SOBROU MENSALÃO PRA MARINA. E POR QUE NÃO PRA DILMA?

Vamos lá: como se saiu Marina Silva na entrevista concedida do Jornal Nacional? Na média, eu diria. Ela sim foi posta contra parede por pelo menos uma questão polêmica – o que não aconteceu com Dilma. A integra da entrevista está aqui.

Indagou Bonner: a senhora mencionou a questão do papel do partido político. A senhora declarou já em algumas entrevistas que deixou o governo Lula e deixou o PT porque discordava da maneira como era conduzida a política ambiental no governo. No entanto, se nós voltarmos no tempo até aquele período do escândalo do mensalão, a senhora não veio a público para fazer uma condenação veemente daquele desvio moral de alguns integrantes do PT. A pergunta que eu lhe faço é a seguinte: o seu silêncio naquela ocasião não pode ser interpretado de uma certa maneira como uma conivência com aqueles desmandos?

Marina não se saiu bem respondendo a essa pergunta. No primeiro momento, a candidata afirmou que não foi conivência e que nem ficou em silêncio. “É que, lamentavelmente, todas as vezes em que eu me pronunciava eu não tinha ninguém para me dar audiência e potencializar a minha voz”, disse. “Publicamente, nas palestras que eu dava, eu sempre dizia que aquilo era condenável, que deveria ser investigado, e que deveriam ser punidos todos os que praticaram irregularidades”, continuou.

Não convenceu. E Bonner apertou mais um pouco. “No entanto, o seu desconforto, vamos dizer assim, o seu desconforto ético com o mensalão não foi suficientemente forte para levá-la a deixar o cargo de ministra”. Marina recorreu àquele seu modo todo peculiar de embutir em uma única frase cinqüenta assuntos diferentes. “Foi forte, sim, mas eu sabia que eu estava combatendo por dentro. E que conseguiria ser vitoriosa. Primeiro porque eu não tinha praticado nenhuma irregularidade. Agora, para continuar lutando pelas ideias que eu defendia, isso eu achava que não tinha mais tempo”, disse. E, por fim, declarou: “eu permaneci no partido e fiquei igualmente indignada. Fiz o combate a minha vida inteira contra a corrupção e acho que a corrupção, Bonner, é o pior câncer da sociedade. E ninguém pode se vangloriar de ser honesto. Para mim, ser honesto é uma condição do indivíduo (…)Agora, naquele momento em que saíram pessoas do Partido dos Trabalhadores, eu permaneci para dar a contribuição que eu achava que ainda poderia dar dentro do governo, mas não por ser conivente”.

Pois é. A resposta não poderia ter sido pior. Marina Silva é pode se desfiliar de um partido político por causa de um pé de eucalipto e três minhocoçus, mas não é capaz de fazê-lo quando o que está em jogo é compra de votos no Congresso Nacional – uma solapada na democracia, por conseguinte. Não sou eu quem diz isso, é a própria Marina. Releia suas respostas.

Agora uma coisa é certa: se compararmos as entrevistas de Dilma e Marina, podemos dizer sossegadamente que Bonner foi uma flor com a petista. Por que o JN não cobrou de Dilma nenhum posicionamento sobre o mensalão? Era dela que se tinha de ter respostas. Não é Marina quem tem em sua campanha e no mesmo palco os integrantes da quadrilha que protagonizou o maior escândalo do governo Lula. É Dilma a detentora desse combo. José Dirceu e José Genoíno batem palmas para Dilma, não para Marina.

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