O IDEÁRIO DE LULA, UM MAL A SER COMBATIDO

Dia após dia, sem fatigamento, as empulhações de Lula precisam ser combatidas.   Elas fazem mal ao País, molestam as instituições, menosprezam o Estado Democrático de Direito e subjugam todos nós. Esse senhor causa-me asco. Sim, queridos, asco! Se me perguntarem “você gosta do Lula?”. Não, não gosto – será minha resposta. “Você admira Lula?”. Não, não admiro. Digo e repito tudo isso quantas vezes se fizerem necessárias. Sei que em tempos em que o “povo” – sim, o povo no sentido abstrato, aquele cuja definição de Freud foi ao ponto: quando o heterogêneo submerge no homogêneo – está (uso verbo temporário, e não o definitivo “ser”; ainda há esperanças) sequestrado psiquicamente pelas deturpações do oficialismo do progresso, ir contra a corrente pode parecer temerário. E daí? Se o fenômeno Lula foi competente suficiente nas articulações dos embustes e logrou êxito ao construir seus discursos, a mim não convenceu. “Ah, mas de você não aprovar o governo dele a não gostar da pessoa de Lula há uma abissal diferença”, podem emendar alguns. Sim, há. Mas sobre esse abismo que separa a pessoa do político construí uma ponte, fazendo um liame umbilical entre ambas as personalidades.

Notem: não gostar de Lula – do político e da pessoa – é um direito que tenho. É-me garantida essa prerrogativa à semelhança que é garantida a qualquer um a de não gostar de chuchu. Eu, você, ele, nós, vós, eles, enfim, todos têm a regalia de não ir com a cara de alguém, o que não significa que, por conseguinte, é assegurado o direito de desrespeitar e incitar violência contra quem não nos agrada. Essa historinha bonitinha da obrigação de amar uns aos outros soa-nos humana, eu sei. Como sempre, nós, diz a metafísica influente, devemos primar pelas emanações do coração e relegar um pouco a racionalidade. Isso dá um bom debate. Sim, a pregação do amor e da caridade foi um pilar fundamental, concebido pelo cristianismo, na construção do homem moderno e das sociedades democráticas, não nego. Conquanto eu aceite isso, tenho seriíssimas divergências aos desencadeamentos dessa narrativa, que, hoje, pode ser resumida a conclusão de que temos de amar o próximo. Fazer caridade é obrigação. Preocupar-se com as criancinhas famintas na África virou imperativo. Urge a todos compadecer dos pobres e carentes. Particularmente, penso que amor é algo importante e caro demais para sair por aí o distribuindo inadvertidamente. O ser humano precisa merecer ser amado, pois quando se ama a todos sem critérios, não se ama ninguém. A obrigação que o ser humano deve ter para com o próximo é o respeito, a cordialidade; amor, não. De Ayn Rand e Aristóteles a Paulo, o apóstolo, e Jesus Cristo, poderíamos escrever páginas e mais páginas sobre o assunto. As divergências que surgiriam ao longo do caminho, sem dúvida, locupletariam nossos conhecimentos; mas não há tempo e nem espaço para tal. Em frente.

Acho que nunca fui tão claro neste espaço com relação ao que sinto por Lula quanto nas linhas que antecederam este parágrafo. A partir de agora, portanto, vocês já sabem quem opina e de que lado está quem vos escreve. Não, não podem me chamar de imparcial. Posto o que penso, coloco-me na situação de honestidade para com meus leitores. Quem entra aqui sabe que jamais encontrará conteúdo flertando com o totalitarismo, com embustes que usam a democracia em nome de causa cujo fim é justamente o solapamento da… democracia. Para mim, os fins não justificam os meios; os qualificam. Neste blog vocês não encontrarão mensagem de satanização do outro, visando aniquila-lo por causa de suas ideias. Posso combater as ideias, as filosofias, as correntes de pensamento; jamais o ser que as carrega.  Escolher qual bandeira levantar e em nome de quais causas lutar é uma livre faculdade de todos. Se Lula, sujeito livre que é, hasteia sem nenhum pudor o estandarte daquilo que entendo ser prejudicial à sociedade democrática e às instituições que a mantém, eu, livre também, rogo o meu direito de combater seu ideário. Ele que fale as besteiras que quiser, mas prepare-se para ser confrontado por quem não pratica genuflexão irrefletida.

Lula deve se retratar em público. Mentiu nas eleições de 2010 para todo o povo brasileiro, quando afirmou que ensinaria como deve se comportar um ex-presidente da República. Os mais cândidos puseram fé na promessa, chegando a ver um Lula mais sóbrio e comedido da vida pública. Pura marmota! Sua latente vocação para o mandonismo não permitiu que se ausentasse da política. Ficou meses sem circular nos bastidores do poder por força do câncer. Recuperado ainda que parcialmente, voltou à vida pública. Urdido para uma guerra, Lula foi a campo a fim de, como também prometera quando ainda presidente do país, provar que o mensalão é uma farsa, coisa da imprensa inimiga, vocês sabem, e da oposição raivosa. Conforme revelado há duas semanas, o ápice de seu devaneio se deu em Brasília, no dia 26 de abril, quando esteve com o ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes em companhia do ex-ministro da Defesa e também do STF Nelson Jobim. Na ocasião, rompendo com todos os contratos do bom funcionamento das instituições, Lula comentou com Mendes, um dos juízes que atuará no caso do mensalão, que não seria muito bom o Supremo julgar o processo agora, em pleno curso das eleições municipais. Afinal de contas, imaginem se os integrantes petistas da quadrilha (segundo a Procuradoria-Geral da República) saem da sessão diretamente para a Papuda? Não pegaria bem para a imagem do PT.  Só por isso, o escárnio já é completo. Um ex-presidente da República intercedendo por réus com um de seus julgadores. Porém, com a negativa de Mendes em contribuir para a prorrogação do julgamento, alvorou-se aquele Lula sem caráter, que não suporta ser contrariado – e isso não é de hoje, hein; vem desde os tempos do sindicalismo do ABC. Em tom de intimidação, inquiriu Mendes sobre uma viagem que fez à Alemanha em companhia de Demóstenes Torres, o falso paladino da ética cuja relação com o trambiqueiro Carlinhos Cachoeira extrapolou o limite do aceitável. Eis a ilação: Gilmar Mendes teria viajado a expensas de Cachoeira.   Confrontado com a negativa de Mendes, Lula, então, teria dado a entender que o controle da CPI do Cachoeira é dele. Para um bom entendedor, meia lulada basta. A síntese: ou Gilmar dava aquela mãozinha a Lula na questão do julgamento do mensalão ou o ministro poderia ser arrolado na CPI.

Recentemente, nos Estados Unidos, Barack Obama fez um discurso no qual manifestou sua certeza de que a suprema corte daquele país, tal qual o congresso nacional, aprovaria a nova lei que regula os planos de saúde. A reação ao que disse foi imediata. Um ministro pediu que Obama se explicasse formalmente, pois sua fala teria aviltado a autonomia dos juízes. Está sendo um bafafá danado. Aqui no Brasil a coisa é diferente. Um ministro do Supremo é chantageado e, pasmem, há quem atire a pedra no chantageado.  Se um ministro do Supremo se vê diante de tal intimidação, imaginem o que não pode ocorrer nas instâncias menores. Adiante.

Esse Lula que tenta achacar um ministro do Supremo em prol de uma quadrilha (segundo a PGR) não condiz com o sagrado território da democracia: é profano a ele. Mas como Lula chegou a esse ponto? Simples: porque todas suas mesquinharias foram travestidas de força popular, porque encontrou respaldo em setores da sociedade para encarnar o Bem num país hipoteticamente maniqueísta, sendo um anátema quem se opusesse a quaisquer visões de mundo tecidas no mundo lulo-petista; porque sequestrou a máquina pública em detrimento das instituições e em favor do partido, porque socorreu-se – e ainda o faz – nas licenças que lhe foram concedidas pelo “povo”, essa multidão cegada pelo discurso populista da “nova era” brasileira, toda construída sobre a farsa do “nunca antes na história deste país”; porque roubou o Brasil dos brasileiros, porque falsificou o passado a fim de amealhar láureos no presente e garantir o futuro no qual os interesses mais escusos encontrarão abrigo sob as asas do oficialismo mais vagabundo. Um homem com esse currículo, vejam que coisa, é tido pela massa como o que mais fez pelo Brasil até hoje. Isso nada mais é que um desencadeamento de uma sociedade privatizada pelo partido que, hoje, tem o monopólio da praça, se é que me entendem.

Lula e o PT aparelharam movimentos sociais, o que lhes garantiu força e capitulação de hostes da sociedade. Alguns exemplos emblemáticos: o MST nunca foi tão privilegiado com dinheiro público como agora. Não, os recursos não são para fazer a reforma agrária, mas sim para irrigar o aparelho político. Fernando Haddad, candidato à Prefeitura de São Paulo, e Lula também estenderam os gracejos financeiros à UNE, que em seu 52º Congresso, em 13 de julho do ano passado, fez um protesto EM FAVOR do governo. Claro, com a generosa quantia de R$ 50 milhões transferidos do cofre da União à entidade, quem não se comove, não é mesmo? Deve ter sido por isso que esses patriotas da UNE, com o dedo em riste, acusaram a imprensa de ser golpista quando da denúncia do mensalão e vieram a público para defender José Dirceu, Delúbio Soares, Marcos Valério e outros. Com dinheiro do governo no bolso, pra que se indignar as mazelas do… governo? A CUT, que no governo FHC sempre foi tão diligente, no governo Lula, foi cooptada pelo poder. O imposto sindical, cobrado dos trabalhadores sem sua anuência ou livre vontade, gera milhões de reais a essas entidades, que são desobrigadas de prestar contas de como usam essa dinheirama toda. Lula teve a faca e o queijo na mão para determinar que as centrais sindicais passassem a submeter esses gastos ao Tribunal de Contas de União. Os trabalhadores agradeceriam transparência no uso do seu dinheiro. Mas o então presidente vetou o expediente legal que viabilizaria essa vigilância.

Assim, meus caros, Lula, o homem que ganha títulos de honoris causa às pencas, fragilizou o debate, tornou o modus operandi do governo mais ignominioso e, espantosamente, não encontrou resistências. Dada as cessões que lhe foram garantidas, passou a acreditar que o mundo de fantasias dos discursos trampolineiros é, de fato, real. Depois de ter caído nas graças da sociedade, sentiu-se amparado suficientemente para intimidar um ministro do Supremo Tribunal Federal. Também não viu nenhum constrangimento em mandar às favas a lei eleitoral e ir fazer propaganda eleitoral antecipada no Programa do Ratinho em prol de Fernando Haddad. Se em 2010 já o fazia enquanto presidente, ajambrado de toda responsabilidade e decoro que a instituição Presidência da República exige, imaginem agora, livre, leve e solto.

Não, não estou exagerando. Por sinal, as besteiras lulistas precisam ser evidenciadas principalmente porque, recentemente, a Prefeitura de São Paulo cedeu por 20 anos um espaço de 4 mil metros quadrados na região da Luz, centro da cidade, para que ali Lula construa seu Instituto da Democracia. Esse senhor, vênia máxima, não tem estatura moral para batizar com seu nome uma entidade que se venda como zeladora da trajetória democrática do Brasil. Capitaneado por Lula, o PT se recusou a participar da sessão que homologou a Constituição de 1988. Esse mesmo partido expulsou de seus quadros três deputados que compuseram o colégio eleitoral responsável pela eleição de Tancredo Neves. O Plano Real, grande balizador de nossa economia, não teve apoio do PT, assim como as privatizações também foram alvo de ataques contumazes de Lula e seus partidários. O Proer foi vendido por Lula como sendo uma grande maquinação para enriquecer banqueiros falidos. Na boca de seus asseclas, a Lei de Responsabilidade Fiscal era um mal ao País, motivo pelo qual petistas recorreram à Justiça contra ela. No auge do seu exercício democrático, o PT achou válido comprar votos no Congresso Nacional. Na esteira das eleições de 2006 e das patinadas nas pesquisas de intenção de voto, não faltaram dossiês – sim, o dos aloprados – fabricados nos porões do petismo para derrubar adversários políticos. Esse tal Instituto da Democracia quer refletir em Lula sua cartilha? Mesmo? Justo nele, que alçou Franklin Martins à condição de Ministro da Comunicação Social com a missão de costurar o Conselho Federal de Jornalismo, cuja missão nada mais seria a de amordaçar a imprensa? E o que dizer, então, do apoio dado a ditaduras como a da Venezuela, Cuba e Irã? Lula, no dedaço e indo de encontro a tudo o que os primórdios do PT pregavam como sendo a democracia interna do partido, deu o ducado da candidatura à Prefeitura de São Paulo a Haddad, passando o rolo compressor sobre Marta Suplicy, que viu seu direito de disputar as prévias ser minado. Ainda exercendo sua onipotência inconteste, criou a CPI do Cachoeira, com a finalidade clara de constranger a oposição em ano eleitoral. Esses fatos chegam às nossas narinas com o aroma democrático?

Na mesma entrevista concedida a Carlos Massa, Lula deixou estampada sua verdadeira visão de democracia ao ser perguntado se voltaria a disputar eleição para presidente da República em 2014. Disse o portento, ao admitir que voltaria à corrida eleitoral só em caso de desistência de Dilma Rousseff:  “Se ela não quiser ser candidata, vou ser. Não vou permitir que um tucano volte a ser presidente do Brasil”. Trata-se de uma resposta criminosa, cuja essência, se resumida por Auden, não poderia outra, senão And the crack in the tea-cup opens/ A lane to the land of the dead. Numa metáfora proferida na década de 70, Paulo Francis afirmou que a xícara de chá era representada pela velha ordem britânica e suas elites. A fenda na xícara, ou seja, a ruptura dessa sociedade, abriu caminho para duas guerras. A xícara de chá brasileira é outra: o Estado Democrático de Direito. A terra dos mortos, sua nulidade. Isso tudo tem nome: Lula!

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