Um escárnio

Vejam que coisa curiosa.

Lula, Dilma, José Eduardo Cardozo, Jaques Wagner, Rui Falcão (presidente do PT, que, em seu Twitter, chamou os manifestantes da Paulista de cochinhas — isso mesmo, com “ch”) e outros da camarilha sempre se ensoberbeceram com o fato de que o partido, desde que assumiu o comando do País, conferiu à Polícia Federal e ao Judiciário ampla liberdade para apurar os malfeitos do Brasil.

Seria, inclusive, em razão desse fenômeno que nunca antes na história deste País fez-se tanto em termos de Justiça e blá blá blá.

Não vou entrar nesse mérito. Até porque liberdade de investigação e de inquérito não são garantidas por governos, mas sim pela Constituição. “Mas antes havia Engavetador-Geral da República”, dizem, em alusão a todos os processos de privatização e escândalos dos anos FHC. O curioso é que, mesmo empunhando o estandarte da liberdade de investigação das instituições, nem Lula nem Dilma foram fuçar na caixa preta das privatizações. Poderiam? Sim, poderiam!

Certa vez, compelida a responder sobre isso, Dilma saiu-se com a desculpa de que seu “governo respeita os contratos”. Engraçado que esse mesmo respeito foi mandado às calendas no episódio da renovação das concessionárias de energia, por exemplo. E o preço — altíssimo, por sinal — vem sendo pago pela população desde o fim do ano passado, com um aumento escorchante nas contas de luz.

Ou, sim: Lula e Dilma foram lá perscrutar algo de tenebroso das privatizações de FHC, mas nada encontraram de desabonador.

Ou é uma coisa (omitiram-se) ou é outra (não acharam pelo em ovo). Não há terceira via.

Desviei do foco.

Adiante…

Pois bem, o PT, que, como disse, sempre ostentou orgulho por conferir ampla liberdade de investigação às instituições, agora quer colocar Lula em um ministério. O objetivo: minar o poder de investigação dessas mesmas instituições que, na palra petista, foram beneficiadas nos anos Lula-Dilma. Com o molusco virando ministro, em tese, Sérgio Moro teria de remeter o processo de enriquecimento ilícito do ex-presidente ao STF, em razão do ganho de foro privilegiado. Tudo ficaria mais lento.

Lula poderia safar-se.

Lula poderia acabar bem.

Em vez de ir para o xilindró, que é o seu lugar, enraizar-se-ia no Planalto, embolsando cerca de R$ 35 mil ao mês.

É o PT usando o governo para livrar um criminoso da cadeia.

Quem são mesmo os paladinos da liberdade de investigação?

Um escárnio!

Um escárnio

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