DESENCONTRANDO O INDIVÍDUO

Está em gestação na Câmara dos Deputados – nas comissões de Educação e de Direitos Humanos – um projeto que confere ao Estado o direito de se intrometer na cultura familiar e no livre-arbítrio que os pais têm de passar valores a seus filhos. A patacoada da vez um kit anti-homofobia a ser distribuídos a 43 milhões de alunos do Ensino Médio da rede pública em todo o País. Assistam atentamente ao vídeo abaixo, intitulado “Encontrando Bianca”. Ele faz parte de uma coletânea de cinco “atrações”, todas produzidas pelo Ministério da Educação em parceria com diversas entidades gays.

É assim que o Estado quer “educar” os alunos. Exibe-se a crianças ainda em idade escolar um Ricardo que decidiu virar Bianca e que acha um absurdo ELE não poder usar o banheiro d’ELAS. Imaginem se o embuste pega! Todos os travestis passarão a requerer direitos garantidos somente às mulheres. Não ceder lugar a “elas’ no transporte público poderá ser considerado falta de cavalheirismo.

No final do ano passado, realizou-se na Câmara um seminário para discutir as diretrizes do projeto. A deputada petista Fátima Bezerra estava impossível como ela só. Para justificar a adoção do vídeo nas escolas como material didático (!!!), chega a, pasmem!, usar o resultado eleitoral. Disse a nobre deputada: “Inclusive quando destacava aqui a questão da disputa político-eleitoral recente que nós vivenciamos no Brasil, disputa político-eleitoral essa sem dúvida alguma muito importante, muito decisiva para os destinos do nosso País. (…) Houve determinados momentos da disputa em que eu fiquei muito assustada. Assustada, angustiada, apreensiva, porque de fato nós presenciamos e inclusive enfrentamos o debate de temas que vieram à tona na agenda político-eleitoral, agora, recentemente, no nosso País, e vieram à tona de forma muito violenta. O debate que se instalou trouxe à tona as questões de natureza religiosa, a questão da homofobia, a própria questão de gênero, a questão de raça; enfim, tudo isso veio à tona de forma muito violenta, de forma muito virulenta, e na verdade revelou-nos um sentimento predominante em determinados setores da sociedade brasileira. É claro que esse sentimento não foi majoritário; muito pelo contrário, esse sentimento foi derrotado nas urnas”.

É uma completa esculhambação! Notem a artimanha enrustida na palra: 1- setores da igreja manifestaram seu apoio à candidatura de José Serra pelo o fato de o tucano nunca ter tergiversado sobre o aborto e o casamento civil homossexual; 2- Dilma Rousseff, que aderiu à conveniência de mudar de discurso no auge do certame, viu-se compelida a refazer suas convicções para atrair o voto dos religiosos. Essa mudança efelcística imposta pelo estratagema, seria, então, o resultado de um conservadorismo raivoso; 3- como Serra, o candidato que atraiu a maioria dos votos daqueles que dão importância a temas como aborto e homossexualismo foi derrotado, o corolário (deles) não poderia ser outro: agora, estão livres para se intrometer na conduta dos alunos em tudo que seja inerente ao aborto e ao homossexualismo.

O debate sobre cidadania deve ser promovido? Claro. Sempre. Mas há meios e meios de fazê-lo. Se o que se quer evitar é homofobia nas escolas, que se mostre as conseqüências penais que o crime implica. Promover a aceitação do outro na diferença é algo que compete à moral passada aos filhos no seio da família, e não em vídeos escandalosos que deturpam conceitos ainda em formação de quem está em idade escolar. Se eu ensino a meu filho que não é adequado a meninos usarem esmalte, não é o Estado que dirá o contrário. Se educo meu filho a fazer sua necessidades fisiológicas somente no banheiro masculino, não cabe ao Estado dizer-lhe que uma visitinha ao toilet feminino é razoável. Se visto meu filho com roupas desenhadas para homem, não é o Estado que o convencerá a usar saias.

O Estado que quer ensinar diversidade aos alunos é o mesmo que não tem competência para ensina-los a destrinchar os objetos diretos de “Os Lusíadas”. O Estado que quer educar as crianças sobre homossexualidade é o mesmo que não consegue ensinar os verbos modais da língua inglesa. O Estado que quer doutrinar sobre condutas sexuais é o mesmo que não tem aptidão para ensinar o que são ligações iônicas, o que são os vetores, como usar a fórmula de Baskara, o que são mitocôndrias, a diferença entre angiospermas e gimnospermas, o que foi o Iluminismo…

NADA DE  CONTAGIOSO
Não, não acho que o vídeo seja um estímulo à prática homossexual. Não estou entre aqueles neuróticos defensores da tese de que o homossexualismo pode ser incentivado e é contagioso. Ser gay não é opção, é orientação. Já contei aqui como se comportava um garoto de minha sala de aula nas primeiras séries da escola. Ele adorava acariciar as madeixas da professora. Achava lindo de morrer encher seu caderno de garranchos rosas. Tinha um requebrado todo particular no andar e uma delicadeza bruta na forma de dizer “ai” todas as vezes que a professora lhe chamava a atenção. Pergunto: uma criança na faixa etária de 7 e 8 anos tem o poder de optar por ser gay? Uma criança que ainda crê na lenda da cegonha tem discernimento para trilhar sua vida sexual? Claro que não. É pilantra intelectual quem chama homossexualismo de um mal a ser combatido. Não se combate o que é natural de cada um.

Alguns podem perguntar: mas, partindo de suas premissas, qual o mal, então, de mostrar às crianças um menino virando travesti? O mal está no agente que mostra: o Estado. Vou além: toda essa movimentação não passa de joguete político, fruto da ação de movimentos sociais que se auto-outorgam representantes de quem muitas vezes sequer lhes dão bola. 100% da platéia que assistiu ao seminário sobre o projeto era engajada na causa. A gente sabe como esses movimentos funcionam: vivem a procurar minorias para representar e, em nome delas, requerem alguns milhões de reais. A Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais já conseguiu R$ 3 milhões, graças a uma emenda da deputada Fátima Bezerra. Os recursos serão destinados para a criação da Escola sem Homofobia, seja lá o que isso queira dizer. Além disso, o movimento também conseguiu mais R$ 11 milhões, cujo destino ainda é insabível.

MISTIFICAÇÃO
”Azigreja”, como sempre, levam pau nessa toada. Em nome do Estado laico, acham-se no direito de interferir como bem lhes aprouver na herança cultural e comportamental que as crianças têm dentro de casa. O Estado é laico, mas não é ateu. Se um pai ensina a seu filho que o casamento ideal é do homem com a mulher, não cabe a escola conspurcar essa visão. Já se um pai ensina ao filho que ser gay é bom, não cabe à escola e nem a mais ninguém dizer o contrário. Ter religião é um direito tão garantido como não ter nenhuma.

Eu, pessoalmente, coloco-me acima dos dois lados. Não tomo partido nem dos gays e nem dos religiosos. Minha religião é a religião do indivíduo, do homem como senhor soberano de si mesmo, o qual não se submete a nada que se sobreponha à consciência. Nunca dei bola pra esses sistemas de classificação que vivem como nuvens sobre nossas cabeças. Segundo eles, nós sempre temos de pertencer a algum grupo. Ou não existimos.

Estou pouco me lixando se fulano é gay, se cicrano é bissexual e se beltrano é transexual. Não me relaciono com categorias. Importo-me somente com as pessoas, tão-somente as pessoas, sem a pecha que lhes impingem compulsoriamente. Não levanto bandeira dos gays — o homem por trás dessa caracterização me interessa muito mais. Não levanto bandeira dos negros — o indivíduo oculto sob essa signa é-me muito mais importante. Não empunho a causa dos cristãos — eles, livre de crença, entregues à sua própria razão sem a influência de uma metafísica etérea são-me mais agradáveis.

O Estado, ao querer explicar cidadania valorizando categorias – respeite o gay, o negro, o aidético, etc –, só contribui para a degradação inescapável do ser humano. Falta é promover o indivíduo. Falta é despertar a consciência de que o homem deve ser respeitado porque é homem, e não porque integra minorias.

Não estou do lado da igreja.
Não estou do lado dos gays.
Estou do lado do ser humano como indivíduo, livre de qualquer tipo de taxonomia.

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