PAUSA NO BLOG

QUERIDOS,

ATÉ O DIA 11 DE JANEIRO ESTAREI DE FÉRIAS E NÃO POSTAREI NADA POR AQUI.

ABAIXO, MINHA MENSAGEM DE FIM DE ANO E MEUS VOTOS PARA CADA UM DE VOCÊS.

A GENTE SE VÊ EM 2010.

ATÉ LÁ

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PAUSA NO BLOG

UMA MENSAGEM [NADA CONVENCIONAL] DE FIM DE ANO

Nada como o fim de ano para aflorar a estupidez da maioria. Chega essa época, o otimismo de todos parece se multiplicar e tornar mais imbecil cada um de nós.

Admito que adoraria ter esse excesso de fé que vejo em outras pessoas. Ter essa crença pueril de que uma simples virada de ano é capaz de mudar tudo o que está errado, reatar laços familiares e sociais rompidos pelas circunstâncias, conquistar o cume dos sucessos profissional, acadêmico e pessoal, cumprir à risca aquele regime que se inicia em todas as segundas-feiras, aperfeiçoar qualidades, e assim vai…

Passa-se o ano inteiro sofrendo desilusões e atravessando estradas espinhosas. Aos trancos e barrancos, leva-se a vida sempre crente em um amanhã melhor – que, às vezes, não vem. Mas no fim do ano, sei lá o porquê, esse amanhã melhor parece ser o frêmito de um destino inescapável a todos nós. Que utopia! Se a simples passagem das vinte e três horas e cinqüenta e nove minutos para meia-noite fosse a chave para um novo rumo ao êxito, teríamos uma constante: cada novo dia, uma nova conquista. “Ah, mas só o fato de chegar o fim do dia com vida já é uma conquista”, dirão os mais atrevidos a sábios. Néscios! Tenho verdadeira ojeriza a pessoas que se acham superiores o suficiente para querer dar lições morais de vida e sempre vomitam seus palavrórios supérfluos como se suas sabedorias fossem o supra-sumo da filosofia. Chegar ao fim do dia com vida não é conquista nenhuma. Isso porque não foi facultado ao homem o poder de decidir quando termina e começa a vida.

Drummond, em Cortar o Tempo, afirma que:

Quem teve a idéia de cortar o tempo em fatias,
a que se deu o nome de ano,
foi um indivíduo genial.

Industrializou a esperança, fazendo-a funcionar no limite da exaustão.

Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos.
Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez, com outro número e outra vontade de acreditar que daqui pra diante vai ser diferente.

Sensacional, como tudo é em Drummond. O pulo-do-gato, no entanto, está no excesso de esperança que, como vimos, funciona no limite da exaustão. Sujeitos esperançosos demais alimentam dentro de si uma quimera particular, que a ninguém é conferido o direito de usurpar-lhes. Mas por que essa esperança tem que se manifestar tão descaradamente no fim de ano? Se todo Ano-Novo fosse um recomeço, teríamos de considerar também que a oportunidade de tentar tudo de novo deve ser um direito a todos, inclusive a criminosos detidos em presídios de segurança máxima. E se a esperança é uma fantasia inerente à condição humana, então por que não se abrem as portas das cadeias e creiamos todos que os criminosos aproveitarão o novo ano e tornar-se-ão pessoas melhores? Afinal, todos têm direito ao Ano-Novo e a todas as patifarias relacionadas a isso.

Sou eu um pessimista? Não, não sou. Pelo contrário: sou um otimista com excelentes doses de realismo. As minhas esperanças se renovam a cada manhã. Não espero o fim do ano pra isso.

Desejo a todos os leitores de blog um Feliz Ano-Novo. Parafraseando Antônio Carvalho: que 2010 seja melhor que 2009 e pior que 2011.

Fraternalmente,

Leandro Vieira

UMA MENSAGEM [NADA CONVENCIONAL] DE FIM DE ANO

OLHA EU AQUI

Hoje é dia 25 de dezembro. Natal, finalmente. Como viram, rompi com minha palavra e apareci por aqui antes do dia 4 de janeiro. Meu caso de amor com cada um de vocês me faz descumprir minhas promessas feitas a mim mesmo, hehe.

Escrevo do meio do mato, diretamente de São Roque, interior de São Paulo. A partir do dia 26, aí sim, esqueçam deste humilde blogueiro. Irei passar o Ano-Novo em uma cidade a 500 quilômetros de São Paulo (já sinto saudades da poluição) com uma numerosa família. Em meio a tantos primos, primas, tios, tias e avó, ser-me-á quase impossível dedicar ao blog o tempo que ele merece.

Por hora, estou aqui. E mãos à obra.

OLHA EU AQUI

O SOMBRIO FUTURO DE SERRA SEGUNDO A FOLHA

Se vocês descerem um pouco a página do blog, lerão um post meu sobre o erro de leitura da última pesquisa Datafolha cometido pela Folha . Na edição de quarta-feira, 23, Mauro Paulino, diretor-geral do Datafolha, e Alessandro Janoni, diretor de pesquisas do instituto, assinam um artigo que, novamente, subestima a inteligência do leitor.

O texto já começa com um embuste, afirmando que “a capacidade de transferência de votos que o presidente Lula demonstra ter elevando sua candidata Dilma Roussef (PT) ao atual patamar de 23% não se esgotou”. Pra início de conversa: Lula, tecnicamente, ainda não transferiu votos para ninguém. Os atuais 23% de Dilma só foram alcançados graças à desistência de Heloísa Helena (PSOL) à Presidência da República. Vejam a tabela abaixo.

CANDIDATOS CENÁRIO EM AGOSTO CENÁRIO EM DEZEMBRO VARIAÇÃO DE VOTOS
José Serra (PSDB) 36% 37% +1 ponto
Dilma Rousseff (PT) 17% 23% +6 pontos
Ciro Gomes (PPS) 14% 13% -1 ponto
Heloísa Helena (PSOL) 12% Não disputa mais a presidência XXXX
Marina Silva (PV) 3% 8% +5 pontos
Brancos e nulos 11% 9% -2 pontos
Não sabe ou não opinaram 7% 10% +3 pontos

Olhando a tabela acima, cabe questionar quais foram os candidatos favorecidos pela saída de Heloísa Helena do páreo. Por uma questão de aproximação ideológica, é normal que os eleitores de Helena tenham migrado para a carteira eleitoral de Dilma. Reparem que, dos 12% pertencentes à candidata do PSOL, 6% dos votos podem perfeitamente ter ido para Dilma, 5% para Marina Silva (que, querendo ou não, para o eleitor desinformado, sua imagem ainda é vinculada ao PT) e o 1% restante ter-se divido entre outros candidatos. Portanto, É MENTIRA que Dilma avançou nas pesquisas devido à capacidade de Lula de transferir votos.

A interpretação que a Folha faz do potencial crescimento de Dilma segue em um verdadeiro andar sobre as águas. Mauro Paulino sustenta que “somando-se os que não escolhem Dilma, mas outro candidato (58%), os que optam por votar em branco ou anular (9%) e os que não sabem em quem votar (10%) chega-se a 77% da população adulta que não declara, neste momento, apoio à petista. Dentre estes, 21% afirmam que votariam com certeza em um candidato apoiado por Lula. Estes dividem-se em 6% que identificam Dilma como candidata de Lula e 15% que não sabem quem Lula apóia”.

Santos Deus! Ok, consideremos que esses 21% dos que não declaram voto em Dilma aderissem a ela. A petista iria, então, ficar com 41% das intenções de voto, ultrapassando José Serra, com 37%. A grande questão é a seguinte: se dos 77% apenas 21% afirma que pode votar em Dilma, que raios o Datafolha fez com o 56% restante? Em nenhum momento foi feita uma sondagem da probabilidade de os que não declaram voto em Serra também mudarem de opinião e votar no tucano futuramente. E com relação aos que não reconhecem, ainda, Dilma como candidata do PT, outra questão: em nenhum momento o Datafolha não sondou se há eleitores que ainda não vêem Serra como candidato pelo PSDB? Ora, assim como Dilma ainda não teve sua candidatura confirmada, a de Serra permanece, oficialmente, uma incógnita.

A Folha ainda nos brinda com mais. “Há, portanto, 15% da população que, neste momento, não declara intenção de votar em Dilma, não sabe que ela é a candidata de Lula, mas afirma que votaria com certeza em um candidato apoiado pelo presidente”. Se for para trabalhar com um pé na lógica e outro no mundo das hipóteses, temos que considerar, da mesma maneira, que, no momento, 63% dos eleitores não declaram voto em Serra. Porém, quantos desses não reconhecem o tucano como candidato e quantos desses podem vir a votar em Serra? Isso o jornal e o Datafolha não revelam.

Serra pode um dia estar com 90% das intenções de voto, mas sempre darão um jeito de interpretar sua candidatura como derrotada, em que o choro e ranger de dentes são o destino único de seu certame.

O SOMBRIO FUTURO DE SERRA SEGUNDO A FOLHA

O PT INSISTE EM ATERRORIZAR SERRA

Nunca antes na história deste país houve um movimento de derrota antecipada em relação a uma candidatura como há, hoje, à de Serra. Os mais cínicos afirmam que, mesmo com a desistência de Aécio, o fato de o governador de São Paulo não oficializar sua candidatura mostra como ele está encurralado, com a corda no pescoço, e como ele deve tremer de medo. Cobrar Dilma para que oficialize sua candidatura ninguém cobra, mas quando o assunto é Serra, aí sim, todo mundo se acha no direito de meter o bedelho.

O senador Aluísio Mercadante (PT-SP), aquele, que ia pedir afastamento da liderança do partido em caráter irrevogável caso o PT insistisse em apoiar Sarney, previu, em seu Twitter, sombras para Serra. Escreveu o senador: Aécio jogou a toalha. A oposição está encurralada como estávamos em 94 com o Real. Agora, pelo apoio de 2/3 da população ao governo Lula”.

Mercadante tem um português passível de correções. Mas essa não é a questão mais grave. Antes fosse. O cerne está no mau caratismo contido na afirmação de que o encurralamento da oposição é similar ao do PT.

Primeiro: quem disse que o PSDB está encurralado? Serra lidera com folga. Está 14 pontos percentuais à frente de Dilma Rousseff na última pesquisa realizada pelo Datafolha num cenário já sem Aécio. É mentira que a candidatura de Serra é natimorta, conforme querem taxar os petistas e parte da imprensa. Apesar de Dilma usar a máquina pública para subir em palanques Brasil afora, apesar de a pré-candidata ter Lula sempre ao seu lado – o que não é pouca coisa, tendo em vista os altíssimos níveis de aprovação do presidente –, mesmo sendo considerada a “mãe do PAC”, é espantoso que a ministra ainda não tenha alçado vôos mais altos nos índices de intenção de voto. Só cresceu 6% de agosto a dezembro graças à desistência de Heloísa Helena. Nada mais.

Segundo: qual o sentido de comparar a desistência de Aécio com o plano Real de 1994? Sim, à época, o PT ficou contra a parede; e graças a Deus que perdeu. Nunca é demais lembrar a batalha que os petistas travaram contra o Real quando eram da oposição. Se fosse feita vontade dessa gente quinze anos atrás, boa parte da herança econômica bendita que temos hoje não seria concretizada.

Foi o PT que, durante o governo FHC, fez de tudo e mais um pouco para que todas as diretrizes propostas pelo o governo da época não fossem aprovadas no Congresso. Fazer digressão de fatos políticos requer honestidade intelectual, coisa que o PT não faz.

FHC acabou com a inflação de 2500% ao ano, reduzindo-a a casa dos 5% e 6% atuais.

FHC derrubou o custo de vida de 20% ao mês para menos de 0,5%.

FHC fez do Brasil um excelente mercado para o investidor estrangeiro.

Enquanto isso, o que fazia o PT em 1994? Opunha-se ao Plano Real, não queria que o País pagasse a dívida externa, pregava o rompimento de relações com o Fundo Monetário Internacional, rejeitava todos os planos de reestruturação dos bancos, demonizava as privatizações… Eis o que era o PT em 1994!

Mercadante querer fazer um paralelo do pseudo-encurralamento tucano atual com a vida política de 15 anos é a simbiose da estupidez e da fraude intelectual. Sim, os petistas estavam contra a parede em 1994. E perderam! Se por acaso tivessem ganhado, hoje, Lula não estaria cantado suas glórias. Os petistas de 1994 teriam feito do Brasil um país com índices inimagináveis de inflação, custo de vida altíssimo e um mau mercado para investimentos. A receita perfeita para a desgraça sempre esteve na mão do PT, não do PSDB.

Apesar de tudo, o PT não desiste de sua cega obstinação e insiste em querer enterrar Serra ainda vivo. Em 2006, o que atrapalhou foi o rótulo de “privatista” que derrotou Geraldo Alckmin. Que em 2010, o PSDB não deixe o rótulo de “encurralado” matar a candidatura de Serra.

O PT INSISTE EM ATERRORIZAR SERRA

ARTILHARIA PETISTA EM AÇÃO

José Sérgio Gabrielli, presidente da Petrobras, concedeu uma entrevista para o Estadão de hoje. Pra variar, o valente afirma que, se a Petrobras não estive nas mãos do presidente Lula, parte da empresa teria sido privatizada. Leiam trecho da entrevista. Volto depois.

Se o resultado da eleição tivesse sido outro, qual caminho o sr. acha que Petrobrás teria tomado?

Só posso reafirmar que a Petrobrás estava a caminho de se transformar numa empresa muito eficiente separadamente e que perderia a capacidade de integração entre as diversas áreas da companhia. Teria investimento e crescimento menores do que teve. Provavelmente teria menos preocupação com o controle nacional, portanto teria menos impacto no estímulo da indústria brasileira. Teria focado suas atividades em setores diferentes do que foram focados. E o resultado disso é difícil especular qual seria. Seria uma empresa diferente do que é hoje.
O sr. acha que ela poderia ter sido privatizada, por exemplo?

Como um todo, acho difícil. Mas partes dela poderiam (ter sido privatizadas). Seria difícil uma privatização total da Petrobrás, mas partes dela, sim. (Entrevista completa aqui.)

José Sérgio Gabrielli já teve muitas outras oportunidades para falar da Petrobras. E é incrível que justo agora, com o cenário eleitoral de 2010 se desenhando com Aécio fora da jogada deixando o caminho livre para Serra, ele resolva trazer de volta o discurso da privataria. E vejam que maravilha as previsões que ele para a empresa caso o eleito não fosse Lula. “Provavelmente teria menos produção”. E, a partir disso, se desencadeiam as demais conseqüências: menos investimento e uma empresa muito diferente do que é atualmente. Engraçado que, para defender essa tese, Gabrielli se vale de um advérbio de dúvida seguido por um verbo na forma condicional.

Ou os tucanos começam a defender as privatizações realizadas na era FHC ou o PT trará as mentiras da privatização novamente à tona. Como se tudo o que foi privatizado pelo governo Fernando Henrique não tivesse hoje seus méritos.

Uns reclamam que a Vale foi vendida a preço de banana. Santo Deus! Ora, essa é a lei de mercado. À época, quanto valia a Vale, que estava em uma verdadeira situação de penúria? Ninguém no mundo compra uma empresa que vai mal das pernas a peso de ouro. Outro exemplo de justificável: a Rede Ferroviária custava aos cofres públicos cerca de 2oo milhões de reais por ano e era repleta de gente que não gostava de trabalhar. E os telefones, que custavam o equivalente a 5 mil reais?

Caso o PT tivesse sido governo durante os anos FHC, hoje, essas empresas estariam todas nas mãos do Estado, mas gerando despesas incalculáveis, servindo de cabides de emprego para meio mundo e jogando as contas nas costas do contribuinte.

Repito o que já disse em um outro post: está dada a senha dos nortes morais do PT para as eleições 2010.

ARTILHARIA PETISTA EM AÇÃO

UM EDITORIAL IRRETOCÁVEL DO ESTADÃO

Lula e o peso do Estado

O presidente Lula voltou a defender a carga tributária imposta aos brasileiros, indispensável, segundo ele, para a manutenção de um Estado forte. A tributação brasileira é apontada em todas as comparações internacionais como grave desvantagem para o País, porque onera a produção, esfola o consumidor, torna as empresas menos competitivas e dificulta a criação de empregos. Mas para o presidente os impostos e contribuições pagos no Brasil são razoáveis e adequados a um Estado "capaz de fazer alguma coisa". "Vou deixar claro para vocês: não imaginem um país com carga tributária fraca", disse ele a exportadores num encontro no Rio de Janeiro, na terça-feira. Horas depois, o Congresso aprovou uma lei orçamentária com novas bondades para o funcionalismo, novo aumento do Bolsa-Família, generosas emendas paroquiais – como sempre – e um acréscimo de R$ 7,3 bilhões à verba de R$ 22,5 bilhões prevista inicialmente para o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

Um dia antes do encontro com os exportadores, o presidente havia falado sobre a possível conversão de alguns incentivos setoriais em benefícios permanentes. Esses incentivos foram concedidos como parte da política antirrecessiva. Mas o governo não considera, como ficou claro no discurso de terça-feira, a hipótese de uma desoneração mais ampla e organizada, recomendada pelos especialistas em competitividade. Isto dá uma primeira ideia da equivocada concepção de Estado "forte" do presidente Lula. Um Estado não pode ser forte quando impõe à economia uma tributação irracional e restringe a expansão produtiva, a exportação e a criação de oportunidades.

O presidente confunde gordura e peso com força. A tributação brasileira equivaleu a cerca de 36% do Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro semestre, apesar dos incentivos fiscais e da perda de arrecadação causada pela crise. Mesmo na recessão, o setor público arrecadou muito mais, proporcionalmente, do que a carga tributária dos demais países emergentes.
Essa tributação não se traduz em melhor educação e em serviços melhores que os de países com impostos mais leves. Cerca de 20% dos brasileiros com idade igual ou superior a 15 anos são analfabetos funcionais, isto é, incapazes de ler e entender uma mensagem ou uma instrução simples. Isso é apenas mais uma amostra de como os brasileiros pagam caro para receber muito pouco do setor público em serviços de educação, saúde, segurança e justiça.
Apesar da notória improdutividade do governo brasileiro, o gasto federal com a folha de pessoal aumentou 49% em sete anos, contados a partir do primeiro semestre de 2002. Esse foi um aumento real, isto é, acima da inflação. "Não faremos arrocho salarial", disse o presidente Lula na segunda-feira, rejeitando a ideia de fixar para 2010 um objetivo fiscal superior a 3,3% de superávit primário. Essa meta mais ambiciosa poderia compensar o afrouxamento de 2009 e conter o endividamento público. Mas o presidente causaria enorme surpresa se aceitasse uma política mais austera, especialmente em ano de eleições. Quanto à palavra "arrocho", foi certamente usada de forma imprópria, depois dos aumentos acumulados em vários anos. Esses aumentos foram concedidos abertamente ou embutidos em "reestruturações" nunca traduzidas em melhores serviços.

O próximo ano, disse também o presidente, será um período de investimentos liderados pelo setor público. Daí seu interesse em reforçar financeiramente os programas de obras. Mas investimentos governamentais não dependem apenas de palavras. Competência para elaborar projetos e para executá-los é um requisito indispensável. Essa competência não tem sido exibida pelo governo nem pela mãe do PAC, a ministra Dilma Rousseff. Neste ano, até 22 de dezembro, o Tesouro desembolsou apenas 53,7% do valor previsto para investimentos do governo federal, incluído o chamado PAC orçamentário. Esses desembolsos incluem restos a pagar de exercícios anteriores.

Só com muito otimismo se pode esperar para o próximo ano maior competência na execução das funções públicas federais. Mas pode-se apostar na manutenção – se não no aumento – da escorchante carga tributária, útil para manter o empreguismo e a ineficiente máquina estatal. Uma carga imensamente desproporcional, enfim, aos serviços oferecidos aos esfolados contribuintes.

UM EDITORIAL IRRETOCÁVEL DO ESTADÃO