PORRE

Ai, que preguiça. Falar mal do Carnaval é quase tão insuportável quanto o próprio Carnaval. Fico cá com meus zíperes a matutar sobre o que leva a essa gente do balacobaco tanta empolgação. Nunca nada muda! É sempre o mesmo ziriguidum, o mesmo bundalelê. Comentarias das transmissões insistem em nos fazer acreditar que os enredos são composições artísticas cuja poesia revela nossa subantropologia. E dá-lhe aquela bateria toda! Tum-ba-ba-ba-tim-bum e paniticambá – em compassos quartenários, evidentemente. Os cantores, sempre seu gingado similar ao balançar de um pêndulo, provocam espasmos em suas laringes afim de produzir o costumeiro timbre barítono – risos! – berrado. E como suam, meu Deus; como suam!

Como se não bastasse o Carnaval ele-mesmo, a cobertura da festança nos brinda com a exposição da metafísica carnavalesca. O objetivo é claro: despertar em nós o frêmito de sair por aí rodopiando ao som das batucadas e a sacolejar o traseiro para lá e para cá. Vocês sabem: nossas raízes, nossa brasilidade, nossa gente… Sempre dão um jeitinho de colar santo disso e santo daquilo em algum momento da festa. E claro, a mãe maior também não pode ficar de fora – assim como o comando “tira o pé do chão” (assim, ignorando a forma correta de um verbo no imperativo).

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