Proselitismo com miseráveis: imoral, inaceitável e impiedoso

O mercado da miséria é bastante explorado por vigaristas, esquerdistas moradores do Leblon e da Vila Madalena e petistas. Onde há pobre, há a órbita dessa gente. Sempre foi assim. A diferença é que, em tempos eleitorais, a coisa fica  mais escancarada. Vide o que o PT fez com os assistidos pelo programa Bolsa Família. Serviram de massa de manobra para que o partido pudesse continuar se locupletando no poder. Mensagens de torpedo, e-mails, carro de som pelas ruas e mala direta aos borbotões foram utilizados para coloca-los contra a parede. O tom nada amistoso pode ser sintetizado em: ou você vota em Dilma ou seu Bolsa Família será cortado. Uma singeleza só.

Uma rápida consulta aos sites do Tribunal Superior Eleitoral e do Ministério do Desenvolvimento Social nos permite verificar a relação entre o quão necessitado é um município dos recursos do Bolsa Família e o tanto de votos obtidos por Dilma Rousseff. A conclusão é, como diria nossa mandatária reeleita, estarrecedora: nas mil cidades onde há mais assistidos pelo Bolsa Família, a média de votos de Dilma foi de 73%. Nos mil municípios em que a maioria das famílias tem renda per capita igual ou inferior a R$ 70, o PT levou 74% dos votos. Em outro polo, nos mil municípios que menos dependem do Bolsa Família e naqueles onde é minoria as famílias com renda per capita abaixo de R$ 70, o resultado foi 28%.

“Então quer dizer que você é contra o governo combater a miséria?” Eu? Sai fora! É claro que o governo tem de diuturnamente (além deste advérbio de modo, Dilma cravaria um noturnamente) combater a fome e a miséria. Inclusive, acho que o Bolsa Família deveria ser transformado em política de Estado, livre de desígnios dos partidos de plantão. Sua perenidade tem de ser assegurada. Ponto. O que ponho em questão é outra coisa: por que cargas d’água o PT se orgulha tanto de ter 50 milhões de pessoas dependentes do Estado para se sustentar? Só razões eleitoreiras justificam isso. Países decentes comemoram que seus pobres saiam da pobreza e tomem condições de gerir suas próprias vidas; no Brasil, faz-se festa quando uma família entra para o assistencialismo.

Quando o assunto é levado ao marketing político, a coisa ganha contornos ainda mais constrangedores. Vemos uma candidata orgulhosa de pendurar mais gente na dependência do Estado. A oposição, sem traquejo para falar o que tem de ser dito, afirma que vai fortalecer o programa (santo Deus, é mesmo?), de modo a assistir ainda mais pessoas. Só se vê governante querendo trazer mais gente para saciar sua fome nos seios estatais, mas não há um santo com uma proposta decente para dar liberdade a essas famílias.

Fazer proselitismo político com pessoas que dependem de R$ 32 a R$ 170 para viver é imoral, além de impiedoso. É usar a miséria como máquina de votos. E é isso que está em curso no Brasil, sob o voto complacente de 54,5 milhões de pessoas.

Proselitismo com miseráveis: imoral, inaceitável e impiedoso

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s