COP 15, A RECEITA PRO FRACASSO

Que a cúpula de Copenhague era natimorta, bem, isso não era mistério para ninguém. Somente depositavam esperanças em um possível acordo os imbecis adeptos da escatologia climática. Foram duas semanas de discussões que se davam de forma cíclica e chegavam sempre ao mesmo lugar(-comum): o goro de todos os esforços devem ser debitados diretamente da conta dos países ricos. Claro! Sempre eles: os ricos. Se a cúpula pudesse ser transformada no poema “Versos Íntimos”, de Augusto dos Anjos, os Estados Unidos, certamente, sairiam de braços dados com a pantera – a Ingratidão –, sem ninguém para assistir ao formidável enterro de sua última quimera.

Ao contrário do que alguns pensam, não sou um sujeito anti-ecológico, que vibra de alegria ao ver uma árvore na Amazônia sendo derrubada. Também não solto fogos de artifício quando assisto a um vídeo de caça ilegal. Costumo, também, não socar o ar acima de cabeça – como fazia o Pelé para comemorar seus gols – quando vejo um urso polar cercado por águas em uma camada de gelo sem ter para onde ir, a não ser nadar para a morte. Vocês podem não acreditar, mas me importo com as causas do planeta, porém, desde que isso não se transforme em filme apocalíptico. Quando a linguagem do terror começa a ser utilizada, o bom senso não costuma prevalecer. E quando os rumos da humanidade são decididos a partir de paranóias, não me vejo obrigado a assentir com nada que pregue qualquer tipo de salvação.

“Ah, mas todo mundo está lutando contra o fim do mundo”. Sério? Eu, nesse contexto de pânico criado pelos mistificadores do clima, não adiro a nada. As maiorias não me atraem nem um pouco. Sou assim: se Virgilio não aparece, vou para o diabo sozinho.

Lula e os pobres

Lula foi um dos mais aplaudidos durante a convenção. Em um discurso de improviso, raramente pode-se ver a hipocrisia personificada de forma tão espetacular. Em cerca de 10 minutos de palavrório improvisado, disse que o Brasil estaria disposto a dar mais recursos para “salvar o planeta”, mesmo que isso implique maiores sacrifícios ao País. Pronto! Estava dada a senha para a ovação. O plenário do Bella Center não se conteve e iniciou uma seqüência de aplausos intermináveis.

Às vezes, fico cá me perguntando: 800 pessoas compunham a delegação brasileira em Copenhague. Não poderiam ter sido delas a iniciativa dos aplausos efusivos?

Adiante

O curioso dessa história toda de dar recursos é o destino final de imensa parte toda essa dinheirama. Umas das diretrizes gerais da reunião era a quantia em dinheiro que os países desenvolvidos deveriam dar aos mais pobres a fim de ajudá-los a reduzir suas emissões de gases.

Eu não sou ambientalista e nem cientista, mas a lógica é uma companheira que vive de braços dados comigo. Pergunto: por que cargas d’água os países pobres precisam de dinheiro pra mitigação se os principais poluidores são os países ricos? Eu adoraria saber quanto as ilhas Maurício têm de participação nessa tragédia climática.

Não, a COP 15 não poderia ter acabado de outra maneira. A falta de foco (como assim, dar dinheiro pros países pobres se eles poluem de forma insignificante?), a hipocrisia (é tudo culpa duzistaduzunidus – como se a China também não fosse um player responsável pelo fracasso. Mas entendo. Os EUA são ricos! Já a China ainda está em desenvolvimento. Nessas horas, o discurso anti-ricos e pró-pobres sempre tende a prevalecer como verdade absoluta.) e o apocalipse que giravam na órbita da convenção não podiam selar o malogro da reunião de forma mais brilhante.

Mesmo assim, com a tragédia claramente anunciada, damos de cara com textos esquizofrênicos como o de José Ignácio Torreblanca, na edição do El Pais de hoje. Leiam:

Copenhague podía haber acabado de otra manera, sí: igual que Estados Unidos y Rusia han sido capaces de alcanzar grandes acuerdos de desarme nuclear, China y Estados Unidos podían haber alcanzado un acuerdo de largo alcance, comprometiéndose a reducir las emisiones mediante acuerdos vinculantes sometidos a verificación y un régimen de sanciones que lo respaldara. También podíamos haber visto a los 168 Estados ponerse de acuerdo en un sistema descentralizado de gestión climática en el que cada Estado cumpliera voluntariamente unos objetivos muy ambiciosos con una mínima coordinación. De hecho, hay precedentes de acuerdos similares (como las comunidades de regantes de Valencia, cuyo estudio ha sido crucial en el Premio Nobel de Economía recientemente concedido a Elinor Ostrom). Pero las dos posibilidades eran muy improbables. (Artigo completo pode ser lido aqui)

O articulista afirma que a convenção do clima poderia ter acabado de outra maneira porque, ora, afinal das contas, se Estados Unidos e Rússia chegaram a um acordo militar, por que quase duzentos países não concordariam em reduzir suas emissões de gases? Santo Deus! O valente quer comparar um acordo bilateral que abrange exclusivamente as indústrias bélicas russas e americanas com um acordo mundial, que, por sua vez, estende seus resultados sobre todas as indústrias do mundo de todas as naturezas, independente do que e para quem produzem; que afeta economias de países grandes e pequenos simultaneamente. Imaginem, por exemplo, se a China resolve levar a sério essa história e decide reduzir a produção de suas fábricas ao extremo como querem os extremistas do clima. Resultado: o Brasil se ferra! A China, hoje, é nosso maior cliente. Se a indústria chinesa não produz e não vende, de onde sairá o dinheiro usado nas transações comerciais China-Brasil? Do derretimento de uma calota de gelo certamente não será.

Enquanto os preparativos da COP 16 se dão, fiquemos todos com o aquecimento global. O calor é tanto, mas tanto, mas tanto, que a temperatura até caiu em Philadelphia, EUA. Resultado: uma nevasca.

Huumm… “Mas a neve é conseqüência do aquecimento global”, me dirão alguns. Sei, sei… Vou ligar o aquecedor do meu quarto no máximo. Quem sabe, assim, sinto um pouco de frio…

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