Coxinha!

Na Avenida Paulista há dois parques abertos ao público: Trianon e Mário Covas. Descendo a Brigadeiro Luis Antônio, a uma distância irrisória, está um dos melhores parques do mundo, o do Ibirapuera. A região é bem servida de equipamentos públicos de entretenimento, lazer e cultura, servindo à rica população que por ali mora e quem se propõe a se locomover até lá para desfrutar desses locais.

Além disso, o ciclofaixista Haddad ornamentou muito bem de vermelho toda a Paulista, de modo que, quem quer pedalar por lá não precisa esperar dias específicos destinados a ciclistas. O custo disso: mais de R$ 12 milhões. Uma bagatela de cerca de R$ 45 por decímetro.

Mesmo assim, o prefeito insiste em sua cega obstinação de fechar a Paulista aos domingos ao tráfego de carros. O argumento de transformar a avenida em um grande parque público, sustentado sobre quatro patas, não passa de um pretexto para tonificar ainda mais sua política de punir quem tem carro.

Enquanto isso, na periferia, falta verba para construir as 243 creches prometidas. A Prefeitura já admitiu que entregará apenas 147. As 55 mil unidades de moradias de interesse social prometidas na campanha dificilmente serão entregues, uma vez que, passada mais da metade da gestão Haddad, menos de 10% do total foi atingido. Desconhece-se programas municipais para promover cultura, lazer e entretenimento na periferia da cidade na mesma escala megalômana das ciclofaixas e ciclovias — amplamente tomadas pelas classes média, média alta e moradoras das regiões mais bem servidas de infraestrutura de transporte público.

Haddad presenteia as pessoas com boas condições de vida. E deixa ao relento os moradores de regiões mais carentes.

Esse é o prefeito mais coxinha da história de São Paulo.

Anúncios
Coxinha!

A palanqueira fala, e os brasileiros protestam

Depois de assistir ao pronunciamento de Dilma Rousseff feito ontem à noite em cadeia nacional de rádio e TV, fui invadido por uma vontade quase incontrolável de sair andando sobre quatro patas. É impressionante como o espírito palanqueiro do período eleitoral ainda não desencarnou de nossa digníssima. Em quinze minutos de palavrório, ela não fez nem sequer um mea-culpa pela situação atual por que o País atravessa. De novo, tudo foi culpa da crise internacional e da seca.

Disse Dilma, a incólume, que a crise pela qual estamos atravessando é a “mais severa” desde o crash de 1929. As escolhas desastradas feitas pelo seu governo para amainar os efeitos da “marolinha”, como disse Lula, foram, ao ver de Dilma, acertadas. Ela justificou: “Na tentativa correta de defender a população, o governo absorveu, até o ano passado, todos os efeitos negativos da crise. Ou seja: usou o seu orçamento para proteger integralmente o crescimento, o emprego e a renda das pessoas”.

Pois é, ao proteger o crescimento, induziu-se um nacional-desenvolvimentismo borocoxô, subsidiando os amigos do rei com empréstimos cujos juros eram custeados pelo Tesouro. Os números do emprego são obtidos mediante uma metodologia para lá de questionável. E a renda das pessoas, bem, está esfacelada pela inflação nos píncaros, muito além do teto da meta.

Como remédio ao apanágio, Dilma pediu paciência a todos nós. Isso mesmo! Ela adota uma matriz econômica catastrófica e os trabalhadores é que pagam o pato.

Comparem o que ela disse na noite de ontem com seu discurso de campanha eleitoral (vídeos abaixo). A conclusão a que chegamos só pode ser uma: quem continua acreditando nessa mulher ou sofre de severo déficit cognitivo ou é um cúmplice. Para o primeiro caso, há saída possível; no segundo, a esperança esvanece-se.

Ah, sim: simultaneamente ao pronunciamento da governanta, uma onda de protestos despontou em partes do País. Foram pessoas cansadas de serem enganadas pelo discurso da mentira oficial que vaiaram Dilma e promoveram um panelaço.

Nas redes sociais, li, com um certo juízo de valor, que as manifestações havidas em São Paulo concentraram-se em bairros nobres, enquanto a periferia teria ficado calada. Tudo não teria passado de coisa dos “ricos” e da “elite”.  Vamos imaginar que essa constatação seja verdadeira. Engraçado! Então quer dizer que o silêncio do pobre é mais virtuoso do que a manifestação do rico? Então a indignação do abastado é ridícula porque do abastado; e a aquiescência do pobre é valorosa porque do pobre? Ah, tenha santa paciência. A democracia ainda não se macula por essas distinções mixurucas.

Dilma eleita

Dilma candidata

A palanqueira fala, e os brasileiros protestam

Bendini tenta vender algo que não tem: independência

Em entrevista exclusiva concedida ao Jornal Nacional de ontem (10/2), o novo presidente da Petrobras, Aldemir Bendine, tentou mostrar que terá, sim, independência na condução da petrolífera. “Do ponto de vista de ingerência, se eu for dar o exemplo de onde estou vindo agora, seis anos na presidência de um banco que também é uma sociedade de economia mista, eu me senti muito confortável nesse período porque eu tive total liberdade e autonomia para trabalhar e é também o que me foi confidenciado pelo Conselho de Administração (da Petrobras)”, disse.

Bem, a coisa não foi bem assim como retrata o executivo. Dilma Rousseff, a presidente com capacidade de afundar qualquer coisa sobre a qual sobrevenham suas ideias, usou descaradamente o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal para forçar uma queda de juros nas operações de financiamentos imobiliários e de empréstimos. Isso era bom para o banco? Era oportuno? Que se dane! Nessas horas, o populismo sempre prevalece. O fato é que ela mandou, e ele bovinamente obedeceu.

Por sinal, cumpre lembrar o desempenho medíocre que o BB, ainda sob Bendine, teve em 2014. O lucro do banco caiu 28,6%, enquanto o do Bradesco e do Itaú subiram 25,6% e 29%, respectivamente.

Mais: esse senhor é especialista em derrubar o valor de ações. Ao assumir a Petrobras, as ações caíram 6%. Quando foi nomeado presidente do Banco do Brasil, a queda dos papéis foi de 8,15%.

Ah, o coquetel de infortúnios não para por aí. Uma analisada na lista dos membros do Conselho de Administração da Petrobras só corrobora a impressão de que o sócio controlador daquela geringonça, ou seja, o governo, continuará fazendo o que bem entender. Eis a plêiade do Planalto: Guido Mantega (como presidente!), Maria das Graças Foster, Luciano Coutinho e Miriam Belchior. Cada um, vale lembrar, carrega nas costas, em menor e em maior grau, maus momentos em suas respectivas áreas de atuação.

E o PT teima em dizer que quem quer privatizar a Petrobras, livrando-a dessa corja, é antinacionalista. Que piada!

Bendini tenta vender algo que não tem: independência

2015

2015 não começou nada bem. Logo no dia 1º/1, Dilma, que, embora eleita pelo PT, vem adotando um receituário tucano, tomou posse de seu mandato.

A Petrobras continuou tomando na tarraqueta. Economistas de várias consultorias preveem recessão para este ano.
A China, que compra nossas commodities como sacoleiro se felicita no Brás, capengou, e cresceu “só” 7,4% (menos China, menos exportações).

Os resultados há pouco divulgados das redações do Enem cristalizaram que somos um país de analfabetos.

O PT insiste na regulação da mídia.

E hoje, se inicia o BBB.

Se Deus é brasileiro, qual a nacionalidade de seu antagonista, o Encardido?

Deus, o Grande Irmão, é brasileiro.

2015

CALORZINHO

Ao longo desta semana, tenho sido castigado por um calor de 36º. Com a pele vermelha, testa brilhando de sais minerais, pernas cozidas pelo jeans, garganta sôfrega por água e olhos ofuscados pelo Sol, pergunto-me como alguém pode gostar dessa estrovenga. E, sim, há quem curta “um calorzinho” aos borbotões.

Não há como tocar uma vida civilizada com esse inferno. Não fosse a infraestrutura pensada para amenizar os efeitos deletérios do calor – ar-condicionado, ventilador e caipirinha –, eu já estaria eternizado na terra dos pés juntos.

Passei parte de minhas férias de fim de ano no litoral. Ficava pensando comigo mesmo sobre que tipo de capacidade sobrenatural tinham aquelas pessoas que chegavam à praia logo cedo para passar o dia inteiro instaladas lá, naquela areia quente, sob o tórrido Sol de verão.

Eu, particularmente, tenho seriíssimas restrições a praia. Areia quente, água salgada, trânsito na orla, vendedor ambulante, compromisso inquebrantável com o protetor solar, idosos expelindo gases pelo ânus (sim, no calor, eles executam essa tarefa com mais regularidade) e porções e mais porções de frituras formam, para mim, um coquetel de infortúnios. Li, embasbacado, que em 29/12 a temperatura na areia de Copacabana atingiu píncaros 54 graus. A foto que ilustrava a reportagem d’O Globo era da praia tomada por banhistas. Que gente corajosa!

Ilustres do pensamento, há muito, já diziam que o calor pode levar à lassidão, a ter uma saúde mais frágil, a padecer de uma certa ausência de firmeza e constância mental e, consequentemente, a ter menos conhecimento (Jeremy Bentham).

Não, eu não acredito em determinismos categóricos. Sou daqueles que ainda acham que a vontade do homem compõe suas próprias veredas. Mas não há como negar que há, sim, elementos alheios à vontade humana que podem impactar suas escolhas.

O clima quente também pode tirar o vigor do corpo. Com isso, o homem perde curiosidade e nobreza de propósito, dado que a prostração, eventualmente, pode alcançar até mesmo o espírito. Nesse estágio, a preguiça se confunde com a felicidade (Montesquieu). A atividade vence o frio; a inatividade vence o calor. É um axioma atrativo ao hedonismo.

O calor é tão ruim, mas tão ruim, mas tão ruim, que chega ao ponto de me fazer concordar com Marx. Dizia o velho furuncoloso que o clima temperado favorece o capitalismo.

CALORZINHO

Proselitismo com miseráveis: imoral, inaceitável e impiedoso

O mercado da miséria é bastante explorado por vigaristas, esquerdistas moradores do Leblon e da Vila Madalena e petistas. Onde há pobre, há a órbita dessa gente. Sempre foi assim. A diferença é que, em tempos eleitorais, a coisa fica  mais escancarada. Vide o que o PT fez com os assistidos pelo programa Bolsa Família. Serviram de massa de manobra para que o partido pudesse continuar se locupletando no poder. Mensagens de torpedo, e-mails, carro de som pelas ruas e mala direta aos borbotões foram utilizados para coloca-los contra a parede. O tom nada amistoso pode ser sintetizado em: ou você vota em Dilma ou seu Bolsa Família será cortado. Uma singeleza só.

Uma rápida consulta aos sites do Tribunal Superior Eleitoral e do Ministério do Desenvolvimento Social nos permite verificar a relação entre o quão necessitado é um município dos recursos do Bolsa Família e o tanto de votos obtidos por Dilma Rousseff. A conclusão é, como diria nossa mandatária reeleita, estarrecedora: nas mil cidades onde há mais assistidos pelo Bolsa Família, a média de votos de Dilma foi de 73%. Nos mil municípios em que a maioria das famílias tem renda per capita igual ou inferior a R$ 70, o PT levou 74% dos votos. Em outro polo, nos mil municípios que menos dependem do Bolsa Família e naqueles onde é minoria as famílias com renda per capita abaixo de R$ 70, o resultado foi 28%.

“Então quer dizer que você é contra o governo combater a miséria?” Eu? Sai fora! É claro que o governo tem de diuturnamente (além deste advérbio de modo, Dilma cravaria um noturnamente) combater a fome e a miséria. Inclusive, acho que o Bolsa Família deveria ser transformado em política de Estado, livre de desígnios dos partidos de plantão. Sua perenidade tem de ser assegurada. Ponto. O que ponho em questão é outra coisa: por que cargas d’água o PT se orgulha tanto de ter 50 milhões de pessoas dependentes do Estado para se sustentar? Só razões eleitoreiras justificam isso. Países decentes comemoram que seus pobres saiam da pobreza e tomem condições de gerir suas próprias vidas; no Brasil, faz-se festa quando uma família entra para o assistencialismo.

Quando o assunto é levado ao marketing político, a coisa ganha contornos ainda mais constrangedores. Vemos uma candidata orgulhosa de pendurar mais gente na dependência do Estado. A oposição, sem traquejo para falar o que tem de ser dito, afirma que vai fortalecer o programa (santo Deus, é mesmo?), de modo a assistir ainda mais pessoas. Só se vê governante querendo trazer mais gente para saciar sua fome nos seios estatais, mas não há um santo com uma proposta decente para dar liberdade a essas famílias.

Fazer proselitismo político com pessoas que dependem de R$ 32 a R$ 170 para viver é imoral, além de impiedoso. É usar a miséria como máquina de votos. E é isso que está em curso no Brasil, sob o voto complacente de 54,5 milhões de pessoas.

Proselitismo com miseráveis: imoral, inaceitável e impiedoso

A REFORMA POLÍTICA DO PT FRAGILIZA A DEMOCRACIA. MERECE UM NÃO CONTUNDENTE

Ao longo de 11 anos no poder, o PT nunca advogou com tanto afinco a reforma política que agora dona Dilma canta em prosa e verso. Precisou o País vir abaixo em junho do ano passado para que isso ocorresse. À época, o que Dilma propôs foi um escândalo jurídico: Constituinte exclusiva para a reforma política. Santo Deus! Não existe ninguém destacado na órbita do Planalto para instruir a mandatária? Mais do que depressa, juristas aos montes desmoralizaram a proposta, apontando o conjunto de asneiras que a ideia de Dilma continha. Foi um vexame!

Pois bem, passado o calor da campanha eleitoral, em entrevistas a emissoras de TV, Dilma, agora, emplaca enfaticamente o plesbicito como caminho para a reforma política. Basta conhecer minimamente o Congresso Nacional para saber que seu trabalho terá de ser hercúleo para prosperar. Há um PMDB lá, que sairá enormemente prejudicado se essa a reforma for aplicada nos moldes sonhados pelo PT. Mais: há uma oposição vigorosa, fortificada pelo resultado das urnas. Queiram ou não, ela fala em nome de 62% dos brasileiros que não votaram em Dilma.

O que hoje pode ser escaramuça do petismo tem potencial para se transformar em algo bem grave. Há, sim, escamoteada nas “benévolas” ideias do PT a semente para a concretização do que o partido sempre quis: sua eternização no poder. “Ah, mas as instituições no Brasil são democráticas”, respondem muitos. É mesmo? E quem disse que os instrumentos da democracia não podem ser utilizados para solapá-la? Se comparar o grau de aparelhamento do Estado brasileiro, dos movimentos sociais, das ONGs e do sindicalismo de hoje com o que era 10 anos atrás, veremos uma crescente alarmante. A troco de quê? Bem, as coisas começam a ficar mais claras.

A proposta de plebiscito pelo Executivo, se analisada em sua essência e à luz do Art. 49 inciso XV da Constituição Federal, é um by pass no Congresso Nacional. Seria mais razoável a convocação de um referendo. Primeiro, Senado e Câmara desenham o modelo de reforma, depois, o povo diz se concorda ou não. Mais: diz o PT ter a legitimidade de movimentos sociais para cacifar a tal Constituinte. Que coisa, não? Movimentos sociais quase todos aparelhados pelo esquerdismo mais bocó. É um acinte dos infernos. Imaginem que coisa maravilhosa viria da tal Mídia Ninja, Movimento Passe Livre, MTST, MST, Coordenação Nacional de Lutas, A Marighella, Alba, UNE… Isso justifica a especial predileção pelo plebiscito: o que viria das ruas teria mais musculatura para ser enfiado goela abaixo dos congressistas.

O que o PT quer – Se o modelo de reforma política estruturado pelo PT passar, teremos a debilidade da democracia como resultado. O financiamento público de campanha defendido pelo partido não passa de engodo mascarado de boas intenções. Dizem que o expediente erradicaria as mazelas da vida política. Que piada! Quer dizer que o Petrolão existiu devido ao financiamento empresarial de campanhas? E o escândalo do DNIT? E o dossiê dos aloprados?

É preciso ser muito cândido para crer em tamanha bobajada. O financiamento público de campanha, como critério de distribuição de prebendas, obedeceria à proporcionalidade de votos recebidos pelos partidos na eleição anterior. Adivinhem quem sairia abiscoitando a maior fatia do bolo? “Ah, mas é bom, pois os nanicos se danariam”. A troco do regozijo petista? Isso é razoável? Ora, façam-me um favor. Cláusula de barreira, nesse caso, seria mais salutar.

O voto em lista fechada veta ao eleitor o direito de conhecer o nome e o rosto do candidato em que está votando. Dá-se aos partidos o direito de colocarem quem bem quiser nas cadeiras do Congresso Nacional. Quando a patota da Papuda, liderada por Genoíno e José Dirceu, estiver novamente apta a votar e ser votada, poderá voltar à vida pública. Basta a reforma da Dilma conseguir emplacar o voto em lista. Se democracia pressupõe o eleitor vigilante e perto do eleito, que vingue o modelo de voto distrital misto.

Ainda falta muito para entrarmos nos trilhos de uma Venezuela. Mas, cá entre nós, o PT está fazendo a lição de casa direitinho.

A REFORMA POLÍTICA DO PT FRAGILIZA A DEMOCRACIA. MERECE UM NÃO CONTUNDENTE