PT E LULA, DEMOCRÁTICOS? FAZ-ME RIR!!!

Os petistas foram capazes de transformar tudo aquilo que julgavam danoso ao País em virtudes suas. Sequestraram o Brasil dos brasileiros. Passaram a borracha na história recente e a reescreveram a seu modo. Quem foi FHC? Ah, um Zé-Ninguém. Quem foi Lula? O homem que tirou o Brasil da miséria. Que foi FHC? Ah, aquele que entregou o patrimônio público do País ao capital a preço de banana. Quem foi Lula? Ora, um grande estadista. Quem foi FHC? Ah, foi aquele, do apagão elétrico. Que foi Lula? O da autossuficiência da Petrobras (o que é uma mentira, registre-se). Quem foi FHC? Ah, aquele que praticou genuflexão perante os americanos e retirou seus sapatos no aeroporto, uma humilhação nacional. Quem foi Lula? Ah, aquele que conquistou respeito internacional e não baixou a cabeça pros imperialistas (argh!). Quem foi FHC? Um intelectual esquerdista de meia-tigela que no início de seu governo se rendeu ao conservadorismo do PFL em nome da governabilidade. Quem foi Lula? Ah, foi o grande progressista que se aliou até a José Sarney — tudo tendo em vista o bom andamento do País, claro.

Eis aí a coleção de absurdos cultivada em dez anos de petismo no poder. Claro que isso não se deve somente à habilidade do PT de falsear os fatos e submete-los a torções mil. As oposições, inépcias, também devem ser chamadas à razão. Parece que só agora, depois de uma década, alas do PSDB pretendem fazer um resgate histórico dos feitos de FHC. Às vezes me dá uma saudade danada de Mário Covas…

O PT remodelou a história. Foram muito bem habilidosos nessa sina. Como o projeto de poder dessa gente é eternizar-se na suserania do Brasil, fizeram o que lhes aprouveram para o êxito: desconstruíram com inverdades o discurso dos adversários, às vezes, apelando à truculência. Quem não se lembra do senhor Luís Inácio Lula da Silva apregoando a extinção do DEM em Santa Catarina? Agora, no entanto, há um novo imperativo na praça. Aquilo que Lula disse ser uma farsa, aquilo que o PT sustentou ao longo dos últimos anos não passar de caixa dois de campanha está devidamente provado e nominado: existiu o mensalão, sim, e seu objetivo era dar um golpe na República. Doravante, urge, mais do que nunca, que a máquina de escrever do PT encontre meios para editar mais esse episódio da cena política brasileira. Os meios aos quais se socorrerão para isso já estão, em parte, definidos: cortes internacionais, desestruturar as decisões dos ministros do STF com base em teorias de juristas de outros países, demonizar a imprensa e regulamenta-la, preparar a militância para pressionar imprensa e STF no julgamento do mensalão mineiro, apresentar José Dirceu como mártir, construir um elo entre as sentenças do Supremo e um suposto preconceito das tais elites – como se o primeiro elemento derivasse do segundo. E por aí vai.

Querem saber de uma coisa? Novamente, eles têm tudo para, mais uma vez, sobrepujar as verdades factuais. A nota da executiva nacional do PT é uma declaração de guerra. Todos os componentes, todos os indícios, toda a astúcia do partido para reverter o dano à sua imagem estão ali. Impressionantemente, como sempre, a oposição assiste passível a esse show de horrores, silenciosa, inapta, incapaz de mostrar à sociedade o quão nocivo é às instituições e à própria democracia o processo iniciado pelo PT. Cadê Aécio Neves, o senador promessinha? Cadê Sérgio Guerra? Onde está Roberto Freire? Não se ouve a indignação de Agripino Maia. Por quê? A sempre mui vigilante imprensa, onde está? O perigo da regulamentação dos meios de comunicação é real. O PT, que vive tachando os veículos de “mídia elitista” e “golpista”, recorre a eles para legitimar suas opiniões. A Folha, por exemplo, dá voz a essa turma no seu espaço Tendências e Debates. Até que ponto é saudável um jornal vocalizar aspirações cujos interlocutores querem mais é ferrar a… imprensa?

Por que ninguém vocifera? Os sindicatos estão nadando no dinheiro. Devem eterna gratidão a Lula, que não acabou com esse vergonha que é a contribuição sindical compulsória, garantindo às entidades milhões e milhões de reais anualmente. A UNE, aparelhada pelo PC do B, vez por outra recebe um dinheiro oficial. As ONGs, idem. A quem resta, portanto, jogar luz sobre os fatos e não permitir que sejam obnubilados pela metafísica reinante do PT? A quem ficará o papel de arauto do alerta de que o povo entregou ao PT o direito de governar o País, mas não o de violar o Estado, não o de reescrever o passado à custa do futuro. Quem? Sinceramente, não sei.

Os construtores da democracia

No post abaixo deste, publico um vídeo em que o deputado petista José Guimarães declara que criminalizar o Lula é “criminalizar a democracia brasileira”. Nem nos Estados Unidos, país no qual vigoraram por anos e anos as leis de segregações raciais, um político ousaria dizer que “criminalizar Obama é atentar contra a democracia”. Pouco importa a cor da pele do presidente. Lá, o direito de divergir e o de apontar erros não é submetido a esse tipo de cretinice. Por aqui, se alguém ousar chamar Lula pelo nome que merece (mentiroso, prosélito, ignorante, autoritário) vai para a pira. Fernando Henrique Cardoso, por ser intelectual, pode receber chibatada; Lula, que deliberadamente decidiu não estudar, não. Seria preconceito!

Se o PT reivindica a si o papel de precursor de nossa democracia e exibe como exemplo a biografia do ex-terrorista José Dirceu e do ex-presidente Lula, devemos questionar: até que ponto isso tudo é verdade? Se esse é o meio encontrado por eles para minar o cenário pós-mensalão, então é preciso que sejam colocados alguns pingos nos “is”. Alguns fatos que mencionarei a partir daqui já foram tema de posts deste blog. Os arquivos estão aí. Consultem.

Então o PT e Lula são os pilares de sustentação da democracia brasileira? Convido-os a voltar a 1988, ano em que petistas se recusaram solenemente de participar da sessão que chancelou nossa Constituição.

 Então o PT e Lula são os pilares de sustentação da democracia brasileira? Airton Soares, José Eudes e Bete Mendes são vítimas dessa tal democracia petista. Os três, deputados, à época, foram expulsos do partido só porque participaram do Colégio Eleitoral responsável pela eleição de Tancredo Neves. Mais: Luíza Erundina, apenas por ter aceitado participar do governo Itamar Franco como ministra da Administração, também foi expulsa do PT.

Então o PT e Lula são os pilares de sustentação da democracia brasileira? O que há democrático em desejar a desestabilização econômica do Brasil? Remeto-vos à aprovação do Plano Real, responsável por colocar nossa economia nos trilhos. O PT se mobilizou fortemente para votar CONTRA o projeto. O mesmo ocorreu com o Proer, as privatizações – responsáveis por enxugar a então pesada máquina pública e dar, hoje, uma média de dois telefones celulares na mão de cada brasileiro –, e a Lei de Responsabilidade Fiscal.

Então o PT e Lula são os pilares de sustentação da democracia brasileira? Os oito anos de Lula à frente do País foram marcados pelas fortes e constantes investidas contra os direitos individuais amparados pela Constituição. Sigilos bancário, fiscal e telefônico etc… Tudo foi para o beleléu. Foram vítimas disso o humilde caseiro de Antônio Palocci e nomões da oposição.

Então o PT e Lula são os pilares de sustentação da democracia brasileira? Que raio de democracia é essa que cotidianamente quer aniquilar a liberdade de imprensa? Lula, quando presidente, deu incentivos à realização de inúmeras conferências que tinham por objetivo justamente isso: cassar a liberdade de imprensa. O Conselho Federal de Jornalismo, a tal regulação dos meios de comunicação e dispositivos de censura prévia contidos no Plano Nacional de Direitos Humanos são exemplos disso.

Então o PT e Lula são os pilares de sustentação da democracia brasileira? Foi o governo do PT que se utilizou das estruturas do Estado para confeccionar dossiês contra adversários políticos. Objetivo: arruinar suas candidaturas. O dossiê dos aloprados buscava culpar José Serra de algo que não fez; o da Casa Civil, de desmoralizar Fernando Henrique Cardoso e Ruth Cardoso.

Então o PT e Lula são os pilares de sustentação da democracia brasileira? Amigão de Lula, Ahmadinejad certamente concorda. Sua ditadura sempre recebeu solidariedade de nossa diplomacia. Já os presos políticos de Cuba – que só estão presos porque não podem exprimir o que pensam — talvez discordem. Compara-los a criminosos comuns, tais quais os que estão atrás das grades aqui em São Paulo, como fez Lula, não caiu bem. Outros que talvez também não achem Lula tão democrático assim sejam os boxeadores cubanos que fugiram da ditadura de Cuba ao Brasil. Foram devolvidos aos irmãos Castro pelas mãos de… Lula

Então o PT e Lula são os pilares de sustentação da democracia brasileira? As Farc, que até hoje não foram chamadas por aquilo que merecem pela nossa diplomacia, também podem concordar. A resistência do PT de qualificá-los como terroristas que são é comovente. Por falar em terrorismo: a Itália deve discordar de que Lula seja tão democrata assim. A razão disso: Cesare Battisti.

Então o PT e Lula são os pilares de sustentação da democracia brasileira? Que tal lembrar o que fez nosso grande democrata para financiar a compra da Brasil Telecom pela Oi? Mudou-se a Lei de Telecomunicações ao sabor da conclusão dos negócios. Nota à margem: a Oi é a ex-Telemar, empresa com a qual Lulinha tinha vínculos profundos.

Então o PT e Lula são os pilares de sustentação da democracia brasileira? Vamos, então,  finalmente,            falar do mensalão? Quem melhor definiu esse episódio da política brasileira foi Celso de Mello, decano do STF, em seu voto histórico sobre o caso. Pinço alguns trechos.

“Quero registrar,  neste ponto, Senhor Presidente,  tal como salientei em voto anteriormente proferido neste Egrégio Plenário, que o ato de corrupção constitui um gesto de perversão da ética do poder  e  da ordem jurídica, cuja observância se impõe  a todos os cidadãos desta República  que não tolera o poder que corrompe  nem admite o poder que se deixa corromper”.

“Este processo criminal  revela a face sombria daqueles que,  no controle do aparelho de Estado,  transformaram a cultura da transgressão em prática ordinária  e desonesta de poder, como se o exercício das instituições da República pudesse ser degradado a uma função de mera satisfação instrumental  de interesses governamentais e de desígnios pessoais”.

“A conduta dos réus, notadamente daqueles que ostentam  ou  ostentaram funções de governo,  não importando se no Poder Legislativo ou no Poder Executivo, maculou o próprio espírito republicano”

“O fato é um só, Senhor Presidente: quem tem o poder e a força do Estado, em suas mãos, não tem o direito de exercer, em seu próprio benefício, a autoridade que lhe é conferida pelas leis da República”.

“A corrupção deforma o sentido republicano de prática política, compromete a integridade dos valores que informam e dão significado à própria ideia de República,  frustra a consolidação das instituições,  compromete a execução de políticas públicas em áreas sensíveis  como as da saúde, da educação, da segurança pública e do próprio desenvolvimento do País, além de afetar o próprio princípio democrático”.

“Esses  vergonhosos atos de corrupção parlamentar (…) devem ser condenados e punidos com o peso e o rigor das leis desta República, porque significam tentativa imoral e ilícita de manipular,  criminosamente, à margem do sistema constitucional, o processo democrático,  comprometendo-lhe a integridade,  conspurcando-lhe a pureza  e suprimindo-lhe os índices essenciais de legitimidade,  que representam atributos necessários para justificar a prática honesta e o exercício regular do poder aos olhos dos cidadãos desta Nação”.

Caminhando para o desfecho

Eis aí, meus caros, alguns fatos que demonstram toda essa vocação democrática que o PT finge ter e à qual recorrerá para satisfazer seu intento. A partir de agora, claro, nada disso virá à baila. Em nome da causa – tornar alvas as reputações dos condenados no mensalão – maquiarão a história, recorrerão à mentira, tentarão destruir reputações, construirão alianças escusas e tudo mais que conflua para que os objetivos se concretizem. Já fizeram isso antes. Farão agora.

Usarão a democracia não para o bem comum. Mas em causa própria. Como sempre.

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PT E LULA, DEMOCRÁTICOS? FAZ-ME RIR!!!

UM PARTIDO POLÍTICO NÃO PODE SER MAIOR QUE AS INSTITUIÇÕES

É claro que ainda há muito a ser dito sobre o comportamento do PT e seus mandachuvas depois da condenação sofrida por figurões do partido no STF. Essa gente precisar ter descortinadas suas mais obscuras intenções, dia após dia – ou começamos a nos conformar que um partido é maior que as instituições democraticamente postas. As ideias do PT precisam ser combatidas, desmoralizadas. Atenção: sublinho que as IDEIAS precisam ser destruídas, não o partido. Se há algo que tenho é tolerância de quem de mim diverge. “Ah, mas então por que torpedear os ideais do PT se você tolera os diferentes?”. Simples: porque seus princípios visam nada menos que o seqüestro da República. Tolero divergências, sim; desde que estas não tolham o Estado Democrático Direito.

Tarso Genro também resolveu se manifestar a respeito da decisão da mais alta corte do País (leia aqui). E o fez nestas palavras: “A nota da Executiva Nacional do PT sobre os resultados da ação penal 470 tornou-se um marco mais importante para o futuro democrático do país do que o próprio resultado do processo judicial”. Como é que é? O documento do PT tem mais importância para a democracia brasileira que o resultado do julgamento? Menos, governador, menos! A tal nota, implicitamente, diz que as condenações não são justas porque, vejam só, sendo Genoíno e Dirceu do mesmo partido de Lula e Dilma, os que tiraram milhões de brasileiros da miséria (esse discurso já me cansou), a condenação do Supremo nada mais seria que uma franja das manifestações de preconceito ódio. É uma aberração!

Recorrendo a Luigi Ferrajoli, lembra que o sistema processual deve contemplar uma relação triangular entre os sujeitos: acusação (Procuradoria Geral da República), Defesa (advogados dos réus) e Juiz (ministros). Por incrível que pareça, Tarso também lembra que deve haver “desinteresse” e “indiferença pessoal do juiz a respeito do que está em jogo no processo”. Seria de se questionar se a participação de Tóffoli não teria de ser suprimida, não é mesmo? Como bom petista que é, evidentemente Tarso não poderia deixar de dar seu naco de pontapés na imprensa, cuja influência no julgamento, segundo ele, constituiu a “quarta ponta do triângulo”.

No desfecho, Genro dá a receita para que injustiças como essas, vocês sabem, não voltem a acontecer. “A agenda da reforma política com a valorização dos partidos, a consagração das alianças verticais e a proibição do financiamento privado das campanhas, combinada com a democratização dos meios de comunicação, são as tarefas do próximo período (…) Se isso não ocorrer à(sic) médio prazo a ‘quarta ponta do triângulo’, que dominou nesta (sic) ação penal, pode dominar a política e o Estado como um todo. E aí todos, sempre, seremos réus ideológicos, como diria Drummond, de um mundo caduco”.

O recado é claro. 1) o PT fará o que for preciso para aprovar o financiamento público de campanha, esse assalto ao bolso de todos os brasileiros; e 2) o PT lutará, sim, para impor o tal controle social aos meios de comunicação, que nada mais é que censura.

Enquanto isso, no berço esplêndido da oposição, somos brindados com silentes vozes. Não há um Cristo que se levante para denunciar esses escarcéus. Está aí, tudo escancarado, mas quê… Passam incólumes por PSDB, PPS, DEM, PSOL… Repito: é guerra que o PT está declarando. Suas ameaças de não poupar esforços para que a decisão do STF seja revista e corrigida – como se além do Supremo houvesse uma instância maior entre a República e o céu – são um acinte à democracia.

Antes mesmo de se saber no que daria o julgamento, o deputado petista José Guimarães irmão de José Genoíno, em entrevista concedida sobre reportagem da revista Veja — a qual dava conta de que Lula estava ciente de absolutamente todas as negociatas do mensalão –, destaca que, se mexeu com o Lula, “mexeu com o povo brasileiro”. Num rasgo de respeito às instituições, o valente também declarou que, “quer queiram, quer não”, o PT tomará uma medida: a “regulamentação da questão da mídia”. Entenderam? Para o moço, nem sequer será discutido pelo Congresso. Será feito à força mesmo. “Criminalizar o Lula é criminalizar a democracia brasileira”, disse. Solução? Simples: censura!!! Vejam o vídeo aqui. Sobre esse tal patrimônio democrático que o PT e Lula representaria ao País, escrevo mais tarde.

E anotem aí: ainda estamos assistindo apenas aos prolegômenos do intento dessa gente.

UM PARTIDO POLÍTICO NÃO PODE SER MAIOR QUE AS INSTITUIÇÕES

BOBAGENS SOBRE ISRAEL E O DIREITO DE SE DEFENDER

A imprensa mundial é majoritariamente anti-israelense. Se volvermos os olhos ao conflito israelo-palestino de 2008, notaremos quantas barbaridades foram ditas a respeito, quase todas, claro, reservando ao estado de Israel o papel de cruel da história e, aos palestinos, o de coitados massacrados.

Já virou clichê: todas as vezes que Israel responde a um ataque do Hamas, iniciam-se as séries de comparações. É o que temos no caso mais recente. Do lado palestino, morreram 39 – entre os quais, oito crianças –; já as baixas de Israel foram três militares mortos e quatro soldados feridos levemente (números tidos até a tarde deste sábado). “Vejam que desproporcionalidade! Esses judeus mataram treze vezes mais que os palestinos”, bradam alguns. O argumento é de uma moral estarrecedora.

Segundo a lógica desses grandes humanistas, os revides de Israel deveriam matar na mesma proporção do Hamas. Ou, ainda: só se teria um saldo de mortos justo se mais cadáveres houvessem do lado judeu. Outros, ainda, ousam dizer que, se da parte Palestina os foguetes são disparados a esmo — por isso mesmo muitos deles atingem o nada –, Israel, para ser coerente, deveria abandonar sua sina de bombardear estrategicamente alvos do Hamas e disparar também a esmo. Imaginem bombas disparadas às escuras na populosa Gaza…

O auge da tolice foi o tal Relatório Goldstone, de outubro de 2009. O documentou contou com ampla aprovação do Conselho de Direitos Humanos da ONU. Dos 47 membros, 25 votaram a favor, 11 se abstiveram e seis foram contra. O Brasil, claro, fazendo jus à sua política de relações internacionais tupiniquim implementada no Itamaraty pelo megalomaníaco Celso Amorim, também chancelou o relatório.

Sim, estava tudo impressionantemente errado no tal documento, cujo juiz foi judeu Richard Goldstone. Sua escolha para presidir o trabalho foi objetiva: partiu-se do pressuposto que, sendo Goldstone um judeu, caso suas conclusões delineassem que houve, sim, um massacre desmedido por parte de Israel, logo ter-se-ia um monumento à isenção. Se o realtório, porém, apontasse que o vilão da história foi o Hamas, aqui e ali diriam: “Mas é  claro! Foram delegar a um judeu tal missão!”. Pra resumir a conversa: as 525 páginas do relatório condenavam Israel, reservando ao Hamas meros puxões de orelha. Em todo o mundo não faltou plateia para aplaudir o epílogo.

Muito bem. Em abril de 2011, o mesmo Richard Goldstone escreveu um artigo para o jornal Washington Post se desculpando pelo relatório. O texto pode ser lido aquiGoldstone afirma que, hoje, sabe-se muito mais do que de fato ocorreu na guerra 2008-2009 do que se sabia antes. Afirma que Israel tem feito esforços para investigar os abusos cometidos durante o embate, atitude que o Hamas até então não havia tomado; houve crimes de guerra sim, mas de ambas as partes; os civis, ao contrário do que apontou o relatório, não eram alvos intencionais de Israel; reconhece que a investigação requerida pela ONU tinha viés anti-israelense; admite que, após o episódio, era esperado que o Hamas diminuísse os ataques contra Israel — o que nunca aconteceu; curva-se à lógica de que Hamas jamais investigará seus próprios crimes, entre outras coisas.

Em tempo: esse coquetel de equívocos estava evidente à época. Mas quê… Ninguém se levantou, com raríssimas exceções, para apontá-los e exigir que o tal documento fosse para a lata de lixo da História.

Com o atual recrudescimento das hostilidades entre Palestina e Israel, iniciam-se novamente as investidas contra Israel na imprensa mundial. Não sei se o fazem por desinformação e ignorância ou por antissemitismo. Prefiro crer ser a primeira hipótese a bruma que lhes tolhe a visão. Jonathan Freedland, colunista do britânico The Guardian, escreveu nesta semana um artigo intelectualmente sabotador. Seu texto está aqui.

Diz ele: “Este é um filme de terror que  já vimos antes. Nos dias que se seguem a uma eleição presidencial americana, prestes a encarar uma eleição própria, Israel decide que não pode mais tolerar os ataques do Hamas. Reage duramente, determinado a mostrar ao público israelense que não está inerme, enquanto um milhão de seus cidadãos estão estão escondidos em abrigos antibombas, sem poder mandar seus filhos à escola. Tratá calma para suas cidades do sul, forçando o Hamas a temer sua ira mais uma vez”.

Estão vendo? Pela lógica do moço, Israel não pode se defender porque o país está nas iminências de uma eleição. Danem-se os foguetes disparados pelo Hamas, uma organização terrorista. Freedland acha mesmo um absurdo que o único estado democrático da região assuma seu direito legítimo de revidar ataques que sofre. E ele vai além: “Há quatro anos, a operação Chumbo Fundido foi montada para acabar com a ‘infraestrutura do terror’ de Gaza, erradicando a ameaça do Hamas. Não conseguiram. O Hamas foi deixado no controle e sua ameaça apenas adiada”. Atenção: Israel não queria destruir o Hamas coisa nenhuma. Se alveja seus pontos-chave, é para acabar com seu arsenal, utilizado para… atacar Israel.

Reservo agora a cerejinha do bolo. Escreveu Freedland: “As provas disso [de uso político da ofensiva israelense] vieram nos últimos três meses, quando mísseis atingiram Israel em número maior. Assim, mais uma vez Israel decidiu combater o fogo com fogo, assassinando o comandante militar do Hamas, Ahmed Jabari”. Mas não é um primor? Freedland acha razoável que o Hamas bombardeie Israel, mas fica indignado que os judeus respondam à altura! Para ele, Israel deveria aguentar calado todas as investidas do Hamas, conformar-se com o fato de ter seu território constantemente atingido por artilharias inimigas e baixar a cabeça para uma organização terrorista. É o fim da picada!

BOBAGENS SOBRE ISRAEL E O DIREITO DE SE DEFENDER

O PT QUER GUERRA!

A nota emitida pela Executiva Nacional do PT, na qual o partido faz seu muro das lamentações com o resultado do julgamento do mensalão, é um documento histórico. Não por ser daqueles papéis que perdurarão por anos em razão de sua, sei lá, contribuição patriótica ou de seu pretenso paroxismo democrático. Nada disso. O que se tem ali é, a um só tempo, desprezo pelas instituições, reducionismo do que é democracia, um claro aviltamento contra liberdade de imprensa e uma manifesta intenção de criar na sociedade um verdadeiro arranca-rabo entre quem presta (eles, claro) e quem não presta (nós) – sempre segundo suas próegundo suas prade um verdadeiro arranca-rabo entre quem presta (eles, claro) e quem nprias convicções.

O texto perora por um longo caminho, sustentado que, no processo do mensalão, os acusados não tiveram respeitados seus direitos de ampla defesa, as provas contidas nos autos eram insuficientes para condenar os envolvidos no caso e questionam a interpretação dos ministros quando da aplicação da teoria do domínio do fato. Lendo o documento tem-se a impressão que o STF transformou-se em um tribunal de exceção, unicamente formado para por nódoas em gente que só segue a moral e os bons costumes – tais quais José Dirceu, José Genoíno, vocês sabem…

A destreza com que querem passar a perna nas leis impressiona mais pela falta de vergonha na cara que pelo apego às verdades factuais. O que dizer, por exemplo, deste trecho da nota: “Parte do STF decidiu pelas condenações, mesmo não havendo provas no processo. O julgamento não foi isento, de acordo com os autos e à luz das provas. Ao contrário, foi influenciado por um discurso paralelo e desenvolveu-se de forma “pouco ortodoxa” (segundo as palavras de um ministro do STF)”? Pensei que tivesse ficado claro aos valentes, depois de quase 50 sessões havidas no Supremo e das sustentações dos ministros, que crimes da estirpe dos cometidos pelos bons mancebos petistas não deixam rastros. Alguém já viu um criminoso profissional assinar um documento liberando um empréstimo fraudelento? Alguém já viu algum ardiloso parlamentar canetar um documento no qual assume receber dinheiro e, em contrapartida, apoiará todas as demandas do governo na Câmara? Não enxergar isso é coisa de sabotadores, de quem usa objetivamente um cabresto e, ainda,  visa pô-lo na sociedade também.

Prossegue a nota: “O STF deu estatuto legal a uma teoria nascida na Alemanha nazista, em 1939, atualizada em 1963 em plena Guerra Fria e considerada superada por diversos juristas. Segundo esta doutrina, considera-se autor não apenas quem executa um crime, mas quem tem ou poderia ter, devido a sua função, capacidade de decisão sobre sua realização. Isto é, a improbabilidade de desconhecimento do crime seria suficiente para a condenação”. A teoria em questão é a do domínio do fato – a qual Lewandowski cismou em confundi-la com a teoria da responsabilidade objetiva. Trata-se, sim, de um expediente já devidamente incorporado ao direito brasileiro. “Mas quedê a prova?”, martelam os petistas. Simples: as provas são indiciárias – e foram todas suficientemente apontadas por Roberto Gurgel nos autos. Ora, é típico dos “crimes de poder”, como bem apontou a ministra Rosa Weber, não deixarem rastros. Não, não sou jurista. Mas sei lei e interpretar artigos de lei.

Construído o cenário propício ao início da estigmatização do STF, o documento atesta “o fim do garantismo, o rebaixamento do direito de defesa, do avanço da noção de presunção de culpa em vez de inocência (…) Pairam dúvidas se o novo paradigma se repetirá em outros julgamentos, ou, ainda, se os juízes de primeira instância e os tribunais seguirão a mesma trilha da Suprema Corte”. O que o PT está querendo dizer é simples: o STF abriu uma fenda para a criação de um ambiente de insegurança jurídica. “Não perdem apenas os que foram injustiçados no curso da Ação Penal 470. Perde a sociedade, que fica exposta a casuísmos e decisões de ocasião. Perde, enfim, o próprio Estado Democrático de Direito”, sustenta a aberração dos estultos.

A gritaria continua. Agora, com o dedo em riste contra a imprensa. Segundo a nota, a “mídia conservadora”, que, neste país, é oposição ao governo – sempre segundo o PT – pressionou os ministros Supremo para que os réus condenados fossem. Sem deixar claro quando e como, queixam-se de alguns juízes terem antecipado votos à imprensa, terem se pronunciado fora dos autos e terem se ingerido em assuntos reservados ao Legislativo e ao Executivo. Petistas, que até hoje teimam em fazer política sem polis e democracia sem demo, acusam o STF de estar colocando em risco a independência dos poderes. Num rasgo de sandice, diz a nota: “Único dos poderes da República cujos integrantes independem do voto popular e detêm mandato vitalício até completarem 70 anos, o Supremo Tribunal Federal – assim como os demais poderes e todos os tribunais daqui e do exterior – faz política. E o fez, claramente, ao julgar a Ação Penal 470”. É impressionante! Acusam de partidarismo uma corte que em sua maioria é composta por ministros indicados pelo…PT!

A coisa começa a ficar perigosa a partir daqui. E eis, agora, a razão pela qual classifico como histórico o conjunto de parvoíces colecionadas nessa nota. A corte constitucional que, em resposta à mais grave tentativa de golpe depois da redemocratização, julgou à luz do Direito todos os envolvidos no mais escandaloso esquema de corrupção dos últimos tempos, deixou um duro recado aos espertinhos de plantão: não, vocês não podem tudo; não, vocês não podem tomar de assalto a república em nome de um projeto de poder; não, vocês não podem se utilizar das prerrogativas de um regime democrático para solapar a democracia; não, vocês não podem comprar um Poder da República. À essa corte, o PT dá uma grande banana. Mais: transformam as decisões do STF em meras representações políticas inimigas, como se os ministros houvessem se reunido com a finalidade exclusiva de criminalizar o PT.

Leiam, agora, com atenção os trechos que seguem. São reveladores. Faço algumas intervenções em negrito.

“A luta pela Justiça continua (…) Na trajetória do PT, que nasceu lutando pela democracia no Brasil, muitos foram os obstáculos que tivemos de transpor até nos convertermos no partido de maior preferência dos brasileiros. No partido que elegeu um operário duas vezes presidente da República e a primeira mulher como suprema mandatária. Ambos, Lula e Dilma, gozam de ampla aprovação em todos os setores da sociedade, pelas profundas transformações que têm promovido, principalmente nas condições de vida dos mais pobres”.

Ou seja, para o partido, o STF não fez justiça ao condenar próceres do partido. Como Lula e Dilma caíram nas graças do povo, logo tal popularidade confere ao PT uma espécie de licença especial para colocar os ministros contra a parede. Pergunto: que liame há entre José Dirceu ir parar na cadeia e a eleição de um operário para a Presidência da República? O partido exibe este último elemento como estandarte da consolidação democrática no Brasil. Logo, se o PT foi quem mandou um operário ao Planalto, não podem ser alvo de quaisquer acusações de tentar fraudar a democracia. É de revirar o estômago!

“A despeito das campanhas de ódio e preconceito, Lula e Dilma elevaram o Brasil a um novo estágio: 28 milhões de pessoas deixaram a miséria extrema e 40 milhões ascenderam socialmente. Abriram-se novas oportunidades para todos, o Brasil tornou-se a 6a.economia do mundo e é respeitado internacionalmente, nada mais devendo a ninguém”.

O blá-blá-blá costumeiro (a gente melhorô a vida dus póbri destepaíz) agora passar a servir a uma causa maior: o partido que tirou 28 milhões de pessoas da miséria não pode ter membros seus acusados de fazer coisas terríveis, como, por exemplo, comprar votos no Congresso.

“É com esta postura equilibrada e serena que o PT não se deixa intimidar pelos que clamam pelo linchamento moral de companheiros injustamente condenados. Nosso partido terá forças para vencer mais este desafio. Continuaremos a lutar por uma profunda reforma do sistema político – o que inclui o financiamento público das campanhas eleitorais – e pela maior democratização do Estado, o que envolve constante disputa popular contra arbitrariedades como as perpetradas no julgamento da Ação Penal 470, em relação às quais não pouparemos esforços para que sejam revistas e corrigidas”.

É bom a imprensa, os ministros do Supremo e a Procuradoria Geral da República se prepararem para o chumbo grosso que vem por aí. Antes mesmo de o STF condenar os réus, escabrosas ações articuladas nos bastidores pelo PT visavam a censura da imprensa ao quererem abolir a palavra “mensalão” do noticiário. Correntes petistas influentes querem minar, desde antes do julgamento, o poder de investigação da PGR. Concluído o processo, esses esforços certamente serão tonificados. No Congresso, desde outrora sonham com essa ignomínia que é o financiamento público de campanha – como se isso fosse acabar com os mal feitos da política. Tão falso quanto a sinceridade do beijo de Judas. O que resolve mesmo é voto distrital. Mas deixemos isso pra outro post. Se há desde os primórdios do PT o incontido desejo de regular a impressa, isso, a partir de agora, passa ser imperativo.

É guerra que eles querem.
É guerra que estão declarando.

O PT QUER GUERRA!