Para Lula, Serra sai menor das eleições. Hummm!

Lula afirmou hoje, em São Bernardo do Campo, que José Serra sairá menor destas eleições. Para ele, a agressividade do tucano seria o principal motivo. Disse o nosso oráculo: “Essa campanha foi muito violenta de uma parte para outra, acho que o candidato Serra sai menor dessa campanha, porque a agressividade deles à companheira Dilma é uma coisa que eu imaginava que já tivesse terminado na política brasileira”.

Uma ova, meu senhor, que Serra sai menor desta eleição. Quem sai menor, por incrível que pareça, é Dilma, independentemente de ser eleita ou não (escreverei mais sobre isso). A agressividade vista na campanha tem berço nos quartéis generais do PT. Quem deu início à operação dossiê contra adversários? Ora, foi a turma da candidata – agora devidamente comprovado, segundo depoimentos colhidos pela Polícia Federal. Quem deu início à boataria das privatizações – uma mentira contumaz? Quem veio a público enxovalhar José Serra depois de ser agredido por petistas durante uma passeata no Rio?

Frente a isso, cabe questionar o que seria agressivo: o tucano defender-se assertivamente ou o PT ser insistir em suas perfídias? Não adianta querer me pregar essa doxa. Não mesmo! Colocar no mesmo patamar os recursos aos quais o PT recorreu – violando garantias constitucionais, Lula despir-se de sua responsabilidade institucional a fim de satisfazer anseios partidários, entre outras aberrações – com a reação da oposição é um dos cúmulos da vigarice intelectual. E Lula o faz na maior sem-cerimônia.

Agressão para Lula foi o PSDB deixar claro que Dilma ora posicionara-se sim favorável à descriminalização do aborto e agora diz-se contra. Outro cúmulo de agressão: Serra trouxe à luz as concessões feitas pelo atual governo para a exploração de petróleo. Mais uma? Vamos lá! Serra também  deixou claro inúmeras vezes que Dilma disputava a sucessão presidencial graças a um apadrinhamento – não é um absurdo? Façamos justiça: candura, mesmo, vimos na campanha do PT, não é mesmo?

Bem, faltam 61 dias para nos vermos livres do Lula – pelo menos é o que se espera oficialmente. Esses brindes à sociedade com aleivosias mil devem cessar – repito: pelo menos é o que se espera oficialmente.

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Para Lula, Serra sai menor das eleições. Hummm!

AVANÇO DEMOCRÁTICO? QUAL?

Quanto mais o governo Lula ganha musculatura, mais as instituições claudicam. Há especialistas, intelectuais das massas, que afirmam o contrário e vivem a proclamar em alto e bom tom que, com Lula no poder, nunca antes na história deste país vivemos numa democracia tão forte. E isto se deve, na cabeça destes pensantes, à maior participação popular nos processos do país, sejam econômicos ou políticos. Na economia, vemos a emergência de novas classes; já na política, seria a conscientização do eleitor sobre o papel de um verdadeiro governante o elemento a destacar. E, claro, a figura mitológica que vem a reunir esses predicados não é ninguém menos que Ele, vocês sabem. É uma lógica um tanto quanto incompossível, mas é a ela que recorrem.

Do ponto de vista do fortalecimento da democracia, um país só pode ter seu status considerado “em avanço” quando as normas regentes do Estado de Direito são o fio condutor de tudo. Quando isso não ocorre, o que rui é a República. Dane-se o poder de compra da população e que vá às favas os 4000% de aprovação de quem está no comando do governo. Se a Constituição é solapada, não são as benesses do povo que assumirão o papel de manutenção da ordem democrática. Uma coisa não está – nem nunca esteve – umbilicalmente ligada à outra.

Trata-se de farsa e canalhice intelectual toda tentativa de fazer uma ligação entre avanço social e avanço institucional. Sim, o Brasil registrou melhoras nos índices sociais. Sei que as pessoas estão comendo mais, sei que há gente comprando o primeiro carro graças ao amplo crédito, tenho ciência do recorde de empregos criados, imagino como as pessoas deixaram de tomar Ki Suco pra comprar Tang, suponho o contentamento de muitas pessoas por poderem trocar Convenção por Coca-Cola, traço um panorama da satisfação de deixou de comprar aquele papel higiênico rosa para passar a se higienizar com papel Neve. Sei de tudo isso. Não tiro os méritos do atual governo – embora, como sabemos, tudo isso não passa de uma política de continuação de tudo o que fez FHC. Mas nenhum, atenção, NENHUM desses fatores legitimam um regime democrático. Se tirar pessoas da miséria fosse atributo de fortalecimento da democracia, a China seria o país mais democrático do mundo. Lá, 500 milhões de pessoas deixaram de ser miseráveis – e nem por isso os chineses deixaram de viver sob uma tirania.

Engraçado ver gente defendendo avanços democráticos no Brasil. Que nova era seria essa, com a imprensa sob constantes ataques e tentativas de intimidação? No Ceará, o PT já deu início à supressão da liberdade. Com o enfraquecimento da Confecom em nível nacional, restou a Franklin Martins, esse gigante da liberdade de imprensa, recorrer a intimidações regionais dos veículos de comunicação. Leia abaixo matéria publicada na Folha de S.Paulo da última quinta-feira.

Por sugestão do PT, a Assembleia Legislativa do Ceará aprovou, por unanimidade, a criação de um Conselho Estadual de Comunicação Social que terá como atribuição “orientar”, “fiscalizar”, “monitorar” e “produzir relatórios” sobre a atividade da imprensa local “nas suas diversas modalidades”. O conselho segue várias das propostas restritivas à liberdade de imprensa aprovadas pela Confecom (Conferência Nacional de Comunicação), realizada pelo governo federal no ano passado.

A Folha apurou que, com dificuldades para implementar nacionalmente medidas que visam o controle da mídia, o governo federal irá estimular que os Estados o façam. (…) O diretor da Abert (Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão), Luiz Roberto Antonik, considerou que o conselho visa censurar o trabalho da imprensa e informou que a entidade estuda as medidas judiciais cabíveis. Abert e ANJ (Associação Nacional de Jornais), além de outras entidades, não participaram da Confecom por considerar que o evento tinha como propósito justamente discutir medidas de controle da imprensa. O Conselho de Comunicação no Ceará será vinculado à Casa Civil e terá entre suas funções observar e produzir, semestralmente, relatórios sobre a produção e programação das emissoras de rádio e televisão locais; orientar e fiscalizar as atividades dos órgãos de radiodifusão sonora ou de imagem; implementar políticas de capacitação dos cidadãos para leitura crítica dos meios de comunicação, entre outras. (…)

O líder do governo na Assembleia, deputado Nelson Martins (PT), foi um dos defensores da ideia. “Temos uma cultura de denuncismo. Isso não é culpa do profissional, mas dos donos das empresas de comunicação.” Assinante da Folha lê mais aqui.

E não parou por aí. Nessa nova era democrática pensada por certos pensantes, o Tribunal de Contas da União pode ser pisoteado pelo presidente da República. Sim, Lula, esse senhor que não conhece os limites de um primeiro mandatário de um chefe de Estado, deu um pé nos fundilhos do TCU em nome do populismo. Com as eleições batendo às portas, não foram raras as vezes em que o demiurgo jogou nos lombos do tribunal a culpa do não-andamento do PAC. À letra da lei, os ministro do TCU identificaram inúmeras irregularidades em obras pelo País afora. Decidiram interromper os contratos até tudo fosse regularizado. O PAC por si só é uma farsa (basta consultar dados do próprio governo para constatar os percentuais aplicados até hoje), e, para ajudar, vem um ministro do TCU e manda parar uma obra irregular. Mas não é um absurdo? Com tudo isso, como Dilma poderia ser qualificada como “mão do PAC”? Lula não pensou duas vezes. Apontou o dedo para o TCU e pespegou-lhe pechas mil. Nunca antes na história deste país um presidente da República jogou a sociedade contra um tribunal. Lula o fez.

Nessa nova era democrática, os direitos individuais foram constantemente violados. Dados sigilosos foram quebrados ao arrepio da lei, desde o sigilo de um humilde caseiro aos dados de um milionário banqueiro. Ninguém está livre da intromissão oficial. Com Lula no poder, vasculhar a vida alheia utilizando-se do aparato da Polícia Federal e das estatais tornou-se rotineiro.

Nessa nova era democrática, as leis que regem um processo eleitoral foram flagrantemente jogadas na lata do lixo pelo presidente da República. Lula, que, como já disse aqui várias vezes, não deixa representar a Presidência quando pede votos para sua candidata, com contumaz freqüência fez propaganda eleitoral em cerimônias oficiais. Mais: serviu-se de seu posto para demonizar a oposição, que, com Lula no poder, foi tachada de inimiga do povo.

Nessa nova era democrática, o Brasil passou a simpatizar com países nada democráticos. Lula já se referiu a Ahmadinejad – aquele, que apedreja mulheres e manda enforcar opositores – como “meu grande amigo por quem tenho muito carinho”. Nossas relações com os irmãos Castro, de Cuba, nunca foram tão boas. Em nome de uma ideologia siamesa, nossa diplomacia nunca condenou o chavismo da Venezuela. E vale lembrar: quando Chavez fechou a RCTV, o PT emitiu nota de apoio ao bochechudo.

Eis aí o que ditos intelectuais caracterizam de avanço institucional. A lista poderia seguir para muitos outros tópicos. Mas teremos mais tempo para trazer à luz tudo o que de anti-democrático o PT semeia no poder. Há gente genuflexa a isso. Eu não sou. Estou contra a maioria? Sim, estou, e daí? Não aceito que Dante me pegue pelo braço. Vou para o diabo só. Se a maioria faz concessões a esses gigantes da pseudodemocracia, eu não faço.

AVANÇO DEMOCRÁTICO? QUAL?

A CANALHICE DE UM PODER CONSTITUÍDO

Eles (vocês sabem quem) estão assanhadíssimos. Sempre que se veem encurralados por fatos que lhes desmascaram, passam a buscar no éter, na esquina, na rua, na chuva, na fazenda ou numa casinha de sapê quaisquer ônus que possam jogar no lombo dos adversários com o intuito de dizer: “estão vendo como somos todos iguais?”. Nivelar por baixo é o mote dessa gente.

Bastou Dilma Rousseff ser alvo de uma bexiga d’água no Paraná para que o PT igualasse o episódio à agressão sofrida por José Serra no Rio de Janeiro. Há quem caia embuste. Eu não caio. Quem jogou a bexiga contra Dilma agia só, movido pela sua própria vontade, sem estar aparelhado por influências metafísicas superiores. Já quem jogou objetos contra José Serra não foi uma, mas foram várias pessoas mobilizadas pelos setores sindicalistas do PT. O tucano teve sua passagem obstruída pela turma do deputado estadual derrotado nas urnas Sandro Mata-Mosquitos (PT-RJ). Ele movimentou sua base para hostilizar a campanha de Serra. Eis a diferença: quem convoca tropa para agredir o adversário é o PT, e não os outros.

Mas há algo de ainda mais estarrecedor nesse episódio: a participação do Presidente da República na consolidação de uma farsa cuja contribuição implica nada mais nada menos do que a ruinação dos alicerces da democracia do Estado. A farsa: Serra teria sido feito um drama tremendo só porque foi atingido por uma bolinha de papel. O fato: Serra foi alvejado não somente por uma bolinha de papel, mas por outros objetos também, tanto que recebeu recomendação médica para que entrasse em repouso. Dilma dizer que Serra “exagerou” na dose, tudo bem. Apesar de a afirmação ser mentira, a candidata é tão-somente candidata. Já quando Lula o faz, aí a coisa complica, pois este senhor carrega no ombro o peso de uma das mais altas instituições da República. Assistam abaixo à matéria veiculada ontem no Jornal da Globo. Volto depois.


Vale a pena transcrever a fala do presidente. Chamo a atenção para dois termos em negrito:

“Venderam o dia inteiro que esse homem tinha sido agredido. Uma mentira mais grave do que a mentira daquele goleiro Rojas, do Chile, que no Maracanã caiu e fingiu que um foguete tinha machucado ele. Ou seja, primeiro bateu uma bola de papel na cabeça do candidato. Ele nem deu toque para a bola, porque ele olhou pro chão e continuou andando. Vinte minutos depois, esse cidadão recebe um telefonema e, a partir do telefonema, ele bota a mão na cabeça e vai ser atendido por um médico que foi secretário da Saúde do governo do prefeito César Maia, no Rio de Janeiro, e foi o diretor do INCA quando o Serra foi ministro da Saúde”.

Lula está a quase oito anos como presidente da República e ainda não aprendeu a exercer com compostura a liturgia do cargo que ocupa. Esse senhor, palanqueiro por excelência, vem a público e se refere ao candidato da oposição como “esse homem” e “esse sujeito”. Baseado em imagens veiculadas pelo SBT e pela Record, foi além: estigmatizou como mentira e fingimento a imagem de Serra com a mão na cabeça imediatamente após ter sido atingido por um segundo objeto, como ficou claro na reportagem do Jornal da Globo. “Ah, mas até aquele momento ele não tinha conhecimento de tudo o que ocorrera”. É mesmo? Mas agora tem. Pergunto: Lula virá a público se retratar ou manterá incólumes suas aleivosias?

É claro que o presidente da República não voltará atrás no que disse. Perde a democracia. Sua fala, irresponsável em todos os sentidos, foi proferida no auge de uma disputa eleitoral contra um dos candidatos à sua sucessão. Na condição de presidente, Lula é representante não só de seus asseclas e de seus contumazes lambe-botas, mas também daqueles que não vão com sua cara, daqueles que repudiam sua conduta, daqueles 4% que avaliam seu governo como péssimo, e, vejam que coisa, dos candidatos da oposição. Seu achaque, por conseguinte, é conjuntural, não pessoal. O que estamos assistindo nesses últimos tempos é a um presidente eleito democraticamente solapando o regime pelo qual chegou ao poder em nome de suas próprias aspirações. Ao reduzir Serra à condição de “mentiroso”, o recado passado é o da apologia à aniquilação do adversário por meios institucionais.

Não, Lula não se referiu a Serra dessa maneira por mero descuido. Está em seu DNA o anseio por destruir o “inimigo” – sim, é assim que a oposição é classificada por essa gente. Existir oposição ao governo é um dos fatos que garantem o exercício da democracia. E é contra isso que Lula  vocifera. A divergência ao PT não pode existir; já as divergências que o PT tem em relação aos demais podem, afinal, elas são oficiais, são legais. São as dissensões de um poder constituído: o da Presidência da República.

E é em meio esse turbilhão de atentados à democracia que vemos muita gente defendendo a idéia de que, sob Lula, o Brasil vive uma nova era democrática. E vive mesmo. Nunca antes na história deste país a democracia foi tão minada. Mas isso é assunto pra um outro post.

A CANALHICE DE UM PODER CONSTITUÍDO

DOIS PESOS, DUAS MEDIDAS

Nos quatro cantos do Brasil, sempre que tem oportunidade, Dilma Rousseff faz questão de por em prática suas inverecúndias contra José Serra. A tática que se tenta repetir é a mesma de 2006, quando Lula tachou Geraldo Alckmin e todo o PSDB de privatistas. Ciente da falta de cognição do eleitor médio, Lula usou a ignorância geral em seu favor. Alckmin privatizaria a Petrobras? Não! Mas Lula disse que sim. E isso, pra muita gente, é o bastante. Alckmin privatizaria o Banco do Brasil? Não! Mas o demiurgo-das-coisas-feitas afirmou que sim. Corolário: meio-mundo aquiesceu. Alckmin privatizaria a Caixa Econômica? Não! Mas Lula, o Verbo – aquele, antes ainda de se fazer carne, como relata o evangelho de São João – sub-repticiamente afirmara que sim. A genuflexão às mentiras e a falta de coragem da oposição de contestar Lula implicaram derrota a ela mesma. Alckmin sucumbiu no segundo turno com menos votos do que amealhara no primeiro.

Tanto no debate na rede Bandeirantes como na Folha-RedeTV, o que se viu foi a candidata trazer à luz fatos cuja cunhagem reinante estava – e ainda estão, graças à colaboração de parte da imprensa – enviesadas exclusivamente pela ótica petista. Paulo Preto desviou R$ 4 milhões da campanha de José Serra – recursos privados, doados por empresas privadas, sem nenhum envolvimento com a coisa pública – para supostamente montar um caixa dois? Não duvido. Isso, na ótica do PT, é um acinte. Dilma Rousseff, quando ainda ministra da Casa Civil, trouxe para debaixo de suas asas Erenice Guerra, que, por sua vez, levou consigo um comboio de filhos e sobrinhos para traficar influência na Casa Civil. Sintetizando a ópera: Paulo Preto teria desviado dinheiro de campanha para sabe-se lá onde e os Filhos de Erenice conseguiram algumas dezenas de milhares de reais à custa do ministério. Pergunto: qual é a lógica de colocar ambos os fatos num  mesmo patamar? NENHUMA! No episódio Paulo Preto, a vítima é José Serra; no episódio dos apadrinhados de Erenice, a vítima é o País, que se rebaixa institucionalmente em prol de chupins do Estado.

Dilma também insistiu no assunto das privatizações. Por três blocos do debate Folha-RedeTV! tentou pregar inúmeros ardis em Serra. Não conseguiu. O tucano jogou na cara da criatura de Lula parte dos benefícios que a venda de empresas públicas trouxe ao País. O candidato, no entanto, poderia ter ido além e mostrado a vigarice à qual o PT imergiu quando a pauta é justamente… privatizações. Em 2007, Ivan Valente, do PSOL, propôs ao Congresso Nacional a criação de um decreto legislativo para consulta popular. O que seria perguntado é se o povo desejava ou não a reestatização da Vale. O documento foi para a apreciação a Comissão de Desenvolvimento Econômico da Câmara. A relatoria ficou a cargo do deputado João Guimarães. Ele recusou o pedido de Valente. A justificativa? Leia o que saiu das penas do próprio Guimarães:

Pode-se verificar que a privatização levou a Vale a efetuar investimentos numa escala nunca antes atingida pela empresa, graças à eliminação da necessidade de partilhar recursos com o Orçamento da União, o que, naturalmente, se refletiu em elevação da competitividade da empresa no cenário internacional e permitiu a série de aquisições necessárias para o crescimento do conglomerado minerador a nível internacional.

(…)“Após a  privatização, e em conseqüência do substancial aumento dos preços do minério de ferro, a Vale fez seu lucro anual subir de cerca de 500 milhões de dólares em 1996 para aproximadamente 12 bilhões de dólares em 2006. (…)De fato, em 2005, a empresa pagou 2 bilhões de reais de impostos no Brasil, cerca de 800 milhões de dólares ao câmbio da época, valor superior em dólares ao próprio lucro da empresa antes da privatização. (…)O número de empregos gerados pela companhia também aumentou desde a privatização – em 1996, eram 13 mil e, em 2006, já superavam mais de 41 mil. Ademais, a União, além de ser beneficiária desses resultados através do BNDES, de fundos de previdência de suas estatais e de participação direta, ainda viu a arrecadação tributária com a empresa crescer substancialmente. (…)Assim, é de difícil sustentação econômica o argumento de que houve perdas para a União. Houve ganhos patrimoniais, dado o extraordinário crescimento do valor da empresa; houve ganhos arrecadatórios significativos, além de ganhos econômicos indiretos com a geração de empregos e com o crescimento expressivo das exportações. A rigor, a União desfez-se do controle da empresa, em favor de uma estrutura de governança mais ágil e moderna, adaptando a empresa à forte concorrência internacional, mantendo expressiva participação tanto nos ganhos econômicos da empresa, como na sua própria administração.”

(…) Pelas razões expostas, votamos pela rejeição do Projeto de Decreto.

Defesa incontestável da privatização, não é mesmo? Agora, detalhe: vocês sabem que é João Guimarães, o relator que assina cada linha que vai acima? Ele é um DEPUTADO FEDERAL DO PT! Sacaram? Esse mesmo partido, que endossa e reconhece os benefícios cultivados pela privatização, reúne intelectuais e artistas no Rio de Janeiro para achacar as… privatizações. Dilma, nessa reunião em que se registrou a presença de gente como Chico Buarque, rebaixou o processo de privatizações promovido por Fernando Henrique a uma pilhéria vigarista, chegando a recorrer ao argumento de falta de amor ao patrimônio da nação brasileira. Sim, eles são o asco classe política.

Em tom de terror, o PT exibe em seu horário eleitoral e em vários spots ao longo do dia um vídeo no qual insinua que Serra pretende privatizar o pré-sal – o que é mentira. Acusam o tucano, inclusive, de não gostar da Petrobras, pois o governo de São Paulo não tem posição favorável da compra da Gás Brasiliano pela petrolífera. A gente sabe: quem ama mesmo a Petrobras é Lula e Dilma. Tanto que em 2007, Evo Morales, presidente da Bolívia, resolveu estatizar duas refinarias da Petrobras na maior sem-cerimônia. Frente ao fato, Lula silenciou. Isso sim é amor ao patrimônio nacional, não é mesmo?

DOIS PESOS, DUAS MEDIDAS

METAMORFOSE

Se restava alguma dúvida de que Dilma Rousseff não existe, a gota d’água que pôs fim nesta suspeita caiu na noite de ontem, no debate promovido pela rede Bandeirantes de televisão.

Nos certames do primeiro turno, vimos uma Dilma serena, com uma cara típica de quem estava a apreciar a brisa do mar. Quando tinha a oportunidade de perguntar, optava por questionar Plínio ou Marina. Àquelas alturas do campeonato, os instituto de pesquisa garantiam-lhe vitória com folga ainda no primeiro turno. Nos últimos dias da campanha antes do 3 de outubro, o que vimos foi a turma petista adotar ares de afoiteza, subestimando a vontade do eleitor. Lula subiu em palanques país afora exaltando a verdadeira opinião pública: a das ruas, carimbando na imprensa, que noticiava os escarcéus da Casa Civil, um labéu essencialmente eversivo. Na onda de 80% de popularidade, o demiurgo se auto-conferiu o poder de mandatário da vontade alheia, chegando a solicitar ao de Santa Catarina que extirpassem o DEM da política, por exemplo. A resposta veio das urnas. E elas nos apontam alguns corolários:

– instituto de pesquisa não ganha eleição;
– Lula, ao contrário do que cria, não manda no voto do eleitor;
– seus 450% de popularidade não legitimam sua criatura;
– o feel good factor não é elemento exclusivo na hora do voto;
– e o povo de Santa Catarina quer o DEM na política. Raimundo Colombo venceu.

Com um cenário tão favorável à Dilma, não havia, até então, motivo para esboçar agressividade em seus discursos. Passada a lua-de-mel proporcionada por gigantes como Marcos Coimbra e Ricardo Guedes, o segundo turno bateu às portas. E os petistas demonstraram-se, vejam que coisa, decepcionados. A certeza da vitória no primeiro turno era tamanha que a festa em Brasília estava até armada.

Ainda não sei quem ganhará estas eleições. Não me atrevo a palpitar sobre o que nem quatro institutos lograram êxito em fazer. Justiça seja feita ao Datafolha, o único que conseguiu resultados mais próximos da realidade. E foi justamente este instituto que trouxe no fim de semana passado a primeira pesquisa de intenção de voto para Presidência da República. O que se verifica nesse levantamento é uma expressiva subida de Serra e uma considerável queda de Dilma. Em 24 de agosto, a petista tinha 55% das intenções de voto contra 36% de Serra. Considerando os limites da margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos, podemos ter Dilma com 53% (- 2) e Serra com 38% (+ 2), diferença de 15 pontos percentuais. Depois desta, mais oitos pesquisas foram feitas. Os últimos números trazem a petista com 48% (com a margem de erro, tem entre 50% e 46%) e o tucano com 41% (com a margem, tem entre 39% e 43%). Ou seja, o que era 15 pontos de diferença, hoje pode ser apenas três!

O DEBATE
Frente a esse novo cenário – improvável segundo os desenhos que tínhamos até pouco tempo atrás – foi que Dilma e Serra se enfrentaram. Quem abriu o bloco de pergunta entre candidatos foi Dilma. Agressiva e com uma cara de botar medo em Nero, acusou Serra de promover uma campanha suja. Aproveitou para trazer à tona um processo em que o tucano é réu por calúnia e difamação. O caso ainda está em andamento. Mas nunca é demais lembrar que, só neste ano, Lula já foi condenado sete vezes pela Justiça Eleitoral. Adiante… Aquilo Dilma chama de campanha suja nada mais é do que as verdades que têm surgido na rede sobre sua dúbia posição sobre o aborto e sobre as promiscuidades dentro da Casa Civil protagonizadas por Erenice Guerra, mulher extrema confiança de Dilma segundo… Dilma!

A estratégia adotada por esta senhora ficou clara logo na sua primeira pergunta a Serra, quando afirmou que a “regulamentação do aborto” foi instituída por ele quando ministro da Saúde. A afirmação é verdadeira, mas é de uma vigarice intelectual sem tamanho, pois o objetivo não é esclarecer, mas obscurecer o real sentido da “regulamentação”. A lei que regula o aborto no Brasil – permitindo a interrupção da gravidez em casos de estupro e quando a vida da mãe corre risco –, foi criada em 1940, dois anos antes do nascimento de José Serra. O que o tucano fez quando ministro foi simplesmente fazer valer a lei, determinando à rede de hospitais do SUS que prestassem atendimento às mães que abortassem ou por risco de morte ou por estupro. Não é um escândalo? Dilma cobra Serra por ele ter cumprido… a lei! É mesmo um acinte. O que a candidata quis foi dividir com Serra o ônus da polêmica do aborto. Impossível! Serra nunca defendeu e nem tomou nenhuma medida que visasse a descriminalização de nada. Quem o fez foi Dilma, que defendeu essa idéia publicamente em 2007 em uma sabatina da Folha de S.Paulo. Vejam o vídeo abaixo.

Vendo fustigada sua investida de jogar Serra e aborto na mesma bacia das almas, Dilma optou por qualifica-lo de “mil caras”. Não colou também. Afinal, não é Serra quem ora se diz favorável ao aborto e ora contra. Não é Serra que ora diz acreditar em Deus e ora diz crer “numa força superior”, como declarou a petista.

Com as duas primeiras estratégias minguadas, restou ressuscitar o tema das privatizações, colocando em questão a capitalização da Petrobras. Serra respondeu: “é só chegar a campanha eleitoral e o PT vem sempre com essa história. No caso de venda de empresas públicas, eles reclama que venderam ações no governo passado, mas não falam do Banco do Brasil, que colocaram em Nova York. Quanto à Petrobrás, é lembrar que o José Eduardo Dutra [presidente do PT] elogiou a lei aprovada pelo FHC”. Da mesma maneira que o Antonio Palocci se derramou em elogios para a política econômica”.             Há uma coisa curiosa nas críticas do PT às privatizações. Se as condenam tanto assim, por que cargas d’água não fizeram sequer uma auditoria nos processos de privatizações conduzidos por FHC?

De resto, uma onda de inverdades proferidas por Dilma foram postas por terra. A petista criticou a segurança em São Paulo e usou o Rio de Janeiro como exemplo. Se ela pretende copiar o modelo carioca para todo o País, é bom começarmos a nos preparar para um cavalar aumento da violência: o Rio de Janeiro registra o triplo do índice de homicídios de São Paulo. As Unidades Pacificadoras presentes nos morros cariocas diminuiu sim o domínio do tráfico, no entanto, não houve nenhum aumento no número de presos. Cabe perguntar: aonde vão esses traficantes, então?

Se o primeiro debate dá a tônica da campanha, não resta dúvidas de como se comportará o PT até o dia 31 de outubro. Foi Dilma quem se disse favorável ao aborto e, agora, por pura conveniência, mudou o discurso. Todavia, doravante, tratarão de unir Serra à imagem de quem apóia o aborto. Sim, as privatizações deram certo e foram chave para a modernização e barateamento do nosso sistema de telefonia, mas os petistas tratarão de estigmatizar as ações de FHC. Mais: trarão à baila mentiras, falarão que Serra privatizará o pré-sal e a Petrobras. É bom o PSDB não cair no ardil tal qual como foi em 2006.

Vamos ver como se comportarão os candidatos nos demais debates. Serra mostrou-se como sempre. Já Dilma deu a prova cabal de que não existe, comporta-se como querem os membros de sua campanha. Ontem, dura, agressiva, mostrou uma recaída. Parecia até ela mesma.

METAMORFOSE

PRIMEIRA DERROTADA: A ARROGÂNCIA DE LULA

Algo sai extremamente derrotado nesta eleição: a arrogância do senhor Luis Inácio Lula da Silva. Não foram poucas as vezes em que, envolvido pela aura palanqueira dos comícios, Lula vociferou atrocidades contra os “adversários” (é assim que ele os classifica), no flagrante intuito de minar o direito da oposição de, vejam só, amealhar votos. Ao lado de Dilma, Lula fez inúmeras referências à vitória quase certa de sua criatura logo no primeiro turno. E fez tudo, como lhe é peculiar, na maior sem-cerimônia. Não é difícil desenhar o horizonte dos próximos dias. O vale-tudo passa a ser, a partir de agora, a regra do jogo para essa gente. Se Lula mandou às favas a lei eleitoral no primeiro turno, no segundo passará a ignorá-las oficialmente. Neste instante, uma verdadeira máquina deve entrar em ação no governo para começar a fabricar dados sobre as miseráveis ricas obras em andamento – ou não – no País, levantamento de “banco de dados” sobre tucanos, ressurreição dos anos FHC estigmatizando-os malogramente… E por aí vamos…

Lula marcou a ferro em brasa seu carimbo na campanha até aqui: sua vontade de se perpetuar no poder, mesmo que através de Dilma, e, para isso, convoca a população para uma guerra eleitoreira. Em Santa Catarina, convidou o povo a extirpar o DEM da política brasileira. Se deu mal. O demista Raimundo Colombo foi eleito governador do estado catarinense com 52,72% dos votos. Ideli Salvati, a pupila de Lula, chegou ao final da disputa com rasos 21,9%. Pois é, Santa Catarina deu um pé nos fundilhos de Lula. Os catarinenses mostraram que democracia não se resolve na base da extirpação, como sugere o demiurgo. É uma derrota enorme de Lula (claro, ninguém dirá isso), assim como foi em São Paulo, com Alckmin sendo eleito no primeiro turno com 50,63%. Um dia antes, em comício ao lado de Mercadante, Lula se referira a Alckmin como “aquele sujeito”. Deu no que deu. O PT ainda não botará suas unhas no segundo maior orçamento do Brasil – só perde pro da União. E Lula deve estar furioso com isso.

A partir de agora, é preciso que Serra repense suas estratégias. Se há segundo turno, deve-se isso a Marina Silva, e não possíveis trunfos do PSDB. A campanha tucana mostrou-se inépcia para tudo o que se propôs a fazer. Os tucanos precisam jogar na lata do lixo sua meninice e o medo de trazer aos programas eleitorais o bem dos anos FHC.  Falo do Proer, do Bolsa Alimentação, de um dos melhores ministérios da Saúde que o País já teve, do Fundeb, do Plano Real, da Lei de Responsabilidade Fiscal, do ajuste das contas, etc. Enquanto Serra continuar receoso em botar os pingos nos is, só lhe restará aguardar o nada formidável enterro de sua quimera. É preciso se livrar das amarras dos marqueteiros. A propaganda de Serra não mostra o candidato como ele é. Serra é muito melhor do que isso. Já com Dilma ocorre o contrário: a propaganda a mostra ótima, mas ela é muito pior do que o vendido. A língua portuguesa é testemunha disso e não me deixa passar por injusto.

Vamos ao segundo turno. Não sei quem ganhará. Mas sei desde já de onde virão os primeiros golpes baixos. É preciso resisti-los, ou começamos logo a nos acostumar a fazer piquenique à beira do precipício.

PS – Os institutos de pesquisa Sensus e Vox Popoli devem desculpas públicas aos eleitores. Segundo esses pesquiseiros, Dilma ganharia no primeiro turno com 57% dos votos válidos.

PRIMEIRA DERROTADA: A ARROGÂNCIA DE LULA

QUEM MANDA FAZER POPULISMO BARATO?

Lula deu um tiro no pé do PT no Senado Federal. O demiurgo levou Netinho de Paula em todos os palanques do Estado de São Paulo, pedindo votos para aquele senhor, “que chega na Cohab no maior astral”, e para Marta Suplicy. Resultado: neste momento, Netinho pode desbancar Marta e assumir uma vaga no Senado ao lado de Alousio Nunes, líder de votos. Eis aí: o ato de fazer populismo barato pode implicar fatura caríssima.

QUEM MANDA FAZER POPULISMO BARATO?