

É uma retórica condenável! Ferréz empurra para debaixo das asas do PCC todos os pobres, independentemente de a égide ser aceita por eles ou não. Eis um problema dos autoproclamados representantes de categorias: falam em nome de outros sem se preocupar se esses outros aceitam ser representados.

CA – E qual é a saída para este tipo de coisa [distanciamento entre a periferia, governo e “elite”]?

Ferréz – A saída é clara. A saída é… Já começou a saída há algum tempo. A saída ta na cara das pessoas, só não ver quem não quer. A saída é que o povo já ta se mexendo, isso não é utopia minha, é realidade, quando você vê uma favela reagindo, quando você vê um ônibus queimando, não é o crime, por que mais que a mídia queira, quando você vê as pessoas que estão legitimadas como embaixadores da periferia tendo acesso a dar entrevista, tendo acesso a falar, entendeu? (…).

Sacaram qual é a do rapaz? Para ele, é aceitável que se promovam atos de vandalismo em prol da causa pobre! Mais: ele afirma que o ônibus pegando fogo “não é o crime”, mas sim a voz dos “embaixadores da periferia”. Essa história de usar a pobreza para justificar atos criminosos, recorrendo ao argumento de que o vandalismo é a única chave para acesso ao governo e à imprensa é passível de ser qualificada de apologética.

Atear fogo em ônibus é coisa de criminoso.

Apedrejar viatura policial é coisa de criminoso.

Hostilizar policiais é coisa de criminoso.

E defender essas ações em nome de uma causa é tão criminoso quanto.

A entrevista concedida por esse delinqüente intelectual tem mais abobrinhas. Não vou abordar todas, senão meu blog vira horta, tamanha a oferta de besteiras. As declarações de Ferréz servem para mostrar como pensa essa gente que se diz portador da causa alheia. No que depender dessa raça, o ladrão, o drogado, o presidiário sempre deverão ter seus atos perdoados. Seria uma forma de compensar as desigualdades por que passam. Vale a pena lembrar trecho do artigo escrito por Ferréz na Folha de S.Paulo comentando o assalto sofrido por Luciano Huck, em 2007.

“No final das contas, todos saíram ganhando, o assaltado ficou com o que tinha de mais valioso, que é sua vida, e o correria ficou com o relógio. Não vejo motivo pra reclamação, afinal, num mundo indefensável, até que o rolo foi justo pra ambas as partes”

Eu queria que Ferréz me explicasse o saldo positivo dos dois lados no episódio da derrubada do helicóptero da PM do Rio de Janeiro. O bandoleiro faz clara apologia ao crime – o que também é crime. Defender bandido é a sua tara. Enquanto para a sociedade bandido bom é bandido em cana; para Ferréz, bandido bom é bandido livre, inclusive escrevendo livros, se é que me entendem.

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2 pensamentos sobre “FERRÉZ: A IDEOLOGIA DO CRIME

  1. jUlia diz:

    Veio. Pode até ser que o cara se atralha em alguma ideia ou outra. E tu:
    1- Ele não diz que inventou o pseudônimo e sim o pseudônimo dele. Você não interpreta o contexto e sai julgando. Ele quis dizer que inventou o apelido dele assim como a carreira.
    2- Segundo, você diz que a letra da musica postada Rap Proibidao 9 é do grupo: Terceiros.
    Mano não chame os outros de ignorantes porque tu também és.Vc postou a musica e disse que o é grupo chamado terceiros. O grupo é Rap proibido 9 e o NOME DA MUSICA É TERCEIROS. Por que? Porque o CV E PCC é inimigo do TCP – terceiro comando puro, a musica fala do TCP:
    E os terceiros tão de bricadeira
    E eles querem invadir o morrão
    Mas eu dou tiro na cabeça, na cintura
    Também dou tiro na bunda dos terceiro vacilão
    3- Você diz: …pisca o olho para uma facção criminosa, vendo como positivo a atuação de seus integrantes em regiões repletas de trabalhadores, gente honesta
    E dai que tem gente honesta na favela? Vc acha que o PCC sai assaltando que mora na favela dele? Não e se alguém o fizer morre. Ninguem é assaltado dentro de favela se mora ali. Vc pode deixar tua casa aberta que ninguém rouba, se roubar morre. Antes tinha estupro na favela, estupravam filhas de gente honesta como diz vc, assaltavam essas pessoas, os caras davam em cima de mulher casada enquanto o marido trabalhava, hoje isso não existe porque o PCC proíbe e se não cumprir morre.Vc diz que ta nem ai se o PCC garante a segurança de alguém. Obvio não é vc que nasceu na favela,não é vc que precisa da proteção deles pq a policia acha que todo favelado é bandido, não é vc, se fosse a coisa seria diferente. Isso não quer dizer que vc é obrigado aceitar. Mas não significa que pode julgar. Quero ver tu colar numa favela e dizer oq vc diz na cara de um irmão. Pelo menos la existe fidelidade. Se o ladrão te promete proteção ele da. Não vao comprar ele , ele não vai te trair. A policia basta subornar.
    4- A lei diz que o estado manda na favela, isso é teoria. O PCC manda na favela é fato e ninguém é trouxa de contrariar o comando.
    5- No PCC existe direito de defesa. Mas não adianta se defender de ser cagueta, talico, estuprador: morre. Por isso funciona.
    6- Concordo só em uma coisa contigo: Alguns falam em nome de outros sem se preocupar se esses outros aceitam ser representados.

    Ah por ultimo- foda-se meus erros de ortografia.

  2. Mari diz:

    Meu caro, a única coisa que pode te fazer parar um pouco para pensar nas coisas sem sentido sobre as quais está falando é ser mais uma “vítima” dessa “nossa falta de segurança” do dia-a-dia, não é?! Já diz Facção Central “O juiz ajoelha o executivo chora / Pra não sentir o calibre da pistola / Se eu quero roupa comida alguém tem que sangrar / Vou enquadrar uma burguesa e atirar pra matar”. Boa sorte com o seu mundo de grades e carros blindados, mas lembre-se do que nos disse MV Bill: “Moleque cheio de ódio invisível no escuro, puro. / É fácil vir aqui me mandar matar, difícil é dar uma chance a vida. / Não vai ser a solução mandar blindar. / O menino foi pra vida bandida.”!

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