ESCRAVOS, SIM!

Podem aplaudir. O PT, partido que tanto se orgulha de defender os interesses dos trabalhadores, passou a ser complacente com o trabalho escravo. O Ministério Público do Trabalho, sempre tão vigilante nos canteiros de obras de empreiteiras e nas condições de trabalho no agronegócio, faz vistas grossas. O Congresso Nacional, que sob o PT tornou-se um mero poder caudatário, semelhantemente virou o rosto para essa aberração do Mais Médicos. Como é em nome do povo e a causa é nobre, os guardiões da ordem parecem ter mandado o bom-senso pras cucuias.

Não me peçam para ser indulgente com a medida só porque ela vem ao encontro de nossa necessidade de ter mais médicos e porque as ruas pediram mais qualidade na saúde. Precisamos de médicos, não de escravos; e as ruas peçam o que quiserem – se endossam o execrável para que seus anseios sejam atendidos, mando o povo às favas também. “Oh, você é muito radical”, exclamam amigos meus. Sim, caros, sou radical quando o assunto é democracia e Constituição. Simples assim.

Não dá para fechar os olhos. O governo brasileiro destinará R$ 40 milhões para financiar uma ditadura sanguinária, que carrega nas costas cadáveres de mais de 100 mil pessoas – todas mortas por discordarem do regime. Não, os R$ 10 mil que cada médico deve receber de bolsa não irão diretamente para o bolso dos profissionais. Os recursos irão para a ilha dos irmãos Castro, que repassarão aos médicos quanto bem entenderem – muito provavelmente menos de 50%. O resto da grana fica retido em Cuba, fazendo caixa para os ditadores possam se locupletar à frente do regime.

Antes de prosseguir, alguns pontos precisam ficar claros: exportar médicos é, sim, um negócio para Cuba. São bilhões de dólares arrecadados pela ilha utilizando-se desse expediente: retendo salários. Reportagem recente do jornal El Pais escancarou as entranhas desse esquema escuso de faturamento. Leiam aqui. Os médicos são para Cuba o que o petróleo é para a Venezuela.

Escravos, sim! – Folheiem com calma o que pensa o Ministério do Trabalho sobre o assunto. Nem tudo o que vai nesse material precisa figurar numa relação patrão-empregado para que esta seja considerada análoga à escravidão. Um exemplo disso é o caso das famílias dos contratados. Sabem por que os médicos não puderam traze-las consigo? Simples: porque se o profissional resolve pedir asilo político no Brasil ou abandonar o trabalho, seus familiares entram na equação das penúrias: ficam ao relento, sem assistência do governo cubano. Seria uma espécie de servidão: se não trabalhar no Brasil conforme acordado entre Cuba e o governo brasileiro, a família paga o pato também. Mais: sob o risco de nunca mais se encontrarem. É um escândalo! Imagine, leitor, se você quisesse pedir demissão de seu trabalho, mas, caso o faça, o governo trata logo de tirar os proventos de sua esposa e filhos por tabela.

Os médicos cubanos não gozarão de nenhuma liberdade. A cartilha que rege o acordo de importação desses profissionais já foi praticada em outros países, como Venezuela e Bolívia. Entre tantas barbaridades, os médicos não são livres para fazer suas escolhas, não são livres para fazer o que bem entenderem de suas carreiras, não são livres para ter acesso a 100% de suas bolsas (mais adiante explico por qual razão nem sequer seus proventos podem ser chamados de salários), não são livres para mudar de cidade, não são livres para prestar quaisquer serviços fora dos termos do acordo entre Brasil e Cuba, não são livres para pedir demissão (!!!) e, pasmem!, não podem nem escolher quem namorar – se por aqui for aplicado o mesmo rigor havido na Bolívia, caso queiram se aventurar pelo calor úmido ladeado pelas pernas das brasileiras, terão, antes de mais nada, de se certificarem sobre o quão simpatizantes são nossas mulheres com a causa revolucionária de Cuba.

Direitos? Que direitos? – Não, os médicos cubanos não têm direitos trabalhistas. Se desistirem do trabalho antes de pelo menos três anos, terão de devolver o dinheiro pago pelo governo brasileiro para…CUBA!!! Ora, isso já é o bastante para concluir que as cifras que o Brasil destinar ao profissional não são dele. Qual o nome da relação de trabalho em que o trabalhador é desassistido de direitos e o dinheiro ganho não lhe pertence? Eis o motivo pelo qual chama-se de “bolsa” o que se paga aos cubanos. “Salário” é termo empregado só a quem tem direitos.

Ainda voltarei a esse assunto, certamente. Com números oficiais, vou demonstrar que trata-se de uma falácia essa história de o Mais Médicos vir a suprir nossa carência por mais profissionais de saúde. Vale lembrar: Alexandre Padilha, o grande nome por trás de toda essa arquitetura, é o candidato do PT para disputar as eleições ao governo de São Paulo. O cheiro de campanha eleitoral já está saindo da cozinha e chegando ao banheiro.

E que se note: não há aqui NADA, absolutamente NADA contra os cubanos. O que questiono e abomino é a forma de contratação.

ESCRAVOS, SIM!

ROMEU E JULIETA, POR TCHAIKOVSKY

Vamos dar um passeio pela música erudita. Também falo de coisa boa aqui neste espaço, hehe. Quando iniciei meu primeiro blog, lá nos idos do UOL – cujo serviço de blog é um dos priores que já conheci –, tinha comigo o propósito de fazer resenhas de livros, CDs e filmes. No entanto, fui tomado pelo ímpeto de comentar coisas da política, da economia, da filosofia… e acabei relegando aquela intenção inicial. Não por falta de interesse, mas de tempo.

Sou um leitor voraz de livros. Gostaria de desfrutar de tempo suficiente para encetar algumas impressões sobre minhas últimas leituras, como A Queda, de Diogo Mainardi, experiência que cobriu meus olhos com o úmido véu da emoção; Sussurros, de Orlando Figes, história que percorre com sensibilidade única o drama vivenciado pelos “inimigos do povo” segundo a concepção de um dos maiores assassinos da história, Stalin; A Trégua, de Primo Levi, narrativa envolvente sobre o drama por que passaram milhares de judeus após o nazismo; Rumo à Estação Finlândia, uma viagem inteligente e viciante pelas mentes revolucionárias dos séculos XIX e XX; e até mesmo As Onze Mil Varas, de Guillaume Apollinaire, um texto de humor que percorre o improvável em matéria de sexo.

Adiante.

O vídeo acima traz uma de minhas obras favoritas em toda literatura musical do século XIX, a Abertura Romeu e Julieta, do compositor Piotr Ilitch Tchaikovsky (1840 – 1893), um dos primeiros russos a ganhar notoriedade internacional no cenário da música erudita. Conquanto chamada de Fantasia-Abertura, Romeu e Julieta poderia ser considerada um poema sinfônico em forma sonata. Tchaikovsky não buscou retratar toda a ação da peça de Shakespeare. Preferiu ater-se a três pontos principais: o primeiro é notado pelos compassos executados pelas madeiras (clarinetes, fagotes e, mais adiante, flautas, acompanhadas por harpas), no qual Frei Lourenço é apresentado. O contorno musical a ele conferido o aproxima muito da Igreja Ortodoxa Russa. O segundo ponto é a guerra entre os Capuleto e os Montecchio, simbolizado pela música intensa e agitada. O terceiro é o tema de amor, melodia arrebatadora que traz em si a pulsão do amor entre as personagens principais.

A ideia de compor algo sobre o romance de Shakespeare foi de Balakirev, um dos expoentes do Grupo dos Cinco, que reunia, além do próprio Balakirev, os compositores Borodin, César Cui, Mussorgsky e Rimsky-Korsakov – todos com espírito nacionalista. O quinteto tinha uma sina: a busca por um jeito genuinamente russo de fazer música, oposto ao verniz das tendências francesas e italianas. Embora Tchaikovsky estivesse em constante contato com os cabeças desse grupo, seu trabalho só foi tido como aderente por eles com a feitura de Romeu e Julieta. Isso porque a obra ia de encontro às tais tendências europeizantes combatidas pelo grupo.

Escrever uma peça musical inspirada no grande romance shakesperaino pareceu-lhe, num primeiro momento, algo pouco propício, dado o fracasso com que sua ópera Ondina fora recebida pelos Teatros Imperiais. Em uma carta a Balakirev, Tchaikovsky escreveu: “Estou completamente esgotado (…) Não quero escrever até que tenha esboçado pelo menos alguma coisa, mas minha mente está completamente privada de pensamentos musicais que sejam ao menos toleráveis”. A resposta do amigo e tutor, que não demorou a chegar, estimulava-o a exercitar sua criatividade e o orientava detalhadamente sobre a nova obra, inclusive, com os primeiros compassos escritos e algumas sugestões de modulações. Vale lembrar que Balakirev já havia se inspirado em Shakespeare para escrever Rei Lear.

A estreia, em 1870, foi na cidade de Moscou, sob regência de Nikolai Rubinstein. Um escândalo envolvendo o maestro e uma aluna provocou uma viçosa manifestação no dia da apresentação, ofuscando o empreendimento de Tchaikovsky. Ninguém deu muita atenção à peça. Todos só falavam da balbúrdia. “Durante a noite inteira, ninguém me dirigiu uma palavra sobre a Abertura. E eu estava precisando tanto de apreciação e bondade”, escreveu Tchaikovsky. Esses apontamentos de carência eram freqüentes em sua vida. Homossexual, o compositor impôs-se um duro modo de viver: casar-se com uma mulher para manter as aparências e poupar o pai, enquanto encontrava-se secretamente com amantes masculinos.

Atualmente, o tema de amor de Romeu e Julieta tem sido utilizado vastamente como trilha sonora de filmes e outros musicais, como Columbo, Kim Possible, Sesame Street, Bob Esponja (onde chegamos, meu Deus?) e Três Mosqueteiros.

A execução da obra, no vídeo acima, é da Orquestra Sinfônica de Londres, sob a batuta de Valery Gergiev – uma das principais autoridades quando o assunto é música russa.

ROMEU E JULIETA, POR TCHAIKOVSKY

FIASCO

A manifestação convocada pelo Movimento Passe Livre e pelo PT para a tarde de ontem aqui em São Paulo foi um delicioso fiasco. Queriam parar a cidade. Não conseguiram. Nas contas da Polícia Militar, mil pessoas se reuniram no Vale do Anhangabaú; nas do Datafolha, três mil. Ambas, sem sombra de dúvida, nos fazem concluir que todo o gáudio com que os protestantes anunciavam o ato foi por água abaixo. Como de praxe, um grupo partiu pra violência e depredou agências bancárias. O pessoal do Mídia Ninja acha razoável que pedras sejam arremessadas contra bancos. Isso, para eles, seria a expressão dos “jovens de bairros carentes” que já estão “cansados da violência do Estado” e da “opressão imposta pelo capitalismo”. Bruno Torturra, uns dos líderes dessa imprensa alternativa, justifica os vandalismos da seguinte forma: não é, na verdade, violência no sentido estrito da palavra. Se fosse, a agressão também seria dirigida pessoas. Como os ataques são contra agências bancárias, logo podemos concluir que essas “microindignações” (eita terminho sem vergonha) são contra o “sistema”.

Mais do que tamanha boçalidade, o que me espanta é a adesão de parte de setores da imprensa tradicional a essa tese. Primeiro porque se trata de uma falácia essa história de que os movimentos são compostos por jovens carentes. Basta passar os olhos nas vestimentas dos dito-cujos e no físico típico de quem tem acesso a todas as boas proteínas para constatar que de pobre essa gente não tem nada – só ser for o juízo. Segundo, se, como diz Torturra, todo mundo com suas “microindignações” resolver se dar o direito de depredar o patrimônio alheio sob olhares complacentes do resto da sociedade, estaremos todos mergulhados em anarquia. Eu mesmo vou à praça e vandalizar umas vidraças de lojas de celular. Minha microindignação: pessoas que ouvem funk ou pagode sem fone de ouvido. Berlioz no último volume de um celular com mp3 ninguém ouve, né?

Alguns valentes se deslocaram à Câmara Municipal e outros à Assembleia Legislativa. Obtiveram êxito na invasão da primeira; na segunda, a Polícia Militar interveio reprimiu a tentativa – no que fez muito bem. “Ah, mas a tentativa de invasão era pacífica”, murmuram alguns. Que diacho! Não sei de onde essa gente tira que o binômio invasão-pacífica é possível. Se é invasão, como pode ser pacífico? Claro que a ousadia da súcia faz fervilhar os ânimos de muitos imbecis. Quando um grupo de pessoas tomou o teto do Congresso Nacional o que não faltou foi gente nas redes sociais proferindo aquele detestável clichê: se o Congresso é do povo, não foi invasão, foi reintegração de posse. Tenho, admito, enorme preguiça desses consensos que vão se formando aqui e ali, tomando a consciência de muitos como se tamanha barbaridade fosse uma virtude. Quem está lá dentro do Congresso – ou da Câmara Municipal ou da Alesp —  goste-se ou não, foi democraticamente eleito pelo povo. Representam, sim, parte da população. Já quem invade à base da truculência o faz com que legitimidade? Representam quem? Se querem derrubar vereador, deputado ou senador, que seja tudo feito pelos ritos da democracia – a urna é o melhor caminho.

Caráter político – Não houve como esconder o viés político da manifestação convocada para ontem. Embora o MPL se diga apartidário, não conseguiram afastar o PT da órbita do ato. Se o protesto era contra o cartel nas licitações do trem e metrô de São Paulo e contra desvios de dinheiro público nesses contratos visando que essas cifras fossem investidas em transporte público, a gente poderia interpretar que esse pessoal também teria a boa-vontade de aproveitar a manifestação para levar às ruas toda sua indignação contra quaisquer outros indícios de falcatruas, certo? Não, errado. Na terça-feira, o Estadão publicou reportagem dando conta de que o mesmo cartel havido em São Paulo também teria agido em contratos firmados pelo Ministério das Cidades em licitações federais. Diz a matéria assinada por Bruno Ribeiro, Fausto Macedo e Marcelo Godoy (em vermelho):

O Ministério Público Federal (MPF) vê indícios de que o suposto esquema de cartel nas obras do Metrô de São Paulo tenha atuado também em licitações federais envolvendo a Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU). A afirmação foi feita nesta segunda-feira, 12, pela procuradora da República em São Paulo Karen Louise Jeanette Kahn, responsável pela investigação do caso na área federal. Algumas da principais empresas investigadas no caso mantêm e mantiveram contratos com a estatal federal, vinculada ao Ministério das Cidades, desde 1998 até agora. “Há vários contratos (federais) também. Há possíveis outros cartéis em âmbito federal. Aqui estamos falando, via de regra, em cartéis estaduais com efeito na esfera federal, crime de evasão. Envolve recursos da União”, disse Karen.

Karen afirmou que apura em tese diversos delitos. Além do cartel, haveria corrupção internacional, lavagem de dinheiro, evasão de divisas e “formação de quadrilha, eventualmente com enquadramento na nova lei de organizações criminosas”. Muitas empresas citadas aparecem em outras apurações do MPF, o que reforça as suspeitas da procuradora Karen. A procuradora não especificou quais licitações teriam sido fraudadas nem o período em que elas ocorreram – se envolveriam, por exemplo, os governos de Fernando Henrique Cardoso (1995 a 2002), de Luiz Inácio Lula da Silva (2003 a 2010) ou de Dilma Rousseff.

O Ministério das Cidades, órgão ao qual a Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU) está subordinada, informou ontem que vai investigar qualquer irregularidade que eventualmente venha a surgir por causa de investigações tocadas pelo Ministério Público Federal.

Houve alguma faixa pedindo “Fora Dilma” por causa disso? Não, não houve. Como poderia haver tal coisa numa manifestação organizada por PT e MPL, não é mesmo? Assim, pode-se chegar à conclusão que, para essa turma, cartel em São Paulo é sempre ruim; cartel no governo federal pode ser tolerado. Em nome de quê? Sei lá.

Suborno – Sim, a Siemens, empresa que denunciou o truste ao Cade, pagou propinas milionárias a governos espalhados pelo mundo todo visando a conquista de contratos. Para realizar a manutenção de equipamentos hospitalares e de trânsito na Rússia, a empresa pagou 56 milhões de dólares a funcionários do governo. Na China, o suborno foi de 60 milhões de dólares em licitações para fornecimento de equipamentos de telecomunicações. Em Israel, funcionários de uma estatal de energia foram agraciados com 20 milhões de dólares. Na Nigéria, dois ministros embolsaram 10 milhões de dólares. Na Venezuela, 20 milhões de dólares foram pagos para conseguir contrato de construção de linhas de metrô. Todas essas informações foram levantadas pela própria Siemens, por intermédio de uma nova política de compliance de alcance mundial.

No Brasil, no entanto, ainda não há evidências de que a empresa pagou propina a políticos ou funcionários públicos. Até o momento, não há nenhum documento que ateste tal prática. Sabemos, apenas, do escuso expediente de combinar preço com concorrentes. No que se sustenta, então, os cartazes de “Fora Alckmin”? “Ah, ele, como governador, deveria saber. Certamente o PSDB foi leniente e fez vistas grossas”, dizem muitos. Engraçado. O Cade, que é o órgão cuja atuação é justamente antitruste, não conseguiu, em todos esses anos, ver nenhum indício de falcatrua. NENHUM. Só vieram à luz tais fatos porque a Siemens optou por colocar a boca no trombone. Se o Cade legitimou as operações, como poderia o governo do estado adivinhar que as empresas estavam em conluio?

Ah, o Cade é subordinado ao Ministério da Justiça. Não nenhuma faixa “Fora Cardozo”.

FIASCO

PT ENGROSSA MANIFESTAÇÃO. COMO É CONTRA A OPOSIÇÃO, AGORA PODE

Nesta quarta-feira a rotina dos paulistanos pode novamente ser afetada pelos buliçosos do Movimento Passe Livre. Prometem fazer uma barulheira tremenda contra as recentes denúncias de cartel em licitação do metrô e da CPTM. Avolumam os quadros dos manifestantes gente do Sindicato dos Metroviários, do PSOL e PSTU. Até mesmo o PT, vítima das escaramuças do MPL, dá apoio ao ato.

O PT é mesmo uma coisa estupefaciente: quando as ruas tinham uma pauta de reivindicação difusa, tentaram se apropriar do alarido. Tomaram na cabeça! Depois que Dilma fez aquele pronunciamento desastroso em rede nacional – chamando, sim, para si, boa parte da responsabilidade de arrefecer os ânimos da turba – e a população pareceu não ter digerido muito bem a mensagem da presidente, caíram fora. Recorreram, inclusive, àquele expediente velho de guerra: jogar nas costas da “elite” e dos “reacionários” a força propulsora das ruas, cujo propósito, claro, seria destituir o único governo verdadeiramente pró-trabalhadores de nossa história recente. É de revirar o estômago, eu sei

Agora que o vozerio tem um foco, e este é contra o PSDB de São Paulo, os petistas, tão oportunos como sempre, servem-se da ocasião e apoiam a manifestação. Manifestação contra oposição não é coisa de “reacionários” nem da “elite”; é virtude pura.

Antes de prosseguir, é necessário visitarmos a gênese das denúncias de cartel. Trata-se de um caso emblemático de irresponsabilidade e politização de um órgão de governo. O Cade, fonte de todas as informações sobre o cartel, é presidido por Vinícius Marques de Carvalho, sobrinho de Gilberto Carvalho, ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República e os olhos e ouvidos do Lula dentro do Planalto. A devoção com que Carvalho venera o ex-presidente não é segredo para os mais atentos. E por que cito isso? Simples: nunca antes na história deste país o Cade foi tão seletivo no vazamento de informações à imprensa. Os jornalistas, por sua vez, empolgados com o calhamaço de denúncias que lhes chegam às mãos, parecem ter jogado no lixo o bom e velho hábito de apurar.

“Ah, diz isso só porque o escândalo é contra tucanos”, podem dizer alguns. Uma ova! Não tenho coloração partidária quando o assunto é decência na gestão pública. Por sinal, quem me acha tucano não me conhece mesmo. Esse papinho de socialdemocracia não me convence. Muito centro-esquerda pro meu gosto. Sou de direita, oras!

Adiante.

As investigações conduzidas pelo órgão são sigilosas. Todas informações dadas pela Siemens, nessa espécie de delação premiada, não podem ser acessadas pelo governo de São Paulo. O que justifica o sigilo? Não sei! A situação é de tal sorte absurda que quem é acusado não tem como se defender, pois, atenção, NÃO SABE OFICIALMENTE DO QUE ESTÁ SENDO ACUSADO. E aqui abro um parêntese: a Siemens tem contratos bilionários firmados com o governo federal. Mais: o Cade informa que a investigação de formação de cartéis não se restringe apenas a São Paulo. Daí torna-se inevitável fazer algumas rasas lucubrações: se a multinacional alemã também presta serviços ao governo federal, teria a empresa aderido a cartéis apenas no estado de São Paulo?; então no âmbito federal todos os contratos são pura lisura?; se o Cade investiga cartel em outros lugares do país, porque só vazam informações contra o governo de São Paulo? Fecho o parêntese.

Quero fazer algumas provocações, na contramão do consenso. Folha, Estadão e TV Globo parecem ter caído num embuste: o de que a imprensa, depois de ter coberto à exaustão os inúmeros escarcéus do PT, tem agora a obrigação de estampar em suas primeiras páginas ou anunciar na escalada em letras garrafais e tom professoral o escândalo em gestões tucanas também, ainda que as denúncias sejam genéricas e tão profundas quanto um pires; do contrário, não seria uma imprensa verdadeiramente independente. Há vileza no caso Siemens? Que os envolvidos sejam julgados e enviados à cadeia. Mas vamos a uma reflexão sobre fatos:

1-    Um ex-diretor da Siemens, em e-mail, não deixou dúvidas de que a empresa perdeu a concorrência para a CAF e, por causa disso, entraria na Justiça. Assim o fez;
2-    no mesmo e-mail, esse diretor afirma que o então governador José Serra cancelaria a licitação caso a Siemens vencesse – o que seria louvável, pois os valores cobrados pela multinacional alemã eram R$ 200 milhões mais caro;
3-    o diretor também sustenta que o tucano teria sugerido às empresas que entrassem em um acordo, e que 30% do contrato vencido pela CAF fossem repassados à Siemens;
4-    o ex-governador nega que tenha sugerido o acordo. Em seu favor, o que há?

A vencedora da licitação foi a CAF. Bom para os cofres públicos, que economizaram R$ 200 milhões. Não houve divisão dos 30% do contrato. A Siemens foi à Justiça contra o governo do estado. Perdeu no STJ. Inconformada, a empresa entrou com recursos administrativos, que foram negados.

O que se conclui disso? Simples: a investigação do Cade é CONTRA formação de cartel. No caso acima, houve um ANTICARTEL. Perceberam? Mais: todas as afirmações usadas para embasar a denúncia foram extraídas de um e-mail – como sabemos, num e-mail qualquer pessoa escreve o que bem lhe der na telha –; e, na realidade, à luz das evidência e dos fatos, essas mesmas afirmações demonstram-se improcedentes. Mas o que fez a Folha de São Paulo? Estampou em sua capa: “Serra sugeriu que Siemens fizesse acordo”, diz e-mail. E o que o jornal escreveu no 10º parágrafo da reportagem? “Os documentos examinados pela Folha não contêm indícios de que Serra tenha cometido irregularidades, mas sugerem que o governo estadual acompanhou de perto as negociações entre a Siemens e suas concorrentes”. É ou não é um escárnio? O jornal deu a reportagem principal do dia a algo que a própria Folha admite não ter ocorrido.

Esse mesmo jornalismo às avessas tem sido praticado em todos os demais episódios desse imbróglio. Contra os fatos e mandando às favas evidências cristalinas, repórteres escrevem as maiores enormidades. Documentos que chegam às mãos de jornalistas devem servir de PONTO DE PARTIDA para a feitura de uma reportagem investigativa. Infelizmente, o que temos visto é que tais vazamentos têm sido um fim em si mesmo, por mais absurdos que possam ser os episódios que levantam.

Este é apenas um caso entre tantos outros neste episódio do suposto cartel. Pincei um, mas trarei outros à baila. É inadmissível, por exemplo, o que estão fazendo com o vereador Andrea Matarazzo, também do PSDB. Ainda voltarei a esse assunto.

É contra isso que o MPL irá berrar amanhã: contra não-fatos, contra anticartel, contra uma economia de R$ 200 milhões aos cofres públicos…

Claro, haverá gente achando tudo muito lindo.

PS – Nas primeiras manifestações, o MPL disse que só pararia de ir às ruas se a tarifa baixasse. E agora, vão parar quando, se a premissa pela qual vão à praça não sobrevive a uma análise?

PT ENGROSSA MANIFESTAÇÃO. COMO É CONTRA A OPOSIÇÃO, AGORA PODE

CRIANÇAS SÃO SERES MAUS, QUE PODEM, SIM, MATAR A FAMÍLIA FRIAMENTE

É claro que um menino de 13 anos, com cara de anjinho, pode muito bem ter planejado o assassinato da família. Não sei se foi de fato Marcelo Bovo Pesseghini que matou seus pais, tia e avó. Mas não descarto a hipótese.

Os cândidos pensam que crianças são a essência do bem, do bom, do belo e do justo porque, ora, são crianças, e logo seriam incapazes de cometer quaisquer atrocidades. Graças a Rousseau, esses serezinhos foram alçados à condição de plena imaculabilidade. Nascem bons, porque desprovidos dos interesses da civilização – posses, dinheiro, constituir família, esses valores absurdos, vocês sabem – e logo são bons selvagens. Rousseau desenvolveu essa teoria com risível profundidade em seu Discurso Sobre a Origem da Desigualdade. Diz ele que o homem, enquanto em seu estado de natureza, pode muito bem viver em comunidade, pois todos os recursos necessários à sua existência estão ao seu dispor, por toda a terra. A desigualdade surgiria à medida que o homem fosse tomando conhecimento que ele pode ser melhor do que é, pois enquanto uns, aptos a desenvolver suas habilidades, buscariam sair da mesquinhez do estado de natureza, outros permaneceriam nele. Podem rir.

A criança, nessa visão romantizada de mundo, nasceria, portanto, boa: sem interesses, sem malícia, sem desejos, sem informação, sem parâmetros; e tornar-se-ia um ser humano pior por culpa da sociedade – a civilização. Advém daí algumas teses estúpidas, dentre muitas, a de que um mundo governado por esses pequenos anjinhos seria um lugar ideal pra se viver, porque são cheios de amor e inocência. Lamento ter de ser a nota destoante desse coral. Crianças, no estado de natureza, são cruéis, autoritárias, frias, incapazes de amar conscientemente, interesseiras, calculistas… Esses valores vão sendo moldados e se invertendo à medida em que vão entrando em contato com a sociedade, com o mundo dos adultos. O ser humano nasce mau; a sociedade o civiliza e o torna bom.

Thomas Hobbes, em Leviatã, afirma que a vida humana seria “brutal e curta” sem a autoridade política, pois como não há limites claros sobre a extensão dos direitos das pessoas, o homem acaba sendo “lobo do homem”, pois entende ser livre para prejudicar os demais todas as vezes que o lampejo fortuito de seu juízo entendesse que estaria em alguma situação de risco. Hobbes nos mostra que o Leviatã (o Estado) é necessário para que os homens vivam com segurança, sem que um acabe ficando refém da selvageria de outro, cuja predisposição é, sim, matar.

Hobbes é a sociedade civilizada, é o homem adulto; Rousseau é a sociedade no estado natural, a criança.

Crianças não têm noção do que é certo e errado. Acham normal arrebatar pirulitos dos coleguinhas de creche e largar a vítima chorando. Acham de igual forma virtuoso cerrar o punho contra os pais nos primeiros “nãos” da vida. Se querem algo, esperneiam. Diante da recusa, choram mais alto ainda – sabem aqueles pestinhas escandalosos no meio do mercado entre as bolachas Trakinas?  — e chantageiam os adultos metendo seus cocurutos contra a parede, levando as mães ao desespero. Os petizes acham justo recorrer à força bruta para resolver suas diferenças, bem como não veem nenhum problema em satanizar o outro, o diferente. Quem leu o livro O Senhor das Moscas sabe como sofreu Porquinho. Crianças se comprazem em ver o sofrimento alheio. Não raro, muitas acham bastante engraçado os esboços de dor de um cachorro depois de ter-lhe dado um chute no meio do focinho. A agonia de outra pessoa, por sinal, é algo que faz brilhar os olhos dos pequenos. Quando eles nos batem e simulamos uma dorzinha, riem; daí fazem o quê? Batem mais forte; se fingimos que doeu mais, mais eles se divertem. Eles amam a tortura.

No filme A Caça, vemos todo o drama da personagem Lucas, interpretado pelo excelente Mads Mikkelsen, após uma aluna sua tê-lo acusado de assédio sexual. A menina, Klara, inventa essa abobrinha e testemunha todas as conseqüências sofridas por Lucas, mas não se comove; pelo contrário: reafirma vírgula por vírgula que o professor lhe mostrara as partes íntimas. Crianças mentem para se safar de algo errado que fizeram, mentem para prejudicar os outros, mentem por prazer… Crianças não são seres confiáveis. Em seus mundos frios e calculistas, impera apenas aquilo que elas acham ser o certo, sem a possibilidade do contraditório. Tanto que a primeira figura que odeiam é a do pai, símbolo da autoridade. Crianças não gostam de obedecer, detestam autoridade, não suportam ter de se submeter ao mundo civilizado. Graças à sociedade e aos adultos, essas características vão se amainando e se adequando ao razoável.

Quem pensa que um mundo dominado por crianças seria um paraíso está redondamente enganado. Seria uma carnificina, isso sim.

CRIANÇAS SÃO SERES MAUS, QUE PODEM, SIM, MATAR A FAMÍLIA FRIAMENTE

SABEM QUAIS FORAM AS GRANDES CONQUISTAS DAS RUAS ATÉ AGORA? NENHUMA!

Não há um miserável ganho para o País provido das manifestações de rua. Temos pessoas feridas – civis e militares –, comerciantes que perderam praticamente tudo em razão das depredações, jornalistas agredidos, carros de emissoras de tv incendiados, patrimônio público dilapidado e prejuízos importantes advindos do travamento de ruas e avenidas. Soma-se a essa lista a proeminência que ganharam grupos que flertam abertamente com o terror como arma para chamar a atenção para si. Os tais Black Bocs, em nenhum outro momento da história recente, sentiram-se tão à vontade para legitimar suas práticas abomináveis. Frente tudo isso, ainda há quem comemore o fato de os buliçosos sequestrarem as ruas. “Alguém tinha de fazer alguma coisa, pois tudo-isso-que-está-aí é inadmissível”, justificam os pueris. Grande coisa! De nada adianta fazer algo se o que se faz é errado e equivocado.

A PEC 37, que limitava o poder de investigação do Ministério Público, foi sepultada pelo Congresso Nacional. Sim, é verdade que a pauta também inflamou as massas, que passaram a chamar a o projeto de PEC da Impunidade. Não, não reconheço a derrubada do projeto como mérito das manifestações. Qualquer um que conheça minimamente o Congresso sabe muito bem que a PEC não seria aprovada, independentemente de a turba estar ou não em alvoroço. Se passasse, o Supremo Tribunal Federal fatalmente a declararia inconstitucional. Não há mérito dos barulhentos nessa causa.

A Comissão de Constituição e Justiça do Senado aprovou o fim do voto secreto nas sessões das duas Casas, medida populista que vai DE (não AO) encontro aos interesses da população. Movidos por um impulso populista, os nobre senadores esqueceram-se de que o mecanismo serve para proteger deputados e senadores da perseguição do governo. Imaginem um congressista, que votou contra um projeto do Executivo indo com seu chapeuzinho pedir uma verbinha para seu município ou estado. Pensem no tipo de patrulha oficial que um senador pode sofrer se rejeitar a indicação de um ministro para tribunais superiores. Os idiotas louvaram a medida. Eu a repudio. Voto secreto bom é só em caso de cassação de mandatos. Só! Nada mais.

Corrupção virou crime hediondo. Mais uma resposta destrambelhada à rouquidão das ruas. Então quer dizer que um crime contra a administração pública agora está na mesma categoria de latrocínio, estupro, tortura, tráfico, homicídio, crime de genocídio? Ah, façam-me um favor. Não me peçam para aplaudir um troço desses. Atenção: corrupção já é crime e já há leis que punem essas práticas. No Brasil, no entanto, temos essa jabuticaba: se uma lei não é cumprida, que se crie uma lei ainda mais rigorosa contra o mesmo crime. É uma piada. O problema do Brasil não é falta de leis: é pôr as que já existem em prática.

Geraldo Alckmin e Fernando Haddad, bem como vários prefeitos, reviram o aumento das passagens, com o sacrifício dos investimentos. Da boca de muitos tolinhos ouvimos aqueles argumentos risíveis: como pode aumentar a tarifa se os serviços são uma porcaria? Sim, é verdade, o transporte público está longe de ser perfeito. Mas desde quando se tem MAIS qualidade com MENOS dinheiro? Isso ninguém explica. Se o preço da passagem ficar congelado em R$3,00 pelos próximos quatro anos, o custo do subsídio somará R$ 8,6 bilhões. Só neste ano, subirá de R$ 1,25 bi a R$ 1,425 bi.

Chamem a claque, chamem. Não contem comigo.

SABEM QUAIS FORAM AS GRANDES CONQUISTAS DAS RUAS ATÉ AGORA? NENHUMA!

JUSTIFICANDO O INJUSTIFICÁVEL

O momento político por que atravessamos tem servido para descortinar opiniões estarrecedoras. O Estadão de ontem ouviu dois especialistas para tratar sobre as manifestações que movimento Black Bloc articula por todo o País.

Um dos entrevistados é Rafael Alcapipani Silveira, coordenador de pesquisas organizacionais da Fundação Getúlio Vargas. Disse ele: “Muitos dos jovens que estão usando essa estratégia de violência nas manifestações vieram das periferias brasileiras. Eles já são vítimas da violência cotidiana por parte do Estado e, por isso, os protestos violentos passam a fazer sentido para ele”. Eis aí uma ponto de vista propalado na academia, por cabeças pensantes, que estão por aí dando aulas e formando opiniões.

Não é uma pérola? Primeiro, vamos tratar de uma escancarada mentira: quem está indo às ruas não são os pobres, é a classe média. Não tenho dados estatísticos à mão que tracem o perfil dos manifestantes. Tenho somente a imagem em minha retina do que presenciei em três protestos aos quais compareci. Sim, meus caros, quando falo do assunto, não emito “opiniões de gabinete”; falo com base no que vi de perto. Vou tratar dessas experiências em um outro post, pois há aspectos que merecem dedicada atenção.

Pablo Ortellado, filósofo, também deu seus pitacos. “Depois de Seattle, os movimentos sociais passaram a aceitar a violência como uma das estratégias políticas e a debater abertamente a questão”, sustentou.

A opinião de ambos serve como um dos comburentes às badernas que varrem o Brasil. Impressionante é que o jornal, em nenhum momento, contrapôs as consequências desses pontos de vista caso sejam adotados como consenso pelas ruas. A reportagem completa está aqui. Quando Ortellado afirma que o uso da violência pode ser justificado de acordo com a necessidade, notem que o repórter não o inquire a descortinar sua subjetividade – afinal de contas, “necessidade” é muito relativo. Levando ao pé da letra tais argumentos, pode-se justificar o injustificável

Vamos aos fatos: Alcapipani não lista quais são as tais violências que o Estado impinge aos moradores da periferia. Ele deixa a questão no ar, e, claro, o espírito de demagogia se encarrega de conduzir os mais distraídos às conclusões populistas: ônibus lotados é uma violência, assim como são os postos de saúde em frangalhos, a falta de segurança etc. Então ficamos combinados assim: se há gargalos de gestão pública, a gente responde na base da porrada, esse expediente civilizado. Afinal de contas, como sabemos, as maiores democracias do mundo e os países de primeiro mundo fizeram do vandalismo seu baluarte de sustentação. Um conhecido, certo dia, foi vítima de uma tentativa de assalto. Revoltado, achou-se no direito de ir à Paulista apedrejar bancos. Confrontei-o com algumas lógicas da democracia. Ele esqueceu seu intento e preferiu ir tomar um café com a namorada.

É patente que carecemos de muitas melhorias. Já deixei isso claro no post anterior. Mas não podemos nos deixar levar pelos impulsos da massa anencéfala e sair por aí com o dedo em riste, berrando contra tudo-isso-que-está-aí Atemo-nos à realidade de São Paulo: somos o estado que mais prende criminosos no País, a cidade de São Paulo é a capital menos violenta dentre as 27, o estado é o quarto colocado no ranking nacional do Ideb (5,6) – atrás do Distrito Federal (5,7), Santa Catarina (5,8) e Minas Gerais (5,9). –, o melhor metrô do Brasil é o de São Paulo… Não estou dizendo que vivemos as mil maravilhas do mundo. Mas há de se reconhecer que avançamos em muitos aspectos. Quem vai às ruas, no entanto, parece reivindicar, via quebra-quebra, a reinvenção do Brasil.

Se puderem, busquem as páginas dos Black Blocs no Facebook. Os bravos guerrilheiros agendaram para o dia 7 de setembro “a maior manifestação da história do Brasil”. Há até quem defenda a invasão do Congresso Nacional e o enforcamento de deputados e senadores. Mesmo com tudo sinalizando o inferno que será esse dia, sabemos que qualquer ação das polícias visando coibir depredações serão tidas como arbitrárias. Evitar e reprimir os crimes cometidos por vândalos virou um estigma. Mais uma contribuição gestada no útero das massas.

JUSTIFICANDO O INJUSTIFICÁVEL