PRIVATIZAÇÃO E PETETIZAÇÃO

Os petistas, mesmo depois que levaram as eleições de 2002 e 2006, parecem viver em campanha. Nunca perdem a oportunidade de alfinetar o governo FHC e suas privatizações. O mais engraçado é que, depois de eleitos, tendo o poder de reestatizar todas as empresas vendidas, não mexeram um dedo para fazê-lo. Hoje no governo, eles não promovem  a venda empresas públicas para o setor privado. Preferem aparelhar o que é público, lotar estatais e órgãos reguladores de sindicalistas e gente do partido.

Leiam abaixo, em azul, reportagem publicado no jornal O Estado de S.Paulo deste domingo.

Quando chegar ao fim de seu segundo mandato, em dezembro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva terá contratado cerca de 100 mil pessoas apenas para o Poder Executivo. É um exército de auditores, pesquisadores, analistas, advogados, professores, entre outros profissionais, que começaram a trabalhar nos diversos órgãos do governo nos últimos oito anos.

Para ter uma ideia da dimensão desse contingente, corresponde a mais de duas vezes o quadro de 45 mil funcionários da mineradora Vale, segunda maior empresa brasileira. Também é praticamente igual aos 110 mil empregos gerados por todas as montadoras de carros instaladas no Brasil.

Dados do Ministério do Planejamento mostram que, entre dezembro de 2002 e outubro de 2009, aumentou em 63.270 o número de servidores públicos civis, para 549 mil. O valor exclui aqueles que substituíram funcionários aposentados. O Orçamento autoriza a criação de mais 46.151 vagas este ano, mas o governo não costuma utilizar tudo que está previsto. Como 2010 é ano eleitoral, os concursos só ocorrem até junho.

As contratações de Lula praticamente compensaram o enxugamento feito no governo anterior e reverteram uma política de corte de funcionários públicos iniciada em 1990. Com mais folga no Orçamento, graças ao crescimento da economia e à reforma da Previdência de 2003, o Executivo tem hoje o mesmo número de servidores que em 1997.

E por que tanta gente assim? Marcelo Viana Estevão, secretário do Ministério do Planejamento, responde.

A administração do Partido dos Trabalhadores (PT) defende “um novo papel estratégico do Estado”, que seria “incompatível com uma política de corte de pessoal”, conforme um informe do Ministério do Planejamento. “Estamos recuperando a capacidade do Estado de atuar”, disse o secretário de gestão do ministério, Marcelo Viana Estevão de Moraes. Segundo ele, o objetivo é recompor o quadro e requalificar os servidores. Ele também explica a expansão pelo compromisso assumido com o Ministério Público de substituir trabalhadores terceirizados por concursados.

Bem, aqui vou ter que abrir um parêntese um tanto quanto grande para explicar os meios pelos quais o PT tem enveredado para concretizar esse “novo papel estratégico do Estado”.

Tenho amigos  e familiares advogados, que prestam serviços a grandes empresas multinacionais. Um deles, certa vez, foi contratado para intervir junto ao Ministério das Relações Exteriores em favor de um contratado alemão para uma empresa. Problemas burocráticos o impedia de ficar no Brasil e trabalhar. Chegando a Brasília, esse advogado deu início aos trâmites inerentes a processos desta natureza. Foi, então, informado de que o caso teria de ser submetido a apreciação de diversas comissões em diferentes lugares: Ministério do Trabalho, Ministério da Justiça, Polícia Federal, Ministério de Relações Exteriores, dentre outros.

Como qualquer profissional do lobby, foi informar-se de quem compunha cada uma dessas comissões. Daí veio o susto. Em TODAS, absolutamente TODAS havia representantes da CUT, da Força Sindical, do PT e de outras áreas cujos ideais comungam com o atual governo. Pergunto: o que um técnico da CUT estaria fazendo lotado em uma comissão no Ministério da Justiça?

Eis aí o novo Estado pensado pelo PT – aparelhado por sindicalistas, petistas e por gente que lhe bem apraz.

FHC privatizava. Excelente!

O PT petetiza. Simplesmente destestável!

Isso já não é um novo Estado, é, sim, aquilo Gramsci idealizara como o Moderno Príncipe.

Gramsci foi a principal referência das turmas do miolo-mole – mais conhecida como marxistas – do século passado. Na prisão, escreveu os Cadernos do Cárcere, uma vasta obra composta por 33 cadernos. Neles, o comunista italiano expressa seus pensamentos sobre Maquiavel – autor do famoso O Príncipe. Para Gramsci, porém, o príncipe era um partido político único autoritário, que deveria estar presente e controlar absolutamente tudo, até mesmo as entranhas de um sistema moral. Em Gramsci, não há indivíduo. Tudo e todos têm a obrigação de atender demandas que interessem única e exclusivamente ao partido – o Moderno Príncipe. Se levadas a ferro e fogo, as idéias do comunista ampararão até mesmo o fato de que crimes sejam cometidos. Que mal há em ser criminoso? Se isso, de certa forma, atender aos interesses do partido, não há mal nenhum. Pelo contrário: é até ditirâmbico.

Leiam o que vai no caderno 13 (versão brasileira da obra) de Cadernos do Cárcere.  “O moderno Príncipe, desenvolvendo-se, subverte todo o sistema de relações intelectuais e morais, uma vez que seu desenvolvimento significa (…) que todo ato é concebido como útil ou prejudicial, como virtuoso ou criminoso, somente na medida em que tem como ponto de referência o próprio moderno Príncipe (…). O Príncipe toma o lugar, nas consciências, da divindade ou do imperativo categórico, torna-se a base de um laicismo moderno e de uma completa laicização de toda a vida e de todas as relações de costume”.

E o PT com Gramsci? Ora, TUDO a ver! Essa gente lota de pessoas “do partido” ou que sejam partícipes de suas idéias todas as instituições públicas. Pouco importa se essa corja sindicalista presente em comissões de inúmeros ministérios tenha algum notório conhecimento técnico na área em que atuam – e, creiam, em 99,9% das vezes, não tem. Importa, mesmo, que estejam lá com bandeira do partido, prontos e operantes para erguer a causa maior em prol do que acham que é bom para eles.

Não, qualquer semelhança do PT com o Moderno Príncipe NÃO é nenhuma coincidência. É afinidade mesmo!!! É a petetização!!!

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