O MEDO VENCEU A ESPERANÇA

O terrorismo eleitoral, a campanha do medo e o sem-número de mentiras promovidas pelo PT, o que acabou por caracterizar as eleições de 2014 como a mais suja desde a redemocratização, levaram Dilma Rousseff a sair das urnas com 51,63% dos votos válidos (54,5 milhões de eleitores). Aécio Neves, do PSDB, conquistou para seu partido a maior votação de sua história: 48,37% dos votos (mais de 51 milhões de eleitores). Desde 2002, quando Lula derrotou Serra (61,3% a 38,7%), a diferença de votos recebidos pela oposição em relação ao PT vem diminuindo. Em 2006, Lula ficou com 60,8% dos votos; Alckmin, com 39,2%. Em 2010, Dilma levou 56,1%; Serra, 43,9%. Há aí uma tendência, sim, por mais que especialistas lutem em negar: o modelo petista de governar está levando o eleitorado ao enfado.

Fosse a campanha eleitoral pautada pelos bons princípios e pela higidez, talvez nestas eleições a ânsia por algo novo ficaria ainda mais escancarado. Ocorre que, em um ambiente em que o adversário é pautado pelo ódio e pela sina de anatemizar o oponente até as últimas consequências, o território para a propagação de ideias férteis ao debate democrático e ao futuro do País se torna menos propenso. Se Dilma ataca, Aécio tem de se defender. Como ficar calado frente às mentiras de que o PSDB acabaria com os programas sociais? Como deixar de refutar suposições de que o tucano agredia mulheres? Como aquiescer frente à boataria de que Armínio Fraga, trazendo a inflação para 3%, inevitavelmente elevaria o desemprego para 15%? Como deixar passar incólume constatações estarrecedoras, como a de que Fernando Henrique Cardoso entregou o Brasil a Lula com uma inflação maior do que quando recebeu?

Marina Silva, espancada sem dó pelo petismo, preferiu “dar a outra face”. Se ferrou. Viu suas intenções de voto minarem paulatinamente. Da dianteira nas pesquisas, foi para a terceira colocação. Sob a pecha de homofóbica (santo Deus!) e de mentirosa, deixou-se abater pela máquina de sujar reputações. Antes dela, Eduardo Campos já estava na mira. Com sua trágica morte, os holofotes encarregaram-se de focalizar a nova presa.

Dossiês contra adversários políticos, uso de estatais e da máquina pública para fustigar campanha da oposição, disseminação de boataria, a transformação do oponente em alvo a ser destruído, a certeza de ser dotado de um exclusivismo moral que lhe assegura um hipotético direito de guerrear a conduta das pessoas, e, o pulo do gato: acusar os outros de fazer exatamente tudo aquilo que você faz. Eis o PT. Dilma e Lula, em comícios Brasil afora,  disseram que os tucanos proferiam discursos de ódio. Era, evidentemente, mentira. É fácil constatar quem levou ao picadeiro a palra do nós contra eles. O marketing do PT sempre foi eficiente em estimular um arranca-rabo de classes. Pespegam nos adversários o epônimo das elites que não gostam nadinha da ascensão dos mais desfavorecidos. Como a causa destes (pobres) é a virtude deles (PT), aqueles (PSDB) representariam o retrocesso. Para evitar isso, só mantendo Dilma no poder, e fazendo povo acreditar que o Brasil da propagando de fato existe e não é um conto de fadas.

Não é fácil sustentar esse sistema. Mantê-lo irrigado com falácias requer infraestrutura e braços. É por isso que vimos os Correios atuando como comitê eleitoral do PT. É por isso que beneficiários do Bolsa Família receberam SMS afirmando que, em eventual vitória de Aécio, os recursos para o programa cessariam. É por isso que gente cadastrada no Minha Casa, Minha Vida foi alertada sobre o risco de sua moradia não ser mais entregue.

E sabem o que é mais nojento? É o PT, que sempre se orgulhou de hastear a bandeira dos mais desvalidos, usá-los como massa de manobra para se locupletar em seu projeto de poder. Pobres, meus caros, são conservadores. Procuram preservar qualquer conquista que tenham na vida, o que os conduz ao anseio por estabilidade e certa resistência a mudanças. Não têm esse comportamento, em tese, por má-fé, mas sim por um, digamos, instinto de sobrevivência. Dá-me asco saber que o PT se aproveita desse sentimento para levar pânico a essas pessoas. Foram SMSs, torpedos, mensagens de WhatsApp com mensagens caluniosas e ameaçadoras enviados diretamente a milhares de pessoas. A própria Dilma vocalizou que Aécio era contra o salário mínimo, e sua vitória era o prefácio de uma era de desempregados.

Não há debate razoável a ser feito em um ambiente contaminado pelo ódio. O eleitorado, ávido por propostas e uma discussão pertinente sobre o futuro, vê-se diante de baixarias mil de um lado. Se o outro lado não responde, corre-se o risco de ver dedos em riste apontados para sua cara, em tom de “quem cala, consente” (sim, pode-se usar vírgula em sujeito oracional). E os interesses do País vão para o ralo. Diante disso, o dia a dia do brasileiro comum, a economia estagnada, a indústria desempregando, a dívida interna explodindo, a inflação nos estertores da meta… como diria Rita Lee: tudo vira bosta. Em um debate menos contagiado pelo ódio petista e mais aberto à lisura de propostas, o PT perderia. E feio.

O medo venceu a esperança. A mentira prevaleceu sobre a verdade. A desonestidade intelectual suplantou a decência.

É claro que ainda escreverei mais sobre essas eleições. Um post é muito pouco para os quilos de coisas que ainda precisam ser ditas.

O MEDO VENCEU A ESPERANÇA

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