I’M BACK

Demorei, mas voltei.

Na semana do dia 11 os serviços da WordPress estavam com problemas. Não conseguia logar e, por conseguinte, nem postar nada.

Mas cá estou.

À luta!

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I’M BACK

A TRAGÉDIA NO HAITI E O JOGO PARA PLATÉIA

A tragédia no Haiti serviu para desacortinar mais uma face de Lula: a do oportunismo. Mal a terra parou de tremer por lá e Nossa Alice [no País das Maravilhas] já havia canetado uma ajuda de US$ 15 milhões e 13 toneladas de alimentos. Mais: enviou Nelson Jobim, ministro da Defesa, para olhar de perto as atividades dos soldados brasileiros em missão naquele país.

Que mal há nisso?, perguntarão alguns. E respondo: nenhum. Apenas me incomoda o fato de tamanha agilidade e presteza não ter ocorrido com as vítimas das chuvas em Santa Catarina, em 2008, e em São Luís do Paraitinga, Cunha e Angra dos Reis, agora, na virada de 2009 para 2010.

Ajudar um país miserável coloca o Brasil nos jornais internacionais e “pontua” na ONU. Mas ajudar os nossos, bem, aí já é mais complicado. Os mortos de Angra dos Reis não ajudam a trilhar o caminho à tão sonhada cadeira permanente no Conselho de Segurança.

A sede pelo protagonismo internacional recai sobre as forças de paz brasileiras no Haiti desde 2004. A catástrofe por lá não é apenas o terremoto dos dias de hoje, mas já vem de tempos. O exército brasileiro faz lá o que não faz aqui: vigia favela. É inaceitável que em nome de uma causa internacional o Brasil sacrifique-se internamente.

A causa haitiana é um enrosco. E, vale lembrar, essa dinamite não caiu no colo do Brasil; foi o País que implorou para descascar esse abacaxi. Não fossem os anseios incontroláveis de Lula e Celso Amorim, as mortes dos 17 militares brasileiros poderiam ter sido evitadas.  “Ah, mais aí você já está apelando”. Eu? Não mesmo! Afirmo isso porque, volto ao ponto, a questão que moveu Lula a enviar militares para lá em 2004 não foi humanitária, foi política. Se tal socorro fosse em solidariedade ao povo haitiano, creio que o mesmo procedimento seria adotado aqui no Brasil. E, desculpem-me por ser repetitivo, mas pergunto novamente: cadê os milhões de dólares a Angra dos Reis? E as toneladas de comida? Cadê um ministro de Estado em São Luis do Paraitinga e em Cunha?

Antes que alguns canalhas venham a mim com o dedo em riste, logo advirto: é evidente que sou favorável à ajuda. Sou contra essa obstinação por uma liderança ainda improvável e os caminhos escolhidos para alcançá-la.

A TRAGÉDIA NO HAITI E O JOGO PARA PLATÉIA

ROTTWILER SEM DENTES

Por Clóvis Rossi, na Folha deste domingo

O Brasil mudou de complexo. Antes, abrigava n’alma o de vira-lata, segundo Nelson Rodrigues, o notável escafandrista da alma brasileira. Agora, na crise haitiana, mostra complexo de rottweiler.
Pena que não tenha dentes. Refiro-me à ciumeira de autoridades brasileiras em relação a rápida e decidida ação do governo norte-americano. O ministro da Defesa, Nelson Jobim, reage com pura masturbação diplomática, ao dizer que se trata de “assistencialismo unilateral”.
Qualquer pessoa que não tenha perdido o senso comum sabe que os haitianos não estão preocupados com a cor do assistencialismo, se unilateral, bilateral, multilateral. Querem que funcione.
No aeroporto da capital, está funcionando, conforme relato desta Folha: “Depois que os americanos assumiram o aeroporto, os voos aumentaram e também o envio de medicamentos e alimentos”.
É claro que precisa haver coordenação, como cobra o chanceler Celso Amorim, mas é bobagem resmungar sobre os Estados Unidos assumirem um papel mais relevante que o das forças da ONU. É brigar com os fatos da vida. Os EUA podem mais que qualquer outro país, o que é escandalosamente óbvio.
Ajuda-memória aos resmungões, extraída do texto de Sérgio Dávila: os EUA enviaram vários navios da Guarda Costeira com helicópteros, o porta-aviões Carl Vinson, com 19 helicópteros, 51 leitos hospitalares, três centros cirúrgicos e capacidade de tornar potáveis centenas de milhares de litros de água por dia.
Nos próximos dias, chegam mais dois navios com helicópteros e uma força-anfíbia com 2.200 fuzileiros e um navio-hospital.
O Brasil tem condições de chegar a um décimo disso? Não. Então que pare de rosnar e reforce o seu pessoal no Haiti, que fez e está fazendo notável trabalho, dentro de seus limites bem mais modestos

ROTTWILER SEM DENTES