DILMA, DISCURSO VIGARISTA, OMELETE, DEÍSMO, MARMITA…

Na quinta-feira da semana passada, a ministra-chefe da Casa Civil Dilma Rousseff foi àquele formidável programa de TV, o Superpop. Percebi algo: a apresentadora, Luciana Gimenez, não poderia ser mais perfeita no papel que lá ocupa.

Em uma ocasião ímpar, tivemos a oportunidade de ver Dilma cozinhar, falar de Lula e da criação da filha. Fomos brindados com bordões, filosofia, lições de culinária e, pra variar um pouquinho, com aqueles momentos típicos de Dilma quando se põe a falar: palavras perseguindo uma idéia – mas sem muito sucesso para unir uma à outra.

A ministra não deixou por menos e, evidentemente, aproveitou-se do conclave para propagar as glórias do governo Lula. Disse repetidamente que o Estado, hoje, investe como nunca houvera investido antes. Para corroborá-la, Gimenez sustentou que, de fato, o Brasil é o país do futuro. Esperta, Dilma, como se quisesse mandar um recado direto ao público que a assistia, afirmou que a continuidade de tudo o que esta aí dependerá do próximo presidente da República.

Sim, há nessa idéia um embuste abominável que os petistas adoraram levar à flor da pele: a idéia de que, caso o próximo governo seja um não-petista – ou seja, uma administração tucana – todos os avanços na área social concretizados até então correm o sério risco de serem dizimados. O objetivo disso não pode ser mais claro: provocar pânico eleitoral nas pessoas que, hoje, tiram seu sustento do Bolsa Família.

É a volta da retórica bandida utilizada pelo PT nas eleições de 2006. À ocasião, Lula sustentava que, caso eleito, Alckmin promoveria a privatização da Petrobras e da Caixa Econômica Federal. Pior: os tucanos caíram direitinho na conversa-mole e nada fizeram para se livrar da pecha vigarista.

Não sei que mal há no meio do PSDB, mas não entendo o motivo de as abordagens do partido serem tão, como diz a garotada, brochantes. Isso porque se há um partido que deve ter ignomínia de seu passado, esse partido é o PT.

Quem foi contra o Plano Real e prometia acabar com ele?
Quem pregava o calote à dívida externa?
Quem era contra as privatizações – estas que foram as principais responsáveis pelo desinchaço da máquina pública?
Quem não queria, sob hipótese nenhuma, um sistema para reestruturação dos bancos?

Não fosse o processo de privatização promovido por FHC, hoje, o telefone seria coisa apenas da, como é mesmo?, elite paulista. E isso se estende à produção de aviões e ao setor siderúrgico. Se em 2010 esses setores são sucesso, deve-se isso às ações tucanas tão demonizadas pelo PT no passado.

Se na atual conjuntura Lula surfa em ondas de bonança, isso é graças ao fato de, vejam que ironia, suas medidas econômicas terem seguido a mesma linha de FHC.

Sim, o PT rouba o mérito das conquistas de governos anteriores afim de esparramá-las excepcionalmente em seu próprio altar. Se isso configura mau-caratismo, pouco importa. Dois discursos passou a ser a estratégia da súcia. Hoje, gloriam-se de algo que condenavam no passado.

Nunca é demais lembrar, ainda, que Dilma Rousseff condenou veementemente o mensalão do Distrito Federal, cujo protagonista é o ex-demista José Roberto Arruda, durante o congresso do PT. Detalhe: no palco, com Dilma, estavam ex-mensaleiros de 2005.

Voltando ao Superpop…

Dilma também divagou sobre outros assuntos, todos provocados pela apresentadora Luaciana Gimenez.

Sobre mães e filhos, disse que “a gente precisa de ter mais creches”.
Sobre a fama de durona: “a gente tem de ficar de olho”.
Sobre Educação: “achamos que o professor tem de receber mais”.
Sobre variedades: “a gente precisa de ter mais cultura!”.
Sobre cultura: “o Brasil precisa de ter mais teatros”.
Sobre a comida da filha quando criança: “ah, tinha de ter verde”.

Depois do queísmo – excesso do “que” em textos e falas – vem aí o deísmo (não me refiro à doutrina filosófica, evidentemente). Acho que este último dispensa mais explicações.

O esforço para vender a imagem de Dilma Rousseff como uma mulher semelhante a qualquer outra chegou ao seu ápice no momento em que a levaram para a cozinha. Lá, a ministra se encarregou de ensinar como se prepara uma… omelete!!! Não deu certo! A mistura ficou parecendo ovo mexido.

Se na culinária a coisa não foi bem, o castigo ao vernáculo voltou à tona quando a ministra foi responder  uma pergunta de Kennedy Alencar. Perguntou o jornalista: “Na condição de brasileira e de pessoa que ocupa uma das funções mais importantes do governo (…), qual deve ser a principal tarefa do próximo presidente da República?”.

E veio a resposta, repleta de palavras desesperadas atrás de uma lógica. “É a educação. É garantir que a nossa capacidade produtiva transforme… crie produtos… Aplicação do nosso cérebro às coisas em geral, vamos dizer assim… transformando isso em bens, exportando, produzindo para nós. Mas nós temos de apostar em nós mesmos, no povo desse país, que é a grande riqueza”.

Ganha um cartãozinho do Bolsa Família quem me explicar que raio significa esse troço de aplicação do nosso cérebro às coisas em geral. E o pior: depois que concluiu seu pensamento (?), a ministra foi, pasmem, aplaudida!!!!

Mas o melhor eu deixou pro final, claro. Luciana Gimenez sugeriu à ministra que levasse marmita. Só faltou completar com a famosa expressão pru servíçu – Levar marmita pru servíçu – ou pra firma, se me permitem ir um pouco mais além. E Dilma gostou da idéia! Mais: disse: “Eu acho que o Lula também devia de usar marmita”.

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