DILMA MENTIA NA DITADURA… E MENTE NA DEMOCRACIA TAMBÉM

Há dois anos, Dilma Rousseff depunha no Senado a fim de esclarecer o dossiê fajuto saído diretamente de um dos computadores da Casa Civil – ministério que à época estava sua responsabilidade. No papelório constavam dados secretos sobre gastos com cartões corporativos da falecida esposa de Fernando Henrique Cardoso, dona Ruth. Das nove horas que passou por lá, o momento mais marcante do certame foi protagonizado por ela e pelo senador democrata Agripino Maia. O demista tentou fazer uma ponte entre uma entrevista concedida pela ministra – na qual declarava que durante a ditadura mentiu muito – e a declaração que prestava naquele momento aos senadores. Dilma não deixou por menos. Em uma digressão oportuna, lembrou das torturas por que passou nos porões dos militares, sustentado que quem mentia naquela época era digno, pois o fazia para “salvar seus iguais”. (Veja o vídeo abaixo)

Não quero enveredar pelo passado histórico do Brasil, tampouco pelo o de Dilma. A questão é o presente. Se a valente faltava com a verdade no pau de arara e, pelo o que quis insinuar em seu depoimento no Senado, agora, na democracia, recorrer à mentira já não é mais necessário, ainda ficam no ar muitas interrogações. Uma Dilma Rousseff se apresenta moderada; outra, nem tanto. Tentando se mostrar comprometida com a propriedade privada, a criatura de Lula disse-se em Recife e em Uberlândia ser contra invasão de terras. Outra Dilma, avessa àquilo que falara antes, visitou Sergipe e, pasmem!, colocou um boné do MST na cabeça! Sim, não estamos mais na ditadura, mas Dilma continua a mentir compulsivamente.

No ano de 2007, uma face de Dilma Rousseff estampava as páginas da revista Maire Claire. Na versão Dilma daquela ocasião, a descriminação do aborto é ponto positivo. Passados três anos, outra face da mesma pessoa surge no Roda Viva, da TV Cultura, e se diz contra a descriminação do aborto. “Não acho que deva se mexer na lei atual”, disse. As torturas da ditadura já não mais assombram Dilma. Ela não é mais submetida a interrogatórios militares, cujos interrogadores são ávidos por arrancar gritos de dor de militantes. Nada disso! Tanto na bancada do Roda Viva quanto em 2007, as pessoas que a questionavam eram jornalistas – pessoas sem armas, sem dispositivos que causam intimidação. Mesmo assim, Dilma não deixou de se comportar como se ainda fosse uma militante terrorista frente a um militar: mentiu descaradamente.

No mesmo Roda Viva, Dilma disse-se a favor da liberdade de imprensa e da liberdade de expressão. Duas semanas depois, a mesma Dilma rubrica um plano de governo que tem como pretensão o controle social dos veículos de comunicação. De novo a candidata manda a verdade às favas e mente com a mesma facilidade que se faz uma operação “arme e efetue”.

Uma pessoa mais inocente pode acreditar piamente na desculpa oficial do partido. André Vargas, secretário de comunicação do PT, alegou que a entrega do documento com ambições radicais foi feita de forma equivocada. É mesmo? Tanto foi o equívoco que o partido só foi desfazer o “erro” sete horas depois. Mais: reportagem da Folha de S.Paulo desta semana revelou que o programa destinado ao TSE era, de fato, o que o PT havia aprovado. Não só o PT, mas Dilma também. Ela deu visto página por página do documento. E o que disse Dilma para se redimir do “engano”? “Me pediram -eu estava embarcando para viajar- para rubricar. Rubricar é rubricar. Eu rubriquei todos os documentos. Todos os meus documentos pessoais, que são os mais importantes, e foi publicado” – afirmou.

Se voltarmos um pouco o filme, chegaremos ao fim do ano passado, quando o Plano Nacional dos Direitos Humanos III estava a todo vapor. O tal plano previa muitos absurdos já tratados exaustivamente à época, como ameaça à produção agrícola, ameaça à propriedade privada, e, vejam que coisa, o controle social dos meios de comunicação. Segundo essa, digamos, constituição à parte, os meios de imprensa que fossem contra os Direitos Humanos em suas programações, conteúdos ou matérias jornalísticas seriam submetidos a um julgamento dentro de uma comissão criada pelo governo. Quais critérios seriam adotados para se afirmar que programa A ou reportagem B feriu princípios de Direitos Humanos? Sei lá. Até hoje ninguém sabe. Talvez Dilma saiba, afinal, quando ocupava a Casa Civil ela também assinou e endossou tudo o que continha no tal plano.

Dilma Rousseff está sub a égide da democracia, e não mais nos porões da ditadura. Se mente como fazia deliberadamente no idos das décadas de 60 e 70, o faz por questão de princípio mesmo, e não para “salvar seus iguais”. Quando bateu boca com Agripino Maia, em 2008, muitos bateram palma, ovacionando sua atitude de ter mentido a militares. A imbeçália (neologismo feito a partir da palavra imbecil) entendeu que Dilma, naquele contexto, portara-se heroicamente. Quero ver esses mesmos cretinos baterem palma às mentiras agora.

Sim. Há quem bata!!!

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