A OVERDOSE DE BRUNO

Estamos tendo uma overdose de Bruno. Não adianta tentar fugir. A coisa é-nos inescapável. Na home de quase todos os portais não dá outra: é Bruno pra cá, é Bruno pra lá.

E, como sempre, o supra-sumo da ridicularia sai dos mesmos lugares. Na Sônia Abrão, vemos um monte de dotôres falando mil vezes a mesma coisa, chegando a apelar para uma didática que beira os trejeitos inerentes ao trato de uma criança em fase de alfabetização. Na Rede Record, Percival de Souza nos brinda com uma coleção de asneiras jurídicas, como se não bastasse Luciana Liviero apelando a falas de evidente apelo demagógico. Nunca fui muito fã dessas frases de efeito como “até quando, autoridades?”, “até quando, cicrano?”! Esse papinho me irrita!

A tentativa de achar um gancho qualquer para arrancar dali uma pautinha se transforma numa obsessão cujos contornos não têm limites. O resultado disso é um monte de gente sentada num sofá de um programa vespertino, todos especialistas em metanóias alheias. Um analisa o que se passa na cabeça de uma celebridade para chegar ao ponto de matar outra pessoa; outro faz digressão para tentar explicar o que seduz uma pessoa a uma orgia; um terceiro explica o perfil psicológico que o filho da vítima poderá assumir no futuro; um outro prefere enveredar pela zoologia explicar o porquê que um cachorro comeria – ou não – carne humana. E assim vamos sendo brindados com iluminismos particulares de uma realidade pública.

Noticiar um fato um fato é uma coisa. Surfar na desgraça é outra.

Também nunca fui mundo com a cara desses programas policialescos. Ver diariamente um apresentador roliço incorporando o espírito da revolta do povo, descontado toda sua indignação elevando sua voz a ponto de desequilibrar qualquer decibelímetro, sinceramente, me dá preguiça.

Se a imprensa dedicasse pelo menos um terço de todo o tempo que tem destinado à cobertura do caso Bruno para evidenciar o que Celso Amorim anda falando mundo afora, o que o PT planeja nos porões da democracia com seu plano de governo de dar inveja a Marx, o que Dilma diz a socialites e o que ela prega aos movimentos sociais, por exemplo, talvez o nível de mediocridade geral sofresse uma leve inflexão.

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