PT ENGROSSA MANIFESTAÇÃO. COMO É CONTRA A OPOSIÇÃO, AGORA PODE

Nesta quarta-feira a rotina dos paulistanos pode novamente ser afetada pelos buliçosos do Movimento Passe Livre. Prometem fazer uma barulheira tremenda contra as recentes denúncias de cartel em licitação do metrô e da CPTM. Avolumam os quadros dos manifestantes gente do Sindicato dos Metroviários, do PSOL e PSTU. Até mesmo o PT, vítima das escaramuças do MPL, dá apoio ao ato.

O PT é mesmo uma coisa estupefaciente: quando as ruas tinham uma pauta de reivindicação difusa, tentaram se apropriar do alarido. Tomaram na cabeça! Depois que Dilma fez aquele pronunciamento desastroso em rede nacional – chamando, sim, para si, boa parte da responsabilidade de arrefecer os ânimos da turba – e a população pareceu não ter digerido muito bem a mensagem da presidente, caíram fora. Recorreram, inclusive, àquele expediente velho de guerra: jogar nas costas da “elite” e dos “reacionários” a força propulsora das ruas, cujo propósito, claro, seria destituir o único governo verdadeiramente pró-trabalhadores de nossa história recente. É de revirar o estômago, eu sei

Agora que o vozerio tem um foco, e este é contra o PSDB de São Paulo, os petistas, tão oportunos como sempre, servem-se da ocasião e apoiam a manifestação. Manifestação contra oposição não é coisa de “reacionários” nem da “elite”; é virtude pura.

Antes de prosseguir, é necessário visitarmos a gênese das denúncias de cartel. Trata-se de um caso emblemático de irresponsabilidade e politização de um órgão de governo. O Cade, fonte de todas as informações sobre o cartel, é presidido por Vinícius Marques de Carvalho, sobrinho de Gilberto Carvalho, ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República e os olhos e ouvidos do Lula dentro do Planalto. A devoção com que Carvalho venera o ex-presidente não é segredo para os mais atentos. E por que cito isso? Simples: nunca antes na história deste país o Cade foi tão seletivo no vazamento de informações à imprensa. Os jornalistas, por sua vez, empolgados com o calhamaço de denúncias que lhes chegam às mãos, parecem ter jogado no lixo o bom e velho hábito de apurar.

“Ah, diz isso só porque o escândalo é contra tucanos”, podem dizer alguns. Uma ova! Não tenho coloração partidária quando o assunto é decência na gestão pública. Por sinal, quem me acha tucano não me conhece mesmo. Esse papinho de socialdemocracia não me convence. Muito centro-esquerda pro meu gosto. Sou de direita, oras!

Adiante.

As investigações conduzidas pelo órgão são sigilosas. Todas informações dadas pela Siemens, nessa espécie de delação premiada, não podem ser acessadas pelo governo de São Paulo. O que justifica o sigilo? Não sei! A situação é de tal sorte absurda que quem é acusado não tem como se defender, pois, atenção, NÃO SABE OFICIALMENTE DO QUE ESTÁ SENDO ACUSADO. E aqui abro um parêntese: a Siemens tem contratos bilionários firmados com o governo federal. Mais: o Cade informa que a investigação de formação de cartéis não se restringe apenas a São Paulo. Daí torna-se inevitável fazer algumas rasas lucubrações: se a multinacional alemã também presta serviços ao governo federal, teria a empresa aderido a cartéis apenas no estado de São Paulo?; então no âmbito federal todos os contratos são pura lisura?; se o Cade investiga cartel em outros lugares do país, porque só vazam informações contra o governo de São Paulo? Fecho o parêntese.

Quero fazer algumas provocações, na contramão do consenso. Folha, Estadão e TV Globo parecem ter caído num embuste: o de que a imprensa, depois de ter coberto à exaustão os inúmeros escarcéus do PT, tem agora a obrigação de estampar em suas primeiras páginas ou anunciar na escalada em letras garrafais e tom professoral o escândalo em gestões tucanas também, ainda que as denúncias sejam genéricas e tão profundas quanto um pires; do contrário, não seria uma imprensa verdadeiramente independente. Há vileza no caso Siemens? Que os envolvidos sejam julgados e enviados à cadeia. Mas vamos a uma reflexão sobre fatos:

1-    Um ex-diretor da Siemens, em e-mail, não deixou dúvidas de que a empresa perdeu a concorrência para a CAF e, por causa disso, entraria na Justiça. Assim o fez;
2-    no mesmo e-mail, esse diretor afirma que o então governador José Serra cancelaria a licitação caso a Siemens vencesse – o que seria louvável, pois os valores cobrados pela multinacional alemã eram R$ 200 milhões mais caro;
3-    o diretor também sustenta que o tucano teria sugerido às empresas que entrassem em um acordo, e que 30% do contrato vencido pela CAF fossem repassados à Siemens;
4-    o ex-governador nega que tenha sugerido o acordo. Em seu favor, o que há?

A vencedora da licitação foi a CAF. Bom para os cofres públicos, que economizaram R$ 200 milhões. Não houve divisão dos 30% do contrato. A Siemens foi à Justiça contra o governo do estado. Perdeu no STJ. Inconformada, a empresa entrou com recursos administrativos, que foram negados.

O que se conclui disso? Simples: a investigação do Cade é CONTRA formação de cartel. No caso acima, houve um ANTICARTEL. Perceberam? Mais: todas as afirmações usadas para embasar a denúncia foram extraídas de um e-mail – como sabemos, num e-mail qualquer pessoa escreve o que bem lhe der na telha –; e, na realidade, à luz das evidência e dos fatos, essas mesmas afirmações demonstram-se improcedentes. Mas o que fez a Folha de São Paulo? Estampou em sua capa: “Serra sugeriu que Siemens fizesse acordo”, diz e-mail. E o que o jornal escreveu no 10º parágrafo da reportagem? “Os documentos examinados pela Folha não contêm indícios de que Serra tenha cometido irregularidades, mas sugerem que o governo estadual acompanhou de perto as negociações entre a Siemens e suas concorrentes”. É ou não é um escárnio? O jornal deu a reportagem principal do dia a algo que a própria Folha admite não ter ocorrido.

Esse mesmo jornalismo às avessas tem sido praticado em todos os demais episódios desse imbróglio. Contra os fatos e mandando às favas evidências cristalinas, repórteres escrevem as maiores enormidades. Documentos que chegam às mãos de jornalistas devem servir de PONTO DE PARTIDA para a feitura de uma reportagem investigativa. Infelizmente, o que temos visto é que tais vazamentos têm sido um fim em si mesmo, por mais absurdos que possam ser os episódios que levantam.

Este é apenas um caso entre tantos outros neste episódio do suposto cartel. Pincei um, mas trarei outros à baila. É inadmissível, por exemplo, o que estão fazendo com o vereador Andrea Matarazzo, também do PSDB. Ainda voltarei a esse assunto.

É contra isso que o MPL irá berrar amanhã: contra não-fatos, contra anticartel, contra uma economia de R$ 200 milhões aos cofres públicos…

Claro, haverá gente achando tudo muito lindo.

PS – Nas primeiras manifestações, o MPL disse que só pararia de ir às ruas se a tarifa baixasse. E agora, vão parar quando, se a premissa pela qual vão à praça não sobrevive a uma análise?

PT ENGROSSA MANIFESTAÇÃO. COMO É CONTRA A OPOSIÇÃO, AGORA PODE

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