União? Que união?

Hipócrita. Não há outra conclusão à qual chegar quando se sintetiza o discurso da vitória de Dilma Rousseff. Os eixos de seu palavrório foram dois: “reforma política” e “união”. Quero me ater neste último. Do primeiro cuido depois.

Já disse e repito: nunca antes na história de País foi promovida uma campanha eleitoral tão suja e desonesta como a de 2014. Nem em 1989, quando Collor levou ao ar propaganda de TV em que uma ex-mulher de Lula o acusava de tê-la obrigado a abortar, o nível beirou as profundezas do poço. Por parte do PT, prevaleceu o “nós contra eles”. Em discursos País afora, assistimos à demonização das elites, que, no imaginário petista, galvanizavam a candidatura de Aécio Neves e conferiam-lhe corpo para chegar ao Planalto.

Dilma acusou o PSDB de “não andar no meio dos pobres”. Lula mais uma vez prestou um desserviço de à democracia, ao incitar o ódio de um setor da sociedade à “elite incomodada com a ascensão dos mais pobres”. É uma coisa asquerosa ver uma candidata à reeleição, mas ainda com o peso institucional da Presidência, e um ex-presidente da República incitarem a divisão entre cidadãos de um mesmo País. Esquecem-se do pós-eleição. Ou Dilma, agora reeleita, será a presidente apenas dos pobres? A elite que ela tanto hostilizou será alijada de seu governo?

Eis uma herança maldita do PT à história do Brasil: a divisão do povo. Há no ar um mal-estar. Há lados divergentes não mais apenas no campo das colorações partidárias. O espírito petista incutiu em fatias da população a falsa percepção de que existe outra parte do povo que os enxerga como opróbrios.

Há, sim, uma divisão clara e inequívoca no País, mas não é a apontada pelo petismo e seus asseclas. Há quem queira libertar o Estado brasileiro do aparelhamento partidário, e há quem o apoie. Quem acha razoável uma economia estagnada e vê a urgência de se adotar medidas corretivas imediatamente no campo macroeconômico, e quem acha que estamos sob um céu de brigadeiro. Quem não quer mais ver a Petrobras sendo assaltada por uma claque de inescrupulosos, e quem deseja liberta-la de um fim melancólico. Quem vê com satisfação mensaleiros na Papuda, e quem os toma como heróis nacionais. Essa divisão é legítima e precisa ser mantida, deixando claro quem integra que lado do jogo; a do PT é puramente eleitoreira.

Depois erguer muralhas entre o povo, Dilma convoca a todos nós à união. Respeitosamente, presidente, vá catar coquinho! A união desejada pelo PT é leonina: o lado deles sempre sairá ganhando, locupletando-se da miséria das massas e das instituições; o lado oposto paga a conta. O Brasil unido de Dilma é impossível. O PT semeia discórdia e fomenta ódio. Não há casamento que dure sobre uma matriz tão insustentável. Mais: o palavrório de Dilma pró união pode ter em si a semente de 2015 adiante: se a oposição decidir fazer oposição (oh, que novidade!) e levar seriíssimas dores de cabeça aos mandatários de plantão, será acusada de intolerante, mesmo depois do aceno carinhoso de Dilma no discurso da vitória.

Não há união possível com o PT. Se estão no governo, querem destruir a oposição. Vide discurso de Lula nas eleições de 2010 contra o então candidato ao governo do  Estado de Santa Catarina, Raimundo Colombo (DEM). Se na oposição, mandam às favas o interesse nacional e o bem-estar o Estado e apostam no quanto pior, melhor. O ferrenho combate que mantiveram contra o Plano Real e a Lei de Responsabilidade Fiscal provam isso.

“Ah, mas até o Aécio falou em unir os brasileiros”. Sim, é verdade. Só que uma coisa é o desejo de unificar o País na boca de Aécio. Vindo do PT, não vale de nada. A história comprova.

Eu sou oposição. Espero que Aécio Neves, José Serra, Álvaro Dias, Antônio Anastasia, Tasso Jereissati, no Senado; e os oposicionistas na Câmara Federal também sejam. Recuso a oferta de união da presidente. Pelo bem do Brasil.

União? Que união?

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