URIBE PÕE LULA EM SEU DEVIDO LUGAR

Lula e Marco Aurélio Garcia têm a demência de sair país afora abrindo a boca para falar barbaridades desmedidas. Sim, estes dois senhores envergonham os brasileiros – embora vergonha na cara não seja uma virtude muito notável no, se me permite Sérgio Buarque, homem cordial – a cada frase proclamada diretamente do altar de nossa diplomacia. Querendo ou não, Lula é uma extensão de todos os brasileiros, e nos representa em todos os conclaves no mundo. Suas palavras traduzem, de certa forma, a opinião do Brasil – ou seja, a minha, a sua, a da tua tia e do teu filho que ainda nem sabe quem é o Chapolin Colorado. Às vezes, a democracia resulta nisso: um presidente que se orgulha de ter pouca instrução em um país de analfabetos, e que fala em meu nome as besteiras que bem entende e no lugar que bem lhe aprouver – seja pelo dever do ofício ou por caráter ideológico; na pior das hipóteses, quando o caráter ideológico invade o dever do ofício.

Álvaro Uribe, atual presidente da Colômbia e que goza de amplo respeito e aprovação dos colombianos, nesta semana, soltou os cachorros em cima de Lula. Uribe afirmou “deplorar” a posição lulista sobre o rompimento das relações diplomáticas entre a Venezuela e a Colômbia. Segundo o filósofo Lulovsky, a atual pugna entre os dois países se resume a um mero “conflito verbal”.

Uribe pegou Lula de jeito. Já estava na hora de o presidente colombiano reagir ao show de desfaçatez protagonizado pelo Brasil todas as vezes em que o assunto é o triângulo Farc-Colômbia-Venezuela. Já é mais que sabido os interesses dos narcoguerrilheiros em manter laços estreitos com Hugo Chávez. Na Venezuela, as Farc encontram território para a montagem de abrigo, por exemplo. Além disso, até fornecimento de armas ao grupo terrorista Chávez proveu. O bochechudo enviou umas bazucas do exército venezuelano aos guerrilheiros. Nada disso é suposição minha. Tudo estava documentado no computador de Raul Reyes, o chefe das Farc morto em um ataque da Colômbia em território equatoriano. À época, o que foi que disse Marco Aurélio Garcia sobre o ataque? Trago à memória uma entrevista concedida pelo valente ao jornal francês Le Fígaro (íntegra para assinantes aqui), no dia 5 de março de 2008.

Le Fígaro – Quelle est la position du Brésil sur la tension à laquelle a conduit à la mort du numéro 2 des Farc, Raul Reyes ?
Marco Aurelio Garcia.
Le Brésil condamne fermement l’attaque colombienne en territoire équatorien qui est avant tout une violation de la souveraineté territoriale. Nous invitons la Colombie à présenter ses excuses à l’Équateur. Parallèlement, le Brésil est prêt à tout pour tenter de faire baisser la tension dans la région, qui a atteint des niveaux inquiétants. Le président Lula va recevoir aujourd’hui son homologue équatorien Rafael Correa, et nous avons demandé la création d’une commission d’enquête au sein de l’Organisation des États américains (OEA).
Le Fígaro – Qual a posição do Brasil sobre a tensão que levou à morte do número dois das Farc, Raul Reyes?
O Brasil condena firmemente o ataque colombiano em território equatoriano. Isto é, acima de tudo, uma questão de violação territorial. Nós convidamos a Colômbia a apresentar suas desculpas ao Equador. Paralelamente, o Brasil está pronto para agir de alguma forma a tentar reduzir a tensão na região, que atingiu níveis inquietantes. O presidente Lula receberá hoje [05/03/2008] o presidente equatoriano Rafael Correa, e pediremos a criação de uma comissão de inquérito no âmbito das Organizações dos Estados Americanos (OEA).

Eis aí uma perola produzida por nossa diplomacia: envergonhando o Brasil em um dos mais prestigiados jornais da Europa. O que Uribe deveria deplorar, além da asneira lulística de reduzir a tensão atual a um simples desconforto retórico, é todo o histórico do governo Lula sobre suas afinidades com as Farc. Sim, as há! E a fala de Aurélio ao Le Fígaro é insofismável para comprová-las. Lula, Aurélio e Amorim condenaram o ataque colombiano em território equatoriano, mas não condenam de igual maneira, fazendo alarde na imprensa internacional, os métodos utilizados pelas Farc. Os meios da guerrilha não causam estranheza a Lula e nem a sua patota. Não é de se estranhar. Se vocês clicarem aqui, chegarão ao projeto de resolução da política internacional do PT. Lá, lê-se o seguinte:
A partir da convocatória feita pelo PT, nasceu o que futuramente se chamaria Foro de São Paulo, que ao longo dos últimos 20 anos contou com a participação ativa da Frente Amplio de Uruguai, da Frente Farabundo Martí de Libertação Nacional (FMLN) de El Salvador, da Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN) da Nicarágua, do Partido Revolucionário Democrático (PRD) do México e do Partido Comunista de Cuba, entre outras forças políticas.

Sim, é verdade: o Foro São Paulo – uma espécie de fórum das esquerdas da América do Sul – nasceu por uma iniciativa do PT, e contou com o apoio de gente cujos apreços pela democracia se resumem tão-somente pelos verbetes dos dicionários. O que o texto omite é um outro fato importante, que nos serve de base para delinear por quem o PT tem simpatia: um dos criadores do Foro São Paulo ao lado de Lula e Fidel Castro foi Raul Reyes, o pançudo das Farc. A guerrilha participou das reuniões desta corja por um bom tempo; e quando lá entraram, já matavam e já sequestravam. E qual a posição de nossa diplomacia com relação às Farc? Volto à entrevista do Le Fígaro.

Quel impact aura la mort de Raul Reyes sur la libération des otages ?
Dans un premier temps, j’étais très inquiet, mais les Farc ont dit que sa mort ne remettait pas en cause leur recherche d’un accord humanitaire. […] Je vous rappelle que le Brésil a une position neutre sur les Farc : nous ne les qualifions ni de groupe terroriste ni de force belligérante. Les accuser de terrorisme ne sert à rien quand on veut négocier […].
Que impacto terá a morte de Raúl Reyes para a libertação dos refèns ?
No início, eu fiquei bastante preocupado, mas as Farc disseram que sua morte não morte não influenciará na busca por um acordo humanitário. Eu gostaria de lhes lembrar que o Brasil tem uma posição neutra sobre as Farc: nós não as consideramos grupo terrorista nem força beligerante. Acusá-las de terrorismo é inútil quando se quer negociar […].

Esta aí mais uma boa declaração à qual Uribe poderia demonstrar seu repúdio também. Lula e Marco Aurélio Garcia não consideram terrorista um grupo que mata, rouba, trafica, seqüestra e degola governadores de estado, como vimos recentemente. Acham-se no direito de permanecerem neutros nesse papo. Engraçado é que Lula vai até o Irã meter o bedelho em assuntos nucleares só pra fazer frente aos Estados Unidos, mas se nega a agir com o mesmo arrojo frente aos narcoguerrilheiros.

Não, o rompimento das relações diplomáticas entre Venezuela e Colômbia está longe de ser apenas desentendimentos que se resumem ao campo da conversa. Crer nisso é atingir o auge da patetice. A Colômbia de Uribe condena o apoio explícito que Hugo Chávez dá aos terroristas das Farc, que chega a abrigar 1.500 integrantes da organização em território venezuelano. E é isso que Lula ignora. Este senhor já passou de todos os limites estabelecidos pela a linha tênue que separa a razão da quimera.

URIBE PÕE LULA EM SEU DEVIDO LUGAR

RINGUE

Eu não gosto de ficar voltando ao mesmo assunto várias vezes. Mas há pessoas que me provocam para tal de forma eficientíssima. Algumas antas, agora beneficiadas pela inclusão digital, pesquisam coisas no Google e acabam caindo meu blog. Meus leitores habituais (e são cerca de 100, segundo me informam as estatísticas do WordPress) sabem que tolero qualquer tipo de diferença de opinião, desde que o certame se dê dentro dos limites impostos pelo bom senso e pelo respeito. Quando alguém resolve dar um pé nos fundilhos dessa regra, revido com o maio prazer. E como o blog é MEU, não dou o direito de tréplica. Quem não gostar que vá caçar sua turma.

Villa Lobos – sim, ele, de novo! – é o mote. Escreve-me um tal de Lulu as seguintes delicadezas:

vem cá, pra tu não gostar, ou não entender a música de Villa-lobos, deve ter COCÔ NO OUVIDO, (…) Vai estudar, seu animal.
Nem farei referência ao erro na expressão “Vai estudar”. Lulu não gosta de respeitar o verbo no imperativo e dá ordens à terceira pessoa no presente do indicativo quando, na verdade, está-se falando com a segunda pessoa. Sobre estudar, meu caro, eu é que te recomendo: VÁ LER OS TRATADOS DE BERLIOZ E DE KOECHLIN! Depois que concluir, volte aqui. Caso não saiba inglês, nem perca seu tempo.

E, pra encerrar, mais um que se indigna quando falo de Villa Lobos. Pedro Dutra é o nome da figura.

Villa lobos compôs muitas obras maravilhosas você é um invejoso pois não conseguiu fazer nenhum composição. vai produzir algumas coisa de útil pra depois critica
E você, Pedro, vá se alfabetizar!

RINGUE

E AGORA, MERCADANTE?

A criminalidade caiu no Estado de São Paulo no segundo trimestre deste ano em comparação com o mesmo período do ano passado. Isso se dá depois de dois trimestres seguidos de altas insignificantes – na casa dos 2%, índice que qualquer analista o tem como não-tendência – no número de homicídios. O homicídio doloso teve queda de 10%, e o latrocínio de 22%. Esses números mantêm o estado paulista como um dos mais seguros do País. Mas o que foi que disse Aloizio no dia 9 deste mês? O candidato petista ao governo de São Paulo prometeu mudar tudo, inclusive os atuais programas paulistas na área de segurança, caso seja eleito. Isso mesmo: Mercadante acha que o atual sistema de segurança de São Paulo, que, repito, faz do estado um dos mais seguros do Brasil, é ineficiente. A segurança, disse ele, “é um dos principais problemas de São Paulo”.

Não sei se o que falta a Mercadante é informação ou zelo pela verdade . Vocês escolhem. O fato é que de 1997 a 2007, o índice de homicídios no Estado de São Paulo caiu 58,6%. Se o valente está insatisfeito com os métodos atuais adotados em São Paulo, poderia, sei lá, perguntar o que tem feito os aliados do PT no Maranhão, estado onde os homicídios cresceram 188,4% no mesmo período. Em 10 anos, São Paulo deixou de ser o 5º estado mais violento do País e passou a ser o 25º. Vale a pena dar uma olhada no Mapa da Violência. A tabela abaixo traz as taxas de homicídio a cada 100 mil habitantes por estado. Tabela Mapa da Violência 1997-2007

Em 2007, como se vê acima, SP tinha 15,0 de homicídios a cada 100 mil habitantes. Segundo os números mais recentes revelados hoje pela Folha de S.Paulo, esse índice caiu para 10,71, para uma população de 42.173.043 habitantes, o que configura, sim, uma tendência de queda expressiva.

Segundo a ONU, o Brasil registra cerca de 50 mil homicídios por ano. Se os índices de morte do País fossem iguais aos de São Paulo, em vez de 50 mil, seriam pouco mais de 20.500 mortes anualmente em todo o Brasil.

Pois é, Mercadante precisa explicar o porquê que segurança é um dos principais problemas de São Paulo. E não o fará, com certeza. Petista adora lançar anzol sem isca – e o pior: há quem seja fisgado.

E AGORA, MERCADANTE?

Adiante

Muito obrigado pelas mensagens sobre o post abaixo.
Vocês são show!
Mas bola pra frente, pois atrás vem gente.

Adiante

A DESPEDIDA MAIS DOLOROSA DE TODA MINHA VIDA

Em 1997, ainda na minha infância – fase na qual nossas inocências estão mais do que evidenciadas em nossas caras –, numa manhã de domingo, minha mãe me fez sentar ao seu lado na cama de seu quarto e me contou uma estória da qual me lembro até hoje. “Deus”, disse ela, “tem um lindo jardim lá no céu, cheio de rosas lindas. E esse jardim nunca pára de ganhar flores. Deus sempre recolhe, de tempos em tempos, lindas rosas para fazê-lo crescer sempre”. Com os olhos marejados, ela concluiu: “Hoje Deus recolheu mais uma rosa para seu jardim. A vovó deixou o hospital e está lá no céu, agora”. Aos nove anos de idade, minha razão compreendeu o que ela quis dizer. Evidentemente que minha avó (mãe de minha mãe) não era uma rosa, mas o eufemismo usado por minha mãe me fez entender a morte, àquela época, de uma maneira menos cruel como de fato é.

Na semana passada, esse jardim celeste ganhou mais uma rosa. Na manhã do sábado, minha mãe tomava café da manhã. Escutei um barulho forte vindo da cozinha. Quando lá cheguei, a vi caída no chão, ainda com os olhos abertos. Quando a levantei para socorrê-la, seu coração já não batia mais. Eu, tomado por aquele ímpeto que nos acomete em situações de desespero, ainda tentei, do meu modo desconcertado, fazê-la voltar. Sem sucesso. Por um instante me esqueci que eu não era médico, que não era bombeiro; apenas agi tão-somente como um filho desesperado vendo sua mãe partindo. A vida já não mais batia naquele peito. Seus olhos não estavam mais abertos. Nos meus braços estava minha mãe, em corpo, mas sem alma. Eu, naquele momento, ainda a tinha, mas não a tinha mais.

Momentos depois de tudo isso, minha mãe já não estava mais em casa, lugar que amava tanto e para o qual dedicou 30 anos de sua vida. Estava, agora, em uma sala de velório, com seu corpo cercado pelos seus, amigos e parentes. Nunca gostei do ritual de velar um corpo. Só quem já velou pessoas queridas sabe o quanto é penoso ficar assistindo ao choro alheio por quem sabemos que nunca mais tornará. Mas é compreensível. É como se um ínfimo fôlego de vida de quem partiu ainda respirasse dentro de cada um de nós; e a presença do corpo torna isso mais factual. Mas no momento em que o caixão é fechado, toda essa convicção rui como um castelo de cartas exposto ao vento, e somos apanhados pela cruel realidade da despedida, que vem acompanhada pelas lágrimas – e só elas, às vezes, são capazes de exprimir o mais profundo de nossos sentimentos.

No processo de digestão do acontecido, ainda fui arrebatado por uma série de pensamentos que só evidencia o quanto a morte nos deixa impotente. Quando o caixão de minha mãe descia à tumba fria, pensei comigo: “e agora?. Minha mãe é muito friorenta e está sendo enterrada sem blusa. Vai passar frio”. Como ultimamente ela se cansava muito facilmente devido às complicações do coração, chegando em casa, fui preparar para ela o chá que tomava diariamente para acompanhar os remédios.

Sim. É duro. Não é fácil olhar para os cantos da casa e ver as particularidades que ela deixou. Como não me lembrar dela pela manhã toda vez que o despertador toca? Não era um relógio que me despertava, era ela. Como não me lembrar dela nas refeições, se sempre vejo que o lugar que minha mãe ocupava agora está vazio? Como não me lembrar dela cuidando das plantas se passo pelas samambaias todas as vezes que saio de casa? Como não me lembrar dela se à noite não escuto mais “como foi seu dia?”.

Tudo que sou devo aos meus pais. Mas o papel da mãe, pelo menos na minha vida, teve mais relevância. Meu pai sempre trabalhou muito, mas foi – e é – presente na medida do possível. Foi minha mãe que me ensinou a escrever antes mesmo de entrar na escola, que me educou, que me deu o norte daquilo que deve ser o fio condutor da vida de todo homem. Se hoje sou irrepreensível em minha vida familiar, social e profissional, é porque carrego em meu juízo e em meu coração a maior herança que uma mãe pode deixar aos filhos: a educação. Carregarei sempre comigo seus ensinamentos, suas recomendações e o anseio por dar a ela ainda muitas alegrias, como se ainda estivesse viva.

É triste, no entanto, saber que as maiores conquistas da minha vida não serão testemunhadas por ela. Minha mãe não vai me ver formado, não me ver ascendendo profissionalmente e não vai conhecer meus filhos. Também não vai me ver casando e não vai conhecer minha esposa (justo ela, que sempre dizia: “filho, eu peço a Deus para que ele te dê uma esposa, porque mulher tem em tudo quanto é canto”).

O que me conforta é a certeza de que um dia eu hei de reencontrá-la. Não vou mergulhar no universo do que vem depois da morte, pois nosso trivial e terreno entendimento é muito limitado para tal. Mas tenho a certeza de um dia poder me reunir com ela novamente. Sei que agora ela está bem. Muito bem. O coração fraquinho que tinha foi trocado por um novo. Os coágulos de suas pernas já não existem mais. As noites mal-dormidas nunca mais voltarão a atormentá-la. Sua canseira se extinguiu. As dores de suas costas sumiram. As lágrimas que derramava por não agüentar mais dormir sentada – pois quando deitava, as veias de seu pescoço saltavam – não mais rolarão de seus olhos. Agora ela está com minha avó e com meu avô. Pai, mãe e filha, juntos, lado a lado no jardim daquele que os recolheu.

A DESPEDIDA MAIS DOLOROSA DE TODA MINHA VIDA

Por dentro do blog

Estou afastado do blog por motivos de força maior.

Na segunda-feira explicarei tudo.

Até a volta.

Por dentro do blog

NEM LULA ARRANCA APLAUSOS PARA DILMA

A pompa esperada na circunstância no primeiro comício de Dilma Rousseff no Rio de Janeiro se resumiu a um fiasco. O PT esperava um grande acontecimento, um marco na história dos comícios. José Eduardo Dutra, presidente do PT, não se continha horas antes do evento e brindava seus seguidores no Twitter. “Ja estou no Rio. Chuva danada. Mas o carioca vai mostrar que eh Dilma ateh debaixo d’agua”, disse em um de seus tweets. Depois, recorreu Jorge Ben Jor, e digitou diretamente de seu Blackberry: “Lá fora estah chovendo, mas assim mesmo eu vou correndo…”.

Antes de o comício ter início na Cinelândia, alguns militantes caminhavam pela Avenida Rio Branco; muitos deles, pagos. Isto mesmo: no meio da turba que carregava faixas e fazia volume, o PT colocou gente que estava recebendo dinheiro para… carregar faixas e fazer volume. Leia abaixo trechos de reportagem do IG (e olha que o portal costuma ser chapa-branca!!!).

Enquanto aumentava a expectativa para realização do comício de estreia do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na campanha da ex-ministra Dilma Rousseff, na noite desta sexta-feira, militantes contratados desembarcaram de vans e ônibus para assegurar um reforço de público à festa.
Uma das militantes, que não se identificou, disse à reportagem ter recebido R$ 1.200 para “trabalhar na campanha”. No entanto, ela não especificou se a ajuda de custo era mensal ou se referia-se a um pacote para todo o período da campanha eleitoral.
As vans vieram de Niterói, região metropolitana do Rio. Sobre a ajuda de custo, Rogério Santos, que se identificou como organizador de um dos ônibus que vieram da cidade, disse que os militantes recebem entre R$ 300 e R$ 400 ao mês. Todos vestiam camisetas verdes. Segundo Santos, as peças foram pagas pelos militantes.

Pois bem. A expectativa do PT para o evento era de 50 mil a 100 mil pessoas. Não foi ontem que o carioca mostrou que é Dilma até embaixo de chuva. Segundo a Polícia Militar do Rio de Janeiro, 10 mil pessoas marcaram presença. Nem pegando Dilma conseguiu atrair gente para assistir aos seus anacolutos.

Antes de Dilma falar, Lula se pronunciou. Falou algumas barbaridades – claro, se não o fizesse, não seria o demiurgo que o conhecemos. Como Lula é Lula, arrancou, durante os poucos 20 minutos que fez uso da palavra, aplausos efusivos da platéia. Depois, passou o microfone à sua criatura. Como se não bastasse a chuva, Dilma também cooperou para selar o infortúnio do conclave.

Mal limpou a garganta, a candidata, seca como ela só, disparou: “Estamos muito molhados, mas estamos com a alma lavada e cheia de alegria”. É mesmo? No entanto, a alegria não se materializou. Nenhuma palma se ouviu. Permaneceram todos ali, parados, como se estivessem assistindo, se me permitem a prosopopéia, a um poste – e postes, como sabemos, não se aplaude. Mãos amigas, como a governador Sérgio Cabral e Eduardo Paes, tentaram causar um frêmito nos ouvintes e arrancar-lhes pelo menos uma saraivada de palmas. E nada!! Dilma continuou falando, e ninguém respondeu à estesia que se tentava desenhar. No auge da decadência, Lula – repito: LULA – tentou puxar palmas pra Dilma. Nem o criador logrou êxito para sua criatura: todos permaneceram indiferentes.

Depois que acabou o comício, José Eduardo Dutra voltou ao Twitter. Sem pestanejar, meteu os dedos no teclado de seu Blackberry e mandou ver: “Com chuva e tudo, foi uma bela festa”. A primeira oração quer dizer “apesar da chuva e tudo”… Pois é. Poder-se-ia dizer: “Apesar da Dilma e tudo…”.

NEM LULA ARRANCA APLAUSOS PARA DILMA