MAIS MÉDICOS O ESCAMBAU! OU: A FRIEZA DOS NÚMEROS

Vamos acabar de vez com essa aura construída sobre falsos consensos, a qual dá conta de que a importação de médicos estrangeiros deve suprir a falta de profissionais de saúde no interior do País? Quanta falácia! Incrível como anos de governo do PT viciaram a cabeça do povo. Se um ET chegasse hoje aqui e entrasse em contato com o que se veicula sobre o Mais Médicos, concluiria que não temos médicos – e pior: os que temos são todos insensíveis à causa dos que moram nos grotões. Assim está pensando a maioria da população, para o gáudio do petismo.

Vocês sabem como o PT, quando quer, é hábil destruidor de reputações alheias. Neste blog já comentei muito sobre esse expediente: aparelham órgãos do Estado, constroem relatórios contra oposicionistas, financiam imprensa genuflexa aos interesses escusos do governo – tudo com vistas a enlamear quem ousa não engrossar o estrépito dos tocadores de tuba habituais. Agora, os médicos são a vítima da vez. “Estamos enviando estrangeiros aonde os brasileiros não querem ir”, é o que dizem. Eis a fenda que se abre: nossos profissionais da saúde são insensíveis ao sofrimento dos nossos doentes e interesseiros gananciosos.

Vejam a tabela abaixo:

CFM

Há 40 anos o número de médicos no País cresce de forma relevante. Um recorte da década de 70 até 2010 nos permite notar que, enquanto a população brasileira cresceu 101%, o salto na quantidade de médicos foi de 557%. Até outubro de 2012, segundo o Conselho Federal de Medicina, havia no Brasil 388.015 médicos em atividade. Ou seja, atingimos a taxa de 2 profissionais por 1.000 habitantes. Nos SUS, essa equação cai quase pela meta, é verdade. Segundo o Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES), 215.640 médicos atuam no sistema público – 1,11 profissional por grupo de 1.000 habitantes. Só que, pasmem, essa média é tida como ideal pela Organização Mundial de Saúde, a qual afirma que 1 médico por grupo de 1.000 pessoas é o recomendado. Outra conclusão: considerando o todo, O BRASIL TEM O DOBRO DE MÉDICOS NECESSÁRIOS NA CONTA PROFISSIONAL-HABITANTE PELOS PARÂMETROS DA OMS.

Querem uma notícia melhor ainda? Em 2020, a média de médicos por 1.000 habitantes deverá ser de 2,41. E em 2050? Pasmem novamente: 4,24!

É claro que há regiões carentes de mais médicos. Isso ocorre porque o governo não oferece mínimas condições de trabalho. São lugares sem equipamentos, sem infraestrutura, esquecidos pelos poderosos e largados ao relento. Norte e Nordeste são quem mais sentem essa falta de profissionais. Uma coisa, no entanto, precisa ficar bem clara: MÉDICOS NÃO VÃO CLINICAR NESSES LUGARES POR CULPA DO GOVERNO DO PT, QUE HÁ DEZ ANOS NO PODER AINDA NÃO CONSEGUIU DAR UM MISERÁVEL SALTO DE QUALIDADE NA SAÚDE PÚBLICA. Tenho asco de quem joga nas costas dos médicos brasileiros o ônus desse desastre. Ser médico é ser profissional: é ter condições dignas de trabalho, é tirar da atividade seu ganha-pão, é sentir-se respeitado por quem o emprega, é estar amparado por um mínimo de infraestrutura. Só bonomia não resolve. Leiam trechos de reportagem publicada na Folha de S.Paulo desta terça-feira.

A carreira de Nailton Galdino de Oliveira, 34, no programa Mais Médicos, bandeira de Dilma Rousseff (PT) para levar atendimento de saúde ao interior e às periferias, durou menos de 48 horas e exatos 55 atendimentos.

Alegando estar impressionado com a estrutura precária da unidade em Camaragibe (região metropolitana do Recife), onde atuou por dois dias, pediu desligamento.

“É uma aberração: teto caindo, muito mofo e infiltração, uma parede que dá choque, sem ventilação no consultório, sala de vacina em local inapropriado, falta de medicamentos”, afirmou.

A Folha encontrou exemplos espalhados pelo país, com justificativas variadas alegadas pelos profissionais –incluindo falta de infraestrutura, planos profissionais e pessoais e desconhecimento de algumas condições.

Vão continuar falando que faltam médicos?
Afirmarão ainda que precisamos de mais médicos?
Sustentarão que a saída para os locais longínquos é mesmo trazer estrangeiros, inclusive escravos cubanos (ler post abaixo)?

Então vou além.

Serão os cubanos os enviados para as regiões mais inóspitos do País. São quatro mil profissionais vindo da ditadura dos irmãos Castro. Sabem o que isso significa? Simples: a média de médicos por habitante passaria de 2/1.000 para 2,02/1.000. O Brasil forma 16.277 médicos por ano. Em outras palavras, SEM os cubanos, nossa média já seria de 2,08/1.000 no final do ano que vem. Pergunta: faz sentido o governo mandar US$ 200 milhões por ano para Cuba (espera-se que as cifras cheguem a US$ 500 milhões) por isso? Não seria mais proveitoso investir esse dinheiro para melhorar os a infraestrutura de saúde desses lugares carentes? Mas quê…

É facínora da palavra quem culpa nossos médicos pelo desastre proveniente da inépcia do governo. E é exatamente o que o PT tem feito, na pessoa do ministro-candidato da Saúde Alexandre Padilha, para quem as desistências de parte dos profissionais do Mais Médicos é ardil corporativista. Graças a esse ser, a população começa a elucubrar que a saúde é um lixo por culpa dos médicos. Recomendo o excelente artigo do Luiz Felipe Pondé publicado na Folha da última segunda-feira.

PS – Pelo menos os médicos citados na reportagem da Folha tiveram a liberdade de pedir demissão. Se os cubanos se defrontarem com o caos, não terão direito de pedir para voltarem às suas famílias. Aplaudam, entusiastas, aplaudam.

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