A palanqueira fala, e os brasileiros protestam

Depois de assistir ao pronunciamento de Dilma Rousseff feito ontem à noite em cadeia nacional de rádio e TV, fui invadido por uma vontade quase incontrolável de sair andando sobre quatro patas. É impressionante como o espírito palanqueiro do período eleitoral ainda não desencarnou de nossa digníssima. Em quinze minutos de palavrório, ela não fez nem sequer um mea-culpa pela situação atual por que o País atravessa. De novo, tudo foi culpa da crise internacional e da seca.

Disse Dilma, a incólume, que a crise pela qual estamos atravessando é a “mais severa” desde o crash de 1929. As escolhas desastradas feitas pelo seu governo para amainar os efeitos da “marolinha”, como disse Lula, foram, ao ver de Dilma, acertadas. Ela justificou: “Na tentativa correta de defender a população, o governo absorveu, até o ano passado, todos os efeitos negativos da crise. Ou seja: usou o seu orçamento para proteger integralmente o crescimento, o emprego e a renda das pessoas”.

Pois é, ao proteger o crescimento, induziu-se um nacional-desenvolvimentismo borocoxô, subsidiando os amigos do rei com empréstimos cujos juros eram custeados pelo Tesouro. Os números do emprego são obtidos mediante uma metodologia para lá de questionável. E a renda das pessoas, bem, está esfacelada pela inflação nos píncaros, muito além do teto da meta.

Como remédio ao apanágio, Dilma pediu paciência a todos nós. Isso mesmo! Ela adota uma matriz econômica catastrófica e os trabalhadores é que pagam o pato.

Comparem o que ela disse na noite de ontem com seu discurso de campanha eleitoral (vídeos abaixo). A conclusão a que chegamos só pode ser uma: quem continua acreditando nessa mulher ou sofre de severo déficit cognitivo ou é um cúmplice. Para o primeiro caso, há saída possível; no segundo, a esperança esvanece-se.

Ah, sim: simultaneamente ao pronunciamento da governanta, uma onda de protestos despontou em partes do País. Foram pessoas cansadas de serem enganadas pelo discurso da mentira oficial que vaiaram Dilma e promoveram um panelaço.

Nas redes sociais, li, com um certo juízo de valor, que as manifestações havidas em São Paulo concentraram-se em bairros nobres, enquanto a periferia teria ficado calada. Tudo não teria passado de coisa dos “ricos” e da “elite”.  Vamos imaginar que essa constatação seja verdadeira. Engraçado! Então quer dizer que o silêncio do pobre é mais virtuoso do que a manifestação do rico? Então a indignação do abastado é ridícula porque do abastado; e a aquiescência do pobre é valorosa porque do pobre? Ah, tenha santa paciência. A democracia ainda não se macula por essas distinções mixurucas.

Dilma eleita

Dilma candidata

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