DOIS PESOS, DUAS MEDIDAS

Nos quatro cantos do Brasil, sempre que tem oportunidade, Dilma Rousseff faz questão de por em prática suas inverecúndias contra José Serra. A tática que se tenta repetir é a mesma de 2006, quando Lula tachou Geraldo Alckmin e todo o PSDB de privatistas. Ciente da falta de cognição do eleitor médio, Lula usou a ignorância geral em seu favor. Alckmin privatizaria a Petrobras? Não! Mas Lula disse que sim. E isso, pra muita gente, é o bastante. Alckmin privatizaria o Banco do Brasil? Não! Mas o demiurgo-das-coisas-feitas afirmou que sim. Corolário: meio-mundo aquiesceu. Alckmin privatizaria a Caixa Econômica? Não! Mas Lula, o Verbo – aquele, antes ainda de se fazer carne, como relata o evangelho de São João – sub-repticiamente afirmara que sim. A genuflexão às mentiras e a falta de coragem da oposição de contestar Lula implicaram derrota a ela mesma. Alckmin sucumbiu no segundo turno com menos votos do que amealhara no primeiro.

Tanto no debate na rede Bandeirantes como na Folha-RedeTV, o que se viu foi a candidata trazer à luz fatos cuja cunhagem reinante estava – e ainda estão, graças à colaboração de parte da imprensa – enviesadas exclusivamente pela ótica petista. Paulo Preto desviou R$ 4 milhões da campanha de José Serra – recursos privados, doados por empresas privadas, sem nenhum envolvimento com a coisa pública – para supostamente montar um caixa dois? Não duvido. Isso, na ótica do PT, é um acinte. Dilma Rousseff, quando ainda ministra da Casa Civil, trouxe para debaixo de suas asas Erenice Guerra, que, por sua vez, levou consigo um comboio de filhos e sobrinhos para traficar influência na Casa Civil. Sintetizando a ópera: Paulo Preto teria desviado dinheiro de campanha para sabe-se lá onde e os Filhos de Erenice conseguiram algumas dezenas de milhares de reais à custa do ministério. Pergunto: qual é a lógica de colocar ambos os fatos num  mesmo patamar? NENHUMA! No episódio Paulo Preto, a vítima é José Serra; no episódio dos apadrinhados de Erenice, a vítima é o País, que se rebaixa institucionalmente em prol de chupins do Estado.

Dilma também insistiu no assunto das privatizações. Por três blocos do debate Folha-RedeTV! tentou pregar inúmeros ardis em Serra. Não conseguiu. O tucano jogou na cara da criatura de Lula parte dos benefícios que a venda de empresas públicas trouxe ao País. O candidato, no entanto, poderia ter ido além e mostrado a vigarice à qual o PT imergiu quando a pauta é justamente… privatizações. Em 2007, Ivan Valente, do PSOL, propôs ao Congresso Nacional a criação de um decreto legislativo para consulta popular. O que seria perguntado é se o povo desejava ou não a reestatização da Vale. O documento foi para a apreciação a Comissão de Desenvolvimento Econômico da Câmara. A relatoria ficou a cargo do deputado João Guimarães. Ele recusou o pedido de Valente. A justificativa? Leia o que saiu das penas do próprio Guimarães:

Pode-se verificar que a privatização levou a Vale a efetuar investimentos numa escala nunca antes atingida pela empresa, graças à eliminação da necessidade de partilhar recursos com o Orçamento da União, o que, naturalmente, se refletiu em elevação da competitividade da empresa no cenário internacional e permitiu a série de aquisições necessárias para o crescimento do conglomerado minerador a nível internacional.

(…)“Após a  privatização, e em conseqüência do substancial aumento dos preços do minério de ferro, a Vale fez seu lucro anual subir de cerca de 500 milhões de dólares em 1996 para aproximadamente 12 bilhões de dólares em 2006. (…)De fato, em 2005, a empresa pagou 2 bilhões de reais de impostos no Brasil, cerca de 800 milhões de dólares ao câmbio da época, valor superior em dólares ao próprio lucro da empresa antes da privatização. (…)O número de empregos gerados pela companhia também aumentou desde a privatização – em 1996, eram 13 mil e, em 2006, já superavam mais de 41 mil. Ademais, a União, além de ser beneficiária desses resultados através do BNDES, de fundos de previdência de suas estatais e de participação direta, ainda viu a arrecadação tributária com a empresa crescer substancialmente. (…)Assim, é de difícil sustentação econômica o argumento de que houve perdas para a União. Houve ganhos patrimoniais, dado o extraordinário crescimento do valor da empresa; houve ganhos arrecadatórios significativos, além de ganhos econômicos indiretos com a geração de empregos e com o crescimento expressivo das exportações. A rigor, a União desfez-se do controle da empresa, em favor de uma estrutura de governança mais ágil e moderna, adaptando a empresa à forte concorrência internacional, mantendo expressiva participação tanto nos ganhos econômicos da empresa, como na sua própria administração.”

(…) Pelas razões expostas, votamos pela rejeição do Projeto de Decreto.

Defesa incontestável da privatização, não é mesmo? Agora, detalhe: vocês sabem que é João Guimarães, o relator que assina cada linha que vai acima? Ele é um DEPUTADO FEDERAL DO PT! Sacaram? Esse mesmo partido, que endossa e reconhece os benefícios cultivados pela privatização, reúne intelectuais e artistas no Rio de Janeiro para achacar as… privatizações. Dilma, nessa reunião em que se registrou a presença de gente como Chico Buarque, rebaixou o processo de privatizações promovido por Fernando Henrique a uma pilhéria vigarista, chegando a recorrer ao argumento de falta de amor ao patrimônio da nação brasileira. Sim, eles são o asco classe política.

Em tom de terror, o PT exibe em seu horário eleitoral e em vários spots ao longo do dia um vídeo no qual insinua que Serra pretende privatizar o pré-sal – o que é mentira. Acusam o tucano, inclusive, de não gostar da Petrobras, pois o governo de São Paulo não tem posição favorável da compra da Gás Brasiliano pela petrolífera. A gente sabe: quem ama mesmo a Petrobras é Lula e Dilma. Tanto que em 2007, Evo Morales, presidente da Bolívia, resolveu estatizar duas refinarias da Petrobras na maior sem-cerimônia. Frente ao fato, Lula silenciou. Isso sim é amor ao patrimônio nacional, não é mesmo?

DOIS PESOS, DUAS MEDIDAS

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