DILMA JÁ PEGOU O ESPÍRITO DA COISA

Dilma Rousseff apegou-se a um único discurso para se defender das acusações do PSDB sobre os dossiês: “na época [2009], eu não era candidata”. Trata-se de uma afronta à inteligência do eleitor. Sabemos que o povo, falando de forma geral, não tem muito mesmo inteligência – e ainda falarei mais do povo em outros posts –; mas, independentemente disso, honestidade com os fatos sempre é bom.

É óbvio que Dilma não era candidata em setembro de 2009. Oficialmente, ninguém era. Mas àquela altura do campeonato, já se tinha a mínima idéia de quem seriam os postulantes ao Planalto. Tanto que, desde 2007, Lula tomou Dilma pelos braços e saiu arrastando-a país afora até mesmo para inaugurar promessa. Do lado tucano, Serra já havia sido legitimado como candidato. A única dúvida que ainda pairava era sobre quem seria seu vice. Em síntese, o cenário da disputa já estava praticamente montado: Serra e Dilma seriam os protagonistas.

Quando recorre ao fato de sua candidatura ainda não ser oficial à época dos vazamentos para tentar desvincular sua campanha do crime, Dilma reproduz o conto-do-vigário tipicamente petista. Basta recorrer aos fatos históricos narrados sob a exegese do PT para vermos que:

– não houve mensalão, houve caixa dois. Tal desculpa esfarrapada foi construída pelo então ministro da Justiça Marcio Thomaz Bastos, que teve o brilhante insight de transformar uma afronta ao Congresso Nacional em mero caixa dois partidário;

– não houve dossiê contra Ruth Cardoso, houve banco de dados. A intrujice oficial foi da própria Dilma Rousseff quando ainda era ministra da Casa Civil. Questionada sobre o vazamento de informações sobre gastos pessoais do ex-presidente Fernando Henrique e sua esposa, Dilma resolveu transformar tudo num mero “bando de dados”. O motivo da feitura? Simples: a Casa Civil estaria apenas de precavendo, atenção, CASO a CPI dos Cartões Corporativos VIESSE A PEDIR informações à Casa Civil. Não é fantástico? Fico cá a pensar com os botões de minha camiseta pólo: quantos outros “bancos de dados” a Casa Civil não teria feito esperando uma possível, provável, hipotético-dedutiva solicitação de qualquer comissão, órgão, secretaria, entidade ou seja lá o raio que o parta?;

– não houve apagão; houve blackout. Aqui nós já vemos o PT atuando também nas entranhas da lingüística, querendo conferir às palavras “apagão” e “blackout” sentidos diferentes quando na realidade é tudo a mesma coisa. “Apagão”, disse Dilma, era coisa do Fernando Henrique. No governo Lula, interrupção no fornecimento de energia é “blackout”.

– sobre os vazamentos de dados fiscais de pessoas ligadas aos PSDB, Dilma enrola, socorrendo-se de sua não-candidatura à época. Já Guido Mantega apega-se ao conformismo com a contumaz quebra do contrato democrático para justificar a permanência de Cartaxo em seu cargo na Receita Federal. Na sexta, o ministro declarou: “vazamentos sempre ocorreram. Se você olhar para o passado, tem vários que aconteceram”.

E pensar que tudo pode ser apenas o começo… (!)

DILMA JÁ PEGOU O ESPÍRITO DA COISA

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