É PRECISO PARCIMÔNIA COM OS PESQUISEIROS

Pesquisa do Instituto Vox Populi divulgada na noite de ontem pelo Jornal da Band deixou os petistas excitadíssimos. Serra aparece com 34% das intenções de voto, enquanto Dilma tem 31%. A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais para mais ou para menos.

Ontem, o Painel da Folha de S.Paulo trouxe as seguintes notas:

Prancheta 1: Chama a atenção, no questionário de pesquisa Vox Populi sobre a sucessão presidencial com campo em 30 e 31 de março, a inclusão de pergunta relativa aos cargos que os candidatos já ocuparam, quebrando o fluxo das respostas espontânea e estimulada sobre intenção de voto. Esse tipo de procedimento é conhecido por distorcer resultados.
Prancheta 2: Para completar, as opções diante do nome de José Serra (PSDB) estão incompletas. Há apenas "governador" e "governador de São Paulo".

O presidente do instituto Vox Populi João Francisco Meira, arauto da boa-nova à turba petista, já chegou a prever que não seria surpresa se Dilma Rousseff levasse as eleições logo no primeiro turno (leia nota em vermelho, logo abaixo). Bastou ele dizer isso para que cerca de um mês após, o Datafolha trouxesse Dilma Rousseff com 27% das intenções de voto e Serra com 36%. Agora, seis dias depois, o instituto de Meira promove uma pesquisa que, como vimos acima, usa métodos que distorcem os resultados.

No dia 22 de março, o Estadão Online pôs no ar uma notícia de estarrecer. Leiam com bastante atenção.

Diretores dos quatro principais institutos de pesquisa do País veem cenário favorável à Dilma

O crescimento nas pesquisas eleitorais da pré-candidata do PT à Presidência, ministra Dilma Rousseff, ante a estagnação de seu provável adversário, o governador de São Paulo José Serra (PSDB) tem impressionado os diretores dos quatro principais institutos de pesquisa do País. Márcia Cavallari, do Ibope, João Francisco Meira, do Vox Populi, Mauro Paulino, do Datafolha e Ricardo Guedes, do Sensus, estiveram reunidos em São Paulo na tarde desta segunda-feira, 22, para debater o cenário eleitoral, em evento da Associação Brasileira de Empresas de Pesquisas. O professor Marcus Figueiredo, do Iuperj também esteve no debate, mediado pela jornalista Cristiana Lôbo.

Meira deu o palpite mais ousado da tarde: “não é impossível imaginar que a Dilma ganhe a eleição já no primeiro turno”, afirmou. Segundo ele, quando há candidatos carismáticos, a disputa se concentra mais entre as personalidades desses candidatos. Mas, para ele, nem Dilma nem Serra são carismáticos. ‘Carisma não é o nome dessa eleição’, afirmou. Ele listou alguns fatores que, na sua avaliação, devem decidir a disputa eleitoral. O primeiro seria a economia: se estiver ruim, a tendência é de mudança – mas a economia é o principal trunfo do governo Lula. Em segundo, o aspecto ideológico – nesse caso, diz ele, 56% das pessoas se definem como sendo de esquerda e 30% como eleitores do PT.

Além disso, ele lembra o tempo de TV como decisivo – e a construção das alianças deve garantir um tempo maior à candidata governista. Por último ele cita algum acidente, debate ou fato inesperado que possa alterar a opinião dos eleitores. Sua avaliação é parecida com a de Ricardo Guedes, do Sensus. Segundo ele, “Dilma tem produto para mostrar, a economia. O Serra não tem. Hoje a tendência é muito mais pró-Dilma”.

Cautela
Já Márcia Cavallari, do Ibope, e Mauro Paulino, do Datafolha, adotaram um pouco mais de cautela em suas exposições, embora tenham admitido cenário favorável à Dilma. Os dois usaram a mesma expressão para definir o caso: “pesquisa é diagnóstico, não prognóstico”.

“O comportamento do eleitor não é matemático. A campanha ainda tem muita coisa para acontecer. O que a gente sabe é que o eleitor se sente muito confortável de ter votado no Lula e agora fazer essa avaliação de que acertou. Ele pensa: ‘Acertei, e o País está tendo avanços’. O eleitor considera que os avanços foram muito mais profundos no governo Lula. A comparação com o governo FHC é prejudicial para o Serra”, afirmou a diretora do Ibope.

De acordo com Márcia, um terço está com Serra, um terço está com Dilma e um terço que vai decidir a eleição. Reservadamente, porém, ela destacou que não só a Dilma está crescendo, como há tendência de queda de Serra, ainda que dentro da margem de erro. Já Paulino lembrou que na pesquisa Datafolha de dezembro de 2009, 15% dos eleitores não sabiam que a Dilma era a candidata do Lula, mas queriam votar na candidata do Lula. “E o que nós observamos em fevereiro, é que ainda há margem de crescimento para Dilma”, afirmou.

Segundo ele, a dúvida é saber se Dilma vai transmitir ao eleitorado que tem a mesma capacidade de administração que o Lula tem.”O eleitor vai poder comparar Serra com Dilma, Dilma com Lula”. Paulino ainda defendeu que os institutos divulguem sempre sua base de dados, sua metodologia. “A pesquisa não faz prognóstico, mostra o que acontece naquele dia. Na pesquisa de véspera, [Paulo] Maluf ainda estava na frente da [Luíza] Erundina [na eleição para a prefeitura de São Paulo, em 1988, vencida por Erundina]. Deixar de iludir quem consome pesquisa: a gente faz diagnóstico”, afirmou.

Já o professor Marcus Figueiredo, do Instituto Universitário do Rio de Janeiro (Iuperj), também presente ao debate, previu um repeteco de 2002, caso o deputado federal Ciro Gomes (PSB) continue na disputa, com o cearense brigando com Serra. Para Figueiredo, “Serra e Dilma são igualmente antipáticos e igualmente feios. Ideologicamente estão muito próximos. O projeto deverá ser exatamente o mesmo”.

Erros em pesquisa
Meira foi questionado também pelo fato de o Vox Populi ter apontado, em 2006, vitória de Paulo Souto (então PFL) no primeiro turno, contra o petista Jaques Wagner, que acabou vencendo as eleições em segundo turno. “Às vezes você erra. Só que você nunca ouve um médico dizendo qual a margem de erro de uma operação de apendicite. O pessoal respondia que queria Paulo Souto, mas já estava pensando em mudar de ideia. Mas eu não estava perguntando para ele se ele queria mudar de ideia”, justificou.

Eis aí o instituto e seu presidente que trazem Dilma crescendo nas pesquisas de maneira, no mínimo, estranha, dada a pouca diferença de período da divulgação da pesquisa Datafolha, que apresentou cenários completamente diferentes. Mais um pouquinho de esforço, e eles conseguem ser assessores de imprensa da ex-ministra.

Vejam que coisa: pela lógica de Meira, as pesquisas e os institutos nunca estão errados. O errado é o eleitor, que responde uma coisa pensando em outra. Fico cá imaginando o fulano respondendo ao pesquisador: “voto em José Serra”, mas, no fundo do seu consciente, matuta: “quem bate cartão não vota em patrão. É Anaí Caproni na cabeça”!!!.

Detalhe: e a campanha eleitoral ainda nem começou.

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