FERNANDO MEIRELLES, WAGNER MOURA, GISELE BÜNDCHEN E MARCOS PALMEIRA, CALEM A BOCA!

Poucas coisas no País foram vítimas de tanta desfaçatez e vigarice quanto as análises que têm sido emitidas sobre o novo Código Florestal. Não, não tenho uma vírgula de afinidade ideológica com o autor do relatório, deputado comunista Aldo Rebelo, mas nem por isso deixo de reconhecer a razoabilidade de seu trabalho. E quando divirjo, bem, costumo coser meus contrapontos à sombra da verdade.

Na revista Isto É desta semana o cineasta Fernando Meirelles fala sobre o movimento Floresta Faz a Diferença, capitaneado por ele juntamente com atores, modelos e famosidades em geral. O objetivo: pressionar os senadores para que votem contra o novo Código Florestal. Disse ele: “Tivemos a ideia de pedir para alguns amigos gravarem um depoimento de casa, em vez de deslocar uma equipe. Deu certo! A adesão foi praticamente na hora. Fizemos uma campanha grande e com nomes como Rodrigo Santoro e Gisele Bündchen de uma forma sustentável. Enquanto a CNA (Confederação Nacional da Agricultura) gastou R$ 15 milhões para a campanha “Eu sou agro”, gastamos apenas R$ 400 em um café da manhã de lançamento”.

É MENTIRA QUE A CNA GASTOU R$ 15 MILHÕES COM A CAMPANHA “EU SOU AGRO”. As entidades e empresas que integram o movimento são a Andef, Aprosoja, Bracelpa, Bunge, Cargill, Vale, Abrapa, OCB e Única. A CNA NÃO FAZ PARTE DO ‘EU SOU AGRO”. Meirelles deveria se informar antes de dizer bobagens.  Sim, Meirelles é livre para confabular contra o código com quem ele quiser, assim como entidades e empresas podem se associar para apoiar a causa que lhes dêem na telha. O que não pode é Meirelles mentir para fazer valer sua opinião.

Segue abaixo o vídeo que ele gravou para a campanha. Em seguida, transcrevo alguns trechos.

Acho muita bonita a preocupação altruísta de alguns setores do agronegócio ou de alguns congressistas quando eles defendem a mudança no Código Florestal com o argumento de que o Brasil precisa de mais áreas de agricultura para combater a fome no mundo.
Novamente Meirelles mente e deturpa a verdade para consagrar tão-somente seu ponto de vista. As mudanças propostas por Aldo Rebelo nada têm a ver com aumento da produção de comida. O negócio é corrigir a anomalia do código vigente, um esqueleto jurídico de 76 anos que nunca de fato foi cumprido. A primeira versão desse código foi concebida em 1934 e sua validade se estendeu até 1965. Depois, foi prorrogada novamente até 1996, quando uma MP (sempre elas, hehe) deu-lhe mais algum tempo de fôlego. Qual o busílis, então? Simples: a produção agropecuária evoluiu nos últimos anos, mas o Código Florestal não acompanhou essa evolução. Levando à risca o tempo em que produtores e ambientalistas polarizam a questão sem chegar a um senso comum, tem-se mais de um século de adiamento do problema. Se a atual legislação for levada a cabo, parte importante do que se produz hoje no Brasil iria para a bacia das almas. Voltarei a esse ponto da produção de comida mais adiante para desmascarar outro mentiroso. O novo código, portanto, não quer aumentar a produção agrícola, mas dar uma solução definitiva a um adágio de muitos anos. Adiante.

Eu acho que essa questão do Código Florestal é uma questão científica e quem deveria dar a última palavra é a Ciência, e não os setores interessados.
A Ciência deveria dar a última palavra uma ova, meu senhor. Olha como o rapaz é democrático: num amplo debate sobre uma legislação que impactará a vida de muitos (principalmente a de pequenos agricultores, e não dos latifundiários, ao contrário do que se tem falado por aí) ele acha razoável que sejam excluídos da conversa os interessados na trama. Não, Meirelles, você vive num Estado Democrático de Direito em que todos têm direito à voz. Se isso é bom ou ruim, é outra coisa; mas não se pode mudar as regras do jogo só porque o senhor assim quer. Aldo Rebelo fez um verdadeiro périplo pelo País discutindo ponto a ponto do novo código, debatendo, inclusive, com cientistas da Academia Brasileira de Ciências e da Sociedade Brasileira pelo Progresso da Ciência.  NA DEMOCRACIA, A CIÊNCIA TAMBÉM É OUVIDA; NÃO DÁ A ÚLTIMA SENTENÇA.

O ator gugu-dadá Wagner Moura também resolveu dar seus pitacos sobre o código. Segue vídeo.

Senadores, dentre as diversas barbaridades contidas na revisão do Código Florestal, uma me chamou muito a atenção. A palavra anistia, que, em sua origem, é uma palavra muito bonita, no Brasil ela adquiriu um significado nesfasto. Eu não entendo anistia para quem torturou e matou durante o Regime Militar assim como não entendo anistiar grandes proprietários de terra que passaram anos desobedecendo a lei, avançando sobre reservas florestais protegidas pelo governo.
É assim que a banda toca: o camarada faz sucesso no cinema, amealha fãs em todo o Brasil e, com esse ativo profissional, resolve usar o prestígio conseguido numa área de atuação para eclipsar a verdade em assunto sobre o qual não tem nenhum domínio. Wagner Moura não leu o Novo Código Florestal. Deveria fazê-lo. É MENTIRA QUE O NOVO CONJUNTO DE REGRAS ANISTIE QUEM DESMATOU. Está claro nos artigos 33, 34 e 35 do código que a regularização só se dará mediante adequações. Mais: só não serão multados se fizerem as compensações ambientais exigidas. SE O PROPRIETÁRIO DE TERRA, PARA SE MANTER LEGALIZADO, PRECISA COMPENSAR AMBIENTALMENTE SEU ENTORNO, NÃO HÁ ANISTIA! Anistia é perdão, é não-punição, e isso não está previsto no relatório de Aldo Rebelo. Custa ler o código? Custa folhear míseras 36 páginas antes de emitir juízo? Chega a ser constrangedor ver figurões como Moura praticando genuflexão irrefletida frente à torrente de sandices em cadência! Tudo isso pra quê? O que ele ganha com tantas iludições? Ah, claro, todos nós queremos que as palmeiras, o macaco-prego e os minhocuçus sejam preservados, mas recorrer à fraude para legitimar essa convicção já é demais.

Gisele Bündchen também mentiu. Claro que ela, semelhante aos demais, ignorou o texto de Aldo Rebelo e só falou o que lhe mandaram. Dá pra perceber os titubeios típicos de fala decorada em sua voz. Às barbaridades.

O projeto diminui em até 50% o tamanho das matas ciliares além de ignorar completamente todas as áreas que foram desmatadas de forma criminosa.
Quem vê a moça falando até pensa que ela se informou bem sobre o assunto. Mas que… Vá estudar o texto, guria! Ela diz isso porque em virtude de o código prever a redução de 30 metros para 15 metros as áreas de manutenção de matas ciliares no entorno dos rios com até cinco metros de largura. “Diminuiu metade, logo perdemos 50% de preservação”, deve ter concluído a moça. O gênio e jornalista norte-americano H.L. Mencken não perdoaria Bündchen e a chamaria de boa idealista. Escreveu ele certa vez: o idealista percebe que uma rosa é mais cheirosa que um repolho e logo conclui que também é mais nutritiva. Na mosca! Se o texto prevê que áreas hoje desmatadas sejam recuperadas, a lógica de que a diminuição de áreas de preservação das matas ciliares implica, por conseguinte, mais desmatação é falsa. Exemplo: se Gisele tem em seu freezer 100 Chicabons mas sonha em ter 300, entretanto, só cabem mais 30, ela não perde 170 Chicabons, mas ganha 30. Ficou claro? Ao contrário do que diz Gisele, o novo código AUMENTA  as áreas de floresta, e não diminui. Basta ler o texto, santo Deus!

Agora vem a cerejinha do bolo: Marcos Palmeira. Segue.

Gente, eu não entendo! Se já existe um Código Florestal, por que é que a gente tem que votar um novo código florestal?
Claro, Marcos Palmeira, claro. Vamos pensar bem: se o Brasil já tinha uma lei do inquilinato, por que se votou outra? Se já tínhamos a lei do estágio, por que fizemos outra? Se já havia a lei do divórcio, por que colocamos outra em vigor? Se outrora já existia lei de prisões, por que cargas d’água votamos uma nova? Não sei se sinto pena de sua ignorância ou raiva de sua pernosticidade. O rapaz não entende o que são leis.

Não basta colocar em prática o código que já existe?  Quando você tem dez ex-ministros do Meio Ambiente defendendo o antigo Código Florestal é porque alguma coisa tem de importante nisso.
O engraçado é que nenhum desses dez ex-ministros conseguiu fazer o antigo código vigorar como deveria, nem Marina Silva, o ícone dos ambientalistas que, não contentes em criar minhoca na terra, também criam na cabeça. E ainda bem que não conseguiram. Se o fizessem, hoje o Brasil não teria a comida mais barata do mundo. Mas tratarei disso mais detalhadamente em um outro post.

Mas como dez ex-ministros não são ouvidos, né, em prol de uma “pseudo-agricultura”, “pseudo-alimentação brasileira”, tem alguma coisa de estranha nisso tudo.
Palmeira chama de “pseudo-alimentação” brasileira o que? A comida mais barata do mundo?  Ah, esses ruralistas, não é mesmo? Graças a eles muitos pobres têm um prato de arroz e feijão na mesa diariamente. E essa tal de “pseudo-agricultura”? Estaria ele se referindo ao superávit da balança comercial brasileira gerado por esses malditos agricultores?  Será que Palmeira, antes de dizer tamanha barbaridade, dedicou um naco de seu tempo a analisar que o agronegócio responde praticamente sozinho pelas reservas cambiais do Brasil, as quais vêm do acúmulo de dólares nas relações de troca com outros países? Saberia ele que essa “pseudo-agricultura” é agente importantíssimo quando se fala da estabilidade da nossa economia? Se nossa alimentação e agricultura, para ele, são pseudos, quais seriam, então, as efetivas?

Claro: Meirelles, Moura, Bündchen e Palmeira são livres para manifestar suas opiniões, mas não livres para mentir, usar de seus prestígios na área artística para solapar a verdade em outro campo. Isso é canalhice, e das mais porcas. Nesse caso, é bom que calem a boca.

FERNANDO MEIRELLES, WAGNER MOURA, GISELE BÜNDCHEN E MARCOS PALMEIRA, CALEM A BOCA!

13 pensamentos sobre “FERNANDO MEIRELLES, WAGNER MOURA, GISELE BÜNDCHEN E MARCOS PALMEIRA, CALEM A BOCA!

  1. Leticia Ayres Montebelo diz:

    PARABÉNS!!!!!
    Cada um na sua praia né….
    Não vou interferir na moda, no meio artistico, etc….
    Assuntos que não são de meu conhecimento… E o que essas celebridades fazem é exatamente isso, usar a mídia para se promover e falar mentiras…..
    A própria Gisele já desfilou com peles e mais peles de animais e agora vem com essa???? Vai desfilar….
    Por sinal, dá pra ver um monte de madeira usada na casa dela, no fundo da imagem… Assim como deve ser na casa das outras celebridades…..
    É preciso mesmo falar pra eles: CALEM A BOCA E POUPEM NOSSOS OUVIDOS DE TANTA BOBAGEM!!!

  2. Verde diz:

    É por isso que o país não avança. gente que defende abertamente mais devastação florestal só pra encher o bolso de latifundiários. vamos ver onde isso vai dar.

  3. JULIANO LIMA diz:

    BOA!
    EU TAMBÉM JÁ ESTOU DE SACO CHEIO DESSA GENTE VERDE QUE IGNORA QUALQUER CÓDIGO DE BOM SENSO E MENTE DE FORMA VERGONHOSA. PIOR É SABER QUE HÁ QUEM ACREDITE NAS BAVOSEIRAS DESSA GENTE

  4. A FAVOR DO CÓDIGO diz:

    SÓ NO BRASIL AS PESSOAS ACHAM QUE CELEBRIDADES E ARTISTAS ENTENDEM DE QUALQUER COISA, SENDO ASSIM QUE TAL PEGAR O MARCOS PALMEIRA PRA CONSTRUIR UM PRÉDIO ?? OU O CAETANO VELOSO PARA CUIDAR DAS SUAS AÇÕES NA BOLSA ?? RECENTEMENTE NA SUÉCIA UMA INDUSTRIA DE MODA TEVE GRANDE PREJUÍZO AO APOSTAR NA ATRIZ/CELEBRIDADE PENÉLOPE CRUZ E NA IRMÃ DELA, MOTIVO NINGUÉM DEU BOLA E MUITOS NEM SABIAM QUEM ERA A MOÇA, LÁ NÃO EXISTE O CULTO A CELEBRIDADE. EM PAÍS ONDE O NÍVEL DE DESENVOLVIMENTO É MUITO ALTO A COISA É DIFERENTE

  5. A SBPC e a ABC são contra o substitutivo do Deputado Aldo
    Rebelo?
    Por se tratar de abrangente e incisivo interesse nacional, todos devem colaborar para o aprimoramento do Código Florestal. Porém, sob a ótica da SBPC e da ABC, qualquer proposta de alteração dessa lei deve incorporar o que há de mais útil e efetivo na ciência. Em 1934, e depois, em 1965, a ciência
    contribuiu de forma incisiva. Assim, em 2011, torna-se muito difícil justificar alterações tão significativas sem o aporte da ciência. Segundo a análise feita pelo Grupo de Trabalho da SBPC e ABC, muitos dos problemas e inconsistências detectados no Código Florestal permanecem inalterados no substitutivo do Deputado Aldo Rebelo.
    A comunidade científica se omitiu em relação à discussão atual do
    Código Florestal?
    A pesquisa científica e tecnológica feita no Brasil é financiada essencialmente por recursos públicos. Portanto, a colaboração da ciência com os interesses da sociedade deve ser, e é, um imperativo ético. A história tem registrado que a SBCP e a ABC nunca se omitiram das questões relacionadas com a ciência.
    Entretanto, na gestação das atuais alterações propostas para o Código Florestal, nem SBPC nem ABC, tampouco outras organizações civis representativas da comunidade científica, foram convidadas para a mesa de discussões ou, o que teria sido melhor, foram instadas a fazer aportes científicos qualificados. Tentar entrar sem convite num debate essencialmente político e com fortes conotações ideológicas, poderia ter sido interpretado como expressão de mais um grupo de interesse, comprometendo nisso a isenção e objetividade que convém a uma contribuição da ciência para a política pública.
    Ciência e tecnologia não são uma panaceia para a solução de todos os problemas do país, mas certamente oferecem grande potencial para suportar a busca lógica de soluções inovadoras, inteligentes e apropriadas. Precisamente para não se omitirem, a SBPC e a ABC tomaram a iniciativa conjunta de fazer um aporte científico qualificado e independente.
    http://www.sbpcnet.org.br/site/arquivos/perguntas_e_respostas.pdf

  6. Elder vinícius diz:

    Duas coisas muito ridículas: artistas que se acham intelectuais. 2- gente que dá bola a artistas que ouvem intelectuais.
    Parabéns pela análise.

  7. Rita diz:

    Por que esses artistas não vão se dizer contra abandalheira que assola este país?: Durante a campanha eleitoral do ano passado um monte deles foi ao teatro municpal do RJ comungar com as metiras do Lula e de Dilma. Ouviram cada barbaridade e ficaram quietos. Agora querem mais essa.

  8. Laura Nacarato diz:

    Anistia é um termo não só usado pela mídia, mas por muitos políticos nesse caso.
    Segundo, se o proprietário fizer compensações ambientais, haverá sim a anistia da multa…

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