ESCRAVOS, SIM!

Podem aplaudir. O PT, partido que tanto se orgulha de defender os interesses dos trabalhadores, passou a ser complacente com o trabalho escravo. O Ministério Público do Trabalho, sempre tão vigilante nos canteiros de obras de empreiteiras e nas condições de trabalho no agronegócio, faz vistas grossas. O Congresso Nacional, que sob o PT tornou-se um mero poder caudatário, semelhantemente virou o rosto para essa aberração do Mais Médicos. Como é em nome do povo e a causa é nobre, os guardiões da ordem parecem ter mandado o bom-senso pras cucuias.

Não me peçam para ser indulgente com a medida só porque ela vem ao encontro de nossa necessidade de ter mais médicos e porque as ruas pediram mais qualidade na saúde. Precisamos de médicos, não de escravos; e as ruas peçam o que quiserem – se endossam o execrável para que seus anseios sejam atendidos, mando o povo às favas também. “Oh, você é muito radical”, exclamam amigos meus. Sim, caros, sou radical quando o assunto é democracia e Constituição. Simples assim.

Não dá para fechar os olhos. O governo brasileiro destinará R$ 40 milhões para financiar uma ditadura sanguinária, que carrega nas costas cadáveres de mais de 100 mil pessoas – todas mortas por discordarem do regime. Não, os R$ 10 mil que cada médico deve receber de bolsa não irão diretamente para o bolso dos profissionais. Os recursos irão para a ilha dos irmãos Castro, que repassarão aos médicos quanto bem entenderem – muito provavelmente menos de 50%. O resto da grana fica retido em Cuba, fazendo caixa para os ditadores possam se locupletar à frente do regime.

Antes de prosseguir, alguns pontos precisam ficar claros: exportar médicos é, sim, um negócio para Cuba. São bilhões de dólares arrecadados pela ilha utilizando-se desse expediente: retendo salários. Reportagem recente do jornal El Pais escancarou as entranhas desse esquema escuso de faturamento. Leiam aqui. Os médicos são para Cuba o que o petróleo é para a Venezuela.

Escravos, sim! – Folheiem com calma o que pensa o Ministério do Trabalho sobre o assunto. Nem tudo o que vai nesse material precisa figurar numa relação patrão-empregado para que esta seja considerada análoga à escravidão. Um exemplo disso é o caso das famílias dos contratados. Sabem por que os médicos não puderam traze-las consigo? Simples: porque se o profissional resolve pedir asilo político no Brasil ou abandonar o trabalho, seus familiares entram na equação das penúrias: ficam ao relento, sem assistência do governo cubano. Seria uma espécie de servidão: se não trabalhar no Brasil conforme acordado entre Cuba e o governo brasileiro, a família paga o pato também. Mais: sob o risco de nunca mais se encontrarem. É um escândalo! Imagine, leitor, se você quisesse pedir demissão de seu trabalho, mas, caso o faça, o governo trata logo de tirar os proventos de sua esposa e filhos por tabela.

Os médicos cubanos não gozarão de nenhuma liberdade. A cartilha que rege o acordo de importação desses profissionais já foi praticada em outros países, como Venezuela e Bolívia. Entre tantas barbaridades, os médicos não são livres para fazer suas escolhas, não são livres para fazer o que bem entenderem de suas carreiras, não são livres para ter acesso a 100% de suas bolsas (mais adiante explico por qual razão nem sequer seus proventos podem ser chamados de salários), não são livres para mudar de cidade, não são livres para prestar quaisquer serviços fora dos termos do acordo entre Brasil e Cuba, não são livres para pedir demissão (!!!) e, pasmem!, não podem nem escolher quem namorar – se por aqui for aplicado o mesmo rigor havido na Bolívia, caso queiram se aventurar pelo calor úmido ladeado pelas pernas das brasileiras, terão, antes de mais nada, de se certificarem sobre o quão simpatizantes são nossas mulheres com a causa revolucionária de Cuba.

Direitos? Que direitos? – Não, os médicos cubanos não têm direitos trabalhistas. Se desistirem do trabalho antes de pelo menos três anos, terão de devolver o dinheiro pago pelo governo brasileiro para…CUBA!!! Ora, isso já é o bastante para concluir que as cifras que o Brasil destinar ao profissional não são dele. Qual o nome da relação de trabalho em que o trabalhador é desassistido de direitos e o dinheiro ganho não lhe pertence? Eis o motivo pelo qual chama-se de “bolsa” o que se paga aos cubanos. “Salário” é termo empregado só a quem tem direitos.

Ainda voltarei a esse assunto, certamente. Com números oficiais, vou demonstrar que trata-se de uma falácia essa história de o Mais Médicos vir a suprir nossa carência por mais profissionais de saúde. Vale lembrar: Alexandre Padilha, o grande nome por trás de toda essa arquitetura, é o candidato do PT para disputar as eleições ao governo de São Paulo. O cheiro de campanha eleitoral já está saindo da cozinha e chegando ao banheiro.

E que se note: não há aqui NADA, absolutamente NADA contra os cubanos. O que questiono e abomino é a forma de contratação.

ESCRAVOS, SIM!

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