QUE DILMA NÃO CONTE COM A MEMÓRIA DO ELEITOR

Ainda não tive oportunidade de assistir a nenhuma peça eleitoral ida ao ar nesta tarde – tanto no rádio como na TV – de nenhum dos candidatos. Aqui e ali leio que o programa de Dilma conseguiu ser mais convincente. Não duvido. A única conclusão que tiro no momento é do uso de Lula nas propagandas de Dilma e de Serra. A petista tende mesmo a colar sua figura à do nosso criador dos céus da terra. Ouvi que na inserção do rádio há um momento em que uma canção de despedida é entoada, e a síntese da mensagem transmitida é Lula dizendo “deixo o meu país para Dilma cuidar”. Parece, inclusive, que se tenta criar um comovente cenário, cujo protagonismo se dá com Lula dando adeus ao povo brasileiro. Glauber Rocha não faria melhor!

Já no programa de Serra, o jingle “Quando Lula sair, é o Zé que eu quero lá”, parece ter sido o único momento em que se tentou, de certa forma, aproximar o tucano de Lula. E Dilma, obviamente, não gostou. “Passaram oito anos fazendo a oposição mais radical, aquela que sai lá do fígado, mais dura, conosco. Não pode querer, nas eleições, passar pelo que não é”, disse em um evento no bairro da Liberdade, nesta tarde. E completou dizendo que acredita na “inteligência, discernimento e senso crítico do povo” e que a população “sabe quem é quem”.

No que depender da “inteligência e senso crítico do povo”, Dilma pode se estrepar, e feio. Se a candidata se incomoda com o que, em sua interpretação, soa como discurso duplo, o povo pode puxar pela memória quantas vezes o PT se levantou no Congresso e organizou, digamos, milícias contra o Plano Real, o Proer e todos os demais fatores que tornaram possível a estabilização da economia. O PT de Dilma, num primeiro, chamou o Bolsa Família de Bolsa Esmola; depois que virou governo, passou a exibi-lo como principal bandeira de Lula.

Se o povo recorrer ao passado, verá que o PT condenava veementemente todas as recomendações que o Fundo Monetário Internacional dava ao Brasil. Petistas diziam que era o Império (leia-se Estados Unidos) querendo meter o bedelho em questões internas. Depois de eleito, Lula fez o quê? Ora, deu seguimento à política econômica anterior, que não diferia muito do que… o FMI nos recomendava!

A sorte de Dilma é que o eleitor não tem memória. Ou, tendo, nunca é capaz de fazê-la prevalecer sobre o apedeutismo reinante.

QUE DILMA NÃO CONTE COM A MEMÓRIA DO ELEITOR

Um pensamento sobre “QUE DILMA NÃO CONTE COM A MEMÓRIA DO ELEITOR

  1. Alexandre Meneses diz:

    Tá, faz-me rir. E isso é tudo o que tem a dizer sobre Dilma ou sobre o “PT de Dilma”? Lamento, mas argumentos simplórios assim não vão ajudar a fazer o eleitor ter “inteligência e senso crítico”. Se for também puxar pela memória os erros de oposição do PSDB do Serra ao Governo Lula e a própria atuação do Serra no Governo de São Paulo e na própria Prefeitura da cidade, onde ele garantiu que não sairia candidato, teria algo bem mais relevante para o eleitor consciente pensar.

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