A TRAGÉDIA NO HAITI E O JOGO PARA PLATÉIA

A tragédia no Haiti serviu para desacortinar mais uma face de Lula: a do oportunismo. Mal a terra parou de tremer por lá e Nossa Alice [no País das Maravilhas] já havia canetado uma ajuda de US$ 15 milhões e 13 toneladas de alimentos. Mais: enviou Nelson Jobim, ministro da Defesa, para olhar de perto as atividades dos soldados brasileiros em missão naquele país.

Que mal há nisso?, perguntarão alguns. E respondo: nenhum. Apenas me incomoda o fato de tamanha agilidade e presteza não ter ocorrido com as vítimas das chuvas em Santa Catarina, em 2008, e em São Luís do Paraitinga, Cunha e Angra dos Reis, agora, na virada de 2009 para 2010.

Ajudar um país miserável coloca o Brasil nos jornais internacionais e “pontua” na ONU. Mas ajudar os nossos, bem, aí já é mais complicado. Os mortos de Angra dos Reis não ajudam a trilhar o caminho à tão sonhada cadeira permanente no Conselho de Segurança.

A sede pelo protagonismo internacional recai sobre as forças de paz brasileiras no Haiti desde 2004. A catástrofe por lá não é apenas o terremoto dos dias de hoje, mas já vem de tempos. O exército brasileiro faz lá o que não faz aqui: vigia favela. É inaceitável que em nome de uma causa internacional o Brasil sacrifique-se internamente.

A causa haitiana é um enrosco. E, vale lembrar, essa dinamite não caiu no colo do Brasil; foi o País que implorou para descascar esse abacaxi. Não fossem os anseios incontroláveis de Lula e Celso Amorim, as mortes dos 17 militares brasileiros poderiam ter sido evitadas.  “Ah, mais aí você já está apelando”. Eu? Não mesmo! Afirmo isso porque, volto ao ponto, a questão que moveu Lula a enviar militares para lá em 2004 não foi humanitária, foi política. Se tal socorro fosse em solidariedade ao povo haitiano, creio que o mesmo procedimento seria adotado aqui no Brasil. E, desculpem-me por ser repetitivo, mas pergunto novamente: cadê os milhões de dólares a Angra dos Reis? E as toneladas de comida? Cadê um ministro de Estado em São Luis do Paraitinga e em Cunha?

Antes que alguns canalhas venham a mim com o dedo em riste, logo advirto: é evidente que sou favorável à ajuda. Sou contra essa obstinação por uma liderança ainda improvável e os caminhos escolhidos para alcançá-la.

Anúncios
A TRAGÉDIA NO HAITI E O JOGO PARA PLATÉIA

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s