IGNORÂNCIA NÃO TEM COR, NÃO TEM CLASSE SOCIAL, NÃO TEM IDADE… MAS TEM VOTO

Como sabem, não estou entre os que acham que Dilma Rousseff já ganhou estas eleições. Alguns especialistas já dão como certa a vitória da petista, e, claro, creditam o êxito da candidata aos feitos maravilhosos – não é mesmo? – do governo Lula. A provável vitória de Dilma não deve ser atribuída somente ao demiurgo, cabe registrar. Deve-se também à inépcia da oposição, ao uso do Estado como extensão do privado, à condescendência das instituições e, sim, à ignorância do povo. Sou desses que fala mal do povo mesmo. Não tenho medo de patrulha. Já critiquei Villa Lobos, Guimarães Rosa, Rousseau, Ferréz e até mesmo a Tati Quebra Barraco; não deixarei de fazer o mesmo com os filhos de Lula, se é que me entendem.

Está em andamento no País um completo processo de emburrecimento do eleitorado. Nota-se isso ao passear pelas ruas e ver gente declarando voto em Tiririca, como se fosse uma atitude provida de moral superior. O pensamento dessa gente beira a cretinice. Concluem que eleger um palhaço – sem ofensa aos palhaços, pois esses profissionais sabem os limites de sua atuação: o circo – é uma forma de protesto, vejam que coisa, desprovida de palhaçada. Fico cá pensando qual seria o repertório intelectual do sujeito que chega em frente à urna e, sem titubear, mete lá: 2222! E sai sorrindo da seção eleitoral, achando que acabara de dar uma grande contribuição ao País. O voto do eleitor burro não vale menos. Mas também não vale mais. Um palhaço no Congresso, e outro na urna. Não sei se minha sutileza é compreensível.

É natural que um governo cuja aprovação passe da casa dos 70% consiga fazer sua sucessora. Um blogueiro pançudo ligado ao Planalto chegou a propor que se fizesse uma caça aos 4% que consideram o governo Lula ruim. Seria bom que se caçasse mesmo. Talvez essa minoria tenha muito a dizer aos 70%. Talvez essa minoria seja essa que não se permita ser reduzida a um mero “povo” que Lula deixa nas mãos de Dilma. Talvez essa minoria saiba que em qualquer democracia decente, o eleitorado é quem passa o poder; e não o mandatário quem passa o povo a quem bem entender (ouçam aquela musiquinha da progaganda de Dilma. Começa com: deixo em tuas mãos o meu povo. É de rolar de rir!). Talvez essa minoria tenha ciência de que a melhora na qualidade de vida dos brasileiros não garante ao presidente da República o direito de pisar nas instituições. Talvez essa minoria tenha condição de distinguir o que é palavrório do que é fato (pesquisem o que efetivamente saiu do papel sobre o PAC e o Minha Casa Minha Vida). Talvez essa minoria repudie o personalismo ao qual foi o entregue o Estado e o proselitismo recorrente do lulo-petismo…

Já vi um sociólogo – de boa-fé, honesto intelectualmente e com o qual concordo 99% das vezes – colocando a oposição no centro do picadeiro e lhe apontado o dedo como se fosse a única responsável pelo o atual cenário que se desenha. Nunca neguei que PSDB e DEM mostraram-se inépcios. Basta recorrer aos arquivos do blog. Mas tudo ser atribuído à oposição, aí não. Se o PSDB opta por ser medíocre politicamente e não apresenta uma alternativa ao discurso do governo, vestir cabresto também é opção. Ou, senão, Lula não teria se reelegido em 2006, quando carregava nas costas seus mensaleiros e seus aloprados.

Dias atrás, um professor meu da faculdade mostrou-se surpreso quando eu afirmei que não era petista e que tinha um certo asco de esquerdistas raivosos. Uma outra aluna da sala disse que conhece muito bem o PSDB para não votar no Serra. Perguntei-me se ela conheceria tão bem o PT e suas reminiscências stalinistas recorrentes em seus documentos oficiais. Optei por aquietar-me. “Stalinismo deve ser um termo demais complicado pra ela”, pensei comigo mesmo. Justifiquei-me ao mestre. Disse a ele o que eu pensava do tal PNDH III, arquitetado pelo PT na Casa Civil e na Secretaria dos Direitos Humanos, com suas propostas contra a propriedade privada e a intenção de submeter os veículos de comunicação àquilo que eles chamam de “controle social”. Ele, pra minha surpresa, defendeu o Plano, tomando a China como exemplo. “Lá não há nada disso [liberdades, em suma] e olha onde estão”. Se essa gente tomar a China como modelo de governo a ser seguido, é bom começarmos a nos acostumar a viver sem Google.

O povo quer votar em Dilma? Pois que vote. Leiam o que escrevi aqui no blog no dia 4 de abril deste ano:

O PT almejava chegar ao poder para impor sua agenda gramsciniana  à sociedade de forma transversal. Depois da eleição de Lula, o partido tentou imiscuir seus anseios no governo, mas muitas vezes foi podado – sabiamente, diga-se de passagem – pelo próprio Lula. O Plano Nacional dos Direitos Humanos III é o mais descarado exemplo disso (voltarei a alguns pontos desse programa mais adiante). E sempre é bom lembrar: essa estrovenga foi redigida por Paulo Vanucchi com a anuência de Dilma Rousseff  — ambos do PT e ex-integrantes de grupos terroristas cujos delírios se resumiam tão-somente à implementação de uma ditadura comunista no Brasil.

Querem comparar governos? Então ok. Mas vamos estender isso a todas as franjas do PT. Querem eleger Dilma Rousseff? Então tratemos de colocar alguns pingos nos is.

Há dois anos, quando Hugo Chavez fechou a RCTV, apenas dois partidos brasileiros emitiram nota de apoio ao bochechudo: o PSOL e o… PT! Isso mesmo. À época, isso não teve grande repercussão no Brasil – o que lamento. O PSOL soltar nota oficial, no atual contexto, é irrelevante; mas o PT se prestar a fazê-lo, aí a conversa tem peso um pouco diferente. Hoje, o PT é o maior partido do País e é o eixo de sustentação da coligação partidária do governo. Daí, pergunto: num hipotético governo de Dilma Rousseff, como o PT se permearia no que tange à liberdade de expressão? Eis uma incógnita.

Com Lula, o PT deixou de apitar muito. O presidente tem identidade própria, história própria, luz própria — o que faz dele um ser independente da ideologia de seu partido. O mesmo não se pode dizer de Dilma. Quem é ela no PT? É uma estranha! E é justamente aqui que vai o pulo-do-gato: num governo Dilma Rousseff, o PT encontrará todas as brechas que não teve com Lula para impor seus delírios. Hoje, não existe petismo, existe lulismo. Se o protagonismo do presidente ofusca as intenções do partido, o sem-brilhantismo de Dilma servirá para trazê-las ao tabuleiro, uma vez que a ex-ministra pode se tornar refém das vontades político-partidárias do PT para conquistar a famigerada governabilidade.

Um dia expliquei isto a um petista que trabalha em minha editora. Sua reação? “Você está delirando. Ela é a mulher de Lula. Ninguém vai mexer com ela”. Pois é… Parte do povo incorporou a ignorância. Faz-se de cego. Lula tornou-se o estandarte dessa gente. Seria inútil tentar demovê-los desse signáculo. E é por isso que não culpo a oposição 100% pelo o cabresto vestido pela maioria: há quem o vista por opção, como se fosse um orgulho, e não por falta de aviso.

Ignorância pode não ter cor, não ter nome, não ter idade, não ter classe social, etc. Mas tem voto!

IGNORÂNCIA NÃO TEM COR, NÃO TEM CLASSE SOCIAL, NÃO TEM IDADE… MAS TEM VOTO

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