Por dentro do blog

Este voltará a ser atualizado no dia 5 de abril.

Até a volta.

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OS GAYS, SILAS MALAFAIA, MOVIMENTOS SOCIAIS E O SER HUMANO

Há quase dois anos, escrevi, aqui no blog, um post em que apontava o pastor Silas Malafaia como um grande movedor da massa evangélica. (Leia aqui). Os jovens da Rússia tinham Bakunin. Os mais velhos, tinham Lênin. Os camponeses italianos tinham Gramsci. Os soldados do Exército Vermelho da União Soviética tinham Trótski. Todos eles, reunidos, tinham Marx. Os evangélicos têm Silas Malafaia.

A lei

O mote do escarcéu é o Projeto de Lei n.122, que define os crimes resultantes de preconceito, raça, cor, orientação sexual, procedência nacional, etnia, credo religioso e identidade de gênero. A redação da lei é escandalosa. Cria uma espécie de hiperproteção, principalmente aos homossexuais, facultando-lhes, por exemplo, o direito de processar uma empresa pelo o simples fato de uma eventual não-contratação. Isso porque tal gesto pode ser interpretado como manifestação de homofobia. Mas e se não for homofobia? Pois é, até se chegar a essa conclusão, que o processo corra na Justiça.

Eu sou contra esse PL. Creio que ele possa ter um sentido kafkaniano: na intenção de conter manifestações de homofobia, tal legislação acabe incentivando aversão aos gays. Isso porque, se aprovada, a norma poderá tomar um caráter leonino. Mais: assim como há héteros que se aproveitam abusivamente de circunstâncias que lhe são favoráveis, provavelmente surgirão homossexuais impondo suas vontades como imperativo categórico.

Mas, vejam que coisa interessante: apesar de eu ser contra o projeto, não sou contra os gays. Não uso de mistificação para corroborar meu descontentamento com a lei e nem recorro a retórica de massas para mobilizar multidões. Mas Silas Malafaia usa. Se há gente que cai em suas armadilhas intelectuais, paciência. Eu não caio. Cansei de ver o pastor analisar o PL e dar justificativas para que a sociedade se mobilize contra a “mordaça gay”, como ele diz. Uma de suas falácias é que homossexualismo é questão comportamental. Ou seja, para Malafia, o sujeito escolhe ser gay.

Nada de escolha

Fico cá pensando com meus botões: se houvesse escolha, provavelmente, gay optaria por ser heterossexual. Afinal, por que escolher o caminho das pedras — viver num mundo de discriminação familiar e social — se se  pode ser mais feliz no caminho dos girassóis?

Lembro-me da época em que eu era criança. Tinha apenas sete anos e estava na primeira série do ensino primário (ainda é assim que se chama?). Havia um aluno em minha sala que adorava brincar com as meninas. Seu comportamento e atitudes eram inerentes a uma certa feminilidade: fazia questão de manter coloridos com rosa e vermelho os garranchos em seu caderno, sentia-se bem ao mexer nos longos cabelos da professora; ao caminhar, relaxava sua cintura, dando um movimento elástico atípico para trejeitos masculinos; e, por fim, sempre que ia falar qualquer coisa, um “ai” antecedia seu discurso, sempre finalizado com uma queda de voz delicadamente marcada por um sonoro timbre de “m”. Exemplo: “vocês não achamm?”, “que legalmm”, “divertido, néam (né)?”.

À época, logicamente, eu não tinha nenhum discernimento. Hoje, bem sei do que se tratava. Pergunto: uma criança de sete anos, sem malícia, sem conhecimento do mundo, sem, ainda, recursos maduros que a ajude a formar qualquer tipo de pensamento mais complexo relacionado à vida, teria condições de “optar” pelo homossexualismo? Um ser que ainda vê diversão em colorir uma casa desenhada pelo próprio punho seria capaz de controlar seus anseios internos e deixar de ser o que é naturalmente? Não, queridos. Evidente que não. Homossexualismo é orientação, não escolha. Silas Malafaia recorre à conversa cromossômica para amparar sua tese. “Existe cromossomo macho e cromossomo fêmea. Não existe cromossomo gay”, disse o pastor em entrevista num programa do SBT. Quão densa a tese do valente, não? Consegue ser tão profunda quanto um pires.

Religião

Alguns leitores deste blog são meus amigos pessoais. Devem estar, neste momento, com uma interrogação lhes martelando o juízo: “mas, Leandro, você não é cristão?” (crente, não; cristão, sim). Sim, sou cristão. E, vejam que formidável: um dos princípios mais imiscuídos por Paulo era justamente a tolerância. Sou cristão, mas também sou contra vários dogmas alinhados com o pensamento cristão. Sou darwinista, por exemplo. Não acredito na assunção de Maria, tampouco que o Apocalipse acontecerá – ele já aconteceu, e foi na época de Nero.

Também não sou contra aquilo que, no entendimento do pastor Silas Malafaia, é uma aberração: manifestação de afetividade homossexual em uma praça pública, por exemplo. E aqui lá vai mais uma historinha. No início do ano, voltando da viagem de Ano Novo, parei no Castelinho da Pamonha. À minha frente, na fila do caixa, havia um casal de namorados – ou noivos, sei lá – heterossexual. Os dois se beijavam com uma volúpia de fazer inveja àquelas atrizes atrevidas dos filmes de entretenimento adulto. Eu escutava o estalar de suas línguas, o borbulhar de suas salivas. O rapaz tinha uma barba por fazer. Pus-me a imaginar a festa das bactérias naqueles pêlos, resultado das sobras alimentícias do almoço. Eu já estava prevendo o momento em que a língua da moça encarregar-se-ia de fazer uma lavagem no estômago do marmanjo, tamanha era sua elasticidade. E as mãos-bobas também faziam a festa. Senti-me ofendido? Não, nenhum um pouco. Mas eu não era obrigado a testemunhar tão escandalosa “declaração” de amor em um local inapropriado. Logo, demonstração de afetividade em público não é um “mal” exclusivo dos gays. Ou todos se comedem – inclusive os héteros –, ou vamos nos converter logo ao puteiro geral, como diria Timão de Atenas, de Shakespeare.

Manadas mobilizadas

Ao mesmo tempo em que passo uma descompostura na maneira Silas Malafia de ser contra o PL, também sou radicalmente contra ditos movimentos sociais. Nunca gostei dessa história de um grupo falar em nome de uma coletividade. Eu adoraria saber, por exemplo, o que a UNE pensa que é para falar em meu nome. Nunca conferi a àquela gente nenhuma outorga para defender uma causa. Quem lhes confere legitimidade para representar os estudantes? Não me sinto representado por grupo – e nem quero!!! – cujo comando está nas mãos dos PC do B.

Grande parte do ônus de culpa à hostilização contra homossexuais se deve justamente a entidades que falam em nome dos gays. O Grupo Gay da Bahia é um exemplo disso. No ano passado, divulgaram à imprensa um levantamento duvidoso, tentando empregar a pecha de que o Brasil é um dos países onde mais se matam gays. Recupero trechos da reportagem da Folha da época – abril/2009 — (em azul). Farei algumas intervenções no decorrer do texto.

Relatório do GGB (Grupo Gay da Bahia) aponta que foram assassinados 190 homossexuais no ano de 2008 no Brasil — um a cada dois dias. O número é 55% maior que o registrado pela ONG (organização não governamental) em 2007, quando foram registrados 122 crimes do tipo. Das vítimas, 64% eram gays, 32% travestis e 4% lésbicas.
Levando em consideração que, no País, 50 mil pessoas são assassinadas anualmente, então 190 homossexuais mortos representariam 0,38% desse total. Agora especulo: vamos supor que, dentre os 50 mil mortos, 0,40% usassem óculos. Pela lógica do GGB, isso é motivo pra pânico. O Brasil seria o país em que pessoas com astigmatismo e miopia são vítimas de perseguição e morte!!!

Dados do GGB mostram o Brasil como o país com maior número de crimes homofóbicos, seguidos do México — com 35 — e Estados Unidos, -com 25. Mesmo extra-oficial, o relatório da associação é utilizado em citações da Secretaria Nacional de Direitos Humanos.
Não é apenas Silas Malafia que recorre à vigarice intelectual. Vejam que coisa: o GGB situa o Brasil como o país onde mais ocorrem crimes homofóbicos no mundo. Estaríamos à frente do Irã, onde gays são massacrados na maior sem-cerimônia, inclusive, com aval de Ahamadinejad?

Eis aí um exemplo de entidade pró-gayS, mas que dissemina informações que servem de alimento para quem não gosta… dos gays.

Muitos movimentos sociais merecem ficar à míngua, sem ninguém, sequer, para assistir ao formidável enterro de suas últimas quimeras. Essa cambada se auto-proclama representantes de determinados grupos e propõem leis, fazem lobby, muitas vezes, ganham dinheiro explorando pessoas que nunca lhes conferiram o direito de representar ninguém. Eu peso 75 quilos. Do jeito que andam as coisas, não demorará a surgir um grupo para falar em nome das pessoas que pesam 75 quilos!!! Lixo de sociedade…

Sou contra reduzir o ser humano em categorias.

Eu não me relaciono com gays, com pretos, com gordos, com míopes, com esquerdistas, com direitistas… nada disso. Eu me relaciono com pessoas. As pessoas em suas essências, sem classificá-las em categorias, é a única coisa que me interessa.

OS GAYS, SILAS MALAFAIA, MOVIMENTOS SOCIAIS E O SER HUMANO

A HORA DOS TOLOS

Os leitores mais antigos deste blog — e são 150, de acordo com as estatísticas do WordPress — devem se lembrar que, há quase dois anos, fiz um post sobre o pastor Silas Malafaia e sua forma de ser contra o projeto de lei número 122, que trata de discriminação contra homossexuais, etnias, raça (como em pleno século XXI alguém ousa a ainda usar a palavra “raça”?!?!) e credo religioso. À época, passei-lhe uma descompostura porque, vejam que coisa!, o pastor mobilizou fiéis numa marcha hostil até o Congresso Nacional. Lá chegando, os valentes invadiram a Casa — no sentido literal da palavra!!! A Gaviões da Fiel não faria melhor.

Pois bem. Quase, repito, DOIS  ANOS DEPOIS, alguns herbívoros ainda me infernizam por causa daquele texto. Um deles disse: “já que você aceita tudo, ponha um homossexual para cuidar de seus filhos”. Pobre infeliz! Antes de prosseguir. algumas considerações:

1- não aceito tudo. Ora, eu também sou contra esse projeto;
2 – não tenho filhos! Sou muito jovem para tanto;
3- e se porventura eu os tivesse, qual o viés que se pretende dar à conversa? Quer dizer que um(a) homossexual é menos capaz de cuidar de uma criança do que um hétero?
4- ou seria pior?: o valente presume que o fato de alguém ser homossexual, por conseguinte, configura um cenário de comportamento sexual compulsivo? Mais: só porque fulano é gay também é um estuprador em potencial?

Estamos no mais islâmico dos mundos judaicos-cristão, se é que essa gente me entende.

Outros, sem ter nenhum dó do vernáculo, me enviam: “nós evangélicos vamos se unir pra não deixar essa PL passar”. O infeliz não deve nem saber o que significa PL, mas trata logo de arrastar suas tolices lógicas e gramaticais à minha goela abaixo. Imbecil!!! Perde tempo.

Nesta madrugada farei um texto sobre o PL, os gays que hasteiam bandeira, o pastor Silas Malafia e seu rebanho. Qualquer um pode ser contra qualquer projeto de lei; mas existem formas  e mais formas de sê-lo.

A HORA DOS TOLOS

A DIFERENÇA DE MÉTODOS

Quando um governo fundamenta sua política externa no princípio da razão, temos surpresas agradáveis, como é o caso da mediação feita pelos Estados Unidos no conflito entre a Argentina e as Ilhas Malvinas. Lê-se na BBC Brasil:

A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, disse, nesta segunda-feira, que os EUA podem “encaminhar as negociações” e “estimular o diálogo” entre Argentina e Grã Bretanha pela soberania das Ilhas Malvinas (Falklands, para os ingleses).

“Esta é a forma correta de resolver os conflitos”, disse Hillary durante entrevista à imprensa, em Buenos Aires, ao lado da presidente argentina Cristina Kirchner.

A secretária disse ainda que “gostaria de ver os dois países conversando”, mas que os Estados Unidos não podem “obrigar” a realização deste diálogo.

As declarações de Hillary foram feitas após Cristina Kirchner ter pedido uma intervenção dos EUA diante da Grã-Bretanha para que se possa discutir sobre as Malvinas.

“Nós só queremos sentar para conversar, diálogo e isso não parece muito”, afirmou a presidente.

E o Brasil? Como se comportou no episódio? Ora, como sempre: recorreu à retórica contra us rícu em favorecimento dus póbri. E isso se deu naquele outro encontro de cúpula regional da América Latina mais o Caribe. Nossa diplomacia, sem exitar, logo tratou de encaminhar sua retórica pró-Argentina, solicitando que o controle das ilhas seja indiscutivelmente dado para o vizinho de continente.

Enquanto os Estados Unidos optam por uma diplomacia de fato – sem influências ideológicas –, nós nos recolhemos à ideologia mesquinha imiscuída pelas esquerdas raivosas.

A DIFERENÇA DE MÉTODOS

SKAF E MST. SKAF E MULHERES CAMPESINAS. SKAF E A REDUÇÃO DA JORNADA DE TRABALHO. TUDO A VER!!!

Começa a ganhar côro a candidatura de Paulo Skaf, presidente da Fiesp, ao governo do estado de São Paulo pelo PSB – Partido Socialista Brasileiro. No entanto, algumas coisas ainda me causam estranheza. Como explicar o presidente de uma entidade industrial patronal sendo candidato a cargo político por um partido socialista?

Não, a coisa não é brincadeira. Ciro Gomes sinaliza cada vez mais sua pretensão de embaralhar o jogo político na esfera nacional, deixando a disputa pelo governo paulista nas mãos de Skaf. O neosocialista já chegou até mesmo a contatar Duda Mendonça para sua provável campanha.

Foi-se o tempo em que se procurava partidos políticos por identidade ideológica. Não consigo imaginar Skaf lendo Lenin, e imiscuindo em seu círculo de convivência – o mais alto empresariado paulista – a socialização dos meios de produção. Mais: a democratização das relações de trabalho. Que diabos é esse? Sei lá como seria um processo de “democratizar as relações de trabalho”! Mas é o que se lê no estatuto do PSB. Está lá, cravado, em ipsis litteris, no capítulo 1 e artigo 1:

III – socializar os meios de produção considerados estratégicos e fundamentais ao desenvolvimento, social, cultural e da democracia, e a preservação da soberania nacional;
IV –
democratizar as relações de trabalho;

Ah, mas é óbvio que não pára tudo por aí. Fico cá com meus botões a especular o discurso de Paulo Skaf para seus funcionários, em sua indústria têxtil. Como todo bom patrão, nosso neosocialista emancipar os trabalhadores. Mas emancipar do quê? Também não sei. Talvez seja da obrigação de… trabalhar!!! Os esquerdistas são assim mesmo. Vivem, por exemplo, a pregar a redução da jornada de trabalho – algo contra o qual a Fiesp vem se posicionando duramente. Mas e Skaf com isso? Tudo a ver. Está lá no estatuto do seu partido, no primeiro capítulo, artigo segundo:

e) apoiar os movimentos pela integração latino-americana, na perspectiva da emancipação dos trabalhadores, e todas as ações que contribuam para a paz, o respeito à autodeterminação dos povos e a eliminação de relações de subordinação ou espoliação entre países e nações e por parte de grupos econômicos transnacionais.

Mas, vejam que curioso!: neste fim de semana, Paulo Skaf escreveu um artigo para Folha no qual condenava veementemente a redução da jornada de trabaho, provando, inclusive com números, que tal medida quando adotada no passado não criou uma vaga de emprego sequer. Corolário: Skaf infringiu um dos preceitos do PSB na luta contra a tal emancipação dos trabalhadores. Precisa ser advertido ou expulso imediatamente. Leandro Vieira que diz isso? Não. Está no estatuto do partido, no seu capítulo três e artigo nono:

Art. 9º O filiado que infringir os princípios programáticos e estatutários, ferir a ética partidária ou descumprir as decisões tomadas democraticamente nos congressos do Partido, estará sujeito a uma das seguintes medidas disciplinares:

a) advertência escrita interna;
b) suspensão do direito de voto nas reuniões internas;
c) censura pública;
d) suspensão por até 12 (doze) meses;
e) destituição de função em cargo partidário;
f) cancelamento de filiação; e
g) expulsão.

Skaf teria alguma ideologia siamesa à do MST? Vamos capítulo oito do estatuto:

Art. 43 – São órgãos de representação do PSB:

a) a Juventude Socialista Brasileira (JSB);
b) a Coordenação do Movimento Sindical;
c) a Coordenação dos Movimentos Populares;
d) a Coordenação de Defesa de Interesse de Raça e Etnia;
e) a Secretaria das Mulheres;
f) a Coordenação de Defesa de Interesse das pessoas com deficiência.

Pois bem. Integram o CMP (Central de Movimentos Populares) os seguintes movimentos: UNE (União Nacional dos Estudantes), UBES (União Brasileira dos Estudantes Secundaristas), MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra), MAB (Movimento dos Atingidos por Barragens), MPA (Movimento dos Pequenos Agricultores), PJB (Pastoral da Juventude do Brasil), MMC (Movimento de Mulheres Camponesas), MTD (Movimento dos Trabalhadores Desempregados), Movimento Consulta Popular, Coalizão Moradia – DF, Movimento dos Catadores de Lixo Reciclável, MNDH (Movimento Nacional de Direitos Humanos), Vida e Juventude, Rede de Educação Cidadã, Liga Brasileira das Lésbicas e o MNMMR (Movimento Nacional Meninos e Meninas de Rua).

Eu ainda estou tentando digerir o tanto de “verde” (by Dilma) que essa gente aí de cima come. E me refiro àquele verde que colore os pastos mesmo. Vejam que está dentre tantas siglas: MST e Mulheres Campesinas. Skaf seria simpatizante dessa turba? Não consigo vê-lo esmurrando a mesa da presidência da Fiesp para defender, por exemplo, a derrubadas de pés de laranja.

A íntegra do estatuto do PSB pode ser lida aqui.

SKAF E MST. SKAF E MULHERES CAMPESINAS. SKAF E A REDUÇÃO DA JORNADA DE TRABALHO. TUDO A VER!!!

DATAFOLHA: DILMA SE APROXIMA DE SERRA. E OS TUCANOS PERMANECEM INÉPCIOS!!!

O desastre tucano na forma de conduzir a não-pré-candidatura de José Serra à Presidência da República já começa a receber faturas cobrando um alto preço. Os números trazidos pela pesquisa do Datafolha indicam que o poste de Lula, Dilma, começa a ser mais reconhecido(a) como sua candidata: 59% dos entrevistados afirmam ter ciência de que a ministra está no páreo pelo Planalto. Antes, esse índice era de 52%. Isso indica o magnífico resultado da descarada campanha eleitoral antecipada, com Lula levando a ministra aos quatro cantos do País, até mesmo para inaugurar promessa.

Primeiro turno
José Serra, em janeiro: 32%; em dezembro: 37%. (-5 de variação)
Dilma Rousseff, em janeiro: 28%; em dezembro: 23%. (+5 de variação)
Ciro Gomes, em janeiro: 12%; em dezembro: 13%. (-1 de variação).
Marina Silva, em janeiro e em dezembro: 8%. (Permanece estável).

Segundo turno
José Serra, em janeiro: 45%; em dezembro: 49%. (-4)
Dilma Rousseff, em janeiro: 41%; em dezembro: 34%. (+7).

Matemáticas tucana e petista
Levando em consideração a margem de erro da pesquisa, dois pontos percentuais para mais ou para menos, vários cenários podem ser desenhados. Basta brincar com os números para, em um passo, deixar Serra disparado à frente de Dilma ou, se não, colocar ambos os candidatos numa margem de empate técnico. Nada é; tudo significa, como diria Joseph Roth.

Para dar vantagem ao tucano, basta acrescentar dois pontos a mais a seu atual índice, deixando-o com 34% das intenções de voto; e tirar outros 2% da petista, a deixando com 26%. A diferença seria de 8 pontos percentuais. Como é lindo o mundo das hipóteses, não?

Ou, se for para dar um desassossego a Serra, que lhe sejam debitados dois pontos, o que o deixaria com 30% das intenções de voto; e elevar a pontuação de Dilma à mesma proporção, o que a deixaria exatamente com o mesmo índice do tucano, 30%. Empate técnico.

Basta fazer essas mesmas contas aplicando-as ao segundo turno para ver como a inépcia tucana favorece o PT. Se a coisa continuar assim, Dilma não dará chapéu nenhum em Serra, como já profetizou Marta Suplicy (ver posts abaixo). Será gol-contra do próprio PSDB.

Disputa sem Ciro Gomes
José Serra, em janeiro: 38%; em dezembro: 40%. (-2)
Dilma Rousseff: em janeiro: 31%; em dezembro: 26%. (+5)
Marina Silva: em janeiro: 10%; em dezembro: 11%. (-1)

Aqui, o tucano começa a ser ameaçado justamente no cenário que lhe era mais favorável. Se comparar pesquisas distintas, feitas por institutos diferentes, fosse cientificamente válido, veríamos, por exemplo, que, pelos números do Ibope revelados em janeiro, Serra estava à frente de Dilma com uma vantagem formidável de 13 pontos percentuais. Hoje, no Datafolha, esse índice despencou para 7 pontos.

Satélite, poste, avatar, espelho, sombra; ou: como mais definir Dilma?
O avanço de Dilma nas pesquisas ainda é rodeado por algumas incógnitas sobre sua capacidade política. Dilma é um satélite de Lula. Não tem luz própria. Cabe questionar, inclusive, sua capacidade de gerenciamento. O PAC, programa sob sua responsabilidade, é um mote para questionamentos. Em três anos, menos da metade das obras previstas no programa estão concluídas – apenas 40%. Isso, em média anual, equivaleria a uma execução de 13,4%.

No fim de janeiro, o repórter Lúcio Vaz, do Correio Braziliense, revelou que os números PAC estão superestimados em, pelo menos, R$ 106 bilhões. Transcrevo abaixo, em azul, trecho da reportagem publicada pelo jornal.

Estão maquiados os valores dos investimentos citados na cartilha PAC nos estados, divulgada no site da Presidência da República. Somando os recursos a serem aplicados em cada estado de 2007 até este ano, o total do país chega a R$ 672 bilhões. Mas esses números estão inflados. Na realidade, o valor dos investimentos não passa de R$ 566 bilhões – uma diferença de R$ 106 bilhões. Essa distorção ocorre porque, nos chamados empreendimentos regionais, que envolvem mais de uma unidade da Federação, o custo de uma obra é computado várias vezes, sendo registrado integralmente em cada um dos estados beneficiados. (Leia mais aqui).

A volta por cima
É claro que, se quiser, José Serra pode ganhar as próximas eleições. Atributos para isso não lhe faltam: ainda não está fazendo campanha – ao contrário de sua adversária –, não desfruta de números enganosos para exibir à revelia, não é satélite de ninguém e conta com sua própria luz, não precisa de ninguém para lhe transferir votos – já os tem, pura e simplesmente devidos à sua gestão no estado de São Paulo –, e, finalmente, não coleciona uma carteira de desastres em estatais. Nesse campo, seu partido privatizou com vistas ao interesse público (ou alguém no Brasil ainda declara o telefone no imposto de renda?); no caso do PT, a privataria da Eletrobras, se me permite Elio Gaspari, torna mais ricos os companheiros do partido.

Os tucanos estão nus. Só está faltando uma criancinha chata e impertinente berrar isso para o partido.

DATAFOLHA: DILMA SE APROXIMA DE SERRA. E OS TUCANOS PERMANECEM INÉPCIOS!!!