BOBAGENS SOBRE ISRAEL E O DIREITO DE SE DEFENDER

A imprensa mundial é majoritariamente anti-israelense. Se volvermos os olhos ao conflito israelo-palestino de 2008, notaremos quantas barbaridades foram ditas a respeito, quase todas, claro, reservando ao estado de Israel o papel de cruel da história e, aos palestinos, o de coitados massacrados.

Já virou clichê: todas as vezes que Israel responde a um ataque do Hamas, iniciam-se as séries de comparações. É o que temos no caso mais recente. Do lado palestino, morreram 39 – entre os quais, oito crianças –; já as baixas de Israel foram três militares mortos e quatro soldados feridos levemente (números tidos até a tarde deste sábado). “Vejam que desproporcionalidade! Esses judeus mataram treze vezes mais que os palestinos”, bradam alguns. O argumento é de uma moral estarrecedora.

Segundo a lógica desses grandes humanistas, os revides de Israel deveriam matar na mesma proporção do Hamas. Ou, ainda: só se teria um saldo de mortos justo se mais cadáveres houvessem do lado judeu. Outros, ainda, ousam dizer que, se da parte Palestina os foguetes são disparados a esmo — por isso mesmo muitos deles atingem o nada –, Israel, para ser coerente, deveria abandonar sua sina de bombardear estrategicamente alvos do Hamas e disparar também a esmo. Imaginem bombas disparadas às escuras na populosa Gaza…

O auge da tolice foi o tal Relatório Goldstone, de outubro de 2009. O documentou contou com ampla aprovação do Conselho de Direitos Humanos da ONU. Dos 47 membros, 25 votaram a favor, 11 se abstiveram e seis foram contra. O Brasil, claro, fazendo jus à sua política de relações internacionais tupiniquim implementada no Itamaraty pelo megalomaníaco Celso Amorim, também chancelou o relatório.

Sim, estava tudo impressionantemente errado no tal documento, cujo juiz foi judeu Richard Goldstone. Sua escolha para presidir o trabalho foi objetiva: partiu-se do pressuposto que, sendo Goldstone um judeu, caso suas conclusões delineassem que houve, sim, um massacre desmedido por parte de Israel, logo ter-se-ia um monumento à isenção. Se o realtório, porém, apontasse que o vilão da história foi o Hamas, aqui e ali diriam: “Mas é  claro! Foram delegar a um judeu tal missão!”. Pra resumir a conversa: as 525 páginas do relatório condenavam Israel, reservando ao Hamas meros puxões de orelha. Em todo o mundo não faltou plateia para aplaudir o epílogo.

Muito bem. Em abril de 2011, o mesmo Richard Goldstone escreveu um artigo para o jornal Washington Post se desculpando pelo relatório. O texto pode ser lido aquiGoldstone afirma que, hoje, sabe-se muito mais do que de fato ocorreu na guerra 2008-2009 do que se sabia antes. Afirma que Israel tem feito esforços para investigar os abusos cometidos durante o embate, atitude que o Hamas até então não havia tomado; houve crimes de guerra sim, mas de ambas as partes; os civis, ao contrário do que apontou o relatório, não eram alvos intencionais de Israel; reconhece que a investigação requerida pela ONU tinha viés anti-israelense; admite que, após o episódio, era esperado que o Hamas diminuísse os ataques contra Israel — o que nunca aconteceu; curva-se à lógica de que Hamas jamais investigará seus próprios crimes, entre outras coisas.

Em tempo: esse coquetel de equívocos estava evidente à época. Mas quê… Ninguém se levantou, com raríssimas exceções, para apontá-los e exigir que o tal documento fosse para a lata de lixo da História.

Com o atual recrudescimento das hostilidades entre Palestina e Israel, iniciam-se novamente as investidas contra Israel na imprensa mundial. Não sei se o fazem por desinformação e ignorância ou por antissemitismo. Prefiro crer ser a primeira hipótese a bruma que lhes tolhe a visão. Jonathan Freedland, colunista do britânico The Guardian, escreveu nesta semana um artigo intelectualmente sabotador. Seu texto está aqui.

Diz ele: “Este é um filme de terror que  já vimos antes. Nos dias que se seguem a uma eleição presidencial americana, prestes a encarar uma eleição própria, Israel decide que não pode mais tolerar os ataques do Hamas. Reage duramente, determinado a mostrar ao público israelense que não está inerme, enquanto um milhão de seus cidadãos estão estão escondidos em abrigos antibombas, sem poder mandar seus filhos à escola. Tratá calma para suas cidades do sul, forçando o Hamas a temer sua ira mais uma vez”.

Estão vendo? Pela lógica do moço, Israel não pode se defender porque o país está nas iminências de uma eleição. Danem-se os foguetes disparados pelo Hamas, uma organização terrorista. Freedland acha mesmo um absurdo que o único estado democrático da região assuma seu direito legítimo de revidar ataques que sofre. E ele vai além: “Há quatro anos, a operação Chumbo Fundido foi montada para acabar com a ‘infraestrutura do terror’ de Gaza, erradicando a ameaça do Hamas. Não conseguiram. O Hamas foi deixado no controle e sua ameaça apenas adiada”. Atenção: Israel não queria destruir o Hamas coisa nenhuma. Se alveja seus pontos-chave, é para acabar com seu arsenal, utilizado para… atacar Israel.

Reservo agora a cerejinha do bolo. Escreveu Freedland: “As provas disso [de uso político da ofensiva israelense] vieram nos últimos três meses, quando mísseis atingiram Israel em número maior. Assim, mais uma vez Israel decidiu combater o fogo com fogo, assassinando o comandante militar do Hamas, Ahmed Jabari”. Mas não é um primor? Freedland acha razoável que o Hamas bombardeie Israel, mas fica indignado que os judeus respondam à altura! Para ele, Israel deveria aguentar calado todas as investidas do Hamas, conformar-se com o fato de ter seu território constantemente atingido por artilharias inimigas e baixar a cabeça para uma organização terrorista. É o fim da picada!

BOBAGENS SOBRE ISRAEL E O DIREITO DE SE DEFENDER

Um pensamento sobre “BOBAGENS SOBRE ISRAEL E O DIREITO DE SE DEFENDER

  1. Leandro,Israel age conforme vontade de USA e se vale da retomada da Palestina, como direito adquirido duas vezes:uma por ter sido seu no passado distante e depois porque os inglêses “graciosamente” os alojaram em Território que já tinha dono, como “prêmio pela perseguição Nazista”.

    Desde 1947,essa tragédia deixa mortos de ambos os lados num crescendo, que pode gerar uma terceira e última guerra mundial,uma vez que USA usa extratégias, intrigas, desculpas falsas , como no caso do Iraque, terrorismo dos AlQuaeda no Afeganistão, intrigas e caças de terroristas, às caras e em plataformas marinhas, produzem terremotos “naturais”,tudo para fincar bandeiras , munições e soldados aos milhares no Oriente Médio. O rio de sangue de inocentes civis, velhos e crianças jorrado no século XX ainda -ainda não secou ou empoçou, corre e se agiganta por invasões de nações-alvo dos estúpidos imperialistas , fabricantes de armas de matança em massa, cada vez mais poderosas.

    Você chama ” BOBAGENS” , defendendo ISRAEL, que ataca povoados com mísseis quando crianças palestinas atiram pedras.Pensa, que se sua casa é invadida é questão de sobrevivência impedir o invasor e na insistência dos ataques só pode vir disso, horror e desmembramento de toda natureza. Agora, pensa mais sobre a História humana que a gente conhece, feita de bárbaras conquistas, numa animalidade recorrente,inaceitável .

    Quando que os ditos civilizados imperialistas vão se dar conta do que é evoluir?

    Se estamos num vale tudo, então que as terras sejam devolvidas aos seus donos: Texas,Califórnia volte a ser terra de mexicanos,Brasil devolva urgente aos milhares de nações indígenas e estes aos fenícios que por aqui fizeram e aconteceram.

    O que mais me intriga é essa cruel divisão entre os homens e tenho pra mim que a raiz desse inconveniente estar no mundo, tem um nome: judeu!

    Eu ainda vou compreender este Fenômeno Judeu!
    BOBAGEM,BOBEIRA?
    Ai de nós!

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