ODINHO DE LULA PATROCINA RETORNO DA CMPF, SIM

Dilma não conseguiu ser ela mesma durante a campanha eleitoral. Se tivesse ido à peleja sem despir-se do que de fato era, provavelmente não lograria sucesso nas urnas. Cá entre nós, tecnocratas são chatos mesmo! Com aquele jeitão de gerentona na fase pré-aposentadoria e com os fios curtos desencapados sempre à vista, a então ministra da Casa Civil não abria mão de recorrer à austeridade toda vez que confrontada. Não, não a condeno pela postura que tinha (até porque quem me conhece sabe como me porto em uma boa briga de idéias, hehe), apenas jogo luz no fato de sua metamorfose.

Naquela fase da luta pelos votos, a então candidata comprometera-se com a responsabilidade fiscal, o que motivou o mercado a crer que Dilma adotaria uma postura com forte tendência à maior controle sobre os gastos públicos. À época, a petista até acenara com uma redução da carga tributária. Agora, passada a fase em que não é mais necessário mais se apresentar ao eleitorado na condição de pedinte, Dilma e sua claque simpatizam com a volta da CPMF. Claro que não é a “C-P-M-F”. Agora é CSS (Contribuição Social da Saúde). Mas isso é o de menos. Muda-se o nome, mas o saque compulsório do bolso do contribuinte é o mesmo.

Essa história de ressuscitar um imposto já derrubado pelo Congresso traz em suas entranhas mais do submundo da política do que podemos imaginar. Dilma, naquela entrevista concedida ao lado de Lula na quinta-feira passada, onerou os governadores pela idéia da volta de um imposto para financiar a saúde. “Não pretendo enviar um projeto recriando a CPMF, mas tenho visto mobilização de governadores nessa direção”, disse. Laranjas! Essa é a palavra que define com perfeição os governadores nessa história. Vejam se não é mesmo uma coisa incrível: passam-se três dias depois das eleições e, do nada, uma metafísica influente arrebata os governadores e lhes martela no juízo a necessidade de recriar a CPMF. E tudo assim, numa sincronização perfeita, com raciocínios alinhados e vozes uníssonas em prol de uma causa. “Ah, mas alguns governadores vieram a público mesmo defender mais dinheiro pra Saúde”. É mesmo? Cid Gomes, eleito no Ceará pelo PSB, foi quem colocou a boca no trombone. Depois disso, como um efeito cascata, vimos mais e mais gente aderir a idéia. “Ah, mas até o Anastasia simpatiza com isso”. Sim, é verdade. Ouso dizer que sua falta de tato político o fez pender para o lado mais óbvio da coisa: que a saúde precisa de mais dinheiro. Tolice! A saúde precisa de mais dinheiro? Ora, a segurança, a cultura, a agricultura, a educação também têm a mesma carência. E como ficamos?

Desviei-me um pouco do mote. Retomo.

Por trás das articulações da volta do imposto da saúde, há um fator essencialmente vigarista cuja germinação teve início em 2007, no Senado. Foi lá que Lula sofreu sua maior derrota, uma humilhação imperdoável em seus oito anos de mandato e que até hoje o faz despertar aquele extinto animalesco: a oposição – com uma mãozinha de alguns descontentes da base aliada – derrubou a CPMF. À época, nos bastidores, conversava-se sobre uma possível intenção de Lula de concorrer ao terceiro mandato. Para isso, uma emenda teria de ser enviada ao Congresso para ser apreciada e votada. Com a derrubada da CPMF, uma coisa ficou clara: na Câmara, a tal emenda que garantiria a Lula o direito de disputar mais uma eleição poderia passar, mas no Senado não passaria. Foi o sinal de que Lula pode muita coisa, mas não pode tudo. E, como sabemos, qualquer um que submete a democracia às suas aspirações não engole tão facilmente uma derrota… democrática!

Se no governo Dilma a CPMF voltar, para Lula, isso será uma vitória. Para ele, a vingança tem sabor de mel. A oposição raivosa – como ele adora estigmatiza-la – que fique com o sabor do fel.

Aventar a possibilidade do ressurgimento de mais um imposto é fazer quem votou em Dilma Rousseff de besta. Como do PT espero qualquer coisa, não me surpreendo, o que não me faz ficar boquiaberto com tal especulação. Essencialmente, os argumentos pró  retorno do imposto tornam-se risíveis quando confrontados com algumas realidades:

– conforme revelou o Estadão, metade dos estados cujos governadores defendem a volta do imposto não investe 12% dos recursos na saúde, como determina o Conselho Nacional de Saúde;
– a arrecadação do Tesouro em 2003 era de 21% da renda nacional. Em 2011, deverá ser de 24%;
– a antiga CPMF rendia em torno de 1,4% do PIB.
– ou seja, a arrecadação do governo cresceu 2 CPMFs, o que deve ria suprir com folga os recursos do antigo imposto.

E por que o governo defende com tanto entusiasmo a volta da contribuição? Simples: o dinheiro que poderia ser usado para a saúde foi sugado pela má gastança pública, fruto do populismo incurável do senhor Luis Inácio Lula da Silva. O Bolsa Família e os demais programas de transferência de renda absorveram a maior partes das receitas do montante das “2 CPMFs”.

E vale lembrar: o governo Dilma ainda nem começou.

 

ODINHO DE LULA PATROCINA RETORNO DA CMPF, SIM

Um pensamento sobre “ODINHO DE LULA PATROCINA RETORNO DA CMPF, SIM

  1. Thiago diz:

    Embora o governo Dilma ainda não tenha começado,já tem uma “grata” surpresa aos policiais que tinham uma certa esperança “messiânica”em seu governo, a postura veementemente CONTRA a aprovação da PEC 300.Isso porque o Serra que é o “Careca Safado”rsrsrsr.

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