UM COQUETEL DE ASNEIRAS. É UM FILME DO TERRENCE MALICK? NÃO; É UMA COMPOSIÇÃO ERUDITA CONTEMPORÂNEA BRASILEIRA? NÃO; É UMA NOVA RECEITA GOURMETIZADA À PAULISTANA? NÃO! É UMA RESOLUÇÃO DO PT!

O PT divulgou nesta terça-feira (10) resolução política oriunda da comemoração dos 35 anos do partido. Pois é, meu caro leitor, mesmo com o petrolão, mesmo com a insatisfação popular atingindo o apogeu (e a pesquisa Datafolha veio apenas confirmar essa sensação de mal-estar, não revelando nada novo, a não ser o fato de o abismo de Dilma ser mais fundo do que o que se esperava) e mesmo com o clima bélico entre o governo e sua base, o partido achou conveniente celebrar mais um aniversário, como se o País estive todo pintado de tons róseos. “Ah, então não podiam?” Poder, podiam; mas, né…

A turba petista sempre se demonstrou descolada da realidade. Quando eram oposição, não ajustaram a sintonia para convergir para o bem do Brasil. Não homologaram a Constituição de 88, vociferaram contra as privatizações de Fernando Henrique Cardoso, não endossaram o Plano Real (o atual ministro-chefe da Casa Civil, Aloízio Mercadante, foi um dos expoentes do movimento do contra), não apoiaram o programa que deu fôlego às instituições financeiras continuarem operando em um cenário nada alvissareiro…

Mas divago.

Vergonha alheia. Este é o sentimento que me assalta a cada parágrafo que leio da tal resolução. Pelo documento, há, no Brasil, um grupo de pessoas que querem destruir o País, flertam com o golpe e visam à ruína da Petrobras. Diz a estrovenga: “[Temos de] condenar a ofensiva e denunciar as tentativas daqueles que investem contra a Petrobrás, pois, a pretexto de denunciar a corrupção que sempre combatemos, pretendem, na verdade, revogar o regime de partilha no pré-sal, destruir a política de conteúdo nacional e, inclusive, privatizar a empresa. É nosso dever fortalecer a Petrobrás e valorizar seus trabalhadores. É nossa tarefa também defender a democracia e as conquistas do povo, denunciar as tentativas de desqualificar a atividade política e de criminalizar o PT.”

Entenderam? Quem quer destruir a Petrobras, sob essa ótica, é o juiz Sérgio Moro, é o procurador geral da República, é a Polícia Federal, somos nós, que vibramos de alegria e alívio quando um vagabundo assaltante da coisa pública vai em cana. Já os petistas apaniguados na estatal, os indicados do partido para as diretorias envolvidas no escarcéu e os empresários amicíssimos de Lula arrolados na investigação são verdadeiro altruístas, que batalham pelo bem da empresa e por seu fortalecimento. Faça-me um favor! A resolução chega ao cúmulo de dizer que o anseio por privatizar a Petrobras é alinhado à vontade de aniquila-la. Estão enganados! Privatizar a joça petrolífera é o desejo de quem almeja salvá-la do desastre.

A vontade de rir vem quando chegamos ao parágrafo seguinte. “[Temos de] reafirmar o posicionamento adotado em Fortaleza em dezembro último, de apoiar as investigações em curso sobre a corrupção na Petrobrás e exigir que elas sejam conduzidas rigorosamente dentro dos marcos legais e não se prestem a ser instrumentalizadas, de forma fraudulenta, por objetivos partidários. O PT reafirma a disposição firme e inabalável de apoiar o combate à corrupção. Qualquer filiado que tiver, de forma comprovada, participado de corrupção, deve ser expulso.” Só faltou uma assinatura de José Genoíno e outra de José Dirceu logo na sequência, não é mesmo? Ah, sim: ambos os Josés não foram expulsos do PT, ainda que tenham sido condenados à prisão pela mais alta corte judiciária do País.

Um dos parágrafos mais espantosos afirma: “[É preciso] conclamar a militância a contribuir para a criação de uma articulação permanente de partidos, organizações, entidades – uma força política capaz de ampliar nossa governabilidade para além do Parlamento e de criar condições para realizar reformas estruturais no País. Reforçar as campanhas pela reforma política e pela democratização da mídia.”

Qualquer pessoa que leu Antonio Gramsci é capaz de identificar a sombra de um ente de razão pairando sobre os devaneios petistas. Ora, governabilidade se tem no âmbito de… governo! Quaisquer fenômenos paralelos a isso levados à sociedade não tem outro objetivo senão, como diria o próprio Gramsci, subverter todo o sistema de relações intelectuais e morais. E qual a referência para essa subversão? Bem, se o que os valentes querem é a “governabilidade”, nada mais razoável que a referência seja o… governo! E como este está tomado de assalto por um partido com um projeto de poder, logo se conclui que a força motriz do intento são os desígnio do…PT! E eles querem essa governabilidade extra governo para quê? Eis o pulo do gato: para a reforma política e o controle da imprensa. Para a primeira diretriz, o partido quer o voto em lista fechada e acabar com o financiamento empresarial de campanhas, deixando apenas o público. Ou seja, uma bela de uma tungada no bolso do contribuinte. Na segunda, querem acabar com imaginários oligopólios de mídia e propriedade cruzadas de veículos de imprensa. Puro besteirol. Mas sobre isso falo em um futuro post.

E a resolução se encerra festejando a vitória de Evo Morales nas eleições bolivianas, saudando o governo de esquerda recém-eleito na Grécia — que tem tudo para afundar o país — e o povo cubano, que, “por sua resistência, começa a quebrar o bloqueio imposto durante décadas pelo imperialismo”.

É tanta asneira junta que dá preguiça.

UM COQUETEL DE ASNEIRAS. É UM FILME DO TERRENCE MALICK? NÃO; É UMA COMPOSIÇÃO ERUDITA CONTEMPORÂNEA BRASILEIRA? NÃO; É UMA NOVA RECEITA GOURMETIZADA À PAULISTANA? NÃO! É UMA RESOLUÇÃO DO PT!

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