PRATO CHEIO PRA OPOSIÇÃO

A oposição no Brasil, protagonizada pelos partidos PSDB, DEM e PPS, é uma não-oposição. Deputados federais e senadores eleitos para cumprir a função de intensa vigilância e cobrança do governo que se omitem frente a essa obrigação são coniventes com o que se pratica a soldo na máquina pública, inclusive com o que há de execrável. 44% do eleitorado nacional (45 milhões de eleitores) disseram um não a Lula. Esses eleitores cujo voto de confiança foi em Serra mandaram o sinal de que não aquiescem com tudo o que faz quem está no poder. 52% do eleitorado será governado pelos partidos de oposição nos Estados. São cifras pra lá de consideráveis. São números que desenham uma corrente. São dados que devem ser levados em consideração. Mais do que isso: não são apenas estatísticas etéreas. Por trás desse emaranhado numérico há pessoas, gente comum, gente que acredita sim numa outra via de poder, num outro consórcio de governo –; e são cidadãos cuja única via de fazê-lo é confiar seu voto em quem, em tese, está no Congresso para confrontar, como diz a corrente comum, “tudo isso que está aí”.

Repertório para requerer explicações do governo nos próximos tempos a oposição já tem de sobra. Na mesma semana em que Dilma foi eleita, começaram a pipocar os detalhes de uma arquitetura cafajeste: a volta da cobrança compulsória de contribuição para financiar a saúde (ler post abaixo). Na semana seguinte, Franklin Martins renunciou de vez das meias-palavras e declarou de vez que irá até as últimas conseqüências para aprovar o projeto de regulação da imprensa (sei lá por que, eles adoram usar o termo “mídia”, que é errado). O Enem, pela segunda vez consecutiva, revelou a inépcia de Fernando Haddad – o ministro fofinho do governo – para gerenciar o um exame de tamanha importância. Lula, primeiramente, descartava a hipótese de ter havido erros na prova; em Seul, como lhe é típico, mudou o discurso, e admitiu que um segundo Enem pode ser realizado. O TCU apontou uma série de irregularidades em 32 obras tocadas pelo governo federal. O prejuízo estimado com os  sobrepreços chegaram a R$ 2,7 bilhões. Detalhe: 18 das 32 obras são do PAC, cuja mãe é a Dilma, conforme nos foi enfiado goela abaixo durante a campanha eleitoral. A Caixa Econômica Federal comprou 49% das ações do banco Panamericano, instituição praticamente quebrada.

São fatos que obrigatoriamente devem estar na pauta para cobrar explicações do governo. Por razões políticas? Sim, pode ser. Mas há uma razão muito mais forte: a oposição deve cumprir seu papel. Nunca antes na história deste país a democracia ficou tão oca por falta de discurso alternativo a quem está no poder. Os escândalos listados acima não podem passar incólumes. Há uma sociedade que merece esclarecimentos, e, para tê-los, é indispensável que o PSDB, DEM e PPS abram mão da covardia que incorporaram durante os anos Lula. Por medo ou por falta de competência, sei lá, os representantes dos brasileiros que disseram NÃO a Dilma têm tido uma atuação ignominiosa no âmbito das atribuições democráticas às quais foram confiados. Parte dos tucanos chegou a propor uma oposição “propositiva”, sem grandes confrontamentos com a base governista. É o fim do mundo!

Em qualquer democracia que se preze, a oposição tem um papel combativo, austero. Aqui no Brasil, não. Tucamos e demistas assumem um papel de coadjuvantes na atuação política, o que, indiretamente, implica menos democracia e menos representatividade.  Em oito anos de governo Lula, os eleitos para fiscalizar quem estava no poder exerceram com ímpar perfeição o papel da mediocridade. Tal acunha virou idiossincrática. Lamentável de todos os pontos de vista que eleitos para contestar adiram ao silêncio, à insignificância. A oposição renunciou ao seu papel de forma ignominiosa. À míngua ficaram milhões de brasileiros cuja voz no Congresso mostrou-se rouca, diminuta.

Que nos próximos anos os escarcéus – como os listados acima – não fiquem dependendo de parlamentares medíocres para serem trazidos à luz. Que o PSDB, o DEM e o PPS empunhem o pendão lhes garantido por 45 milhões de eleitores e arrostem o governo e suas mazelas com a destemidez inerente às oposições.

 

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