A PRIMEIRA FATURA DO PMDB

Apenas dois dias se passaram das eleições, e o PMDB já deu início àquilo que lhe é de praxe: exigir sinecuras onde bem deseja. Passadas 48 horas da vitória de Dilma, José Eduardo Dutra e Antônio Palocci já haviam dado início aos trabalhos de montagem da equipe de transição do próximo governo. O afazer não é desprezível: é partir das ações desse grupo que sairá, por exemplo, boa parte do corpo de ministros. Definir chefes de ministérios é estratégico para sedimentar mais apoio no Congresso. O PSB, por exemplo, saiu mais forte das urnas, com o dobro de governadores (seis, no total) em relação a 2006, 34 deputados federais ante 27 nas eleições passadas e três senadores. Com esses números, pelo menos três ministérios estão na lista de exigência dos peessebistas – Cidades, hoje com o PP; Integração Nacional, com PMDB; e manter o controle do Ministério da Ciência e Tecnologia mais Secretaria de Portos. O objetivo é claro: controlar os ministérios cujos recursos são liberados em sua maioria para as regiões Norte e Nordeste, onde o PSB logrou maiores êxitos.

Frente a isso, uma falha quase imperdoável foi cometida pelo PT: montou a equipe de comandará a transição sem chamar o PMDB, o principal sócio no negócio. Ninguém governa sem o PMDB? Não! Esses chupins são mesmo terríveis. Nem Lula conseguiu tal proeza. Não há muito, num sinal de claro constrangimento ao PT – Aloízio Mercadante que o diga, sendo obrigado a revogar o irrevogável –, Lula ficou ao lado de Sarney para a presidência do Senado. José Dirceu, ex-ministro chefe da Casa Civil, chegou a declarar no programa Roda Viva que se não houvesse esse apoio, no dia seguinte, José Serra estaria sentado à mesa com o PMDB fechando apoio para as eleições de 2010. Governabilidade é tudo! Ocorre que, a partir de 2011, não será mais Lula quem receberá as faturas do PMDB, será Dilma. Ela não é ele. Ela não dialoga como ele. Ela não negocia como ele. Cientes da inépcia com o principal aliado – ou lembrado dela por alguém, sei lá –, o PT viu-se obrigado a chamar Michel Temer para comandar os trabalhos de transição.

Vamos como se sairá Dilma Rousseff no front dos certames por cargos. O que se tem cogitado nos bastidores é a adoção da regra de verticalização como critério para cessão de fatias do governo. Se o PMDB já deixou claro que não quer nem um milímetro a mais nem a menos do que já tem – e são sete cargos no alto escalão se se considerar a presidência do Banco Central –, o PSB pode faturar ministérios com a porteira fechada. Assim, uma área do governo pode ser entregue de ponta a ponta à responsabilidade de uma única sigla. Atualmente, não vê isso. Edison Lobão, por exemplo, é ministro de Minas e Energia, mas estatais responsáveis por áreas subordinadas à pasta têm em seus quadros gente do PT ocupando cargos executivos, como ocorre na Eletrobrás. Com a verticalização, os partidos do bloquinho de apoio poderão receber como consolo um ministério inteiro para administrar, o que pouparia Dilma de ceder mais cargos em diversas áreas diferentes.

A conferir.

 

A PRIMEIRA FATURA DO PMDB

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