O DIÁRIO DO NORDESTE SE PROPÔS A COMPARAR GOVERNOS… E FRACASSOU

O jornal Diário do Nordeste, que circula no Estado do Ceará, resolveu servir de panfleto para a campanha presidencial de Dilma Rousseff. A edição deste domingo parece ser uma coleção de press releases elaborados pela assessoria de imprensa do PT. A matéria de capa traz a seguinte manchete: “Lula x FHC: dá para comparar?”. Basta ir às páginas 8 e 9 para dar de cara com dados e informações que colocam Lula como o demiurgo da bonança do País. O mais curioso: como fonte para matéria, o jornal ouviu o economista José Prata Araújo, e ninguém mais. Qual o problema? Simples: Araújo é um dos fundadores do PT. Entenderam? Para comparar o governo do PT com o do PSDB o Diário do Nordeste ouviu um petista!

Vamos a trechos da reportagem, saídos da pena de Marcelo Raulino. (Leia matéria completa aqui e aqui).

O plano do Partido dos Trabalhadores (PT) de termos este ano uma eleição plebiscitária, entre José Serra (PSDB) e Dilma Rousseff (PT), já tem uma estratégia anunciada – a comparação dos governos de Fernando Henrique Cardoso (1994 – 2002) e de Luiz Inácio Lula da Silva (2002 – 2010). Nesse embate, cada lado conta vantagem. Mas analisando friamente os resultados de cada governo, quem será que fez realmente mais pelo País? Na visão do economista, mineiro de Contagem, José Prata Araújo, fundador do PT e autor do livro “O Brasil de Lula e o de FHC” não tem dúvida que Lula ganha de goleada.
Que coisa, não? Na opinião do fundador do PT, o presidente Lula “ganha de goleada” de FHC. É realmente de estarrecer o juízo.

Na análise de Prata, que não é desapaixonada, só reconhece um momento de “glória” na era FHC e mesmo assim ainda considera que o crédito não lhe é devido – o Plano Real, que abriu as portas para a estabilização econômica do País e reduziu uma inflação de 2500% para 10%. Para ele o “Pai” do Real foi o ex-presidente Itamar Franco (PR), mesmo FHC tendo sido o ministro da Fazenda na época. Prata não reconhece a criação do Sistema Único de Saúde (SUS), dos medicamentos genéricos e muito menos dos projetos de distribuição de renda, base para o Bolsa Família.
A revista The Economist, freqüente lambe-botas de Lula, trouxe uma matéria na qual creditava grande parte do êxito da atual fase econômica do Brasil à manutenção do modelo econômico implementado por FHC. Na capa, inclusive, estampava o Cristo Redentor com um fogaréu em seus pés, aludindo a um foguete pronto para decolar. A revista ressaltou, ainda, que a única coisa que poderia, digamos, quebrar o encanto de todas essas maravilhas seria uma hubris – em inglês, orgulho em demasia, mais excessivo do que pride – de Lula.
Mal sabe a revista que esse orgulho já é recorrente, e se baseia justamente na negação dos feitos na gestão de FHC. A
hubris parece ter contagiado Araújo também. Para ele, o mérito do Plano Real é de Itamar, não de FHC. Ou seja, o ex-presidente não merece créditos pela criação do Plano Real, mas Lula merece aplausos pelo momento econômico, fruto de uma estabilidade que só foi e é possível graças ao… Plano Real!!! Justo o Plano Real, que o PT, à época, tanto sabotou no Congresso. Ora, vá plantar nabos!.

(…)
Segundo José Prata, a comparação é feita a partir do início dos governos FHC e Lula para mostrar quem teve a evolução mais positiva. Observa que em primeiro lugar compara a economia do País. “Se diz muito que o governo Lula foi uma continuidade do governo FHC, eu mostro que não.
Nos anos FHC o Brasil quebrou duas vezes. Com o Lula o País enfrentou a pior crise nos últimos 30 anos e respondeu de forma positiva”.
Diz que o Brasil cresceu para dentro, para o mercado interno. O crescimento, segundo ele, tem relação a distribuição de renda, com o bolsa família, com o aumento do salário mínimo, com os benefícios da previdência, com mais empregos. “O País realmente passou por grandes turbulências e não quebrou”.

Essa história de comparar governos é ociosa. Já fiz isso aqui exaustivamente. Vejo-me obrigado a retomar essa conversa a fim de acabar com pilantragem intelectual. Pergunto: ora, qual governo era mais susceptível a quebradeira: um que pegou o País com uma inflação na casa dos 2.500%, com custo de vida na casa dos 20%, fora da rota de investimentos estrangeiros, com a máquina inchada; ou quem herdou um País com a inflação na casa dos 5 e 6 por cento, com custo de vida abaixo dos 0,5, com o País recebendo investimentos externos e com a máquina pública desinchada? É preciso acabar com essa lorota de que foi Lula quem pariu Mateus! Tratei disso em outro post no dia 24 de dezembro. Leia aqui.

O restante da reportagem trata de traçar mais paralelos entre os governos. Exibe triunfos de Lula como se essa realidade seja desconexa de um passado anterior a Lula, que a viabilizou.

Tudo em nome da economia

O texto do Diário do Nordeste foi tacanho no que se propôs a fazer. Não há uma miserável menção, por exemplo, às atitudes de Lula com relação ao Irã, a Cuba, à Venezuela, à liberdade de imprensa, aos freqüentes atentados à democracia – como o Plano Nacional dos Direitos Humanos –, aos palanques que sua ex-ministra da Casa Civil divide com quem dá paulada na cara de policiais em São Paulo… Só porque a economia está bem (sim, eu sei reconhecer virtudes quando elas existem), abre-se mão de demais assuntos, facultando, de certa forma, a essa turma o direito de cobrar preço da sociedade só porque hoje “o pobre pode almoçar e jantar”. Mas isso é assunto para outro post…

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