E AS VÍTIMAS DOS “COMPANHEIROS QUE TOMBARAM PELO CAMINHO”?

Não, não assisti à posse de Dilma Rousseff. Não vi ao vivo sequer uma palavra proferida pela presidente. Enquanto ela recebia a faixa presidencial de um dos maiores falastrões da contemporaneidade, eu recebia, gostosamente, uma boa porção de isca de peixe. Enquanto ela falava no Congresso, eu tergiversava com amigos sobre a bravura das ondas de uma das praias do litoral norte de Florianópolis. Enquanto ela era ovacionada pela população que soltava perdigotos ao gritar “Dil-má, Dil-má” e “Lu-lá, Lu-lá”, eu me submetia aos perdigotos salgados vindos do Atlântico.

Mas eis que recebo uma ligação em meu celular. “Você está vendo a posse da Dilma?”, perguntou-me um amigo. Alcoviteiro, ele me deixou a par do que a presidente disse sobre os companheiros de militância terrorista que “tombaram pelo caminho” e que não estavam lá para celebrar a ocasião que naquele momento coroava os desígnios dos valentes: a democracia levando uma mulher à Presidência da República. “Ele está me ligando para tirar uma com a minha cara, e num tom todo peculiar que particularmente odeio, desses utilizados por aquelas senhoras desocupadas que telefonam a outras desocupadas no meio tarde: ‘ai, menina, você viu a Sonia Abrão hoje?’”, pensei comigo.

Fiz mau juízo. Não é que Dilma resolveu mesmo recorrer à vigarice intelectual de atribuir à sua causa passada uma glória nada coerente aos objetivos almejados pela turminha do VAR-Palmares? Justamente no dia em que mais estava sob os holofotes, flertou com uma mentira histórica. Se a presidente lamenta que seus amigos terroristas (quem milita em uma organização terrorista, independentemente de pegar em armas ou não, é o que?) “tombaram pelo caminho”, poderia ter-se solidarizado com as famílias daqueles que foram mortos justamente pelos, digamos, companheiros dos companheiros que tombaram pelo caminho. Apenas para registro, menciono alguns deles:

– 26/06/68-  Mário Kozel Filho – Soldado do Exército – SP
– 27/06/68 – Noel de Oliveira Ramos – civil – RJ
– 12/10/68 – Charles Rodney Chandler – Cap. do Exército dos Estados Unidos – SP
– 07/11/68 – Estanislau Ignácio Correia – Civil – SP
– 09/05/69 – Orlando Pinto da Silva – Guarda Civil – SP
– 10/11/70 – Garibaldo de Queiroz – Soldado PM – SP
– 10/12/70 – Hélio de Carvalho Araújo – Agente da Polícia Federal – RJ
– 27/09/72 – Sílvio Nunes Alves – Bancário – RJ
– 11/07/69 – Cidelino Palmeiras do Nascimento – Motorista de táxi – RJ
– 24/07/69 – Aparecido dos Santos Oliveira – Soldado PM – SP
– 22/10/71 – José do Amaral – Sub-oficial da reserva da Marinha – RJ
– 05/02/72 – David A. Cuthberg – Marinheiro inglês – Rio de Janeiro
– 29/01/69 –  José Antunes Ferreira – guarda civil-BH/MG
– 01/07/68 – Edward Ernest Tito Otto Maximilian Von Westernhagen – major do Exército Alemão – RJ
– 25/10/68 – Wenceslau Ramalho Leite – civil – RJ

A lista é imensa. Há muitos outros nomes. Em oportunidades futuras, publicarei outras vítimas feitas pelos “companheiros que tombaram pelo caminho”. Ou, pra ficar mais sutil, dos companheiros dos “companheiros que tombaram pelo caminho”. Afinal, a gente sabe, né, eles nunca pegaram em armas!!!

E AS VÍTIMAS DOS “COMPANHEIROS QUE TOMBARAM PELO CAMINHO”?

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