DA BARBÁRIE AO PALANQUE

Chego com um certo atraso no assunto, mas antes tarde do que nunca.

Assista ao vídeo abaixo somente quem tiver estômago forte. Trata-se de uma cerimônia de apedrejamento de duas mulheres condenadas pela prática de adultério. Não sei se a filmagem abaixo foi feita no Irã, mas o fato é que o procedimento adotado no país de Ahmadinejad é exatamente o mesmo.

À barbárie:

Está tudo explicado no vídeo. As mulheres são enterradas até a altura do peito e cobertas por um pano branco. O ritual começa com o juiz que condenou atirando a primeira pedra, seguido pelo tribunal e, depois, pelo público. As imagens aí de cima falam por si só. Essa gente parece ter gosto por sangue. Reparem que o lençol tem de ser branco – não poderia ser preto ou vermelho-sangue? Pelo menos nos pouparia de assistir os traumatismos acontecendo um após o outro! Há regras para o apedrejamento. As pedras, por exemplo, não podem ser grandes demais. Claro, se assim fossem, não teria a menor graça, bastariam alguns minutos para a condenada morrer. Mas as pedras também não podem ser pequenas demais. Óbvio também: a dor tem de ser intensa! Asco!!!

O suplício por que passam as mulheres nessas situações dura no mínimo uma hora. Por 60 minutos, a multidão vê as condenadas se contorcendo, sangue esvaindo, mas encaram isso com a mesma naturalidade como vemos criancinhas atirando pedras na água.

Pois bem. É mais do que notório o que está em curso no Irã, com a condenação de Sakineh Mohammadi Ashtiani. Surgiu na Internet um grande movimento a fim de livrá-la de tão cruel condenação. Compelido a comentar o assunto, Lula, de primeira, declarou que “um presidente da República não pode ficar na internet atendendo tudo que alguém pede de outro país. Veja, eu pedi pela francesa e pelos americanos que estão lá, pedi para a Indonésia por um brasileiro, pedi para a Síria por quatro. É preciso cuidado, porque as pessoas têm leis, as pessoas têm regras, as pessoas, sabe… Se começam a desobedecer as leis deles para atender o pedido de presidentes, vira uma avacalhação”.

Lula é um verdadeiro ficha-suja quando o assunto é Direitos Humanos em nível internacional. Os prisioneiros políticos de Cuba sabem disso. Para o filósofo Lulovsky, não cabe a um país pedir a outro para que tenha um pouco mais de humanismo. Ele acha que já fez demais ao citar os casos da francesa, do brasileiro condenado na Indonésia e pelo o ocorrido na Síria. Não, Lula! Não mesmo! Interceder por aqueles que estão perto de ter suas vidas ceifadas pela barbárie nunca é demais.

Mas eis que no sábado, três dias após classificar como “avacalhação” uma possível negociação com o Irã, Lula declara: “Eu tenho que respeitar a lei de um país, mas se vale minha amizade e o carinho que tenho pelo presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, e pelo povo iraniano, se esta mulher está causando incômodo, nós a receberíamos no Brasil”.

Bastou isso para que a máfia petista na Internet começasse a por seus dedos em riste e afirmar: “Tá vendo? Lula é um homem bom!”. É mesmo? Bem, há aqueles que acham essa mudança abrupta de posição uma dádiva celeste. Mas ninguém levou em consideração uma coisa: a mudança de opinião sobre a condenação de Sakineh se deu durante um comício eleitoral pró Dilma Rousseff. E o que isso tem a ver? Ora: tudo! No mesmo palanque, Lula ainda disse: "Já que minha candidata é uma mulher eu queria fazer um apelo a meu amigo Ahmadinejad, ao líder supremo do Irã e ao governo do Irã”. Vem cá: só sábado Lula descobriu que sua candidata à Presidência é uma mulher? Quando tachou uma possível conversa com Ahmadinejad de “avacalhação” ele ainda não conhecia o sexo de Dilma?

É inadmissível que Lula roube para si e para sua candidata uma causa humanitária para obter ganhos objetivos eleitorais. A rendição aos apelos para que interviesse pela iraniana foi anunciada em palanque de comício; nada mais oportuno. Isso só vem a confirmar a verdadeira importância que Lula dispensa às vítimas dos regimes ditatoriais. A partir de agora, ninguém poderá dizer que Lula não se importa. Certo? Não: errado! Se se pode tirar, mesmo que da barbárie, um quinhão de votos, a causa é boa. Se não, que se dane. Orlando Zapata, aquele que pediu ajuda a Lula sobre sua situação política em Cuba, sofreu na pele esse desprezo. Resultado: morreu depois uma greve de fome que durou mais de 80 dias. As únicas palavras proferidas por Lula em relação a Zapata foram no sentido de compará-lo a um criminoso detido em qualquer presídio no Estado de São Paulo. Quem sabe se Lula estive em um palanque eleitoral a situação do cubano não fosse diferente.

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