Torcer pelo cumprimento da lei é golpe? Segundo o PT, sim!

Dilma Rousseff merece sofrer impeachment. Eu adoraria me livrar da soberana, essa incompetente que levou o País ao atoleiro. Aqui e ali se ouvem analistas prevendo que 2015 e 2016 serão “anos de ajustes”. Por que ninguém fala as coisas com as palavras que merecem ser ditas? “Anos de ajustes” são “anos de crise”. O governo está quebrado. Comportando-se feito uma perdulária, Dilma arranhou a credibilidade fiscal do País. Sabem os déficits gêmeos? Pois é… Ninguém mais investe, compra, parcela, empresta dinheiro, dá emprego… Estamos em um colapso.

A Joaquim Levy, tido como o salvador da pátria, restou o papel de anunciar as medidas para atenuar a situação. Todo o receituário, é óbvio, tem como fio condutor o bolso do contribuinte, já penalizado por uma inflação em galopantes 7,9%. Governos não geram riquezas, como é sabido. Todo dinheiro de um País tem origem no trabalho de seu povo. Corolário: só resta a nós, trabalhadores, custear a farra de dona Dilma.

Mas divago.

Se Dilma for apeada do poder – por meios constitucionais, registre-se –, um pandemônio vai se instalar. O PT é um partido infantil. Não sabe conviver com as regras do jogo. Se alguém ameaça, ainda que legitimamente, tirar-lhe do poder, logo trata de armar sua turma de birrentos para por para funcionar a máquina de difamação e de boataria. O partido se comporta como o dono da bola: é minha, e se eu não brinco, ninguém brinca também. A democracia está para o PT como a bola está para o menino. Fosse agremiação insignificante, tudo bem; mas trata-se do maior partido do País, e sua capacidade de mobilização é gigantesca.

É verdade que muita gente já abandonou o partido, o que acaba por minar a aderência às besteiras da milícia petista. Os pobres, que sempre foram usados como desculpa pelo PT para a prática sucessiva do assalto ao Estado, já desembarcaram da turba que sempre lhe conferiu estratosféricos índices de aprovação. Uma coisa é aplaudir Dilma e Lula quando a imaginária nova classe média desfrutava do dinheiro fácil e as quinquilharias eram compradas a preços razoáveis; outra é olhar para a gôndola do supermercado e, semanalmente, levar um susto com o preço da banana, do arroz de segunda, da carne de segunda, do refrigerante vagabundo…

Quando, na campanha, falava-se de aumento inflacionário, aumento de desemprego, queda de confiança para investimentos e contração de crédito, déficit orçamentário etc, a maioria das pessoas acreditavam que isso era mi-mi-mi daquela gente do contra, não é mesmo? Aquela gente chata, do quanto pior, melhor; da elite incomodada com a ascensão dos pobres… Pois é, meus caros, a paranoia não era delírio, e a conta está aí. Soma-se a esse conjunto de infortúnios a iminência de um apagão. Se o PIB estivesse crescendo a 3% ou 4% ao ano, já estaríamos em trevas. Como nossa economia está no padrão PT, a escuridão, pelo menos, está postergada. No entanto, se as chuvas não forem generosas no curto prazo, preparem as velas.

Ah, claro: quem apontava a lama em que estava chafurdada a Petrobras era um antinacionalista, que só queria saber de privatizar a empresa. Ficou provado que quem ama aquela tranqueira são mesmo os petistas, né? Olha que maravilha a situação em que deixaram a companhia. O quilo do músculo (R$ 23,00) está mais valorizado que uma ação da petrolífera (R$ 9,57). Em 2010, os papéis chegaram a margear os R$ 30,00. Quem te viu quem te vê…

Mas e o impeachment com isso? Ora, simples. Segundo a Lei n. 1.079, que trata do assunto, Dilma pode, sim, sofrer perder o diploma de presidente da República. Repito: é a LEI que nos faculta chegar a essa conclusão, não uma farsa golpista, como o PT tem esparramado por aí. Diz a Lei:

Art. 9º São crimes de responsabilidade contra a probidade na administração:
5 – infringir no provimento dos cargos públicos, as normas legais;

Quem era mesma o presidente do Conselho de Administração da Petrobras à época das patuscadas que deram origem ao Petrolão?

Mais: o passa-moleque que o Executivo deu no orçamento, transformando déficit em superávit, também é matéria de impeachment. Diz, ainda, a Lei n. 1.079:

Art. 4º São crimes de responsabilidade os atos do Presidente da República que atentarem contra a Constituição Federal, e, especialmente, contra:
V – A probidade na administração;

Se a Lei ainda vale alguma coisa, nós vamos, sim, nos livrar dessa senhora. Não é ser golpista. Golpe quem dá o PT, ao solapar todo dia o regime democrático e minar as estruturas institucionais do Estado. Ou é mentira que, nos bastidores, o governo trabalha a todo vapor para acabar com a Lava-Jato? Torcer pelo impedimento de Dilma tampouco é compor a plateia do “quanto pior, melhor”. É simplesmente se entusiasmar com o cumprimento de leis democraticamente compactuadas.

15 de março: dia de lembrar que as leis existem.

Torcer pelo cumprimento da lei é golpe? Segundo o PT, sim!

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