50 Tons de Cinza: uma porcaria que dá sono

Por que fazemos certas coisas com nós mesmos, hein?

Inventei de ir assistir a Cinquenta Tons de Cinza. É de uma sucessão de clichês para lá de bregas e manjados. A história trata do relacionamento entre uma menina humilde que, para ajudar uma amiga em um trabalho de faculdade, vai parar na sala de um empresário bilionário, sedutor, jovem, de aparência notável. O nome dele é Christian Grey; o dela, Ana Anastasia.

Ok, há uns minutos dedicados a como eles se conhecem melhor. Pulo essa parte.

Ele a leva para seu apartamento, uma cobertura duplex com vista panorâmica para a cidade (ai, que preguiça). O percurso até sua casa é feito de helicóptero (mano, isso é serio?). Lá, por razões que não vou falar por não ser spoiler, Grey admite que nunca dormira (literalmente, de roncar ao lado )com nenhuma mulher antes: ela fora a primeira (e o sono bate fortemente). Geralmente, ele só faz sexo e cai fora. Depois que transam e tiram uma sonequinha, ele desce à sala, e toca um piano de cauda (brega).

O moço compra para ela um carro zero-quilômetro, em substituição a um Fusca (mas que merda de sequência de previsibilidades!). Ah, claro, na garagem do rapaz, há uma coleção de Audis.

Esse coquetel de dissabores me deixou com saudades de Café com Aroma de Mulher, novela mexicana exibida no SBT durante minha infância. Aquilo sim era uma boa produção!

Adiante.

Mas o bilionário tem um gosto atípico: gosta de ser dominador e ter uma submissa para lhe servir. Grey sente coisas ao açoitar sua parceira. Esse gosto somado à personalidade peculiar dele  — não gosta de ser tocado sem seu consentimento, não sorri, não é romântico, não gosta de vivenciar coisas convencionais de um relacionamento, como ir a um cinema… — magoa a pobrezinha, machuca seu coraçãozinho e a deixa confusa.

Por incrível que pareça, essa sequência de breguices desperta o frenesi de parte da plateia. Quando Grey pergunta a Anastasia por onde ela andou e ela responde “esperando [por você]”, ouvem-se dispersos “owns” pela sala de cinema. Quando ele diz que “não faz amor”, mas “fode”, batatas fritam (onomatopeia daquele som abominável que alguém faz quando entreabre os lábios, encosta a língua no céu da boca e suga o ar).

Ah, e quando Grey faz uma trança na moça? “Ai, genteeeee, até trança ele faz!”, comentaram à minha frente.

Por sinal, o público do filme merece um parágrafo a parte. Era composto majoritariamente por mulheres de meia idade e de aliança no dedo, mas que foram à sessão com as amigas, não com o namorado ou marido; e por adolescentes com cara de sapeca. Aposto que, na cabeça dessas infantes, fervilham ideias muito mais audaciosas do que as exibidas no filme. A juventude de hoje em dia é fogo na roupa.

E sim, o filme se encerra com uma deixa para uma possível parte II.

Sobre o filme: vi e não gostei. Sobre o livro: não li e não gostei.

50 Tons de Cinza: uma porcaria que dá sono

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