Sexta-feira 13

Hoje, CUT, MST e UNE prometem mobilizar milhares de pessoas em 23 capitais do País em defesa da Petrobras.

Pela lógica, se estão a favor da Petrobras, estão antagonistas ao PT, o agente que destruiu a empresa.

Repito: CUT, MST e UNE estão contra o PT.

O partido morreu. Perdeu o monopólio da moral e dos bons costumes. Perdeu o domínio dos pobres. Perdeu a capilaridade social.

Já disse aqui e repito: ao lado do PT só permanecem os burros e os cúmplices.

Nota à margem 1: estar contra o PT não quer dizer necessariamente estar revestido das couraças da virtude. CUT, MST e UNE ainda são CUT, MST e UNE.

Nota à margem 2: este post é altamente irônico.

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Sexta-feira 13

A palanqueira fala, e os brasileiros protestam

Depois de assistir ao pronunciamento de Dilma Rousseff feito ontem à noite em cadeia nacional de rádio e TV, fui invadido por uma vontade quase incontrolável de sair andando sobre quatro patas. É impressionante como o espírito palanqueiro do período eleitoral ainda não desencarnou de nossa digníssima. Em quinze minutos de palavrório, ela não fez nem sequer um mea-culpa pela situação atual por que o País atravessa. De novo, tudo foi culpa da crise internacional e da seca.

Disse Dilma, a incólume, que a crise pela qual estamos atravessando é a “mais severa” desde o crash de 1929. As escolhas desastradas feitas pelo seu governo para amainar os efeitos da “marolinha”, como disse Lula, foram, ao ver de Dilma, acertadas. Ela justificou: “Na tentativa correta de defender a população, o governo absorveu, até o ano passado, todos os efeitos negativos da crise. Ou seja: usou o seu orçamento para proteger integralmente o crescimento, o emprego e a renda das pessoas”.

Pois é, ao proteger o crescimento, induziu-se um nacional-desenvolvimentismo borocoxô, subsidiando os amigos do rei com empréstimos cujos juros eram custeados pelo Tesouro. Os números do emprego são obtidos mediante uma metodologia para lá de questionável. E a renda das pessoas, bem, está esfacelada pela inflação nos píncaros, muito além do teto da meta.

Como remédio ao apanágio, Dilma pediu paciência a todos nós. Isso mesmo! Ela adota uma matriz econômica catastrófica e os trabalhadores é que pagam o pato.

Comparem o que ela disse na noite de ontem com seu discurso de campanha eleitoral (vídeos abaixo). A conclusão a que chegamos só pode ser uma: quem continua acreditando nessa mulher ou sofre de severo déficit cognitivo ou é um cúmplice. Para o primeiro caso, há saída possível; no segundo, a esperança esvanece-se.

Ah, sim: simultaneamente ao pronunciamento da governanta, uma onda de protestos despontou em partes do País. Foram pessoas cansadas de serem enganadas pelo discurso da mentira oficial que vaiaram Dilma e promoveram um panelaço.

Nas redes sociais, li, com um certo juízo de valor, que as manifestações havidas em São Paulo concentraram-se em bairros nobres, enquanto a periferia teria ficado calada. Tudo não teria passado de coisa dos “ricos” e da “elite”.  Vamos imaginar que essa constatação seja verdadeira. Engraçado! Então quer dizer que o silêncio do pobre é mais virtuoso do que a manifestação do rico? Então a indignação do abastado é ridícula porque do abastado; e a aquiescência do pobre é valorosa porque do pobre? Ah, tenha santa paciência. A democracia ainda não se macula por essas distinções mixurucas.

Dilma eleita

Dilma candidata

A palanqueira fala, e os brasileiros protestam

Torcer pelo cumprimento da lei é golpe? Segundo o PT, sim!

Dilma Rousseff merece sofrer impeachment. Eu adoraria me livrar da soberana, essa incompetente que levou o País ao atoleiro. Aqui e ali se ouvem analistas prevendo que 2015 e 2016 serão “anos de ajustes”. Por que ninguém fala as coisas com as palavras que merecem ser ditas? “Anos de ajustes” são “anos de crise”. O governo está quebrado. Comportando-se feito uma perdulária, Dilma arranhou a credibilidade fiscal do País. Sabem os déficits gêmeos? Pois é… Ninguém mais investe, compra, parcela, empresta dinheiro, dá emprego… Estamos em um colapso.

A Joaquim Levy, tido como o salvador da pátria, restou o papel de anunciar as medidas para atenuar a situação. Todo o receituário, é óbvio, tem como fio condutor o bolso do contribuinte, já penalizado por uma inflação em galopantes 7,9%. Governos não geram riquezas, como é sabido. Todo dinheiro de um País tem origem no trabalho de seu povo. Corolário: só resta a nós, trabalhadores, custear a farra de dona Dilma.

Mas divago.

Se Dilma for apeada do poder – por meios constitucionais, registre-se –, um pandemônio vai se instalar. O PT é um partido infantil. Não sabe conviver com as regras do jogo. Se alguém ameaça, ainda que legitimamente, tirar-lhe do poder, logo trata de armar sua turma de birrentos para por para funcionar a máquina de difamação e de boataria. O partido se comporta como o dono da bola: é minha, e se eu não brinco, ninguém brinca também. A democracia está para o PT como a bola está para o menino. Fosse agremiação insignificante, tudo bem; mas trata-se do maior partido do País, e sua capacidade de mobilização é gigantesca.

É verdade que muita gente já abandonou o partido, o que acaba por minar a aderência às besteiras da milícia petista. Os pobres, que sempre foram usados como desculpa pelo PT para a prática sucessiva do assalto ao Estado, já desembarcaram da turba que sempre lhe conferiu estratosféricos índices de aprovação. Uma coisa é aplaudir Dilma e Lula quando a imaginária nova classe média desfrutava do dinheiro fácil e as quinquilharias eram compradas a preços razoáveis; outra é olhar para a gôndola do supermercado e, semanalmente, levar um susto com o preço da banana, do arroz de segunda, da carne de segunda, do refrigerante vagabundo…

Quando, na campanha, falava-se de aumento inflacionário, aumento de desemprego, queda de confiança para investimentos e contração de crédito, déficit orçamentário etc, a maioria das pessoas acreditavam que isso era mi-mi-mi daquela gente do contra, não é mesmo? Aquela gente chata, do quanto pior, melhor; da elite incomodada com a ascensão dos pobres… Pois é, meus caros, a paranoia não era delírio, e a conta está aí. Soma-se a esse conjunto de infortúnios a iminência de um apagão. Se o PIB estivesse crescendo a 3% ou 4% ao ano, já estaríamos em trevas. Como nossa economia está no padrão PT, a escuridão, pelo menos, está postergada. No entanto, se as chuvas não forem generosas no curto prazo, preparem as velas.

Ah, claro: quem apontava a lama em que estava chafurdada a Petrobras era um antinacionalista, que só queria saber de privatizar a empresa. Ficou provado que quem ama aquela tranqueira são mesmo os petistas, né? Olha que maravilha a situação em que deixaram a companhia. O quilo do músculo (R$ 23,00) está mais valorizado que uma ação da petrolífera (R$ 9,57). Em 2010, os papéis chegaram a margear os R$ 30,00. Quem te viu quem te vê…

Mas e o impeachment com isso? Ora, simples. Segundo a Lei n. 1.079, que trata do assunto, Dilma pode, sim, sofrer perder o diploma de presidente da República. Repito: é a LEI que nos faculta chegar a essa conclusão, não uma farsa golpista, como o PT tem esparramado por aí. Diz a Lei:

Art. 9º São crimes de responsabilidade contra a probidade na administração:
5 – infringir no provimento dos cargos públicos, as normas legais;

Quem era mesma o presidente do Conselho de Administração da Petrobras à época das patuscadas que deram origem ao Petrolão?

Mais: o passa-moleque que o Executivo deu no orçamento, transformando déficit em superávit, também é matéria de impeachment. Diz, ainda, a Lei n. 1.079:

Art. 4º São crimes de responsabilidade os atos do Presidente da República que atentarem contra a Constituição Federal, e, especialmente, contra:
V – A probidade na administração;

Se a Lei ainda vale alguma coisa, nós vamos, sim, nos livrar dessa senhora. Não é ser golpista. Golpe quem dá o PT, ao solapar todo dia o regime democrático e minar as estruturas institucionais do Estado. Ou é mentira que, nos bastidores, o governo trabalha a todo vapor para acabar com a Lava-Jato? Torcer pelo impedimento de Dilma tampouco é compor a plateia do “quanto pior, melhor”. É simplesmente se entusiasmar com o cumprimento de leis democraticamente compactuadas.

15 de março: dia de lembrar que as leis existem.

Torcer pelo cumprimento da lei é golpe? Segundo o PT, sim!

Eles querem sangue

Olho por olho e a humanidade acabará cega. A frase de Mahatma Gandhi deveria ecoar pela cabeça baldia do ex-presidente em exercício, Lula, e de seus asseclas. Na semana que se passou, petistas promoveram na ABI (Associação Brasileira de Imprensa), no Rio de Janeiro, um ato em favor da Petrobras. Pessoas que, assim como a maioria dos brasileiros, estão enfadadas pela sequência inesgotável de patuscadas ocorridas no País, resolveram protestar nas proximidades, levando à memória dos presentes a incômoda realidade do País e pedindo um “Fora, Dilma”. Resultado: militantes do PT as espancaram, botando-as para correr.

Miliciano petista põe manifestante pra correr na base do pontapé
Miliciano petista esmurra manifestante

Vocês entenderam? Eles, petistas, podem fazer ato em defesa da Petrobras – que triste fim o da empresa: manifestam-se em seu favor justamente aqueles que a destruíram e continuam a esmorecê-la –; quem ousa lhes apontar o dedo, lembrando que foram justamente os petistas os responsáveis por tudo, aí não pode, aí é crime. Porrada e pontapé devem ser a resposta.

Como se isso não bastasse, em seu discurso inflamado, Lula conclamou a militância a não baixar a cabeça. “Quero paz e democracia, mas também sabemos brigar. Sobretudo quando o [João Pedro] Stedile colocar o exército dele nas ruas”, disse. Não ornam, em uma mesma frase, as palavras “paz” e “democracia” com “exército de Stedile”, um salafrário que capitaneia Brasil afora invasões a propriedades privadas via métodos notadamente violentos. Ao se aliar ao chefe do MST, Lula assume objetivamente que está disposto ao confronto às últimas consequências. Ora, não foi Stedile que prometeu uma “guerra” se Aécio ganhasse as eleições?

Miliciano petista agredindo manifestante. Seu crime: não pensar como Lula e achar que a Petrobras está um mar de rosas
Manifestante sendo agredido. Seu crime: falar a verdade sobre o PT. 

Também tomado pelo espírito combativo de Lula, o presidente do PT-RJ e prefeito de Maricá, Washington Quaquá, postou em seu Facebook: “Contra o fascismo a porrada! Não podemos engolir esses fascistas burguesinhos de merda! Tá na hora da militância e dos petistas responderam (sic) esses fdps que dão propina ao guarda, roubam e fazem caixa dois em suas empresas, sonegam impostos dão uma de falsos moralistas e querem achincalhar um partido e uma militância que melhorou (sic) a vida de milhões de Brasileiros. Vamos pagar com a mesma moeda: agrediu, devolvemos dando porrada!”

Dá-me nojo todas as vezes que ouço pessoas defendendo o PT ancorando-se no argumento de que o partido mudou a vida dos brasileiros mais pobres, como se isso fosse um salvo-conduto para a prática de crimes, assaltar a República, praticar estelionato eleitoral, assenhorear-se da máquina do Estado, corromper o Poder, fazer proselitismo chulo, incitar violência contra oposicionistas… Os pobres deveriam se sentir aviltados cada vez que essa gente os usa como massa de manobra para justificar seus malfeitos.

Questionado se não ultrapassou os limites da civilidade, Quaquá conseguiu piorar tudo. “Sou sociólogo e professor. Nasci na favela. Falo a linguagem do povo. Não estamos defendendo que o PT saia dando socos e porradas sem motivo, mas, se derem o primeiro soco, devemos responder com dois.” As pessoas decentes que moram em favelas têm o dever moral de condenar a fala desse senhor. Quer dizer que o fato de ter sido favelado o credencia a fomentar um banho de sangue? Então quem nasce em favela é, consequentemente, adepto do olho por olho, literalmente? Faça-me um favor!

Essa gente já fez muito mal ao País. Se eles nos abordam com socos e pontapés, nossa resposta continuará pautada pela lei e pela ordem. Se querem guerra com derramamento de sangue (porque é isso que o exército do MST, convocado por Lula, faz de melhor), nossa luta continuará se dando no campo das ideias e da reivindicação de um Estado livre dessa gentalha.

Dia 15 de março, a resposta será dada à altura!

Eles querem sangue