O PREÇO DA INÉPCIA

Os tucanos plantaram e agora começarão a colher os frutos de toda a inépcia por que passou o processo de escolha do vice na chapa de José Serra. Não vejo nada de errado na escolha de Índio da Costa – assim como não via na indicação de Álvaro Dias –, apenas chama a atenção a falta de tato do PSDB em questões tão relevantes durante um processo eleitoral. Na disputa presidencial anterior vimos ruir o projeto Alckmin. Tudo graças à vigarice lulista de tachar tucanos de privatistas, imagem da qual o PSDB não conseguiu se livrar justamente por, vejam que coisa, não souberam defender as reformas promovidas por FHC. Agora, diga-se de passagem, o maior tiro n’água registrado nesta campanha não vem do PT, mas sim de dentro do próprio partido.

Errou o PSDB na tentativa de convencer Aécio Neves para ser vice de Serra. Desde o primeiro momento em que surgiu o burburinho, Neves já havia descartado essa hipótese de cara, com claras evidências de que não voltaria atrás. Seguindo um roteiro cujo fio condutor parecia mais ter sido escrito por um novelista petista, o PSDB ainda se viu em outro imbróglio quando indicou Álvaro Dias para compor chapa com Serra. Foi um erro estratégico fenomenal! Mandaram o DEM às favas, e fecharam questão deliberadamente. Resultado: aliança tucano-demista em crise. Quase às vésperas de entregar a solicitação de registro de candidatura do TSE, o PSDB ainda tinha um problema seriíssimo a enfrentar.

A escolha de Índio da Costa, politicamente falando, pode trazer bons dividendos a Serra; mas veio tarde demais. O demista teve ampla atuação como relator do projeto Ficha Limpa, o que o favorece em questões de alcance mais popular. Cambio flutuante não comove aquelas senhoras cujo tecido adiposo das axilas exala um odor desagradável. Fluxograma organizacional do Banco Central não é assunto que se pode discutir com as comadres enquanto se lava louça. Mas ética política, ah, isso sim, todo mundo quer.

O mais engraçado sobre o episódio da escolha de Índio pode ser visto na repercussão que a imprensa deu ao caso. Foram perguntar a Lula o que ele achava. O demiurgo disse que não conhecia o deputado. Sei, sei. Lula foi um dos mais ferrenhos críticos ao projeto Ficha Limpa. É impossível que ele não conheça o deputado. Mas tudo bem! Lula diz, e parte da imprensa diz amém! Dilma também afirmou desconhecer o “nobre deputado”. Que coisa, não? Justo Dilma, que até pouco tempo atrás era desconhecida de meio-mundo. Antes, era a durona; agora, é a candidata do Lula. Isso mesmo: candidata do Lula. Enquanto Índio da Costa não depende de José Serra para nada no que se refere a projeção política, a imagem de Dilma continua dependendo 99% de sua associação com Lula. O 1% restante se deve aos seus ataques existenciais e à sua metralhadora… de anacolutos.


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