QUEM É O PT PARA FALAR DE GOLPE?

É de embrulhar o estômago a Resolução Política que o PT publicou em seu site nesta semana. Ali há a mais nojenta esquerdopatia, acometida pelo ressentimento e ávida para estender seus tentáculos ainda com mais força sobre frações do Estado. Dilma ganhou, com margens estreitíssimas de diferença, é verdade, mas saiu vitoriosa. O que justifica, então, a contínua campanha de destruição das oposições? Por que ainda insistem em atacar pessoalmente Aécio Neves? Pois é, não sei. Quem lê o documento com atenção vai notar que o fio condutar da gerigonça é uma suposta tentativa de golpe contra Dilma. É como se o País estivesse mobilizado para apeá-la do poder, o que é uma tolice, evidentemente.

Diz a estrovenga: “A oposição, encabeçada por Aécio Neves, além de representar o retrocesso neoliberal, incorreu nas piores práticas políticas: o machismo, o racismo, o preconceito, o ódio, a intolerância, a nostalgia da ditadura militar.” Percebam que, ao jogar Aécio na bacia das almas juntamente com todos esses sentimentos, o PT visa a desqualificar desde já movimentos que se ensaie para colocar Dilma e seu governo sob qualquer tipo de vigilância. Como o tucano, incontestavelmente, se cacifou para liderar a oposição, o PT o vê como pária golpista. Ora essa, que piada! Golpista é quem se utiliza da democracia para calar vozes adversárias, não é mesmo?

A Resolução ainda sustenta que a oposição insiste na “divisão do País e investe contra a normalidade institucional. Tenta chantagear o governo eleito para que adote o programa dos derrotadas”. É ou não é para gargalhar? Fazem, inclusive, chacota com o fato de a oposição ter requerido uma auditoria no resultado das eleições. Fico aqui a me perguntar: fosse o PSDB a ter ganhado as eleições, o PT ficaria numa boa? Não contestaria o resultado até o osso? Não ia alegar o clamor popular nas redes sociais para pedir uma auditoria nas urnas? Agora vem o PT e diz que o que o PSDB faz é tentativa de golpe, sem considerar que, fossem os petistas do lado de lá, fariam o mesmo, quem sabe, o até pior? Essa gente acha que engana quem?

Ca entre nós, moral para chamar Aécio de golpista o PT não tem. Em 1999, quem mesmo convocou manifestações na Esplanada dos Ministérios com o slogan              “Fora FHC”? O petista Tarso Genro. O valente queria a saída do tucano recém-empossado do poder e a convocação de uma Constituinte, em virtude do “exagerado lucro dos bancos” graças a “informações privilegiadas”. Em 2001, Genro voltou a carregar a mão em artigo na Folha de S.Paulo, dizendo que, se FHC “tivesse dignidade”, renunciaria, “em face de legitimidade de um mandato construído por estelionato eleitoral”. Quando Serra disputou o Planalto contra Dilma, Genro, de novo, voltou a carga. Frente ao crescimento do tucano nas pesquisas, disse que, se eleito, seu mandato poderia “redundar em uma eleição ilegítima [em razão da campanha] com base na mentira, na inverdade, na calúnia e na difamação”. Imaginem o escândalo que seria hoje se Aécio publicasse um artigo dizendo que Dilma ganhou as eleições com base na compra de votos via Bolsa Família. Ou que sua eleição é ilegítima, por todas as asneiras ditas na campanha. Pois é. Dois pesos, duas medidas.

Manifestações – Dilma Rousseff foi legitimamente reeleita. Isso não se discute – o que não muda os números: 62% dos eleitores lhe disseram não. No entanto, dado o alto grau de insatisfação do povo e o descontentamento com o resultado das eleições, manifestações pelo impeachment de Dilma proliferaram em algumas cidades do País. A maior delas ocorreu em São Paulo, no sábado, e reuniu, segundo a Polícia Militar, pelo menos 2,5 mil pessoas.

Bem, aqui cabe um parêntese: a reinvindicação é legítima? Se ficar provado que o que Yousseff disse às autoridades – dando conta de que Dilma e Lula sabiam de todas as falcatruas havidas na Petrobras – for verdade, aí sim, Dilma tem mais é de ser tirada do poder. Tudo pelas vias institucionais, obviamente. Por hora, o que temos são apenas rumores oriundos de um colaborador da Justiça em regime de delação premiada. Como qualquer pessoa minimamente informada sabe, se ele estiver mentindo, os benefícios da delação são invalidados e sua pena é agravada. Mas notem que ir à rua com cartazes “Impeachment de Dilma” não é golpe, não é atentado ao poder, nada disso. O PT faz drama para capitalizar a simpatia do povo, só isso. Pior: há quem caia nessa ladainha. Fecho o parêntese.

Adiante.

A imprensa tratou essas manifestações com singular truculência. Em meio a milhares de pessoas, menos de dez ostentavam cartazes pela volta da ditadura militar. Eram tão poucos que os jornalistas de diferentes veículos tiveram de entrevistar uma mesma personagem, tamanha a falta de quórum para convalidar o retorno das armas ao poder. Ainda que fossem 100 pessoas apelando à ditadura, comparem a parte com o todo. Mesmo assim, qual foi o tom da cobertura jornalística? “Manifestação pede impeachment de Dilma e volta da ditadura militar”. É vergonhoso! Se eu soubesse que a exceção seria alçada ao status de regra, teria levado uns cartazes com minhas indignações também. Quem sabe não emplacaria umas manchetes nas homes dos portais, não é mesmo? “Ato na Paulista pede impeachment de Dilma e o fim da Paula Fernandes nas tardes de domingo, do Dodecafonismo e da ricota”.

O que me espanta é a cara de pau dos jornais e portais de internet, como editorializaram à esquerda as reportagens sobre o assunto. No auge das manifestações do ano passado, convocados na esteira da parafernália promovida pelo Movimento Passe Livre, ficou evidente que o caráter dos atos não era pacífico. Quem convoca manifestação mas se recusa a negociar e indicar o trajeto da passeata à Polícia Militar, convenhamos, não está muito disposto à ordem. A maioria dessas manifestações terminou em pancadaria, confusão, depredação e pessoas presas. Como a imprensa cobriu isso? Como um ato de “jovens pacíficos” (nunca a palavra pacífico foi tão repetida…), interrompido por uma “minoria violenta”. Ah, então ficamos assim: as manifestações de junho de 2013 eram naturalmente pacíficas, ainda que resultassem em caos promovido por uma minoria; e o ato da Paulista foi naturalmente pró-ditadura, ainda que a maioria dos participantes estesse lá por outras razões e apenas uns gatos pingados estivessem ostentando saudade dos militares. Façam-me um favor…

 E assim, com a contribuição involuntária da imprensa, o PT segue sina: ou você apoia o partido ou você é um golpista.

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