A REFORMA POLÍTICA DO PT FRAGILIZA A DEMOCRACIA. MERECE UM NÃO CONTUNDENTE

Ao longo de 11 anos no poder, o PT nunca advogou com tanto afinco a reforma política que agora dona Dilma canta em prosa e verso. Precisou o País vir abaixo em junho do ano passado para que isso ocorresse. À época, o que Dilma propôs foi um escândalo jurídico: Constituinte exclusiva para a reforma política. Santo Deus! Não existe ninguém destacado na órbita do Planalto para instruir a mandatária? Mais do que depressa, juristas aos montes desmoralizaram a proposta, apontando o conjunto de asneiras que a ideia de Dilma continha. Foi um vexame!

Pois bem, passado o calor da campanha eleitoral, em entrevistas a emissoras de TV, Dilma, agora, emplaca enfaticamente o plesbicito como caminho para a reforma política. Basta conhecer minimamente o Congresso Nacional para saber que seu trabalho terá de ser hercúleo para prosperar. Há um PMDB lá, que sairá enormemente prejudicado se essa a reforma for aplicada nos moldes sonhados pelo PT. Mais: há uma oposição vigorosa, fortificada pelo resultado das urnas. Queiram ou não, ela fala em nome de 62% dos brasileiros que não votaram em Dilma.

O que hoje pode ser escaramuça do petismo tem potencial para se transformar em algo bem grave. Há, sim, escamoteada nas “benévolas” ideias do PT a semente para a concretização do que o partido sempre quis: sua eternização no poder. “Ah, mas as instituições no Brasil são democráticas”, respondem muitos. É mesmo? E quem disse que os instrumentos da democracia não podem ser utilizados para solapá-la? Se comparar o grau de aparelhamento do Estado brasileiro, dos movimentos sociais, das ONGs e do sindicalismo de hoje com o que era 10 anos atrás, veremos uma crescente alarmante. A troco de quê? Bem, as coisas começam a ficar mais claras.

A proposta de plebiscito pelo Executivo, se analisada em sua essência e à luz do Art. 49 inciso XV da Constituição Federal, é um by pass no Congresso Nacional. Seria mais razoável a convocação de um referendo. Primeiro, Senado e Câmara desenham o modelo de reforma, depois, o povo diz se concorda ou não. Mais: diz o PT ter a legitimidade de movimentos sociais para cacifar a tal Constituinte. Que coisa, não? Movimentos sociais quase todos aparelhados pelo esquerdismo mais bocó. É um acinte dos infernos. Imaginem que coisa maravilhosa viria da tal Mídia Ninja, Movimento Passe Livre, MTST, MST, Coordenação Nacional de Lutas, A Marighella, Alba, UNE… Isso justifica a especial predileção pelo plebiscito: o que viria das ruas teria mais musculatura para ser enfiado goela abaixo dos congressistas.

O que o PT quer – Se o modelo de reforma política estruturado pelo PT passar, teremos a debilidade da democracia como resultado. O financiamento público de campanha defendido pelo partido não passa de engodo mascarado de boas intenções. Dizem que o expediente erradicaria as mazelas da vida política. Que piada! Quer dizer que o Petrolão existiu devido ao financiamento empresarial de campanhas? E o escândalo do DNIT? E o dossiê dos aloprados?

É preciso ser muito cândido para crer em tamanha bobajada. O financiamento público de campanha, como critério de distribuição de prebendas, obedeceria à proporcionalidade de votos recebidos pelos partidos na eleição anterior. Adivinhem quem sairia abiscoitando a maior fatia do bolo? “Ah, mas é bom, pois os nanicos se danariam”. A troco do regozijo petista? Isso é razoável? Ora, façam-me um favor. Cláusula de barreira, nesse caso, seria mais salutar.

O voto em lista fechada veta ao eleitor o direito de conhecer o nome e o rosto do candidato em que está votando. Dá-se aos partidos o direito de colocarem quem bem quiser nas cadeiras do Congresso Nacional. Quando a patota da Papuda, liderada por Genoíno e José Dirceu, estiver novamente apta a votar e ser votada, poderá voltar à vida pública. Basta a reforma da Dilma conseguir emplacar o voto em lista. Se democracia pressupõe o eleitor vigilante e perto do eleito, que vingue o modelo de voto distrital misto.

Ainda falta muito para entrarmos nos trilhos de uma Venezuela. Mas, cá entre nós, o PT está fazendo a lição de casa direitinho.

A REFORMA POLÍTICA DO PT FRAGILIZA A DEMOCRACIA. MERECE UM NÃO CONTUNDENTE

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